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Atividades sobre Adesão às práticas de leitura com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP49)

Atividades sobre Adesão às práticas de leitura com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP49)

Quando recebo a EF69LP49 no planejamento, sei que não basta separar um texto literário e pedir uma interpretação no fim da aula. A habilidade fala de envolvimento, abertura ao novo e disposição para encarar leituras que, de início, podem causar estranhamento. Isso pede mediação, tempo de conversa e escolhas de textos que façam sentido para a turma.

Na prática, eu transformo esse código em situações observáveis: o estudante escolhe uma obra fora do seu costume, comenta o que o intrigou, usa pistas do texto para sustentar uma hipótese e se dispõe a experimentar linguagens diferentes. Abaixo, organizei caminhos de aula e seis questões prontas para usar ou adaptar.

O que a habilidade EF69LP49 pede, de verdade?

A EF69LP49 pede que o estudante não seja apenas alguém que responde perguntas sobre um livro depois de lê-lo. Ele precisa demonstrar interesse e participação nas práticas de leitura, inclusive diante de obras que não correspondem ao que já conhece ou costuma preferir. Em termos de sala de aula, espero que ele aceite explorar um poema visual, uma narrativa gráfica, uma história fantástica, uma adaptação em áudio ou uma obra de outra cultura; que tente compreender essas experiências com base nas pistas linguísticas, no gênero, no tema e nas orientações que ofereço. Não se trata de obrigar todo mundo a “gostar” da mesma leitura, mas de ensinar a sustentar uma aproximação curiosa e respeitosa. A evidência pode aparecer numa escolha de livro, num diário de leitura, numa conversa, numa comparação entre linguagens ou numa produção criativa que dialogue de fato com a obra.

“Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor.”

Como o objeto de conhecimento é a adesão às práticas de leitura, eu observo atitudes leitoras junto da compreensão. Para consultar o detalhamento e o acervo disponível, acesse a consulta completa do código EF69LP49.

Como trabalhar EF69LP49 em sala?

1. Faça uma mesa de primeiras impressões. Levo textos curtos e variados: uma página de HQ, um poema concreto, uma sinopse de ficção científica, uma cena de cordel ou uma página de livro ilustrado. Em duplas, os alunos escolhem um material que normalmente não escolheriam e registram: “o que estranhei”, “o que me chamou” e “que pista me ajudou a entender”.

2. Use o diário de leitura sem transformá-lo em ficha burocrática. Uma vez por semana, proponho três linhas: uma passagem marcante, uma pergunta que ficou e uma relação com outro texto, filme, música ou experiência. O diário me mostra a trajetória do leitor e abre espaço para quem ainda está ganhando confiança.

3. Crie roteiros de apoio para leituras desafiadoras. Antes de um texto mais distante do repertório da turma, apresento o gênero, o contexto mínimo e duas ou três perguntas de entrada. Em um poema visual, por exemplo, pergunto como a disposição das palavras produz sentido. A orientação não entrega a resposta; ela oferece uma porta de entrada.

4. Promova círculos de recomendação. Cada estudante apresenta uma obra, trecho ou adaptação cultural e diz para quem indicaria, qual foi o desafio da leitura e como o enfrentou. Pode ser uma produção trazida da biblioteca, do livro didático ou de um material projetado em sala.

5. Peça respostas em outra linguagem. Depois de uma narrativa, a turma pode produzir um pequeno podcast, uma cena desenhada, uma carta de personagem ou uma trilha sonora comentada. O critério é que a criação revele leitura atenta, e não apenas enfeite o trabalho.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF69LP49 deve apresentar uma situação de leitura e pedir que o aluno reconheça atitudes de abertura, envolvimento ou uso de pistas para lidar com uma obra. Também pode solicitar a escolha de uma ação que aproxime literatura e outras linguagens culturais. O foco não é decorar uma definição de gênero, mas perceber como o leitor se relaciona com textos que desafiam suas expectativas.

Eu evito avaliar “gosto pessoal” com perguntas como “você gostou do texto?”. Ninguém precisa gostar de tudo. Também evito alternativas vagas, como “ler com atenção”, quando o texto permite identificar uma evidência concreta: escolher autores desconhecidos, explorar um formato novo ou criar relações entre elementos da narrativa. Na produção aberta, uso critérios simples: participação, justificativa apoiada no texto, disposição para experimentar e qualidade da relação criada com a obra.

Questões prontas de EF69LP49 (com gabarito comentado)

1. Ao folhear um livro que combina narrativa verbal e imagens, uma leitora registra: “Quando viro a página, é como se o silêncio das imagens criasse seus próprios sons. Em uma passagem, as palavras desaparecem e resta apenas o desenho de um céu estrelado sem lua. Mais adiante, a narrativa retoma com a frase: ‘Você está pronto para o próximo mistério?’ Nesse momento, sinto que deixo de ser apenas observadora e passo a participar da história.” Considerando especialmente a frase “Você está pronto para o próximo mistério?”, qual recurso linguístico contribui diretamente para aproximar o leitor da narrativa?

  • ❌ A) Suspensão da narrativa verbal nos espaços destinados às imagens. A pausa pode estimular a imaginação, mas não cria conversa direta com o leitor.
  • ❌ B) Substituição de palavras narrativas pela representação visual. O recurso altera a cena, mas não interpela diretamente quem lê.
  • ✅ C) Interpelação direta do leitor pelo uso da segunda pessoa do singular. “Você” estabelece interlocução e aproxima o leitor da trama.
  • ❌ D) Combinação de linguagem verbal e linguagem visual na obra. É um recurso de composição, não o mecanismo linguístico específico da frase.
  • ❌ E) Retomada da narrativa verbal depois do trecho ilustrado. Organiza a história, mas não explica a aproximação causada por “você”.

2. — Você já viu um robô passarinha cantar no crepúsculo? — perguntou Marina, enquanto caminhava pela praça. Pequenas máquinas parecidas com peixes deslizavam pelos canos aéreos e soltavam músicas suaves. Ao redor, a multidão observava as luzes coloridas e o canto eletrônico. Qual elemento do texto estimula o leitor a se envolver com uma narrativa que rompe com seu universo cotidiano?

  • ✅ A) Identificar a presença de elementos fantásticos em um cenário urbano comum. A praça conhecida se combina a robôs e máquinas incomuns, despertando curiosidade.
  • ❌ B) Identificar a multidão como recurso para mostrar a reação das pessoas. A multidão compõe a cena, mas não é o elemento fantástico central.
  • ❌ C) Identificar os sons e as luzes como recursos para criar suspense. Eles criam atmosfera, mas não explicam sozinhos a ruptura com o cotidiano.
  • ❌ D) Identificar a pergunta inicial como recurso para iniciar a cena. A pergunta introduz a situação, sem ser o principal rompimento com o real.
  • ❌ E) Identificar a comparação com peixes como recurso para detalhar as máquinas. A comparação descreve a aparência, mas não destaca a mistura entre realidade e fantasia.

3. Na biblioteca comunitária, Ana encontrou um livro em braile com códigos QR que davam acesso a gravações. A experiência fez com que ela conhecesse fanzines, quadrinhos interativos e vídeos de poemas falados. Qual ação amplia o envolvimento do leitor ao adaptar a narrativa do livro para uma produção sonora acessível e incorporar outra linguagem cultural?

  • ✅ A) Criar um podcast com leitura dramatizada, trilha musical original e efeitos sonoros da narrativa. A proposta adapta a narrativa ao som, incorpora música e amplia a acessibilidade.
  • ❌ B) Exibir um filme mudo baseado na narrativa, usando somente imagens e legendas na tela. Há linguagem cinematográfica, mas não produção sonora acessível.
  • ❌ C) Organizar uma leitura silenciosa do livro em braile, mantendo apenas o contato com as palavras. Não há adaptação sonora nem outra linguagem cultural.
  • ❌ D) Oferecer uma oficina de escrita criativa, pedindo novos finais para a história. Há participação, mas não adaptação sonora da narrativa.
  • ❌ E) Montar uma exposição de ilustrações da narrativa. A proposta é visual, não sonora.

4. Em seu diário de leitura, Lara conta que se encantou com um livro em que imagens e palavras se misturam em páginas dobráveis. Ela também experimentou um livro-jogo e leu poemas que formam desenhos no papel. Como Lara manifesta sua receptividade a textos que rompem com seu modo habitual de leitura?

  • ✅ A) Demonstrando entusiasmo ao explorar obras com formatos diferentes do habitual. Ela se encanta, experimenta e quer explorar novas leituras.
  • ❌ B) Demonstrando atenção apenas às imagens formadas pelos poemas. Os poemas são somente um dos exemplos mencionados.
  • ❌ C) Demonstrando interesse apenas por histórias em que o leitor faz escolhas. O texto também cita páginas dobráveis e poemas visuais.
  • ❌ D) Demonstrando preferência por obras que mantêm a leitura em sequência. Lara se interessa justamente por obras que sacodem esse costume.
  • ❌ E) Demonstrando dificuldade para compreender obras com formatos diferentes. Suas ações revelam curiosidade, não dificuldade.

5. Durante a leitura de uma narrativa gráfica, a turma encontrou páginas que misturavam lembranças da infância do narrador com personagens imaginários. Qual atitude demonstra, de modo mais direto, compreensão e envolvimento criativo com essa mistura?

  • ❌ A) Criticar a presença de personagens imaginários nas lembranças do narrador. A atitude rejeita a proposta da obra.
  • ❌ B) Copiar as imagens das lembranças e dos personagens imaginários. Copiar não estabelece relação entre os dois planos.
  • ❌ C) Descrever apenas os personagens imaginários e seus poderes. A resposta deixa de lado as lembranças.
  • ❌ D) Resumir apenas as lembranças do narrador em ordem cronológica. Organiza o plano real, mas não o relaciona ao fantástico.
  • ✅ E) Criar uma cena em que uma lembrança do narrador conversa com um personagem imaginário. A criação relaciona diretamente os dois elementos.

6. Na sala de leitura comunitária, Alessandra encontrou histórias em quadrinhos, um épico siberiano, poemas concretos e narrativas de diferentes regiões brasileiras. Depois de examinar alguns volumes, escolheu para o mês seguinte romances de autores que ainda não conhecia. Considerando as ações narradas, qual trecho evidencia sua abertura a narrativas diferentes de suas referências habituais?

  • ❌ A) Organizou os livros encontrados na sala por gênero. Isso mostra classificação, não abertura a novas leituras.
  • ❌ B) Registrou os números das páginas que pretendia consultar. É uma ação de organização do estudo.
  • ✅ C) Escolheu para o mês seguinte romances de autores que ainda não conhecia. A escolha revela disposição para conhecer novas referências literárias.
  • ❌ D) Reservou a sala para um encontro com os colegas. Indica planejamento coletivo, mas não abertura a narrativas desconhecidas.
  • ❌ E) Comentou com o grupo uma adaptação cinematográfica baseada na obra. Mostra interação, sem evidenciar a seleção de autores novos.

Próximos passos

Para começar, eu escolheria uma das propostas práticas, aplicaria uma questão diagnóstica e registraria as respostas da turma. Depois, vale montar uma avaliação com itens graduados e textos variados. No gerador de provas do GeraProva, há 48 questões alinhadas a esta habilidade para facilitar essa etapa; se ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis.

Estas questões são um ponto de partida: adapte textos, apoios e exigências ao repertório real da sua turma. Leitura se constrói com convite, mediação e continuidade — não com pressa.

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