Atividades sobre Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção de textos Caracterização do campo jornalístico e relação entre os gêneros em circulação, mídias e práticas da cultura digit
Atividades de Língua Portuguesa para trabalhar propostas editoriais, sensacionalismo e jornalismo investigativo no 7º ano. Veja questões com gabarito comentado alinhadas à EF07LP01.
Quando a EF07LP01 aparece no planejamento, eu sei que não basta pedir que a turma encontre uma manchete “forte”. O desafio é transformar aquela habilidade da BNCC em uma conversa concreta sobre o que os estudantes leem, compartilham e acreditam nas redes, nos portais e até nos grupos da família.
Na prática, eu parto de comparações: duas notícias sobre o mesmo fato, mas com escolhas bem diferentes de título, imagem, fonte e linguagem. É aí que a aula deixa de ser uma lista de conceitos e vira uma oportunidade para o 7º ano perceber que toda cobertura tem uma proposta editorial.
O que a habilidade EF07LP01 pede, de verdade?
A EF07LP01 pede que o estudante vá além de localizar informações: ele precisa reconhecer que veículos diferentes podem noticiar o mesmo acontecimento com objetivos, enfoques e recursos distintos. Em sala, eu traduzo isso como aprender a perguntar: quem está falando, para quem, com quais fontes e de que jeito esse texto tenta prender minha atenção? A habilidade envolve distinguir, por exemplo, uma reportagem investigativa — apoiada em apuração, dados, documentos e especialistas — de uma cobertura sensacionalista, que pode recorrer a exageros, caixa alta, exclamações e palavras alarmistas para causar choque. Não se trata de dizer que todo título chamativo é falso, mas de ensinar a turma a desconfiar de recursos que atrapalham uma leitura crítica do fato. O foco é analisar contexto de produção, circulação e recepção: suporte, público, escolhas de linguagem, fontes e possíveis efeitos sobre o leitor.
“Distinguir diferentes propostas editoriais – sensacionalismo, jornalismo investigativo etc. –, de forma a identificar os recursos utilizados para impactar/chocar o leitor que podem comprometer uma análise crítica da notícia e do fato noticiado.”
Ela pertence à unidade temática de Língua Portuguesa e dialoga com o objeto de conhecimento sobre reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção de textos, além da caracterização do campo jornalístico, das mídias e das práticas da cultura digital. Para consultar o detalhamento e o acervo, vale abrir a consulta completa do código EF07LP01.
Como trabalhar EF07LP01 em sala?
1. Faça um duelo de manchetes. Eu levo duas manchetes criadas para o mesmo fato fictício, como um alagamento no bairro. Uma usa tom informativo; outra aposta em “tragédia”, caixa alta e exclamação. Em duplas, os alunos circulam palavras que informam e palavras que tentam provocar medo ou espanto.
2. Monte um painel de fontes. Escolho uma notícia e peço que a turma identifique quem aparece nela: moradores, autoridades, pesquisadores, associações ou especialistas. Depois, discutimos: qual voz ganhou mais espaço? Que perspectiva ficou ausente? Essa atividade aproxima a habilidade da leitura de reportagens reais.
3. Reescreva sem exagerar. Entrego uma manchete sensacionalista e proponho uma reescrita com linguagem precisa. Não é para deixar o texto sem interesse; é para preservar o fato, indicar o que se sabe e evitar conclusões alarmistas sem evidência.
4. Crie uma redação estudantil. Grupos recebem um mesmo acontecimento escolar fictício e produzem uma pequena cobertura para jornal, portal ou rádio. Depois, justificam as escolhas de título, fontes e linguagem. Eu aproveito para perguntar que efeito cada versão pode produzir no público.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF07LP01 precisa apresentar elementos que permitam comparar propostas editoriais ou identificar recursos de impacto: termos hiperbólicos, exclamações, caixa alta, ausência ou presença de fontes, dados, entrevistas e linguagem precisa. O aluno deve analisar pistas do texto, não apenas decorar que sensacionalismo “é exagero”.
Um erro comum é cobrar opinião solta, como “você gostou da notícia?”. Outro é usar alternativas em que a correta depende de conhecimento externo. Eu prefiro oferecer um texto-base curto e perguntar qual escolha linguística produz choque, qual cobertura valoriza determinada fonte ou qual versão está mais apoiada em evidências. Também evito tratar o jornalismo investigativo como sinônimo de texto longo: o critério é a qualidade da apuração apresentada.
Questões prontas de EF07LP01 (com gabarito comentado)
1. Uma reportagem sobre a crise habitacional nas periferias brasileiras foi apresentada por diferentes plataformas. O jornal local ouviu moradores, que relataram dificuldades cotidianas e iniciativas criadas pela própria comunidade. A televisão nacional priorizou declarações de autoridades e debates sobre o orçamento público. O boletim de uma ONG apresentou gráficos e percentuais sobre o déficit habitacional em cada região. Uma rádio comunitária entrevistou representantes de associações de bairro sobre ações coletivas. Já um portal de notícias reuniu análises de pesquisadores sobre as políticas urbanas relacionadas ao problema. Com base no texto, qual cobertura jornalística valoriza a perspectiva direta dos moradores na abordagem da crise habitacional?
- ❌ A) A cobertura da rádio comunitária, com ações coletivas. Ela ouviu representantes de associações, não moradores relatando experiências cotidianas.
- ❌ B) A cobertura do portal, com análises de pesquisadores. O foco é a análise especializada, não a perspectiva direta dos moradores.
- ❌ C) A cobertura do boletim da ONG, com gráficos do déficit. Gráficos e percentuais são dados estatísticos, não relatos dos residentes.
- ❌ D) A cobertura da televisão nacional, com declarações de autoridades. A televisão prioriza a perspectiva institucional.
- ✅ E) A cobertura do jornal local, com relatos dos moradores. O texto afirma que esse veículo ouviu moradores sobre dificuldades e iniciativas da comunidade.
2. Você já reparou em como manchetes podem provocar choque? Em matéria investigativa, o jornal Vértice apresenta título neutro: “Crescimento de bairros planejados supera expectativas” e detalha em texto dados, fontes oficiais e entrevistas. Já no diário Estrela do Povo, o título grita: “Moradores em pânico! Casas podem desabar a qualquer instante!” e usa ponto de exclamação, termos alarmistas e sem citar especialistas. Analise o texto-base e identifique qual recurso caracteriza o sensacionalismo no título do diário Estrela do Povo.
- ❌ A) A adoção de linguagem impessoal. Esse recurso se aproxima de um texto neutro, não do exagero apresentado.
- ❌ B) A citação de especialista. O título sensacionalista não cita especialistas.
- ❌ C) A formulação de pergunta retórica. Não há pergunta no título.
- ❌ D) A inclusão de dados numéricos. Dados não são o recurso usado nessa manchete.
- ✅ E) O uso de ponto de exclamação. A exclamação intensifica a dramaticidade de “Moradores em pânico!”.
3. Moradores de Várzea Nova ficaram alarmados após dois tipos de divulgação sobre o mesmo surto viral. Em jornais locais, manchetes urgentes alertaram: “Tremenda catástrofe: vírus mortal invade cidade!” Nas redações investigativas, reportagens detalharam a investigação: especialistas colheram amostras, rastrearam contatos e checaram dados de hospitais, adotando linguagem precisa e sem exageros. Analise o texto-base e identifique o trecho que recorre ao sensacionalismo para impactar o leitor.
- ❌ A) “Especialistas investigam a origem do vírus detectado em Várzea Nova.” O tom é informativo e preciso.
- ❌ B) “Médicos relatam casos suspeitos com sintomas leves.” A linguagem é moderada e factual.
- ❌ C) “A prefeitura implementou protocolos de segurança para reduzir riscos.” Trata-se de informação administrativa neutra.
- ❌ D) “População recebeu vacinas gratuitamente após medidas emergenciais.” O trecho informa uma ação de saúde pública sem exagerar.
- ✅ E) “Tremenda catástrofe: vírus mortal invade cidade!” Superlativo, expressão alarmista e exclamação buscam chocar o leitor.
4. Você não vai acreditar no que aconteceu na Praça Central! RATOS GIGANTES invadiram as barracas e espalharam pavor entre os visitantes. A cobertura sensacionalista explora descrições exageradas e exclamações para chocar o leitor. Em contraste, reportagem do site Visão Cidadã apresenta depoimentos de moradores, laudos do Instituto de Saúde e orientações de especialistas sobre saneamento e controle de pragas. Analise o texto-base e identifique o recurso de sensacionalismo empregado para chocar o leitor.
- ❌ A) Uso de perguntas retóricas para envolver o público. Não há pergunta retórica no trecho.
- ✅ B) Uso de adjetivos impactantes em caixa alta para enfatizar emoção. “RATOS GIGANTES” usa caixa alta e exagero para causar impacto.
- ❌ C) Uso de citações de especialistas para aprofundar a análise. Isso aparece na cobertura informativa do site, não no trecho sensacionalista.
- ❌ D) Uso de dados estatísticos e fontes diversas para conferir credibilidade. Esses recursos não são usados para o choque descrito.
- ❌ E) Uso de interjeição apelativa no início para gerar sensação de urgência. Há apelo inicial, mas o principal recurso de choque destacado é “RATOS GIGANTES”.
5. Cercada por repórteres, a redação estudantil divulgou duas versões de cobertura sobre as chuvas intensas que alagaram bairros da periferia. Na primeira versão, o título grita: “Tragédia: milhares desabrigados em bairros periféricos!” e o texto detalha cenas chocantes, com emotividade exagerada. Na segunda, o título informa: “Chuvas fortes causam alagamentos em três bairros; equipes de resgate atuam desde a madrugada.” e o corpo apresenta dados objetivos, cita autoridades e evita termos alarmistas. Analise os dois formatos de cobertura e identifique o recurso de sensacionalismo empregado na primeira versão.
- ❌ A) A citação de autoridades e equipes de resgate para embasar a notícia. Essa é uma estratégia de cobertura objetiva.
- ✅ B) O uso de pontos de exclamação e termos hiperbólicos para chocar o leitor. “Tragédia” e a exclamação reforçam a emotividade exagerada.
- ❌ C) O uso de linguagem neutra e descritiva sem adjetivos emocionais. É justamente o oposto do que ocorre na primeira versão.
- ❌ D) A sequência cronológica dos eventos narrados no corpo da matéria. Cronologia organiza informações; não é recurso de choque.
- ❌ E) A apresentação de dados numéricos precisos sobre bairros afetados. Isso caracteriza a segunda versão, mais objetiva.
6. Você já parou para pensar por que alguns veículos de comunicação apelam para o exagero em suas manchetes? [1] “Milhares de ratos invadem a praça central e aterrorizam moradores!” [2] “Pesquisa local aponta redução de 20% na criminalidade no último ano.” [3] “Prefeitura inaugura parque com espaço para piquenique e trilhas.” [4] “Especialistas avaliam impacto ambiental do novo empreendimento industrial.” [5] “Crítica: festival de cinema traz obras instigantes sobre temas sociais.” Analise o texto-base e identifique qual dos trechos exemplifica o sensacionalismo ao utilizar recurso de impacto para chocar o leitor.
- ❌ A) O trecho [4]. Ele apresenta análise de especialistas em tom informativo.
- ✅ B) O trecho [1]. O exagero, os termos alarmistas e a exclamação criam impacto sensacionalista.
- ❌ C) O trecho [2]. Há dado quantitativo objetivo, sem apelo de choque.
- ❌ D) O trecho [3]. É uma informação factual e tranquila.
- ❌ E) O trecho [5]. Trata-se de crítica cultural com linguagem reflexiva, sem alarmismo.
Próximos passos
Depois dessas atividades, eu sugiro pedir que a turma crie um pequeno checklist de leitura crítica para usar antes de compartilhar uma notícia: há fonte? O título exagera? O texto apresenta dados? Quem foi ouvido? Para ampliar ou montar sua avaliação rapidamente, conheça o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
As questões ajudam no diagnóstico, mas a conversa sobre escolhas editoriais é o que consolida a aprendizagem. Adapte os exemplos à realidade da sua turma e conte com o GeraProva para planejar com mais tempo e segurança.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
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