Atividades sobre Anarquismo e protagonismo feminino com gabarito — 9º ano (EF09HI09)
Quando a EF09HI09 aparece no meu planejamento do 9º ano, eu sei que não basta pedir uma pesquisa sobre anarquismo ou listar direitos conquistados. O desafio é fazer a turma enxergar gente agindo na História: trabalhadoras em greve, mulheres escrevendo em jornais, grupos organizados contra o racismo e comunidades resistindo para existir.
Também preciso transformar essa conversa em atividade e avaliação sem reduzir movimentos sociais a uma lista de nomes e datas. A seguir, reuni caminhos práticos e questões que ajudam a trabalhar o código com vínculo entre conteúdo histórico, participação política e direitos.
O que a habilidade EF09HI09 pede, de verdade?
A EF09HI09 pede que eu leve os estudantes a relacionar direitos políticos, sociais e civis com a ação concreta de movimentos sociais. Em sala, isso significa sair da ideia de que os direitos “apareceram” por decisão natural de governos ou de personagens isolados. A turma precisa reconhecer que trabalhadores, mulheres, população negra, povos indígenas e outros grupos se organizaram, protestaram, criaram jornais, associações, redes de apoio e campanhas para reivindicar participação, igualdade e melhores condições de vida. No objeto de conhecimento, anarquismo e protagonismo feminino, vale observar tanto as reivindicações trabalhistas do início da República quanto a presença ativa das mulheres nos espaços políticos, inclusive quando enfrentavam desigualdades dentro dos próprios movimentos. Não estou cobrando que decorem tudo: quero que expliquem quem atuou, por que atuou, quais estratégias usou e que direitos estavam em disputa.
“Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais.”
Essa é uma habilidade da unidade temática O nascimento da República no Brasil e os processos históricos até a metade do século XX, destinada ao 9º ano de História. Para consultar o detalhamento e o banco disponível, indico a consulta completa do código EF09HI09.
Como trabalhar EF09HI09 em sala?
- Linha do tempo de lutas e direitos: eu separo cartões simples com acontecimentos, grupos sociais, formas de mobilização e direitos reivindicados. Em duplas, os alunos conectam, por exemplo, greves operárias a salário e jornada, ou movimentos negros a combate ao racismo e valorização da cultura afro-brasileira.
- Leitura de fontes curtas: uso um trecho de jornal operário, uma fotografia de greve ou um cartaz de campanha. Peço três respostas: quem produziu a fonte, qual problema denuncia e qual mudança defende. Não preciso de material caro: uma imagem projetada ou impressa já rende discussão.
- Mapa de estratégias: no quadro, organizo as palavras “greve”, “jornal”, “reunião”, “escola livre”, “associação”, “campanha” e “pressão ao Estado”. A turma relaciona cada estratégia aos movimentos e debate por que não existe uma única forma de lutar por direitos.
- Comparação entre contextos: proponho que comparem mulheres ligadas ao anarquismo no início do século XX com mulheres negras nos movimentos por direitos civis. O foco não é dizer que eram experiências idênticas, mas perceber protagonismo, demandas específicas e permanências das desigualdades de gênero.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF09HI09 precisa apresentar um movimento, seus participantes ou uma situação histórica e pedir relação entre atuação coletiva e direitos. Posso cobrar identificação de uma reivindicação, interpretação de fonte, comparação entre estratégias ou análise de efeitos políticos e sociais. O estudante deve mobilizar evidências do texto, e não apenas marcar uma palavra conhecida.
Um erro comum é perguntar somente “em que ano ocorreu?” ou “quem foi tal pessoa?”. Esses dados podem compor o contexto, mas não medem o centro da habilidade. Outro problema é tratar mulheres como coadjuvantes inevitáveis ou apresentar os movimentos como grupos sem conflitos internos. Na correção, observo se o aluno reconhece sujeitos históricos, formas de organização e direitos em disputa. No acervo do GeraProva, há 101 questões alinhadas a este código, úteis para variar dificuldade e montar versões diferentes de avaliação.
Questões prontas de EF09HI09 (com gabarito comentado)
1. Considerando a história do Brasil, os quilombos foram importantes espaços de resistência. O que isso nos ensina sobre a luta por direitos?
- ❌ A) Que a luta por direitos é uma utopia. A história dos quilombos é exemplo de resistência real.
- ✅ B) Que a resistência é fundamental na busca por direitos. Os quilombos são símbolos de luta e conquista.
- ❌ C) Que a história não tem impacto na atualidade. A história molda a identidade e as lutas atuais.
- ❌ D) Que a luta não é necessária para a inclusão. A inclusão requer luta e resistência.
- ❌ E) Que todos os espaços são iguais na luta por direitos. Os quilombos ilustram a luta específica de um grupo.
Comentário: a questão associa resistência coletiva e conquista de direitos, relação central da habilidade.
2. Na escola, jovens indígenas participam de uma reunião sobre as regras do país. Por que é importante ouvir esses jovens na democracia?
- ✅ A) Para terem voz nas decisões do país. A participação permite que jovens indígenas expressem suas ideias e ajudem nas decisões do país.
- ❌ B) Para obedecerem sempre às decisões do país. Participação política não é obediência sem apresentar ideias.
- ❌ C) Para escolherem as decisões sozinhos no país. Participar da democracia não significa decidir tudo sozinho.
- ❌ D) Para apenas ouvirem as decisões do país. A alternativa troca participação ativa por atitude passiva.
- ❌ E) Para não participarem das decisões do país. A democracia valoriza a participação, não o afastamento dos jovens.
Comentário: aqui, a turma relaciona participação política e direito à voz na democracia.
3. Qual foi o papel do movimento negro na luta por direitos civis no Brasil a partir da década de 1980?
- ❌ A) Promover a exclusão social. O movimento visa a inclusão e a igualdade.
- ✅ B) Fomentar a cultura afro-brasileira. O movimento valoriza e promove a cultura afro-brasileira.
- ❌ C) Deslegitimar a história nacional. Buscam legitimar a história afro-brasileira.
- ❌ D) Consolidar o racismo institucional. O movimento atua contra o racismo.
- ❌ E) Apoiar a opressão de minorias. O movimento defende a igualdade de direitos.
Comentário: vale conversar com a turma sobre cultura, reconhecimento e combate ao racismo como dimensões dos direitos civis.
4. Na Primeira República, entre 1917 e 1919, trabalhadoras de São Paulo participaram de greves, reuniões, redes de ajuda mútua e jornais ligados ao anarquismo. Muitas reivindicavam melhores salários e denunciavam a exploração nas fábricas, embora a direção formal de várias organizações permanecesse predominantemente masculina. Décadas depois, especialmente entre 1978 e 1988, mulheres negras participaram ativamente do movimento brasileiro por direitos civis: criaram grupos, denunciaram o racismo, organizaram campanhas e pressionaram o Estado por direitos, ao mesmo tempo que criticavam o sexismo dentro e fora do movimento. Os dois contextos mostram que a atuação feminina ocorreu em espaços marcados por desigualdades de gênero, mas assumiu formas relacionadas às demandas de cada período.
Com base no texto, qual comparação explica adequadamente o papel das mulheres na luta anarquista e na luta por direitos civis durante a República?
- ❌ A) Na luta anarquista, as mulheres participaram, mas no movimento civil permaneceram politicamente ausentes. O texto afirma que mulheres negras criaram grupos, organizaram campanhas e pressionaram o Estado.
- ❌ B) As duas lutas tiveram exatamente as mesmas reivindicações e estratégias de mobilização feminina. O texto diferencia greves, jornais e redes anarquistas de campanhas antirracistas e pressão por direitos.
- ❌ C) A participação feminina ocorreu somente quando as organizações abandonaram suas desigualdades de gênero. A atuação ocorreu justamente em espaços marcados por desigualdades de gênero.
- ✅ D) Em ambas, as mulheres atuaram politicamente, mas adotaram formas de organização ligadas às demandas de cada contexto. Houve participação em greves, imprensa e redes anarquistas, bem como em grupos, campanhas e denúncias por direitos civis.
- ❌ E) Em ambas, as mulheres apenas apoiaram organizações dirigidas exclusivamente por homens. Elas organizaram greves, jornais, grupos e campanhas; não foram apenas apoiadoras.
Comentário: esta questão exige comparação: há protagonismo feminino nos dois casos, sem apagar diferenças históricas.
5. No início do século XX, mulheres trabalhadoras participaram de associações anarquistas em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Elas escreveram em jornais operários, organizaram reuniões e escolas livres, participaram de greves e defenderam tanto melhores condições de trabalho quanto a igualdade entre homens e mulheres. Essas ações mostram que sua presença não se limitava ao apoio privado aos militantes, mas também envolvia a produção e a divulgação de ideias políticas.
Com base no texto, qual interpretação explica a contribuição das mulheres para a construção do ideário anarquista no Brasil?
- ❌ A) Elas atuaram somente em atividades beneficentes, sem participação política organizada. O texto destaca greves, jornais, escolas e defesa de ideias sociais.
- ❌ B) Elas defenderam a exclusão feminina das organizações operárias e anarquistas. Elas defenderam a igualdade entre homens e mulheres.
- ❌ C) Elas permaneceram restritas ao apoio doméstico aos militantes e dirigentes. O texto menciona jornais, reuniões, escolas e greves.
- ✅ D) Elas participaram da imprensa, das greves e da organização política. Sua contribuição envolveu elaboração, divulgação e prática de ideias políticas.
- ❌ E) Elas abandonaram o anarquismo por rejeitarem suas propostas políticas sociais. O texto descreve participação na divulgação e na prática dessas propostas.
Comentário: eu usaria esta questão após analisar uma fonte, para reforçar que mulheres também produziram pensamento e ação política.
6. Na aula, a turma aprendeu que o anarquismo esteve presente entre trabalhadores brasileiros no início do século XX.
Qual foi uma importância do anarquismo na República Brasileira?
- ❌ A) Manter o poder dos patrões. Os anarquistas criticavam a exploração dos trabalhadores pelos patrões.
- ✅ B) Lutar por direitos trabalhistas. Os anarquistas ajudaram a organizar trabalhadores em defesa de melhores salários, menor jornada e outros direitos.
- ❌ C) Apoiar o governo republicano. Muitos anarquistas criticavam o Estado e as autoridades.
- ❌ D) Criar um governo socialista. Não defendiam governo socialista centralizado, mas uma sociedade sem governo autoritário.
- ❌ E) Defender a volta da monarquia. O anarquismo criticava formas de autoridade e dominação política.
Comentário: a resposta correta liga a atuação anarquista à organização dos trabalhadores e às reivindicações sociais.
Próximos passos para a sua aula
Eu começaria com uma fonte curta, faria a comparação entre formas de mobilização e fecharia com duas ou três questões, sem aplicar tudo de uma vez. Se a turma precisar de mais prática ou se eu quiser montar recuperação, simulado e versões diferentes, posso usar o gerador de provas do GeraProva para selecionar questões por habilidade.
Use estas questões como ponto de partida e ajuste a mediação ao repertório da sua turma. Para acessar mais recursos e montar avaliações, faça seu cadastro grátis no GeraProva.
