Atividades sobre Processos de criação com gabarito — 1º ano, 2º ano, 3º ano, 4º ano, 5º ano (EF15AR11)
Quando recebo a EF15AR11 no planejamento, sei que não basta colocar uma música e pedir que a turma dance. O desafio é criar uma situação em que as crianças possam experimentar, escolher, mudar de ideia, compor com os colegas e perceber que o corpo também comunica. E, depois, transformar essa vivência em registro e avaliação sem reduzir a aula a “quem dançou bonito”.
Na prática, eu procuro começar pelo que a turma já conhece: gestos do recreio, jeitos de caminhar, emoções, brincadeiras e histórias simples. Assim, a dança deixa de parecer algo distante ou reservado a quem já faz aula fora da escola. Abaixo, organizo caminhos para trabalhar e avaliar essa habilidade nos anos iniciais.
O que a habilidade EF15AR11 pede, de verdade?
A EF15AR11 pede que eu proponha experiências em que os estudantes criem e improvisem movimentos sozinhos, em grupo e em colaboração, usando elementos da própria linguagem da dança. Isso inclui observar e experimentar como o corpo se move no espaço, com diferentes tempos, ritmos, direções, níveis e intensidades, além de usar expressões para comunicar uma ideia, sentimento ou pequena narrativa. Não se trata de ensinar uma coreografia pronta para a turma copiar nem de avaliar técnica de balé. O foco está no processo: inventar um gesto, testar outra possibilidade, escutar a proposta do colega, organizar uma sequência e dar sentido ao que se dança. Os códigos de dança aparecem justamente nessas escolhas corporais e expressivas. Para o 1º ano, posso trabalhar comandos e imagens simples; para o 5º, ampliar a composição coletiva, os contrastes e as intenções da cena.
“Criar e improvisar movimentos dançados de modo individual, coletivo e colaborativo, considerando os aspectos estruturais, dinâmicos e expressivos dos elementos constitutivos do movimento, com base nos códigos de dança.”
Essa habilidade pertence à unidade temática Dança, no objeto de conhecimento Processos de criação, e se aplica do 1º ao 5º ano. Na consulta completa do código EF15AR11, encontro propostas e questões para aprofundar o planejamento.
Como trabalhar EF15AR11 em sala?
1. Caminhos com comando
Eu delimito um espaço seguro da sala ou da quadra e proponho: caminhar como se o chão estivesse quente, pesado, escorregadio ou cheio de poças. Depois, peço que cada criança invente um movimento para entrar nessa caminhada. A turma percebe espaço, velocidade, nível e intensidade sem precisar de material.
2. Dança das emoções
Escrevo alegria, surpresa, medo, calma e coragem em papéis. Em duplas, os estudantes sorteiam uma emoção e criam três movimentos que a expressem. O restante da turma tenta identificar a ideia. Aqui, vale conversar sobre como um movimento rápido ou lento, forte ou suave, muda a mensagem.
3. Sequência coletiva de oito tempos
Em pequenos grupos, cada estudante oferece um movimento. O grupo escolhe quatro deles, organiza uma ordem e repete a sequência em oito tempos. Depois, muda um aspecto: faz mais devagar, em níveis baixos ou com deslocamentos para outra direção. É uma forma simples de viver criação colaborativa.
4. História sem palavras
Apresento uma situação curta, como “encontrar algo perdido”, “chegar atrasado” ou “fazer as pazes”. Os grupos criam uma cena dançada sem fala. Eu incentivo gestos, expressões faciais e deslocamentos, lembrando que não é teatro decorado: é o corpo contando a ação.
5. Espelho e transformação
Em duplas, um estudante cria movimentos e o outro acompanha como se fosse um espelho. Depois de alguns minutos, quem observa transforma um dos movimentos: altera força, velocidade, direção ou tamanho. Essa virada ajuda a criança a entender que improvisar não é fazer qualquer coisa; é fazer escolhas sobre o movimento.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa avaliação da EF15AR11 precisa cobrar leitura e criação de movimentos, não conhecimento de figurinos, nomes de músicas ou desempenho físico padronizado. Em uma questão escrita, eu observo se o estudante reconhece improvisação, intenção expressiva, mímica, ritmo, tema e intensidade. Na prática, uso uma lista de observação: criou propostas próprias? Experimentou variações? Participou da composição coletiva? Relacionou o movimento à ideia escolhida?
Um erro comum é premiar apenas quem memoriza mais rápido ou quem tem maior desenvoltura. Outro é pedir “uma dança livre” sem critérios e chamar isso de avaliação. Também evito confundir recursos cênicos, como roupa e iluminação, com elementos essenciais da criação corporal. O importante é tornar os critérios claros e considerar o percurso da criança, inclusive suas tentativas, escuta e colaboração.
Questões prontas de EF15AR11 (com gabarito comentado)
1. Na aula, Bia criou movimentos e mudou os passos enquanto dançava. Qual característica da dança contemporânea aparece nessa dança?
- ✅ A) Cria movimentos e improvisa. Isso mostra a liberdade de criar movimentos próprios e modificá-los durante a dança.
- ❌ B) Repete movimentos já ensaiados. Uma coreografia fixa e repetida não destaca a improvisação apresentada.
- ❌ C) Imita danças de outras épocas. O enunciado fala de criação no momento, não de reprodução de danças antigas.
- ❌ D) Usa somente passos de balé. A dança contemporânea não se limita à técnica clássica do balé.
- ❌ E) Faz movimentos sempre iguais. Bia mudou os passos, portanto os movimentos não permaneceram iguais.
2. Qual a importância da improvisação na expressão corporal da dança?
- ❌ A) É uma técnica sem valor. A improvisação é uma prática importante de criação em dança.
- ❌ B) Limita a criatividade do dançarino. Ao contrário, ela abre possibilidades de escolha e invenção.
- ✅ C) Facilita a comunicação não verbal. O movimento improvisado pode comunicar ideias e sentimentos sem fala.
- ❌ D) Restringe o repertório corporal. Experimentar movimentos tende a ampliar esse repertório.
- ❌ E) É usada apenas em apresentações formais. Ela pode ocorrer em ensaios, jogos, aulas e apresentações.
3. Em uma mostra de Arte na escola, um grupo apresenta uma dança sobre uma personagem que recebe uma carta e decide partir. Não há falas nem narrador. Para acompanhar a história, o público observa as ações corporais, as expressões faciais, os objetos e os deslocamentos dos dançarinos. Em determinado momento, a personagem encontra a carta, demonstra surpresa, lê seu conteúdo e se prepara para sair.
Com base na situação descrita, qual trecho da apresentação exemplifica melhor o uso da mímica para contar uma história sem palavras?
- ❌ A) A personagem acompanha uma música instrumental suave enquanto permanece imóvel no palco. A música cria clima, mas a imobilidade não narra as ações.
- ✅ B) A personagem abre a carta, arregala os olhos, aponta para a porta e acena em despedida. Gestos e expressões comunicam descoberta, decisão e despedida sem palavras.
- ❌ C) A personagem permanece em cena enquanto um narrador explica o conteúdo da carta. O narrador transmite a informação por fala, contrariando a proposta.
- ❌ D) A personagem troca o figurino claro por outro escuro antes de sair do palco. O figurino pode sugerir algo, mas não constrói a ação por mímica.
- ❌ E) A personagem atravessa o palco rapidamente e repete o deslocamento até desaparecer. Há deslocamento, mas faltam gestos que revelem a história.
4. Em uma oficina de Arte, uma turma do 5º ano recebeu a tarefa de criar uma coreografia autoral sobre a convivência na escola. A orientação do professor foi combinar três elementos: movimentos criados pelos estudantes, ritmo organizado para esses movimentos e um tema que desse sentido à apresentação. Figurinos, objetos e iluminação poderiam ser usados, mas não eram exigidos para cumprir a proposta.
Com base na orientação apresentada, quais elementos formam a combinação necessária para criar a coreografia autoral proposta?
- ❌ A) Gestos, figurino e objetos. Figurino e objetos são opcionais e não substituem ritmo e tema.
- ❌ B) Movimentos, figurino e cenário. A alternativa deixa de fora o ritmo e o tema exigidos.
- ❌ C) Ritmo, cenário e iluminação. Faltam os movimentos dos estudantes e o tema da apresentação.
- ❌ D) Cenário, iluminação e maquiagem. São recursos visuais, não a base solicitada para a coreografia.
- ✅ E) Movimentos, ritmo e tema. São exatamente os três elementos definidos como necessários na orientação.
5. Na aula de Arte, Bia deve criar uma dança para mostrar alegria. O que ela deve fazer?
- ❌ A) Parar movimentos. Ficar sem se movimentar não permite criar uma dança.
- ✅ B) Inventar movimentos. Para expressar alegria dançando, Bia precisa criar movimentos com o corpo.
- ❌ C) Observar dança. Observar pode inspirar, mas não é a ação de criar ou improvisar.
- ❌ D) Mostrar alegria. Esse é o objetivo, mas a resposta não explica como criar a dança.
- ❌ E) Repetir movimentos. Apenas repetir não garante a invenção de movimentos novos.
6. Na aula de dança, Lia decidiu fazer movimentos fortes e fracos na hora.
Qual característica do movimento Lia pôde improvisar?
- ❌ A) O desenho do palco usado. Isso se refere ao espaço da apresentação, não à força do gesto.
- ❌ B) A cor da roupa usada. A roupa é um recurso visual, não uma característica corporal do movimento.
- ❌ C) O nome da música tocada. A música acompanha a dança, mas não define se o movimento é forte ou fraco.
- ✅ D) A intensidade dos movimentos. Intensidade indica justamente a variação entre movimentos fortes e fracos.
- ❌ E) A quantidade de dançarinos. O número de participantes não descreve a qualidade do movimento de Lia.
Próximos passos para planejar
Eu começaria com uma vivência curta, registraria observações durante a criação e fecharia com uma ou duas questões que retomem as escolhas corporais feitas pela turma. Para ganhar tempo na montagem de atividades e avaliações, há 112 questões alinhadas a esse código no acervo. Posso selecionar itens e adaptar a prova no gerador de provas do GeraProva ou fazer meu cadastro grátis para começar.
As questões são um apoio ao meu planejamento, não substituem a observação do processo criativo de cada criança. Com propostas acolhedoras e critérios claros, a dança vira espaço de expressão, escuta e descoberta para toda a turma.
