Atividades sobre Variação linguística com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP55)
Quando a EF69LP55 aparece no meu planejamento, eu sei que não basta separar uma lista de regionalismos e pedir que a turma “identifique o diferente”. O desafio é bem mais importante: transformar situações que os alunos vivem — uma risada por causa do sotaque, uma correção atravessada no grupo da sala, a ideia de que alguém “fala errado” — em aprendizagem sobre língua, respeito e contexto.
Na prática, eu preciso equilibrar duas coisas: ensinar que a norma-padrão existe e tem usos sociais relevantes, sem transmitir que ela é a única forma legítima de falar. É uma habilidade muito presente do 6º ao 9º ano e rende boas conversas, produções e avaliações quando a gente parte de exemplos reais de comunicação.
O que a habilidade EF69LP55 pede, de verdade?
A EF69LP55 pede que o estudante reconheça que a língua portuguesa muda conforme região, grupo social, situação de comunicação, geração e grau de formalidade; compreenda que a norma-padrão é uma referência importante, especialmente em determinados gêneros e contextos formais; e identifique preconceito linguístico quando uma variedade é tratada como inferior ou como prova de pouca inteligência e escolaridade. Em outras palavras, eu trabalho com a turma a diferença entre adequação e erro: uma expressão informal pode não ser a escolha esperada em um requerimento, mas isso não autoriza ninguém a humilhar quem a usa numa conversa cotidiana. O aluno precisa perceber que sotaques, gírias, reduções como “cê” e palavras regionais carregam história e identidade. Também precisa saber escolher registros linguísticos de acordo com objetivo, interlocutor e espaço, sem apagar ou ridicularizar os modos de falar das pessoas.
“Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.”
Essa habilidade pertence ao componente de Língua Portuguesa, na unidade temática Língua Portuguesa, dentro do objeto de conhecimento Variação linguística. Ela se aplica aos 6º, 7º, 8º e 9º anos. Para consultar o recorte completo e o acervo disponível, eu uso a consulta completa do código EF69LP55.
Como trabalhar EF69LP55 em sala?
1. Mapa das falas da turma. Eu proponho, com cuidado e sem expor ninguém, que os estudantes registrem palavras, cumprimentos ou expressões ouvidas em casa e no bairro. “Oxente”, “uai”, “bah”, “cumpadi”, “mana”, “e aí, beleza?” podem aparecer. Depois, organizamos por contexto de uso e conversamos sobre o que essas formas comunicam além do significado literal.
2. Semáforo da adequação. Escrevo frases em cartões e apresento situações: mensagem para amigo, entrevista de emprego, bilhete à família, notícia escolar, apresentação de seminário. Em grupos, os alunos classificam cada escolha como adequada, possível com ajustes ou pouco adequada para aquele contexto. Minha intervenção é essencial: não aceito que “informal” vire sinônimo de “língua errada”.
3. Caça ao preconceito em falas cotidianas. Trago frases fictícias como “quem fala assim não estudou” ou “esse sotaque é feio”. A turma identifica o problema, explica por que há preconceito e reescreve a fala de modo respeitoso. É uma atividade simples e costuma gerar discussões muito produtivas.
4. Reescrita com finalidade. Peço que transformem uma conversa de aplicativo em um aviso formal para a escola, e depois façam o caminho inverso. Assim, a turma entende a função da norma-padrão sem desvalorizar a linguagem cotidiana.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69LP55 precisa ir além de pedir que o aluno marque uma gíria. Ela deve apresentar um contexto e cobrar o reconhecimento de variedades linguísticas, da norma-padrão ou de uma atitude preconceituosa. Eu observo se o estudante consegue separar três ideias: variedade legítima, adequação ao contexto e discriminação contra falantes.
Um erro comum é formular itens que tratam regionalismo, oralidade ou linguagem informal como defeito. Outro é sugerir que toda orientação para usar registro formal seja preconceito. Não é: recomendar a norma-padrão em uma apresentação oficial pode ser uma escolha de adequação; preconceito é afirmar que quem usa outra variedade é incapaz, ignorante ou inferior. Para ganhar tempo na montagem da avaliação, há 76 questões alinhadas a esse código no acervo do gerador de provas do GeraProva.
Questões prontas de EF69LP55 (com gabarito comentado)
1. Em um programa de rádio, participantes discutem diferenças linguísticas entre regiões brasileiras. Uma ouvinte baiana afirma: “Oxente, hoje tá um calor danado!”. O apresentador responde: “Esse vocabulário é de quem não estudou direito; aqui a gente fala tudo certinho”. Na sequência, outro participante comenta gírias paulistanas sem fazer críticas. O debate repercute nas redes sociais, dividindo opiniões sobre a diversidade linguística. Com base no texto, qual fala revela de modo explícito uma atitude de preconceito linguístico?
- ❌ A) Promover uma conversa pública sobre diferenças linguísticas regionais. O debate, por si só, não é preconceituoso.
- ✅ B) Associar o vocabulário regional à falta de estudo de quem o utiliza. A fala inferioriza uma variedade regional ao vinculá-la à escolaridade.
- ❌ C) Apresentar uma expressão regional para comentar uma situação cotidiana. “Oxente” é uma forma regional legítima.
- ❌ D) Comentar gírias paulistanas sem formular críticas sobre seus usuários. Não há desvalorização.
- ❌ E) Divulgar nas redes sociais opiniões divergentes sobre a língua. A divergência não indica, necessariamente, preconceito.
2. Por que julgar a fala de alguém pelo sotaque? — questiona a jornalista Anna Ramos no blog Dialetos Urbanos. No post, ela apresenta depoimentos: Lucas: “E aí, visse? Bora pra balada?”; Mariana: “Oxente, tu vai mesmo?”; Rafael: “Boa tarde, colegas. Peço que enviem o relatório até sexta.” Anna observa que, embora as três formas reflitam identidade cultural, seu uso em contextos formais ainda gera discriminação, sobretudo quando variantes não adotam a norma-padrão. Identifique a frase que retrata preconceito linguístico.
- ❌ A) “Oxente, tu vai mesmo?” É fala regional, não discriminação.
- ✅ B) “seu uso em contextos formais ainda gera discriminação,” O trecho explicita a discriminação contra variantes linguísticas.
- ❌ C) “E aí, visse? Bora pra balada?” É uma fala coloquial, sem julgamento.
- ❌ D) “Boa tarde, colegas. Peço que enviem o relatório até sexta.” É registro formal, não preconceito.
- ❌ E) “Embora as três formas reflitam identidade cultural,” A frase valoriza as variantes.
3. Em uma videoconferência, João, do Nordeste, diz: “Oxente, cê viu só a chuva hoje?”. Maria reage: “Oxente não é forma correta de falar.” João explica que expressões locais carregam identidade cultural, e Maria sugere termos formais em apresentações. Qual trecho exemplifica preconceito linguístico?
- ❌ A) “Oi, João, como você está?” É um cumprimento neutro.
- ❌ B) “Oxente, cê viu só a chuva hoje?” Mostra variedade regional, sem desqualificá-la.
- ❌ C) “Use ‘você’ em vez de ‘cê’ em situações formais.” Trata de adequação de registro.
- ❌ D) “Diferentes regiões do país têm sotaques variados.” Reconhece a diversidade.
- ✅ E) “Oxente não é forma correta de falar.” A frase desqualifica uma expressão regional.
4. No diálogo sobre um evento literário, uma pessoa afirma: “usar ‘tá ligado’ não é português correto, isso é coisa de quem não foi bem na escola”. Identifique a alternativa que expressa preconceito linguístico.
- ❌ A) Reconhecer que expressões informais cumprem papel comunicativo em conversas cotidianas. Não há desprezo.
- ❌ B) Considerar que variações regionais enriquecem o repertório. A ideia valoriza a diversidade.
- ✅ C) Defender que apenas a norma-padrão é correta e as demais variantes indicam déficit de escolarização. Há inferiorização dos falantes.
- ❌ D) Valorizar a norma-padrão em comunicações formais e oficiais. Isso é adequação.
- ❌ E) Reconhecer que gírias variam conforme o ambiente social. É observação linguística.
5. No diálogo, aparecem as formas “ocê” e “cumpadi”. Uma pessoa diz que já ouviu gente afirmando que quem fala assim é sem instrução. Qual atitude manifesta preconceito linguístico?
- ❌ A) Considerar a fala uma variação aceitável. Não inferioriza o falante.
- ❌ B) Considerar a fala parte da identidade cultural regional. É valorização.
- ✅ C) Considerar a fala “ocê” e “cumpadi” sinal de falta de instrução. É julgamento negativo sobre uma variedade.
- ❌ D) Considerar a fala inadequada em situação formal. Trata-se de contexto, não de desprezo.
- ❌ E) Considerar a fala um registro informal próprio de amizades. É reconhecimento de uso.
6. A professora pede cumprimentos usados em casa: “E aí, beleza?”, “Como cê tá?”, “Oxe, tudo bom?”, “Oiê, tudo certin?” e “Olá, como você está?”. Qual frase segue a norma-padrão da língua portuguesa?
- ❌ A) Oiê, tudo certin? É forma afetiva e regional, de registro informal.
- ❌ B) E aí, beleza? Emprega gíria e coloquialidade.
- ❌ C) Oxe, tudo bom? Traz interjeição regional e registro coloquial.
- ✅ D) Olá, como você está? Usa vocabulário e estrutura típicos da norma-padrão.
- ❌ E) Como cê tá? Apresenta redução e registro informal.
Próximos passos para a aula
Eu começaria por uma conversa curta sobre as falas da própria turma, seguiria para uma atividade de adequação de contexto e fecharia com questões como estas. Se quiser variar os itens, filtrar por ano e montar uma avaliação em poucos minutos, vale explorar o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis.
O objetivo não é vigiar a fala dos estudantes, mas ampliar o repertório deles e fortalecer o respeito por quem fala diferente. Use as questões como ponto de partida, adapte ao perfil da sua turma e conte com o GeraProva para planejar com mais leveza.
