Atividades sobre Escrita autônoma e compartilhada com gabarito — 3º ano, 4º ano, 5º ano (EF35LP25)
Atividades e questões com gabarito para trabalhar a criação de narrativas ficcionais do 3º ao 5º ano. Veja propostas práticas e critérios para avaliar a habilidade EF35LP25.
Quando recebo a EF35LP25 no planejamento, sei que não basta pedir uma “redação criativa” e esperar que a turma saiba por onde começar. Na prática, preciso transformar esse código em escolhas bem concretas: como ajudar os estudantes a criar personagens, organizar acontecimentos, situar a história e usar descrições sem travar diante da folha em branco?
Também penso na avaliação. Uma narrativa não se resume a corrigir ortografia ou contar linhas. Eu observo se o aluno construiu uma história compreensível, se há pistas de tempo e lugar, se os personagens agem e falam e se os detalhes realmente ajudam o leitor a imaginar a cena. É esse caminho que torna a habilidade ensinável e avaliável.
O que a habilidade EF35LP25 pede, de verdade?
A EF35LP25 pede que os estudantes do 3º, 4º e 5º ano criem narrativas ficcionais com progressiva autonomia. Em linguagem de sala de aula, isso significa inventar ou desenvolver uma história que faça sentido para quem lê: apresentar personagens, indicar onde e quando tudo acontece, organizar os fatos em uma sequência e incluir detalhes que ajudem a formar imagens na cabeça do leitor. Não é necessário exigir textos longos ou enredos mirabolantes. O essencial é que a criança tome decisões de autoria, use recursos narrativos e sustente uma ideia do início ao fim. Eu trabalho essa habilidade com planejamento coletivo, leitura de modelos, conversa sobre possibilidades e revisão, mas deixo espaço para cada aluno escolher conflitos, personagens e desfechos. A habilidade também chama atenção para marcadores de tempo, espaço e fala: palavras como “naquela manhã”, “no quintal”, “depois” e travessões nos diálogos ajudam a narrativa a caminhar e a ficar mais clara.
“Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas para sustentar o sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço e de fala de personagens.”
Ela pertence à unidade temática de Língua Portuguesa e ao objeto de conhecimento Escrita autônoma e compartilhada. Para consultar o detalhamento e o banco disponível, acesse a consulta completa do código EF35LP25.
Como trabalhar EF35LP25 em sala?
1. Monte um banco de começos de história. Eu levo tiras com inícios como “Quando abriu a caixa esquecida no armário...” ou “Naquela tarde chuvosa, o cachorro voltou com uma carta na boca...”. Cada estudante escolhe uma tira e continua a narrativa. A proposta reduz o medo de começar, sem entregar a história pronta.
2. Use imagens como disparadoras. Uma imagem de uma praça vazia, uma porta antiga ou uma mochila abandonada já rende perguntas: quem está ali? O que aconteceu antes? O que pode acontecer depois? Primeiro, fazemos uma conversa coletiva; depois, cada criança escreve sua própria versão. Assim, a imagem sustenta o sentido, mas não substitui a autoria.
3. Planeje antes de escrever. No caderno, proponho quatro campos simples: personagem, lugar, problema e solução. Para as turmas que precisam de mais apoio, acrescento “como começa?” e “como termina?”. Esse roteiro evita narrativas que param no meio ou apresentam fatos soltos.
4. Faça uma oficina de detalhes. Escolhemos um cenário comum, como o pátio da escola, e comparamos “Era um pátio” com “O pátio ensolarado tinha uma amarelinha apagada perto do portão azul”. A intenção não é encher o texto de adjetivos, mas selecionar detalhes que ajudam o leitor a visualizar a cena.
5. Reescreva um trecho com diálogo. Entrego uma pequena narrativa sem falas e peço que a dupla escolha um momento para inserir diálogo. Depois, discutimos quem fala, o que essa fala revela e como usar travessão. É uma maneira objetiva de ensinar marcador de fala e desenvolver personagens.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão ou produção alinhada à EF35LP25 precisa olhar para a construção da narrativa, não apenas para regras isoladas. Posso pedir que o estudante identifique o melhor início para criar suspense, reconheça uma descrição de espaço, organize uma sequência de acontecimentos ou produza um pequeno texto a partir de uma situação-problema. Na escrita autoral, uso critérios claros: presença de personagem e cenário, sequência lógica, conflito ou acontecimento central, marcas de tempo e espaço, detalhes descritivos e possibilidade de compreender o desfecho.
Um erro comum é avaliar somente a ortografia e concluir que o aluno “não sabe narrar”. Outro é oferecer um texto excessivamente guiado, em que a criança apenas completa lacunas: isso pode ser uma etapa de apoio, mas não revela plenamente a escrita autônoma. Também evito cobrar histórias longas como sinônimo de qualidade. Um texto curto pode atender muito bem à habilidade se tiver propósito, organização e recursos narrativos adequados.
Questões prontas de EF35LP25 (com gabarito comentado)
1. Melhor início para uma história de mistério
Na oficina de contação de histórias da escola, os estudantes aprenderam que o início de uma narrativa deve despertar a curiosidade do público e apresentar o conflito principal sem explicar tudo de imediato. A professora propôs que cada aluno começasse uma história sobre uma menina que encontra uma chave misteriosa no quintal. Qual é a melhor maneira de começar a história?
- ❌ A) Apresentando toda a vida da menina — isso retarda o início do conflito principal.
- ❌ B) Descrevendo detalhadamente o quintal da menina — caracteriza o espaço, mas não destaca o mistério de imediato.
- ❌ C) Contando primeiro como a menina perdeu a chave — altera a situação proposta e não explora a descoberta misteriosa.
- ✅ D) Fazendo uma pergunta intrigante sobre a chave — desperta curiosidade sem revelar o que a chave abre.
- ❌ E) Revelando logo o que a chave iria abrir — elimina o mistério que poderia conduzir a narrativa.
2. Recurso usado para introduzir a narrativa
“Ao amanhecer, a pequena vila de Serra Clara ainda dormia. As casas coloridas se alinhavam junto à praça, onde uma fonte antiga deixava cair gotas brilhantes. Ao longe, as montanhas começavam a aparecer por trás da neblina.” Qual recurso foi usado para introduzir a narrativa?
- ❌ A) Uma lista de personagens — nenhum personagem é apresentado no trecho.
- ✅ B) Uma descrição do lugar — a vila, as casas, a praça, a fonte e as montanhas compõem o cenário.
- ❌ C) Uma pergunta ao leitor — não há pergunta; as frases são afirmativas.
- ❌ D) Um resumo dos acontecimentos — o trecho não antecipa fatos, apenas apresenta o ambiente.
- ❌ E) Um diálogo entre personagens — não há falas nem interação verbal.
3. Atividade que observa escrita autônoma
Em uma sequência de atividades, a professora explicou que escrever com autonomia é produzir um texto próprio, escolhendo o que dizer e como registrar a mensagem. Qual atividade observa melhor essa habilidade?
- ❌ A) Ditar um bilhete para a professora escrever — o registro é feito por outra pessoa.
- ✅ B) Produzir um bilhete para convidar um colega para brincar, escolhendo conteúdo e palavras — o estudante decide a mensagem e escreve com uma finalidade.
- ❌ C) Montar um bilhete com palavras recortadas seguindo a ordem indicada — não há produção autônoma do texto completo.
- ❌ D) Copiar um bilhete do quadro — há reprodução de um modelo pronto.
- ❌ E) Completar apenas lacunas de um bilhete — o texto e a estrutura já foram previamente definidos.
4. Elemento essencial em uma descrição
Em uma descrição, qual elemento é essencial para que o leitor visualize o que está sendo descrito?
- ✅ A) A utilização de adjetivos — eles qualificam os substantivos e ajudam a oferecer detalhes.
- ❌ B) A presença de diálogos — diálogos podem aparecer, mas não são essenciais para descrever.
- ❌ C) A contagem de palavras no texto — quantidade não garante uma boa imagem mental.
- ❌ D) A repetição de ideias — repetições não enriquecem nem esclarecem a descrição.
- ❌ E) O uso de frases longas e complexas — frases longas podem dificultar a compreensão.
5. Forma de composição de um texto narrativo
Qual opção representa corretamente a forma de composição de um texto narrativo?
- ❌ A) Apenas diálogos entre personagens — a narrativa inclui também ações, descrições e organização dos fatos.
- ❌ B) Uma sequência de ideias sem conexão — os eventos precisam ter relação lógica.
- ✅ C) Uma introdução, desenvolvimento e conclusão — essa é a organização básica esperada para uma narrativa.
- ❌ D) Apenas uma descrição de um cenário — cenário sozinho não conta uma história.
- ❌ E) Um conjunto de imagens sem palavras — a narrativa escrita é construída com linguagem verbal.
6. Forma de compor um texto narrativo
Qual das opções abaixo é uma forma de compor um texto narrativo?
- ❌ A) Listar fatos de maneira cronológica — a cronologia ajuda, mas uma lista não basta para criar narrativa.
- ✅ B) Contar uma história com personagens e enredo — personagens e trama são elementos centrais do texto narrativo.
- ❌ C) Apresentar dados e informações — essa é uma característica mais próxima de textos informativos.
- ❌ D) Fazer perguntas ao leitor — perguntas podem engajar, mas não constituem uma narrativa.
- ❌ E) Escrever um poema — o poema tem organização própria e não corresponde necessariamente a um texto narrativo.
Próximos passos
Eu sugiro começar com uma produção curta, revisar com a turma um único critério por vez e guardar as versões para comparar avanços. Quando precisar variar os comandos, os textos de apoio e os níveis de dificuldade, vale usar o gerador de provas do GeraProva: o acervo reúne 42 questões alinhadas à EF35LP25.
Cada turma escreve em seu ritmo. Use estas propostas como ponto de partida, adapte ao seu planejamento e, se quiser montar avaliações alinhadas à BNCC com mais agilidade, faça seu cadastro grátis no GeraProva.
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