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Atividades sobre Relação entre textos com gabarito — 8º ano, 9º ano (EF89LP32)

Atividades sobre Relação entre textos com gabarito — 8º ano, 9º ano (EF89LP32)

Quando recebo a EF89LP32 no planejamento, sei que não basta pedir aos alunos que encontrem uma “referência”. O desafio real é transformar reconhecimento em leitura: eles precisam perceber o que muda no sentido quando um texto conversa com outro. E isso aparece o tempo todo na sala, das campanhas publicitárias aos vídeos que circulam no celular.

Para mim, trabalhar essa habilidade no 8º e no 9º ano fica mais produtivo quando parto de repertórios que a turma já conhece e, depois, amplio a conversa para poemas, canções, mitos e outras artes. Assim, a intertextualidade deixa de parecer uma caça ao nome do autor e vira uma ferramenta de interpretação.

O que a habilidade EF89LP32 pede, de verdade?

A EF89LP32 pede que o estudante analise os efeitos de sentido criados quando um texto retoma, cita, transforma ou sugere outro texto, obra ou manifestação artística. Em termos de sala de aula, não é suficiente dizer “isso lembra Camões” ou “essa frase veio de uma música”: o aluno precisa explicar para que a referência foi usada naquele novo contexto. Ela reforça uma emoção? Atualiza uma crítica? Cria contraste, homenagem, ironia ou reflexão? A habilidade também inclui relações entre literatura e cinema, teatro, artes visuais, mídias e música, além de formas como paródia, paráfrase, pastiche, trailer honesto, vídeos-minuto e vidding. Eu procuro fazer a turma comparar o texto de origem com o texto novo, observando o que permanece, o que é alterado e qual efeito essa escolha produz para o leitor. Esse caminho evita respostas superficiais e desenvolve uma leitura realmente argumentada.

“Analisar os efeitos de sentido decorrentes do uso de mecanismos de intertextualidade (referências, alusões, retomadas) entre os textos literários, entre esses textos literários e outras manifestações artísticas (cinema, teatro, artes visuais e midiáticas, música), quanto aos temas, personagens, estilos, autores etc., e entre o texto original e paródias, paráfrases, pastiches, trailer honesto, vídeos-minuto, vidding, dentre outros.”

Esta é uma habilidade de Língua Portuguesa, no objeto de conhecimento Relação entre textos. Para consultar a descrição e o acervo completo, eu indico a consulta completa do código EF89LP32.

Como trabalhar EF89LP32 em sala?

  1. Começo com frases reconhecíveis. Levo manchetes, cartazes e slogans que retomem versos ou ditados conhecidos. Em duplas, os alunos identificam a referência e completam três perguntas: qual é o texto de origem, o que foi mudado e qual crítica ou ideia nova apareceu.
  2. Faço leitura em camadas. Projeto um poema curto e uma releitura contemporânea. Primeiro, lemos cada texto separadamente; depois, marcamos palavras, imagens e temas que se conectam. Isso ajuda quem ainda confunde citação com simples coincidência temática.
  3. Uso repertório da turma com propósito. Um trailer, meme ou videoclipe pode entrar na aula, desde que a pergunta central seja interpretativa: que obra, gênero ou personagem é retomado? O novo material homenageia, atualiza, ironiza ou questiona o original?
  4. Proponho uma produção curta. Peço um cartaz de campanha que faça alusão a uma canção, conto ou poema estudado. Na legenda, cada grupo explica a referência e o efeito pretendido. Não exige material caro: papel, canetão e leitura cuidadosa resolvem.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF89LP32 apresenta pistas suficientes para o aluno reconhecer a relação entre textos e exige que ele analise seu efeito de sentido. O foco não deve ser decorar autoria ou classificar mecanicamente “paródia”, “citação” e “alusão”. É preciso perguntar o que a retomada produz: aproxima tradição e presente, transforma uma exaltação em crítica social, intensifica uma emoção ou torna simbólica uma experiência.

Um erro comum é criar alternativas que só perguntam se o aluno conhece a obra original. Outro é tratar qualquer mudança como humor ou paródia. Na correção, eu valorizo respostas que citam elementos dos dois textos e explicam a relação entre eles. Para variar instrumentos, uso comparação escrita, apresentação oral, produção de cartaz e questões objetivas. No gerador de provas do GeraProva, há 53 questões alinhadas a esse código, o que facilita montar versões diferentes para a turma.

Questões prontas de EF89LP32 (com gabarito comentado)

1. Em uma crônica, o narrador caminha por uma praça coberta de folhas secas e observa os vestígios do outono. Enquanto segue pelo caminho, recorda o verso de Vinicius de Moraes: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Em seguida, afirma: “A cada passo, as folhas sob meus pés pareciam devolver nomes e despedidas que eu julgava esquecidos”. Considerando a relação entre o verso citado e a cena narrada, qual é o principal impacto dessa referência no texto?

  • ❌ A) Produzir humor ao aproximar uma cena cotidiana de um verso conhecido. Não há tom cômico; a cena é reflexiva e memorialística.
  • ✅ B) Associar a passagem do tempo às lembranças de encontros e desencontros. A referência amplia as folhas secas, evocando tempo, despedidas e memórias.
  • ❌ C) Antecipar uma mudança brusca no destino do narrador durante a caminhada. Não há indício de reviravolta.
  • ❌ D) Demonstrar que o narrador conhece referências literárias consagradas da cultura brasileira. Isso é secundário, não o efeito central.
  • ❌ E) Valorizar a poesia como forma superior de expressão da experiência vivida. O texto não estabelece superioridade entre poesia e narrativa.

2. Em uma batalha de poesia realizada em uma praça de São Paulo, Mariana apresenta o seguinte trecho: “Cruzo a avenida quando a sirene anuncia a noite; / no bolso, levo o mapa dos que não desistem. / Tudo vale a pena, repito, / se a alma não é pequena. / Amanhã, o mesmo concreto verá meus passos.” O poema combina imagens do cotidiano urbano com a retomada de um conhecido verso associado à obra de Fernando Pessoa. Considerando a relação entre o trecho de Mariana e o verso retomado, qual efeito de sentido a intertextualidade produz?

  • ❌ A) Indicar uma mudança cronológica ao reunir a poesia de Pessoa e a produção contemporânea de slam. É uma característica da relação, não seu efeito principal.
  • ❌ B) Produzir humor pela contradição entre a solenidade do verso e a cena cotidiana. Não há ironia ou comicidade.
  • ❌ C) Comentar a escolha das palavras em uma reflexão sobre a escrita. O poema não discute sua composição.
  • ❌ D) Aproximar o poema da descrição objetiva de paisagens marítimas pessoanas. O foco é o espaço urbano e simbólico.
  • ✅ E) Associar a travessia das dificuldades urbanas à resistência interior evocada no verso retomado. A retomada desloca a grandeza interior para a resistência na cidade.

3. Em um recital, Mariana afirma: “amor é fogo que arde sem se ver”, retomando uma formulação conhecida dos sonetos de Luís de Camões. Depois, desenvolve imagens próprias sobre a cidade. Qual efeito de sentido é produzido pela inclusão da frase no poema?

  • ❌ A) Apresentar uma definição literal do amor para explicar objetivamente a cidade. O verso é metafórico.
  • ✅ B) Retomar um verso consagrado para aproximar a voz contemporânea da tradição lírica e reforçar a intensidade do amor. A referência dialoga com Camões sem abandonar a voz atual.
  • ❌ C) Destacar a originalidade da poeta ao substituir a referência clássica por imagens exclusivamente urbanas. Ela incorpora, e não substitui, a referência.
  • ❌ D) Criar efeito humorístico sobre a vida urbana. Não há marca de humor.
  • ❌ E) Romper com a tradição literária ao rejeitar o sentido original do verso. O texto indica aproximação, não rejeição.

4. Em uma campanha escolar sobre inclusão digital, foi divulgado o cartaz: “Minha terra tem wi-fi, mas nem todo mundo consegue acessar”. A frase retoma “Minha terra tem palmeiras”, de Gonçalves Dias. Qual efeito de sentido a intertextualidade produz?

  • ❌ A) Apresenta a tecnologia como símbolo de superioridade nacional e acesso para todos. O cartaz destaca justamente a desigualdade.
  • ❌ B) Abandona a identidade nacional para explicar redes de internet. A discussão é social, não técnica.
  • ❌ C) Reproduz a idealização da pátria e associa tecnologia à natureza preservada. A retomada é crítica.
  • ❌ D) Substitui a linguagem poética por publicidade neutra, sem relação com Gonçalves Dias. A estrutura do verso permanece reconhecível.
  • ✅ E) Reformula a exaltação da terra natal para denunciar que o acesso às tecnologias permanece desigual no país. A alteração atualiza o verso e produz crítica social.

5. Em uma campanha escolar sobre uso responsável da água, um cartaz traz o slogan: “Na ciranda do planeta, a água é estrela!”, mostra estudantes em roda e não reproduz versos de canção. Que marca de intertextualidade aparece?

  • ✅ A) Uma alusão à canção infantil “Ciranda, cirandinha”, retomada de modo implícito pela palavra “ciranda” e pela imagem da roda. Há evocação indireta, sem reprodução de versos.
  • ❌ B) Uma paráfrase da canção, pois o slogan reescreve integralmente seus versos. Não há reescrita integral.
  • ❌ C) Uma citação direta, pois o cartaz reproduz trecho da canção. O enunciado informa que não reproduz versos.
  • ❌ D) Uma paródia, pois altera o sentido original para produzir humor. Não há humor ou transformação paródica.
  • ❌ E) Uma referência apenas temática à preservação ambiental. “Ciranda” e a roda evocam uma obra cultural específica.

6. “Agarrado ao leme do tempo, volto a Ítaca que não é a minha. / Aqui não há monstros nem sereias, / mas ecos de escolhas passadas / e sonhos que começam outra vez.” No texto, qual efeito de sentido é produzido pela referência ao retorno de Ulisses a Ítaca?

  • ❌ A) Criar humor ao modificar uma história da Antiguidade. O tom é reflexivo.
  • ❌ B) Apresentar uma viagem real de Ulisses até a ilha grega. A referência é simbólica.
  • ❌ C) Destacar o cenário marítimo por imagens de navegação e aventura. Isso ignora a função principal de Ítaca.
  • ✅ D) Relacionar o retorno de Ulisses a um processo de reflexão sobre a própria vida. O retorno sugere rever escolhas e trajetória.
  • ❌ E) Rejeitar a tradição clássica ao substituir a aventura original. Transformar o mito não significa rejeitá-lo.

Próximos passos

Eu começaria com uma das questões, retomaria o texto de origem e pediria que a turma defendesse a resposta com evidências. Depois, vale criar uma pequena campanha intertextual. Para ampliar o banco e montar sua avaliação, faça seu cadastro grátis no GeraProva.

As questões são um ponto de partida: adapte textos, repertórios e mediações ao perfil da sua turma. Com leitura compartilhada e boas perguntas, a intertextualidade pode virar uma das aulas mais vivas do bimestre.

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