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Atividades sobre Consideração das condições de produção de textos de divulgação científica Estratégias de escrita com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP35)

Atividades sobre Consideração das condições de produção de textos de divulgação científica  Estratégias de escrita com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP35)

Quando recebo a EF69LP35 no planejamento, eu sei que não basta pedir um “texto científico” para a turma e esperar que tudo aconteça no caderno. Na prática, preciso transformar uma habilidade longa da BNCC em etapas visíveis: pesquisar, selecionar, organizar, escrever, revisar e pensar em quem vai ler.

É justamente nessa passagem das anotações para um texto compreensível que muitos estudantes travam. Eu já vi boas pesquisas virarem parágrafos soltos, cheios de cópias da internet ou de termos técnicos sem explicação. Por isso, trabalhar planejamento antes da redação faz toda a diferença.

O que a habilidade EF69LP35 pede, de verdade?

A EF69LP35 pede que o estudante produza textos de divulgação científica com base em pesquisa, mas de forma planejada e adequada a leitores reais. Em sala, eu traduzo assim: o aluno precisa reunir informações de leituras, experiências ou estudos de campo; fazer notas e sínteses sem simplesmente copiar; decidir qual é o tema, para quem escreve e com qual finalidade; selecionar dados relevantes; organizar um esquema; redigir uma primeira versão; revisar a clareza, a correção e a adequação da linguagem; e editar a versão final no gênero escolhido. Pode ser um artigo, uma reportagem científica, um verbete, um infográfico, um relatório ou um relato de experimento. O centro da habilidade não é decorar a estrutura de um gênero isolado: é compreender que divulgar ciência significa tornar conhecimentos e resultados acessíveis a um público específico, mantendo a precisão das informações e fazendo escolhas conscientes de linguagem, recursos visuais e organização.

“Planejar textos de divulgação científica, a partir da elaboração de esquema que considere as pesquisas feitas anteriormente, de notas e sínteses de leituras ou de registros de experimentos ou de estudo de campo, produzir, revisar e editar textos voltados para a divulgação do conhecimento e de dados e resultados de pesquisas...”

No objeto de conhecimento, a BNCC destaca as condições de produção e as estratégias de escrita. Então, antes de cobrar um texto “bonito”, eu observo se a turma sabe responder: quem vai ler? O que esse leitor precisa entender? Quais fontes sustentam o que vou dizer? Que ordem ajuda a explicar melhor?

Para consultar a descrição e o acervo completo, vale acessar a consulta completa do código EF69LP35.

Como trabalhar EF69LP35 em sala?

  1. Montar um mural de perguntas científicas. Eu peço que a turma traga dúvidas do cotidiano, como “Por que há tanta fumaça perto da escola?” ou “O que acontece com o lixo depois da coleta?”. Em grupos, eles pesquisam fontes indicadas, registram ideias principais e separam fatos de opiniões.
  2. Usar o esquema de três blocos. Antes da escrita, proponho uma tabela simples: o que vou apresentar; como vou explicar dados, causas ou processos; e como vou fechar o texto. Depois, cada grupo acrescenta público-alvo, finalidade e fontes. É um recurso barato e eficiente para evitar textos sem progressão.
  3. Transformar linguagem técnica em linguagem acessível. Entrego um pequeno trecho de reportagem ou verbete e desafio os estudantes a explicar dois termos para crianças menores ou familiares. Eles percebem que simplificar não é “empobrecer”: é explicar com precisão.
  4. Produzir um infográfico de papel. Com régua, lápis de cor e dados previamente pesquisados, a turma combina título, informação principal, números, legenda e fonte. Depois discutimos se o visual ajuda o leitor ou apenas enfeita.
  5. Fazer revisão por leitores reais. Duplas trocam os textos e usam uma lista curta: entendi o tema? Sei para quem o texto foi escrito? Os dados têm fonte? Há explicações suficientes? Essa etapa costuma revelar problemas que a revisão apenas ortográfica não alcança.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF69LP35 precisa cobrar decisões de planejamento e de produção: seleção de informações, sequência lógica, definição de público-alvo, objetivo comunicativo, adequação da linguagem, uso de fontes e revisão. Não é uma habilidade para reduzir à identificação de uma classe gramatical ou à simples localização de uma frase no texto.

Um erro comum é avaliar somente o produto final, ignorando notas, esquema e revisões. Outro é chamar qualquer texto sobre ciência de divulgação científica, sem verificar se o estudante adaptou a linguagem ao leitor. Também evito questões em que todas as alternativas parecem corretas: aqui, o aluno deve identificar a escolha que torna a comunicação mais clara, confiável e coerente com a finalidade.

Além de uma rubrica para a produção, eu gosto de usar questões objetivas como diagnóstico. No gerador de provas do GeraProva, há 45 questões alinhadas a esse código, o que ajuda a variar o nível de complexidade sem perder o foco da habilidade.

Questões prontas de EF69LP35 (com gabarito comentado)

1. Organização de notas sobre plástico no oceano

Depois de ler três reportagens, Sofia anotou causas, efeitos e possíveis soluções para a presença de plástico no oceano. Qual esquema melhor orienta seu texto?

  • A) Tema, causas do problema, efeitos no ambiente e possíveis soluções. Organiza as notas de modo lógico e favorece um texto informativo claro.
  • B) Tema, lista solta de dados, repetição de exemplos e conclusão sem relação. Falta encadeamento entre as informações.
  • C) Tema, título chamativo, perguntas ao leitor e convite para debate. Privilegia persuasão, e não a síntese da pesquisa.
  • D) Tema, opinião pessoal, relato de experiência e frase de impacto final. Mistura gêneros e não organiza dados científicos.
  • E) Tema, detalhes técnicos do lixo, siglas explicadas e trechos copiados das reportagens. Copiar fontes contraria a proposta de síntese.

2. Sequência de informações sobre vacinas

Luna reuniu registros sobre sistema de defesa, funcionamento das vacinas e proteção coletiva. Qual é o melhor esquema?

  • A) Apresenta apenas os dados mais chamativos e encerra sem retomar o objetivo do texto. A seleção é incompleta e o fechamento é insuficiente.
  • B) Apresenta o tema, explica o processo e encerra com a importância social da vacinação. Há apresentação, desenvolvimento e fechamento coerentes.
  • C) Apresenta a ideia central, alterna assuntos soltos e encerra com um resumo sem ligação. Não há progressão das ideias.
  • D) Apresenta a conclusão, adianta o assunto e encerra com perguntas sem resposta. A ordem não favorece a explicação.
  • E) Apresenta o exemplo, repete os dados e encerra com opiniões pessoais da autora. Repetição e opinião não estruturam a divulgação científica.

3. Identificação do público no plano sobre energia solar

Em um esquema de artigo sobre energia solar aparecem contexto, objetivos, metodologia, público-alvo, recursos e cronograma. Qual elemento delimita os leitores?

  • A) Metodologia. Indica como a pesquisa foi obtida, não quem lerá.
  • B) Objetivos. Aponta metas de comunicação, não o destinatário.
  • C) Contexto. Situa o tema, mas não define leitores.
  • D) Público-alvo. Indica diretamente a quem o texto se destina.
  • E) Cronograma. Organiza prazos, não o público.

4. Público e objetivo em texto sobre qualidade da água

Um grupo planejou um texto sobre a qualidade da água no rio local. Em qual tópico estão os leitores e a meta de comunicação?

  • A) Revisão gramatical e ortográfica. Trata da correção final do texto.
  • B) Estabelecimento do público-alvo e do objetivo comunicativo. Define explicitamente leitores e finalidade.
  • C) Definição do tema e revisão bibliográfica. Refere-se ao assunto e às fontes.
  • D) Redação da primeira versão do texto. É a etapa de rascunho.
  • E) Escolha de recursos visuais para ilustrar dados. Trata de imagens e gráficos, não de audiência.

5. Público leigo e propósito de texto ambiental

Um projeto dirigido a público leigo, especialmente professores e estudantes do ensino médio, pretende despertar curiosidade sobre práticas sustentáveis. Que elemento do planejamento aparece no texto?

  • A) Definição do público-alvo e dos objetivos comunicativos. O texto informa para quem se escreve e com qual propósito.
  • B) Apresentação de resultados estatísticos detalhados. Dados são conteúdo, não definição de público e objetivo.
  • C) Incorporação de citações de especialistas renomados. Refere-se a fontes, não aos destinatários.
  • D) Inclusão de referências bibliográficas completas. Referências dão credibilidade, mas não definem a finalidade.
  • E) Descrição da metodologia empregada na pesquisa. Explica como se pesquisou, não para quem se escreve.

6. Seleção de dados para folheto sobre aves urbanas

Uma turma planejou um folheto para moradores de bairros centrais e precisou garantir que as informações fossem compreensíveis. Qual etapa seleciona o que é relevante?

  • A) Definir o público-alvo antes de coletar dados. Define destinatários, mas não seleciona informações.
  • B) Filtrar os dados claros e interessantes para o público. É a etapa de escolher informações relevantes e adequadas.
  • C) Reunir notas e sínteses das pesquisas consultadas. Corresponde à coleta, ainda sem filtro.
  • D) Elaborar esquema com tópicos e ordem de apresentação. Organiza dados já selecionados.
  • E) Revisar a linguagem para garantir clareza e correção. Melhora a forma do texto, mas não escolhe os dados.

Próximos passos

Eu começaria com uma produção curta: um verbete ou folheto baseado em duas fontes confiáveis e um esquema obrigatório. Depois, aplicaria questões diagnósticas e retomaria o ponto que mais apareceu como dificuldade. Se quiser ganhar tempo na montagem da avaliação, faça seu cadastro grátis e explore o acervo alinhado à BNCC.

Use estas questões como ponto de partida e ajuste o contexto à realidade da sua turma. O mais importante é fazer o estudante perceber que divulgar ciência é pesquisar com responsabilidade e escrever pensando em quem precisa compreender.

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