Atividades sobre Anarquismo e protagonismo feminino com gabarito — 9º ano (EF09HI08)
Quando recebo a EF09HI08 no planejamento do 9º ano, eu sei que não basta montar uma linha do tempo de leis e movimentos sociais. O desafio é ajudar a turma a perceber mudanças de abordagem: o que antes aparecia como reivindicação de grupos muitas vezes silenciados passou, aos poucos, a ocupar o debate público, a legislação, a escola e as políticas de acesso.
Na prática, também preciso transformar esse tema amplo em atividades e uma avaliação que não vire mera decoreba de datas. Por isso, costumo partir de situações concretas: currículo escolar, ações afirmativas, movimentos de mulheres, população negra, povos indígenas e movimento LGBTQIA+. Abaixo reuni caminhos que cabem na rotina da escola e seis questões prontas para usar ou adaptar.
O que a habilidade EF09HI08 pede, de verdade?
Em linguagem de sala de aula, esta habilidade pede que o estudante compare como o Brasil discutiu as diferenças e as desigualdades ao longo do século XX, percebendo que esse debate não ficou parado. Ele precisa identificar que movimentos sociais colocaram em pauta questões de raça, gênero, culturas indígenas, orientação sexual e direitos das mulheres; entender que a redemocratização ampliou a presença dessas demandas no espaço público; e analisar como princípios gerais de igualdade foram sendo acompanhados por medidas mais específicas, como mudanças curriculares e ações afirmativas. Não se trata de exigir que a turma memorize todas as leis, mas de cobrar relações: qual problema estava sendo enfrentado, que grupo reivindicava reconhecimento, qual mudança ocorreu e por que ela importa. Embora o objeto de conhecimento seja anarquismo e protagonismo feminino, vale conectar a atuação política das mulheres a outros movimentos que fizeram da diversidade uma questão pública.
“Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreender o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema.”
A habilidade pertence à unidade temática O nascimento da República no Brasil e os processos históricos até a metade do século XX, no componente de História para o 9º ano. Para planejar com mais segurança, eu consulto a consulta completa do código EF09HI08, que reúne questões alinhadas à habilidade.
Como trabalhar EF09HI08 em sala?
- Linha do tempo com mudanças de enfoque. Divido a lousa em décadas e entrego cartões com fatos: redemocratização, Constituição de 1988, LDB de 1996, Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, Conferência de Durban e Lei de Cotas. Mais importante que ordenar os cartões é pedir que a turma escreva: “qual mudança aconteceu aqui?”.
- Currículo que inclui e currículo que silencia. Peço que os alunos observem o próprio livro didático ou o conteúdo estudado no bimestre: quais grupos aparecem? Quais quase não aparecem? A conversa precisa ser mediada com respeito, mas costuma mostrar por que o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo é uma política educacional concreta.
- Roda de fontes curtas. Levo trechos de legislação, manchetes históricas ou imagens de manifestações de mulheres, do movimento negro e do movimento LGBTQIA+. Em grupos, os estudantes respondem: quem fala, qual direito é reivindicado e que obstáculo ainda permanece? Não preciso de impressão colorida: projetar ou copiar pequenos trechos no quadro já funciona.
- Conexão com o protagonismo feminino. Retomo mulheres trabalhadoras e militantes, inclusive em experiências ligadas ao anarquismo, para discutir que participação política não se resume a votar ou ocupar cargos. Depois, comparo essas lutas com as reivindicações feministas que ganharam visibilidade em outros momentos do século XX.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF09HI08 precisa apresentar evidências e pedir comparação, consequência ou mudança histórica. Eu procuro formular itens em que o aluno diferencie um princípio geral de uma medida específica, reconheça a ampliação de pautas ou relacione mobilização social e conquista de visibilidade. Assim, avalio leitura histórica, e não opinião pessoal nem simples lembrança de uma data.
Um erro comum é perguntar somente “em que ano foi aprovada determinada lei?”. Outro é criar alternativas com termos absolutos, como “acabou toda discriminação” ou “houve igualdade imediata”, sem discutir que direitos reconhecidos na lei não eliminam automaticamente desigualdades sociais. Também evito reduzir diversidade a um único grupo: a habilidade trabalha transformações no debate brasileiro e pede olhar para várias dimensões.
Questões prontas de EF09HI08 (com gabarito comentado)
1. No Brasil, a redemocratização dos anos 1980 ampliou o debate público sobre os direitos de grupos historicamente discriminados. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a igualdade de direitos, a pluralidade cultural e o combate ao racismo. Nos anos 2000, esse debate passou a orientar medidas mais específicas, como a inclusão da história e da cultura afro-brasileira e indígena nos currículos escolares, prevista pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, além da criação e ampliação de políticas de ação afirmativa em diferentes instituições. Com base no texto, qual transformação ocorreu na abordagem da diversidade no Brasil entre os anos 1980 e os anos 2000?
- ❌ A) Nos anos 1980, destacaram-se ações afirmativas; nos anos 2000, prevaleceu apenas o princípio geral da igualdade. Inverte a sequência: as medidas específicas aparecem nos anos 2000.
- ❌ B) Nos anos 1980, a diversidade foi rejeitada pelo Estado; nos anos 2000, ampliou-se somente a igualdade formal. A Constituição de 1988 reconheceu pluralidade cultural e combate ao racismo.
- ❌ C) Nas duas décadas, a diversidade foi tratada apenas no plano jurídico, sem medidas educacionais ou políticas específicas. Ignora as mudanças curriculares e as ações afirmativas.
- ✅ D) Nos anos 1980, destacou-se o reconhecimento geral de direitos; nos anos 2000, ampliaram-se medidas específicas de inclusão e combate às desigualdades. É a mudança de ênfase apresentada no texto.
- ❌ E) Nos anos 1980 e 2000, a diversidade foi compreendida apenas como questão cultural, sem relação com desigualdades sociais. O texto relaciona políticas a discriminação e desigualdades.
2. No Brasil, a partir do final da década de 1970, grupos como o Somos e o jornal Lampião da Esquina deram visibilidade pública às reivindicações de pessoas homossexuais. Durante as décadas de 1980 e 1990, essas iniciativas se articularam a campanhas de saúde, manifestações e organizações civis, pressionando o Estado e a sociedade a debater discriminação, cidadania e direitos. Embora o período também tenha sido marcado por repressões e pela permanência de normas tradicionais de gênero, a mobilização ampliou a presença dessas pautas no espaço público. Com base no texto, qual consequência histórica é diretamente identificada?
- ❌ A) Desaparecimento da repressão contra pessoas LGBTQIA+ no período. O texto registra a permanência de repressões.
- ✅ B) Ampliação da visibilidade pública e da organização política do movimento. Grupos, jornais, campanhas e manifestações ampliaram a presença das pautas no debate público.
- ❌ C) Eliminação das normas tradicionais de gênero na sociedade brasileira. Essas normas permaneceram, segundo o enunciado.
- ❌ D) Conquista imediata da igualdade jurídica em todo o país. O texto não afirma igualdade imediata ou uniforme.
- ❌ E) Abandono das campanhas de saúde diante das pautas políticas. As campanhas são apresentadas como parte da articulação do movimento.
3. Durante a década de 1980, o Brasil passou pela redemocratização e pela elaboração da Constituição Federal de 1988. Nesse contexto, movimentos sociais ligados à população negra, às mulheres, aos povos indígenas e à população LGBT ampliaram sua participação no debate público. As reivindicações passaram a questionar não apenas desigualdades econômicas e regionais, mas também formas de discriminação relacionadas à identidade, ao gênero, à raça e à orientação sexual. A Constituição de 1988 incorporou princípios de igualdade e de combate a discriminações, embora a efetivação desses direitos permanecesse um desafio. Qual foi a principal mudança na abordagem da diversidade?
- ❌ A) A redução do debate às desigualdades econômicas e regionais. O debate ultrapassou essas dimensões.
- ❌ B) A substituição das pautas sociais por princípios de igualdade formal. A mobilização não foi substituída.
- ❌ C) A exclusão das diferenças de identidade do debate público. O texto aponta justamente sua entrada no debate.
- ❌ D) A concentração das reivindicações nas diferenças entre grupos raciais. Raça foi uma dimensão entre várias.
- ✅ E) A ampliação do debate para incluir identidades e relações de gênero. Essa alternativa sintetiza a transformação descrita.
4. No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, estabeleceu que o ensino deveria respeitar a diversidade cultural e social dos estudantes. Na década seguinte, novas leis detalharam esse princípio: em 2003, tornou-se obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e, em 2008, essa exigência foi ampliada para incluir também a História e Cultura dos povos indígenas. Compare as políticas educacionais brasileiras voltadas à diversidade nas décadas de 1990 e 2000.
- ❌ A) Nos anos 1990, houve detalhamento curricular; nos anos 2000, ocorreu redução dos grupos contemplados. Ocorreu o contrário: houve ampliação nos anos 2000.
- ❌ B) Nos anos 1990, foram criados conteúdos específicos; nos anos 2000, manteve-se apenas a orientação geral. A sequência está invertida.
- ❌ C) Nos anos 1990, a diversidade foi excluída; nos anos 2000, passou a ser mencionada pela primeira vez. A LDB de 1996 já tratava do respeito à diversidade.
- ❌ D) Nos anos 1990, a legislação tratou somente de culturas específicas; nos anos 2000, adotou princípio mais amplo. Troca as características dos períodos.
- ✅ E) Nos anos 1990, predominou uma orientação geral de respeito à diversidade; nos anos 2000, foram criadas medidas específicas para ampliar sua presença no currículo. É a comparação correta.
5. Analise a importância da Conferência de Durban (2001) para o debate sobre diversidade no Brasil.
- ❌ A) Foi irrelevante para o Brasil. Teve impacto significativo nas políticas de diversidade.
- ❌ B) Focou apenas em questões ambientais. Abordou questões sociais, incluindo diversidade.
- ✅ C) Fortaleceu o movimento negro no Brasil. A conferência deu força ao debate racial.
- ❌ D) Ignorou a questão de gênero. Incluiu discussões sobre gênero e diversidade.
- ❌ E) Reduziu a visibilidade de minorias. Ao contrário, aumentou essa visibilidade.
6. Identifique as consequências da Lei de Cotas (2012) na educação superior brasileira.
- ❌ A) Aumento na exclusão de estudantes. A lei visa inclusão e acesso.
- ❌ B) Redução do número de universidades. Ela não impactou o número de universidades.
- ✅ C) Aumento da diversidade nas universidades. A lei ampliou a presença de grupos minoritários.
- ❌ D) Diminuição das oportunidades para brancos. A proposta é equilibrar oportunidades e enfrentar desigualdades.
- ❌ E) Consolidação da desigualdade. Sua intenção é reduzir desigualdades.
Próximos passos
Eu começaria com uma atividade de comparação entre décadas e fecharia com duas ou três questões que peçam evidência no texto. Se você quiser ampliar o banco de itens, o GeraProva tem 172 questões alinhadas a esta habilidade: acesse o gerador de provas do GeraProva e monte uma avaliação no nível da sua turma.
Use estas questões como ponto de partida, adapte os textos ao seu planejamento e, se ainda não conhece a plataforma, faça seu cadastro grátis para criar provas com mais agilidade.
