Atividades sobre Matrizes estéticas culturais com gabarito — 1º ano, 2º ano, 3º ano, 4º ano, 5º ano (EF15AR24)
Quando recebo a EF15AR24 no planejamento, minha primeira reação é pensar em quantas possibilidades cabem nessa habilidade. Brincadeiras, cantigas, jogos, danças e histórias fazem parte da vida das crianças, mas transformar essa riqueza em uma aula de Arte com intenção pedagógica pede escolhas claras.
Eu procuro sair do “vamos brincar porque é divertido” e criar momentos em que a turma observe, experimente, compare e converse sobre as origens culturais das práticas. Assim, a atividade não vira uma reprodução solta: ela ajuda cada criança a reconhecer que há saberes indígenas, africanos, afro-brasileiros e de muitos outros grupos presentes no nosso cotidiano.
O que a habilidade EF15AR24 pede, de verdade?
A EF15AR24 pede que eu leve os estudantes dos anos iniciais a conhecer e vivenciar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes origens culturais, percebendo como cada prática tem materiais, regras, sons, movimentos, modos de participação e sentidos próprios. Não basta entregar uma peteca ou colocar uma cantiga para tocar: a turma precisa experimentar, conversar sobre o que observou e relacionar a prática à sua matriz estética e cultural, sem tratar um povo como se tivesse uma cultura única ou como se tudo fosse “folclore”. Na prática, posso propor uma roda cantada, um jogo de mancala adaptado ou uma experimentação inspirada na organização do jongo, sempre contextualizando e evitando caricaturas. O foco está em ampliar repertório, valorizar as diferenças e aprender Arte pela experiência coletiva, com respeito às comunidades e tradições envolvidas.
“Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais.”
Essa habilidade pertence à unidade temática Artes integradas e trabalha o objeto de conhecimento Matrizes estéticas culturais, do 1º ao 5º ano. Para aprofundar o planejamento, vale consultar a consulta completa do código EF15AR24.
Como trabalhar EF15AR24 em sala?
1. Caixa de práticas culturais. Eu monto cartões com descrições simples de brincadeiras e manifestações: peteca, ciranda, mancala, jongo e mamulengo, por exemplo. Em grupos, as crianças relacionam descrição, imagem e linguagem artística. Depois, conversamos sobre pistas como sementes, roda, canto responsorial, bonecos ou penas.
2. Oficina de peteca com materiais acessíveis. Retalhos, papel, barbante e fita bastam para criar versões seguras do brinquedo. O essencial é reservar tempo para lançar, observar o movimento e comparar as produções. Enquanto brincamos, apresento as raízes indígenas da peteca e reforço que conhecer a origem faz parte da experiência.
3. Roda de chamada e resposta. Sem precisar imitar roupas, gestos ou encenações de uma manifestação, organizo uma roda: um estudante lança um verso curto, o grupo responde, e palmas ou um tambor improvisado marcam o pulso. A atividade permite perceber elementos do jongo, manifestação afro-brasileira, com pesquisa e contextualização.
4. Mapa afetivo de cantigas e brincadeiras. Peço que as crianças conversem com familiares ou vizinhos sobre brincadeiras que conhecem. Na sala, registramos o nome, como se brinca, quem ensinou e quais sons ou movimentos aparecem. Eu tomo cuidado para não pedir que a turma “prove” origens que não conhece; o importante é pesquisar e reconhecer a circulação cultural dessas práticas.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF15AR24 não cobra só decorar um nome. Ela pode pedir que o estudante reconheça características de uma prática, relacione materiais e regras a um jogo, identifique a função de uma cantiga ou escolha uma proposta que una experimentação e valorização cultural. Também avalio durante a aula: a criança participa da roda? Observa o colega? Explica o que torna aquela prática diferente? Consegue mencionar, com apoio, sua origem ou contexto?
Um erro comum é avaliar apenas se a criança executa perfeitamente os passos ou canta afinado. Isso desloca o foco da habilidade. Outro erro é apresentar práticas indígenas ou afro-brasileiras como fantasias, enfeites ou curiosidades isoladas. Eu busco avaliar compreensão, respeito, participação e capacidade de relacionar elementos culturais, sem exigir uma performance padronizada.
Questões prontas de EF15AR24 (com gabarito comentado)
1. Durante a organização de uma caixa de jogos para empréstimo, estudantes encontraram cartões sem título. Um deles descrevia uma partida em que cada pessoa coloca sementes em pequenas cavidades de uma tábua. Em cada vez, o jogador retira as sementes de uma cavidade e as distribui, uma por uma, nas cavidades seguintes. Os demais cartões falavam de um objeto com penas lançado ao ar, de pessoas que cantam de mãos dadas em roda, de bonecos movidos por fios e de uma dança em pares. A mediadora explicou que o primeiro cartão deveria receber o nome de um jogo presente em diferentes regiões africanas e que identificar uma prática cultural exige observar seus materiais e suas regras, sem reduzir os povos a uma única tradição. Identifique o nome que deve ser escrito no primeiro cartão.
- ❌ A) Forró — é música e dança de pares, não jogo de sementes em cavidades.
- ❌ B) Ciranda — é dança e canção em roda, não jogo de tabuleiro.
- ❌ C) Peteca — é lançada ao ar e costuma ter penas.
- ❌ D) Mamulengo — envolve teatro com bonecos manipulados.
- ✅ E) Mancala — a distribuição de sementes entre cavidades caracteriza jogos da família mancala.
2. A educadora explicou que a peteca tem raízes em práticas de povos indígenas e é conhecida em muitas brincadeiras brasileiras. Com retalhos, papel, barbante e fita de papel, o grupo deveria pensar em uma atividade para conhecer o brinquedo em movimento e conversar sobre sua origem. Identifique a proposta de criação mais adequada.
- ❌ A) Construir petecas e apresentá-las como invenções recentes do grupo — isso apaga sua origem cultural.
- ❌ B) Fazer petecas decorativas e evitar lançamentos — descontextualiza o brinquedo e impede a experimentação.
- ❌ C) Construir bolas de papel e dizer que não têm relação com tradições — troca o objeto cultural.
- ✅ D) Construir petecas seguras, comparar lançamentos e apresentar suas raízes indígenas — une criação, brincadeira e contextualização.
- ❌ E) Guardar as petecas sem brincar e mostrar apenas os materiais — reduz a experiência à observação.
3. Durante a feira cultural, a turma observou uma gravação de jongo, manifestação afro-brasileira: uma voz iniciava um ponto, outras respondiam, os tambores mantinham o ritmo e as pessoas se reuniam em roda. Qual organização permite experimentar esses elementos?
- ❌ A) Duplas cantando melodias diferentes ao mesmo tempo — não representa chamada e resposta.
- ❌ B) Um aluno cantando sozinho enquanto o grupo observa — elimina a participação coletiva.
- ✅ C) Roda com tambor marcando o pulso, verso lançado por um aluno e resposta do grupo — aplica os elementos descritos.
- ❌ D) Música gravada sem tambor, canto ou troca de versos — mantém a turma passiva.
- ❌ E) Filas com leitura individual sem ritmo — descaracteriza a roda cantada e ritmada.
4. Lia canta uma cantiga enquanto as crianças giram de mãos dadas. Qual é a função da cantiga nessa brincadeira?
- ❌ A) Contar histórias — o enunciado destaca o canto acompanhado de movimento, não uma narrativa.
- ✅ B) Acompanhar os movimentos — a cantiga ajuda o grupo a cantar e se movimentar junto.
- ❌ C) Ensinar passos — ela pode marcar a ação, mas não está ensinando movimentos novos.
- ❌ D) Escolher parceiros — a cantiga não define quem participa.
- ❌ E) Fazer silêncio — as crianças estão cantando, não em silêncio.
5. Selecione a música que mais se relaciona com as brincadeiras de roda.
- ❌ A) A canção do Sapo não Lê — não é típica de roda.
- ✅ B) Ciranda, cirandinha — é canção tradicional de brincadeira de roda.
- ❌ C) A dança do Créu — não é música de roda.
- ❌ D) A canção das abelhas — não é canção de roda.
- ❌ E) Pintinho Piu — não é típica dessa brincadeira.
6. Identifique as características das brincadeiras cantadas na cultura popular.
- ❌ A) Rimas complexas e temas políticos — em geral, as rimas são simples e divertidas.
- ❌ B) Melodias complexas e letras longas — costumam ter melodias simples e curtas.
- ✅ C) Temas do cotidiano e interação — elas favorecem socialização e dialogam com a vida diária.
- ❌ D) Instrumentos musicais sofisticados — muitas acontecem apenas com as vozes.
- ❌ E) Não têm participação infantil — a participação das crianças é essencial.
Próximos passos para o planejamento
Com essas ideias, eu consigo planejar uma sequência curta, com vivência, conversa e registro, sem depender de materiais caros. Se precisar variar níveis de dificuldade ou montar uma avaliação rapidamente, o acervo do GeraProva reúne 61 questões alinhadas a esta habilidade. Você pode usar o gerador de provas do GeraProva para organizar sua atividade e fazer seu cadastro grátis.
Use estas propostas como ponto de partida e adapte-as à história, ao repertório e às condições reais da sua turma. Uma aula respeitosa sobre matrizes culturais começa com curiosidade, pesquisa e disposição para aprender junto com as crianças.
