Atividades sobre Estratégias e procedimentos de leitura Relação do verbal com outras semioses Procedimentos e gêneros de apoio à compreensão com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP32)
Quando recebo a EF69LP32 no planejamento, a primeira dúvida que me vem é bem prática: como sair daquele texto extenso da BNCC e transformar a habilidade em uma aula que meus alunos realmente consigam fazer? Não basta pedir uma pesquisa na internet e recolher um cartaz no fim. Eu preciso observar se eles sabem escolher o que importa, desconfiar de uma fonte frágil e organizar os dados sem encher a folha de informação solta.
Do 6º ao 9º ano, essa habilidade aparece o tempo todo: na leitura de infográficos, na comparação entre notícias, na produção de uma reportagem e até na preparação de um seminário. Por isso, eu gosto de trabalhar com situações próximas da turma, com textos curtos, dados reais ou ilustrativos e uma pergunta clara para orientar a seleção das informações.
O que a habilidade EF69LP32 pede, de verdade?
A EF69LP32 pede que o estudante localize informações em fontes diferentes — uma notícia, um gráfico, uma fala, um folheto, um site ou uma tabela — e faça escolhas justificadas sobre o que merece entrar em seu registro. Na prática, não é copiar tudo: é identificar a pergunta da atividade, selecionar dados que ajudam a respondê-la, verificar de onde eles vêm e perceber se a fonte é confiável e útil para aquele objetivo. Depois, o aluno precisa sintetizar o material em um formato organizado, como quadro, tabela ou gráfico, podendo usar ferramentas digitais e contando com nossa mediação quando necessário. Eu traduzo a habilidade assim para a turma: “Antes de guardar uma informação, pergunte se ela responde ao que estamos investigando, se dá para confiar nela e qual é a melhor forma de mostrá-la para alguém entender”. Isso envolve leitura verbal e visual, comparação e síntese.
“Selecionar informações e dados relevantes de fontes diversas (impressas, digitais, orais etc.), avaliando a qualidade e a utilidade dessas fontes, e organizar, esquematicamente, com ajuda do professor, as informações necessárias (sem excedê-las) com ou sem apoio de ferramentas digitais, em quadros, tabelas ou gráficos.”
O objeto de conhecimento reúne estratégias e procedimentos de leitura, a relação do verbal com outras semioses e os gêneros de apoio à compreensão. Ou seja: legenda, título, imagem, percentual, tabela e fonte também precisam ser lidos. Para consultar o detalhamento e o acervo, vale acessar a consulta completa do código EF69LP32.
Como trabalhar EF69LP32 em sala?
1. Faça uma triagem de fontes sobre uma pergunta da escola. Eu proponho algo como: “A biblioteca precisa ampliar o horário?” Levo um pequeno depoimento de alunos, uma tabela de empréstimos, um aviso da direção e uma postagem de rede social. Em duplas, eles marcam o que responde à pergunta, o que é opinião e o que precisa ser confirmado.
2. Transforme um texto em tabela. Depois da leitura de uma reportagem curta, peço três colunas: dado encontrado, fonte e por que ele é relevante. Essa etapa ajuda muito os alunos que costumam copiar parágrafos inteiros sem perceber qual informação é central.
3. Leia gráficos antes de pedir produção. Posso projetar um gráfico de barras simples, sem precisar de laboratório. Primeiro, a turma identifica título, período, unidade de medida e fonte. Só depois responde a uma pergunta comparativa. Assim, a visualidade deixa de ser enfeite e passa a ser evidência.
4. Compare qualidade e utilidade. Uma fonte pode ser confiável, mas pouco útil para a pergunta; outra pode ser útil, mas sem autoria ou data. Gosto de usar um semáforo no caderno: verde para fonte identificada e pertinente, amarelo para dado que precisa de confirmação, vermelho para informação sem origem verificável.
5. Feche com uma síntese enxuta. Peço um quadro com no máximo quatro informações. O limite é importante: a habilidade diz “sem excedê-las”. O aluno aprende que organizar não é despejar dados, mas selecionar o necessário.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69LP32 precisa trazer fontes, dados ou formas de representação e pedir uma decisão de leitura: qual informação é relevante, qual fonte sustenta melhor uma conclusão, que comparação os números permitem ou qual recurso organiza os dados com clareza. Não basta perguntar o significado de uma palavra isolada. O foco está na relação entre finalidade, confiabilidade, relevância e organização.
Eu evito dois erros frequentes. O primeiro é cobrar apenas memória de conteúdo, sem dar ao estudante dados para analisar. O segundo é considerar correta qualquer resposta que repita um número do texto. Para demonstrar a habilidade, ele precisa explicar ou indicar por que aquele dado responde à questão proposta. Também tomo cuidado para não transformar “fonte digital” em sinônimo de “fonte ruim”: o critério é autoria, evidência, atualização e adequação ao objetivo.
Questões prontas de EF69LP32 (com gabarito comentado)
1. A tabela apresenta, entre 30 alunos, o número de erros de leitura por tipo de palavra: Palavras frequentes: 12; Palavras novas: 54; Palavras inventadas: 60. Qual conclusão analítica justifica um plano de ensino?
- ❌ A) Repetir apenas palavras novas até memorizá-las; evitar decodificação. A repetição ajuda, mas sem estratégias de decodificação a fixação pode ser instável para palavras complexas.
- ❌ B) Focar memorização apenas; reduzir erros nas palavras frequentes e novas. A memorização ajuda nas frequentes, mas não resolve erros com palavras novas ou inventadas.
- ❌ C) Eliminar exercícios de leitura de palavras inventadas; focar só no significado. Retirar essa prática prejudica o desenvolvimento da decodificação.
- ✅ D) Implementar ensino de decodificação para palavras novas/inventadas e memorização para frequentes. Combinar estratégias direcionadas reduz erros: memorização para frequentes e decodificação para desconhecidas.
- ❌ E) Aumentar a velocidade de leitura em todas as atividades para acostumar alunos. Velocidade sem precisão pode aumentar erros; antes, é preciso consolidar estratégias.
2. Dados ilustrativos: três aplicativos de meteorologia foram consultados para planejar uma excursão. O Site A indicou 70% de chance de chuva e nota 4,2/5; o B previu 50%, sem histórico de acertos; o C apontou 30% e exibe média de acerto de 80%. Qual alternativa organiza dados relevantes e avalia a qualidade das fontes?
- ✅ A) Elencar probabilidades de chuva, avaliações de usuários e histórico de acertos para comparar a confiabilidade dos sites. A resposta reúne previsões, comentários e desempenho passado.
- ❌ B) Apresentar estatísticas semanais do Site C e ignorar as probabilidades dos outros sites. Considera apenas parte das evidências.
- ❌ C) Destacar a nota do Site A como razão suficiente para escolhê-lo. Valoriza uma única fonte sem comparação.
- ❌ D) Listar apenas as probabilidades de chuva. Faltam critérios de qualidade e desempenho.
- ❌ E) Citar avaliações de usuários como critério principal, sem histórico de acerto. Opiniões não substituem dados de desempenho.
3. Uma pesquisa mostrou que 62% dos estudantes acessam textos digitais diariamente e 28% levam livros impressos para casa. Qual dado evidencia com maior clareza a preferência por textos digitais?
- ✅ A) A diferença entre os 62% que acessam textos digitais diariamente e os 28% que levam livros impressos para casa. Essa comparação direta evidencia maior presença da leitura digital.
- ❌ B) Os 45% com dificuldade para encontrar obras físicas. Indica acesso, não preferência comparada.
- ❌ C) Os 53% que usam dispositivos móveis. Mostra uso, mas não compara os dois formatos.
- ❌ D) Os 28% que levam livros impressos. Isoladamente, o dado não permite comparar.
- ❌ E) A dificuldade de 45% para encontrar obras físicas. Não deve ser transformada automaticamente em preferência.
4. Um anúncio de rádio informa o ponto de entrega de eletrônicos. Um folheto oficial da prefeitura informa que, no mês passado, foram recolhidas 94 toneladas em três pontos. Qual informação relevante e confiável trata do volume coletado?
- ❌ A) Destino final do material. É informativo, mas não mede volume.
- ❌ B) Número de pontos de coleta. Indica locais, não a quantidade recolhida.
- ✅ C) Peso total de lixo eletrônico coletado no último mês, conforme o folheto oficial. As 94 toneladas são dado quantitativo preciso e vêm de fonte oficial.
- ❌ D) Local de entrega do anúncio de rádio. Ajuda na logística, mas não informa volume.
- ❌ E) Quantidade de aparelhos a separar. O anúncio não apresenta esse número.
5. Uma reportagem expositiva deve apresentar dados de forma clara. Qual recurso pode ser usado para isso?
- ✅ A) Gráficos e tabelas. Esses recursos organizam e ilustram informações.
- ❌ B) Narrativas pessoais. Não são adequadas para apresentar dados objetivos.
- ❌ C) Citações longas. Citações precisam ser pertinentes e não organizam dados por si só.
- ❌ D) Uso excessivo de adjetivos. Isso prejudica a objetividade.
- ❌ E) Estilo poético. Não é o recurso mais apropriado para uma reportagem expositiva.
6. Defina uma estratégia para apresentar dados de forma clara em um trabalho.
- ❌ A) Usar textos longos. Eles podem confundir o público.
- ✅ B) Incluir gráficos e tabelas. Eles visualizam e organizam dados de forma eficaz.
- ❌ C) Evitar exemplos práticos. Exemplos ajudam na compreensão.
- ❌ D) Focar apenas em dados numéricos. Números precisam de contexto.
- ❌ E) Usar jargões técnicos sem explicação. Jargões podem dificultar a leitura.
Próximos passos
Eu começaria escolhendo uma pergunta real da turma e preparando duas ou três fontes curtas para comparação. Depois, aplicaria uma questão diagnóstica e pediria uma síntese em tabela. Se quiser ganhar tempo na montagem e diferenciar a avaliação, o gerador de provas do GeraProva reúne 36 questões alinhadas à EF69LP32.
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