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Atividades sobre Apreciação e réplica com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP21)

Atividades sobre Apreciação e réplica com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP21)

Quando recebo a EF69LP21 no planejamento, sei que não basta pedir aos alunos que digam se “gostaram” de um grafite, cartaz ou postagem. O desafio é transformar uma habilidade longa da BNCC em uma aula que faça sentido para quem circula por redes sociais, vê intervenções no bairro e tem opinião sobre o mundo.

Na avaliação, eu também preciso fugir da pergunta solta. Quero observar se a turma identifica vozes, percebe escolhas de linguagem, relaciona uma produção ao seu contexto e constrói um posicionamento com base no texto. É esse caminho que organizo abaixo.

O que a habilidade EF69LP21 pede, de verdade?

Na prática, a EF69LP21 pede que o estudante leia produções que circulam fora das instituições mais tradicionais — como grafites, murais, cartazes de rua, postagens de coletivos, letras, intervenções e campanhas juvenis — e se posicione diante delas com argumentos. Não é só localizar uma informação nem decidir rapidamente se a obra é bonita. O aluno precisa perceber quem produziu, para quem, em qual situação e com qual intenção; identificar como palavras, cores, imagens, disposição visual e outros recursos trabalham juntos; e avaliar a problemática apresentada. Eu traduzo isso para a turma assim: “O que essa produção quer provocar? Que escolhas ela faz para isso? Quem está falando? Eu concordo, discordo ou amplio essa ideia? Por quê?” A habilidade ganha força quando o texto escolhido dialoga com debates reais, sem exigir que todos pensem igual.

“Posicionar-se em relação a conteúdos veiculados em práticas não institucionalizadas de participação social, sobretudo àquelas vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, intervenções urbanas e práticas próprias das culturas juvenis que pretendam denunciar, expor uma problemática ou ‘convocar’ para uma reflexão/ação, relacionando esse texto/produção com seu contexto de produção e relacionando as partes e semioses presentes para a construção de sentidos.”

Ela pertence ao objeto de conhecimento Apreciação e réplica, em Língua Portuguesa, e pode ser trabalhada do 6º ao 9º ano com profundidade crescente.

Como trabalhar EF69LP21 em sala?

  • Galeria de imagens: imprimo ou projeto murais, lambe-lambes e cartazes. Em grupos, os alunos registram tema, público, recursos visuais, possível intenção e sua resposta crítica.
  • Postagem com propósito: apresento uma postagem fictícia do grêmio. A turma marca expressões de convite, proximidade e posicionamento, relacionando-as ao público jovem.
  • Roda de vozes: diante de uma intervenção urbana, distribuo falas de moradores, artistas e narrador. O grupo separa fato, descrição e opinião antes de debater.
  • Réplica autoral: cada estudante cria um pequeno cartaz ou comentário responsável para responder a uma questão da escola, justificando linguagem, imagem e público.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF69LP21 cobra leitura situada: deve trazer uma manifestação social ou cultural, indicar seu contexto e pedir que o aluno reconheça intenção, posicionamento, vozes ou efeitos de sentido. Também vale solicitar uma resposta escrita curta, com evidência do texto. Eu evito avaliar apenas vocabulário ou pedir “qual é a mensagem?” sem elementos para análise. Outro erro comum é tratar uma opinião como fato, ou atribuir ao autor uma fala que pertence a uma personagem, morador ou participante. O gabarito precisa mostrar esse percurso de leitura.

Questões prontas de EF69LP21 (com gabarito comentado)

1. Linguagem e contexto em uma postagem estudantil

Leia: “Galera, amanhã tem roda de conversa no pátio sobre apelidos que machucam. Vale levar cartaz, contar experiências e propor combinados para a turma. Bora participar?” A linguagem escolhida se relaciona ao contexto de produção porque

  • A) usa marcas de proximidade com os colegas para incentivar a participação em uma ação do ambiente escolar. Correta: o tom informal combina com rede social estudantil.
  • B) apresenta vocabulário técnico para registrar oficialmente uma regra disciplinar da escola. Errada: não há tom técnico nem documento oficial.
  • C) narra um fato passado com distanciamento para informar leitores de um jornal impresso. Errada: convoca para uma ação futura.
  • D) defende que apelidos são sempre brincadeiras aceitáveis entre adolescentes. Errada: problematiza apelidos que machucam.
  • E) explica passo a passo um experimento científico sobre convivência escolar. Errada: o objetivo é convidar ao diálogo.

2. Arte urbana e participação social

Em diferentes bairros, um coletivo pintou murais sobre moradia, desigualdade e justiça social. O grupo declarou: “Transformamos muros em voz para quem não tem acesso aos meios tradicionais de comunicação. Cada traço e cada cor carregam histórias de lutas cotidianas.” Moradores passaram a discutir os problemas representados. Qual posição o coletivo assume?

  • A) Reconhece a arte urbana como instrumento de expressão política e social. Correta: os murais dão visibilidade a lutas e provocam debate.
  • B) Considera a arte urbana uma produção visual voltada apenas à decoração dos espaços. Errada: reduz a dimensão social apresentada.
  • C) Apresenta a arte urbana como atividade individual sem impacto na vida coletiva. Errada: há coletivo e discussão comunitária.
  • D) Defende a arte urbana como substituta dos meios tradicionais de comunicação. Errada: ela amplia vozes, não substitui meios.
  • E) Classifica a arte urbana como uma prática de vandalismo contra os espaços públicos. Errada: essa não é a posição do coletivo.

3. Opinião favorável ao grafite

Durante um mutirão de grafite, uma feirante disse que o mural aproximava moradores e criava diálogo. Um jovem afirmou que as cores eram bonitas, mas não mudavam a realidade. Outro passante chamou o trabalho de vandalismo. Qual opinião é favorável às manifestações artísticas como participação social?

  • A) A arte deveria ficar apenas dentro das galerias. Errada: limita a arte a espaços tradicionais.
  • B) O mural transforma paredes cinzentas em campos coloridos. Errada: descreve o visual, sem participação social.
  • C) O mural aproxima as pessoas e faz o bairro conversar. Correta: valoriza diálogo e comunidade.
  • D) As cores são bonitas, mas não mudam a realidade do bairro. Errada: nega seu potencial social.
  • E) O trabalho é vandalismo e prejudica o espaço. Errada: condena a intervenção.

4. A voz do autor da reportagem

Em uma reportagem sobre intervenção urbana em uma praça de Recife, moradores e artistas espalharam cartazes sobre saúde mental. Uma moradora disse que a ação “reconstrói espaços de escuta”; outro participante falou da urgência do tema. No encerramento, o autor escreveu: “A intervenção fortalece a participação comunitária ao transformar a praça em espaço de diálogo sobre saúde mental”. Qual expressão revela seu posicionamento?

  • A) A iniciativa não recebeu apoio oficial. Errada: é uma informação sobre a realização.
  • B) Cartazes e frases manuscritas na praça. Errada: apenas descreve elementos da ação.
  • C) A urgência de discutir o tema. Errada: é fala de outro participante.
  • D) A intervenção fortalece a participação comunitária. Correta: é avaliação positiva do autor.
  • E) A ação reconstrói espaços de escuta. Errada: é opinião da moradora.

5. Marca de opinião favorável

“Passei pelo bairro e encontrei um grupo de jovens transformando um muro abandonado em um painel de grafite. Eles compartilhavam o andamento da pintura em um chat comunitário e convidavam vizinhos a contribuir. Ao final, o lugar ganhou vida e cores, unindo pessoas que antes não se conheciam.” Qual trecho revela a opinião favorável do autor?

  • A) convidavam vizinhos a contribuir. Errada: informa uma ação, sem avaliação.
  • B) encontrei um grupo de jovens. Errada: relata o encontro do narrador.
  • C) passei pelo bairro. Errada: indica apenas o deslocamento.
  • D) compartilhavam o andamento da pintura. Errada: descreve participação, sem julgamento.
  • E) o lugar ganhou vida e cores. Correta: avalia positivamente a transformação.

6. Posicionamento da narradora

Em um beco do bairro Porto Velho, jovens do coletivo Ponto Livre pintaram cenas locais e protestos silenciosos. Alguns moradores chamaram a intervenção de vandalismo, mas a narradora observou: “Mais do que embelezar paredes, eles dão visibilidade a relatos silenciados.” Qual afirmativa revela seu posicionamento?

  • A) A narradora considera a pintura mural somente um registro do cotidiano local. Errada: destaca relatos silenciados.
  • B) A narradora considera a pintura mural dependente de instituições oficiais. Errada: a prática não depende delas.
  • C) A narradora considera a pintura mural principalmente um ato de vandalismo. Errada: essa é a voz de moradores.
  • D) A narradora considera a pintura mural uma forma legítima de reivindicação social. Correta: valoriza sua visibilidade e expressão.
  • E) A narradora considera a pintura mural apenas uma forma de embelezar o bairro. Errada: vai além da decoração.

Próximos passos

Estas seis questões são um bom ponto de partida para sondagem, revisão ou avaliação. Para ampliar o repertório, consulte a consulta completa do código EF69LP21: o acervo do GeraProva reúne 51 questões alinhadas a essa habilidade. Eu também uso o gerador de provas do GeraProva para combinar habilidades e adaptar a atividade à minha turma.

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