Atividades sobre Discussão oral com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP25)
Quando recebo a EF69LP25 no planejamento, sei que não basta pedir uma roda de conversa e marcar quem falou mais. O desafio é transformar uma habilidade ampla — que envolve opinião, argumento, escuta, síntese e proposta — em uma aula observável e em uma avaliação justa para as turmas de 6º ao 9º ano.
Na prática, eu parto de situações que eles reconhecem: uniforme, biblioteca, recreio, desperdício no refeitório, regras de convivência. Assim, a discussão oral deixa de ser uma conversa solta e passa a ter um problema, posições diferentes, tempo de fala e a necessidade de justificar o que se defende.
O que a habilidade EF69LP25 pede, de verdade?
A EF69LP25 pede que o estudante consiga defender uma posição em situações coletivas, como debate, assembleia e reunião de grêmio, sem confundir firmeza com imposição. Ele precisa dizer claramente o que pensa, apresentar razões que sustentem sua opinião, considerar objeções e alternativas, respeitar a vez de fala e organizar o que diz para caber no tempo combinado. Também precisa chegar a uma síntese ou a uma proposta possível, em vez de apenas repetir “eu concordo” ou “eu discordo”. Para mim, o ponto central é observar se o aluno relaciona opinião, justificativa e encaminhamento: “sou a favor por estas razões e proponho este caminho”. A habilidade pertence à unidade temática de Língua Portuguesa, no objeto de conhecimento Discussão oral, e pode ser trabalhada do 6º ao 9º ano com complexidade crescente. Não é cobrar discurso perfeito; é ensinar o estudante a participar da vida coletiva com clareza, escuta e responsabilidade.
“Posicionar-se de forma consistente e sustentada em uma discussão, assembleia, reuniões de colegiados da escola, de agremiações e outras situações de apresentação de propostas e defesas de opiniões, respeitando as opiniões contrárias e propostas alternativas e fundamentando seus posicionamentos, no tempo de fala previsto, valendo-se de sínteses e propostas claras e justificadas.”
Se eu quiser consultar o detalhamento e ampliar o banco de atividades, encontro a consulta completa do código EF69LP25. O acervo do GeraProva reúne 52 questões alinhadas a essa habilidade.
Como trabalhar EF69LP25 em sala?
1. Começo com uma pauta real e delimitada. Em vez de “vamos debater qualquer tema”, proponho uma pergunta decidível: “A escola deve criar um ponto de troca de livros?” ou “Como reduzir o desperdício no refeitório?”. Dou cinco minutos para que cada grupo monte uma ficha simples: posição, duas razões, possível dificuldade e proposta de solução.
2. Uso papéis na discussão. Há quem apresente a proposta, quem faça perguntas, quem registre os argumentos e quem controle o tempo. Isso ajuda especialmente quem costuma ficar calado e evita que dois ou três alunos tomem conta da conversa. Na rodada seguinte, troco os papéis para que todos pratiquem.
3. Ensino frases de escuta e discordância respeitosa. Deixo visível no quadro: “Entendo seu ponto, mas...”; “Concordo com a ideia de..., porém proponho...” e “Que evidência apoia essa proposta?”. Parece simples, mas muda muito a qualidade da fala e reduz o “não, porque não”.
4. Faço uma síntese final coletiva. Depois do debate, peço que a turma escreva uma decisão provisória: proposta escolhida, justificativas, ressalvas e próximos passos. É nesse momento que aparece se houve escuta de verdade ou apenas disputa de opiniões.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69LP25 precisa cobrar mais do que a identificação de uma opinião. Ela deve levar o estudante a distinguir uma fala vaga de um posicionamento sustentado: opinião clara, razões pertinentes, relação entre argumento e proposta, reconhecimento de limites ou alternativas e encaminhamento viável. Textos curtos de reunião, assembleia ou grêmio funcionam muito bem porque aproximam a avaliação de uma prática social real.
Eu também evito avaliar somente a desenvoltura oral. O aluno tímido pode construir argumentos excelentes, e o aluno falante pode não justificar nada. Em atividades de fala, uso critérios explícitos: apresentou posição? justificou? ouviu o outro? respondeu sem desqualificar? propôs encaminhamento? Em questões objetivas, observo se ele reconhece esses elementos nas falas.
Um erro comum é considerar qualquer justificativa como argumento completo. Outro é premiar respostas agressivas como se fossem “boa defesa de opinião”. A habilidade exige respeito às opiniões contrárias e propostas alternativas. Também não vale cobrar dados externos que não aparecem no texto-base: o foco é analisar a consistência do que foi dito.
Questões prontas de EF69LP25 (com gabarito comentado)
1. Durante uma reunião, os estudantes discutiram um projeto de reutilização de livros e cadernos. Luísa apoiou a ideia por reduzir o desperdício. Miguel disse que seria preciso verificar se ela funcionaria. Raquel afirmou que o projeto estimularia a responsabilidade dos alunos. Felipe mostrou preocupação com o transporte. Ana apoiou a proposta e sugeriu criar uma equipe, organizar etapas, estabelecer metas e avaliar os resultados. Quem apresenta o posicionamento mais consistente e sustentado?
- ❌ A) Felipe, pois identifica uma possível dificuldade. Identificar um problema, sem solução ou detalhamento, não constitui posicionamento sustentado.
- ❌ B) Luísa, pois relaciona a proposta à redução do desperdício. Ela justifica a defesa, mas não apresenta ações para executar o projeto.
- ✅ C) Ana, pois apresenta justificativa e propõe equipe, etapas, metas e avaliação. Ela combina opinião favorável com ações concretas de execução e acompanhamento.
- ❌ D) Miguel, pois pede verificação da viabilidade. Ele levanta uma dúvida, mas não explica como verificar nem propõe medidas.
- ❌ E) Raquel, pois destaca a responsabilidade dos alunos. A justificativa é pertinente, mas não traz etapas ou ações para realizar a ideia.
2. Durante uma reunião do grêmio, os alunos discutiram o uso de uniforme escolar. Maria defendeu a roupa padronizada porque ela evita comparações entre famílias e fortalece o espírito coletivo. João foi contra por considerá-lo caro. Ana disse que ele facilita a identificação de visitantes, mas limita a individualidade. Miguel afirmou que o uniforme não resolve problemas de disciplina nem de aprendizagem. Qual fala apresenta opinião clara e duas razões relacionadas?
- ✅ A) Maria defendeu o uniforme porque evita comparações entre famílias e fortalece o espírito coletivo. Há uma posição clara e duas razões que a sustentam.
- ❌ B) Miguel afirmou que o uniforme não resolve disciplina e aprendizagem. É uma crítica com apenas uma linha de justificativa para a adoção.
- ❌ C) João rejeitou o uniforme pelo alto custo. A opinião vem acompanhada de apenas uma razão.
- ❌ D) Ana reconheceu uma vantagem e uma crítica. Ela mistura posições, sem defender claramente uma delas.
- ❌ E) A discussão mostrou opiniões diferentes. Isso apenas resume o debate e não apresenta posição sustentada.
3. Na reunião do Grêmio Estudantil, discutiu-se a redução do desperdício no refeitório. Ana sugeriu pesar sobras e destiná-las à compostagem, sem explicar como. Bruno afirmou que a compostagem seria cara e pouco compreendida. Carla reconheceu a necessidade de estruturas adequadas e propôs começar com cascas de frutas, aproveitando o jardim. Qual alternativa traz argumento consistente?
- ❌ A) Ana afirmou que a compostagem seria cara e rejeitou a proposta. A alternativa mistura a crítica de Bruno com a sugestão de Ana.
- ✅ B) Carla reconheceu a necessidade de estruturas, mas propôs começar com cascas de frutas. Ela considera uma dificuldade e oferece uma ação possível.
- ❌ C) Ana reconheceu estruturas e propôs as cascas de frutas. A proposta é de Carla, não de Ana.
- ❌ D) Carla afirmou que a compostagem seria cara e a rejeitou. Essa fala é atribuída indevidamente a ela e contradiz sua proposta.
- ❌ E) Bruno propôs começar com cascas de frutas. Bruno fez uma crítica; a sugestão prática foi de Carla.
4. Maria defendeu flexibilizar o uniforme, permitindo pequenos acessórios culturais e mantendo as peças principais. Ela afirmou que isso expressaria a identidade dos estudantes sem comprometer a unidade visual da escola e citou experiências de outras escolas. Qual argumento sustenta consistentemente sua proposta?
- ❌ A) A medida elimina conflitos entre estudantes. O texto fala em menos reclamações, não em eliminação de conflitos.
- ❌ B) A flexibilização melhora diretamente o desempenho acadêmico. Essa consequência não aparece no texto.
- ❌ C) As mesmas regras terão o mesmo resultado em qualquer escola. É uma generalização absoluta sem apoio textual.
- ✅ D) Permitir acessórios culturais favorece a identidade sem comprometer a unidade visual. A afirmação retoma os dois fundamentos centrais da proposta.
- ❌ E) Manter todas as peças sem adaptação evita mudanças. Isso contraria a defesa de pequenas adaptações feita por Maria.
5. Na reunião sobre um espaço de convivência, Júlia defendeu o respeito aos horários de estudo e propôs agenda fixa às terças-feiras, usando dados de outras escolas. Matheus sugeriu almofadas e pintura. Lara propôs uma pesquisa. Pedro quis mais cartazes, sem explicar o motivo. Qual fala é consistente e sustentada?
- ❌ A) Júlia destacou o respeito aos horários. Isolado, esse trecho não inclui sua proposta nem os dados que a sustentam.
- ❌ B) Matheus sugeriu almofadas e pintura. São sugestões de aparência sem justificativa.
- ✅ C) Júlia propôs agenda fixa às terças-feiras e usou dados de outras escolas. Há proposta definida e fundamentação.
- ❌ D) Lara propôs uma pesquisa. Ela sugere obter opiniões, mas ainda não apresenta uma proposta fundamentada.
- ❌ E) Pedro defendeu mais cartazes. Falta explicar por que os cartazes melhorariam o espaço.
6. Durante uma reunião sobre incentivo à leitura, Clara sugeriu estante móvel sem justificar. João propôs concurso de resenhas sem saber avaliá-las. Pedro defendeu trocar móveis. Luiza sugeriu marcadores como lembrança. Natalia propôs rodas de leitura semanais, mediadas por monitores, pois a participação em grupo poderia criar o hábito de ler. Qual fala traz proposta e justificativa coerente?
- ✅ A) Natalia propõe rodas semanais mediadas para criar o hábito de ler em grupo. A ação concreta vem acompanhada de uma justificativa coerente.
- ❌ B) Luiza distribui marcadores como lembrança. A ação não é relacionada ao interesse ou ao hábito de leitura.
- ❌ C) Clara sugere estante móvel sem justificativa. Pode facilitar o acesso, mas ela não explica o efeito esperado.
- ❌ D) João propõe concurso sem explicar a avaliação. Falta justificativa completa e viabilidade de realização.
- ❌ E) Pedro troca móveis como solução. Melhorar o espaço, sozinho, não explica como incentivar a leitura.
Próximos passos
Eu aplicaria uma dessas questões como diagnóstico e, na aula seguinte, transformaria o tema em uma pequena assembleia. Para montar listas, variar textos-base e organizar avaliações por habilidade, vale testar o gerador de provas do GeraProva. Se você ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis e adapte o material à realidade da sua turma.
Estas atividades são um ponto de partida: ajuste o vocabulário, o tempo de fala e o tema ao seu contexto. O mais importante é dar aos estudantes oportunidades reais de argumentar, escutar e construir propostas juntos.
