Atividades de Sociedade Líquida (Bauman) e Sociedade do Cansaço (Han) para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito
Reuni questões para trabalhar Sociedade Líquida, de Bauman, e Sociedade do Cansaço, de Han, na 3ª série. O material traz gabarito comentado e permite discutir poder, território, vínculos e regulação.
Quando trabalho Sociedade Líquida, de Bauman, e Sociedade do Cansaço, de Han com a 3ª série, procuro aproximar os conceitos de situações reconhecíveis sem transformar a aula em uma lista de definições. A mobilidade dos vínculos, a instabilidade e a pressão por desempenho ajudam a abrir conversas sobre como vivemos e nos organizamos.
As questões reunidas aqui também abordam território, fronteiras e agentes que regulam espaços. Não trato todos esses itens como se fossem explicações diretas dos dois autores: uso-os para exercitar leitura, identificação de relações de poder e comparação entre formas de organização. Assim, consigo observar se a turma distingue ação estatal, iniciativa privada e decisão comunitária, além de retomar Bauman e Han onde a questão permite essa conexão.
O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Sociedade Líquida (Bauman) e Sociedade do Cansaço (Han)
Na 3ª série, espero que o estudante compreenda que a ideia de modernidade líquida, associada a Zygmunt Bauman, descreve relações e formas de organização marcadas por maior fluidez e instabilidade, sem significar que desapareceram as instituições, os conflitos ou as fronteiras. Já Byung-Chul Han analisa a sociedade do desempenho, na qual a cobrança por produtividade pode ser internalizada pelo próprio sujeito e produzir desgaste. São perspectivas distintas, mas podem ser aproximadas para pensar vínculos flexíveis e exigências contínuas sem reduzir uma à outra. Nas atividades desta página, essa relação aparece com mais clareza na questão sobre trabalhadores, mobilidade e controle por metas. As demais questões trabalham problemas próximos do percurso: território, poder, regras de acesso, autoridade, saberes técnicos e consenso. O estudante precisa localizar quem age, com que instrumento e com quais efeitos, em vez de atribuir toda mudança espacial a um único agente ou a uma causa isolada.
O que ele precisa saber antes
Antes de aplicar a sequência, vale retomar o conceito geográfico de território e a ideia de territorialidade como relação entre espaço, usos, regras e poder. As questões também pedem que a turma reconheça agentes de produção do espaço: Estado, empresas, comunidades, associações e organizações. Uma revisão curta sobre propriedade e uso comum ajuda a compreender a disputa entre registros formais e práticas costumeiras. Para os itens sobre autoridade e decisões coletivas, recomendo retomar a função do Estado, noções básicas de contrato social, consentimento e legitimidade. A questão sobre a caatinga mobiliza ainda o pragmatismo de John Dewey: um público se forma quando pessoas são afetadas por consequências comuns e participam da investigação e da construção de respostas. Por fim, nos exemplos digitais, é útil diferenciar regulação estatal, contratos privados e normas comunitárias. Não é preciso antecipar respostas; basta assegurar que os conceitos estejam disponíveis para a leitura.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente previsto nos itens é confundir a atuação do poder público com iniciativas privadas ou comunitárias. Na questão sobre fronteiras virtuais, por exemplo, o distrator mais provável é o leilão empresarial de lotes: ele realmente organiza acesso e propriedade, mas não é uma norma estatal. Algo parecido ocorre quando contratos de plataformas são confundidos com leis e sanções governamentais. A pista está em observar o instrumento: decreto, lei e sanção indicam ação pública; contrato, investimento ou código comunitário apontam para outros agentes.
Outro tropeço é explicar a territorialidade por um único fator. Na situação dos trabalhadores, reduzir tudo ao zoneamento municipal ou à diversidade cultural deixa de lado a mobilidade, a instabilidade dos vínculos, o controle de desempenho e as disputas por moradia e circulação. Também aparece o erro de imaginar que a fluidez elimina fronteiras. Ela pode reorganizar acessos e conflitos, não simplesmente fazê-los desaparecer. Nos itens sobre manguezal e fundo de pasto, há ainda a tentação de tratar como absoluto um só critério — tradição, escritura, investimento ou parecer técnico. O desafio é perceber a assimetria entre agentes e como documentos, saberes e normas participam da definição dos usos legítimos.
Como trabalhar em sala
- Comece por um mapa de agentes: no quadro, registre Estado, empresas, comunidades e organizações. Peça que a turma associe a cada grupo um instrumento de atuação — lei, contrato, acordo, mapa, código de convivência — e um possível efeito sobre o acesso ao espaço.
- Faça leitura em camadas: em duplas, os estudantes sublinham no enunciado quem age, o que faz e quem é afetado. Depois, justificam a alternativa escolhida citando uma informação concreta do texto. Essa rotina ajuda a não marcar uma opção apenas por reconhecer uma palavra familiar.
- Compare dois casos: coloque lado a lado uma fronteira definida por decreto e outra pactuada entre municípios e lideranças. A turma pode explicar o que muda quanto à participação e à legitimidade, sem concluir que toda decisão consensual resolve automaticamente os conflitos.
- Relacione os autores com cautela: retome Bauman e Han na questão dos trabalhadores. Peça que separem instabilidade dos vínculos e pressão por desempenho em duas colunas; depois, identifiquem como ambas se conectam à disputa territorial descrita. Evite atribuir aos autores conceitos que o enunciado não apresenta.
- Feche com justificativa curta: cada estudante escreve por que uma alternativa errada parece plausível e qual detalhe a torna inadequada. Essa explicação revela se houve confusão entre autoridade legal, poder econômico e participação comunitária.
Questões prontas de Sociedade Líquida (Bauman) e Sociedade do Cansaço (Han) para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
Os itens abaixo incluem situações de território e regulação que ampliam o trabalho filosófico sobre poder, vínculos e organização social. Mantive os enunciados e as alternativas para que você possa aplicar a atividade ou selecionar questões para uma prova. O comentário após cada conjunto destaca a distinção conceitual central.
1. Agentes governamentais e fronteiras virtuais
Num ecossistema cada vez mais ampliado pela realidade virtual, surgem diferentes iniciativas para organizar e controlar territórios imersivos. Em algumas plataformas, empresas privadas leiloam lotes virtuais como tokens negociáveis, criando zonas de propriedade exclusiva. O poder público debate e propõe normas que impõem a necessidade de autenticação para entrar em zonas virtuais demarcadas. Paralelamente, comunidades online elaboram manuais colaborativos que sugerem comportamentos recomendados e restrições de acesso a espaços de debate. Adicionalmente, organizações sem fins lucrativos destinam recursos para áreas de encontro abertas, sem exigir credenciais ou taxas de uso. Analise o texto-base e identifique qual iniciativa ilustra a atuação de agentes governamentais na definição de fronteiras virtuais.
- ❌ A) Destinação de recursos por organizações sem fins lucrativos para áreas abertas de encontro. É uma iniciativa de organizações sem fins lucrativos, não do poder público.
- ✅ B) Discussão de marcos regulatórios que exigem credenciais para navegar em determinados domínios digitais. A criação de normas de acesso é a atuação governamental descrita.
- ❌ C) Restrição de acesso a espaços de debate definida por comunidades online. O enunciado atribui essas regras às próprias comunidades.
- ❌ D) Leilão de lotes virtuais por meio de tokens negociáveis. O leilão é realizado por empresas privadas; não representa regulação estatal.
- ❌ E) Elaboração de manuais colaborativos que indicam regras de participação em espaços de debate. Os manuais são produzidos por comunidades, não por agentes governamentais.
Gabarito comentado: B. A questão pede que se identifique o agente e seu instrumento. A pista é a proposta de normas pelo poder público. Empresas e comunidades também organizam territórios virtuais, mas por meios diferentes. Essa distinção permite discutir como fronteiras e acessos podem existir em ambientes digitais sem confundir regulação pública com controle privado ou comunitário.
2. Vínculos flexíveis, desempenho e territorialidades
Um consórcio instalou um polo de montagem em uma cidade próxima à fronteira nacional. A prefeitura cedeu terrenos e alterou as regras de ocupação do solo. A empresa contratou trabalhadores de diferentes regiões e países por períodos curtos, alojando parte deles em conjuntos residenciais próximos à fábrica. Catracas, metas individuais e avaliações diárias controlam o acesso aos setores e o ritmo de produção. Fora do expediente, os trabalhadores disputam moradia, transporte e espaços de convivência, enquanto associações locais reivindicam participação nas decisões sobre o bairro. Qual avaliação articula adequadamente as ideias de Bauman e Han à formação das territorialidades descritas?
- ❌ A) As fronteiras do polo resultam principalmente das normas municipais de uso do solo, enquanto as formas de contratação e avaliação pertencem ao campo individual e não alteram o território. Reduz território à delimitação jurídica e separa relações de trabalho das disputas por moradia, circulação e acesso.
- ❌ B) As metas individuais fortalecem a autonomia dos trabalhadores e, por isso, levam à criação de vínculos comunitários estáveis capazes de controlar as decisões territoriais da empresa e da prefeitura. Inverte a crítica de Han: cobrança por desempenho não equivale automaticamente a autonomia coletiva.
- ❌ C) A diversidade regional e nacional dos trabalhadores explica a formação das fronteiras locais, pois diferenças culturais são o fator decisivo para distribuir moradias, transportes e espaços produtivos. A diversidade pode participar do contexto, mas o caso destaca decisões estatais, empresariais e relações socioeconômicas.
- ✅ D) A mobilidade e a instabilidade dos vínculos, combinadas à cobrança contínua por desempenho, criam territorialidades provisórias e acessos regulados por empresas, poder público e grupos sociais. Relaciona a fluidez dos vínculos e a pressão por desempenho às ações de diferentes agentes no território.
- ❌ E) A circulação de trabalhadores elimina o peso das fronteiras, pois relações profissionais flexíveis tornam desnecessárias as disputas locais por moradia, transporte e participação política. A mobilidade não elimina necessariamente fronteiras; pode recriar conflitos e desigualdades de acesso.
Gabarito comentado: D. Aqui a conexão com Bauman e Han está explícita: vínculos de trabalho curtos e mobilidade convivem com metas, avaliações e controle. A resposta também não esquece as dimensões territoriais — acesso, moradia e participação. Vale pedir aos estudantes que expliquem por que a alternativa A, embora mencione uma ação real da prefeitura, é incompleta.
3. Saberes, poder e fronteiras em disputa
— No mapa do órgão ambiental, a linha vermelha marca a “zona de amortecimento” do manguezal; aqui, não pode haver galpões — disse a técnica, apontando o projetor. — Mas o nosso limite sempre foi o canal; meu pai já tirava caranguejo daqui — respondeu um morador, mostrando um croqui feito pela associação. Na mesma audiência pública, a prefeitura exibiu o zoneamento urbano, no qual a área aparece como “industrial”, e uma empresa de logística apresentou o registro do imóvel em cartório e o projeto de um pequeno porto. Dias depois, fiscais notificaram a comunidade por “ocupação irregular” e a defensoria solicitou ao juiz que considerasse o uso tradicional no processo. Os participantes perceberam que, para um mesmo lugar, circulavam delimitações distintas, cada uma sustentada por documentos, medições e linguagem própria, orientando permissões e proibições diferentes. Qual interpretação filosófica melhor explica como esses agentes produzem fronteiras e territorialidades?
- ❌ A) Entender o território como expressão exclusiva da tradição cultural, tornando irrelevantes leis, zoneamentos e registros formais. Absolutiza o costume e apaga a força prática das instituições e dos documentos.
- ❌ B) Entender o território como um consenso voluntário entre moradores, bastando o acordo local para estabelecer o limite válido. Ignora a assimetria entre agentes e a atuação de cadastros, licenças e decisões judiciais.
- ❌ C) Entender o território como uma consequência automática do investimento econômico, que por si só legitima a ocupação do espaço. O capital não é o único critério: normas e mapas também podem limitar projetos.
- ✅ D) Entender o território como um efeito de poder apoiado em saberes e técnicas (mapas, registros e normas) que definem usos legítimos. Explica como diferentes dispositivos de conhecimento e poder orientam permissões e proibições.
- ❌ E) Entender o território como um dado natural fixo, cuja fronteira correta é a indicada pelos elementos físicos do ambiente. Reduz a fronteira ao aspecto natural e ignora normas, registros e disputas institucionais.
Gabarito comentado: D. O texto mostra delimitações concorrentes, não uma fronteira simples e indiscutível. Mapas, zoneamento, registro, experiência local e decisões judiciais sustentam maneiras distintas de definir usos. A discussão pode ajudar a turma a perceber que reconhecer o papel dos saberes técnicos não exige apagar os conhecimentos tradicionais nem presumir que todos os agentes têm o mesmo poder.
4. Público, consequências comuns e redefinição de fronteiras
Quando as primeiras cercas começaram a aparecer na caatinga, os moradores de um conjunto de povoados no sul do Piauí perceberam que trilhas antigas até aguadas e áreas de coleta de frutos estavam sendo bloqueadas. A empresa responsável por um parque de energia solar afirma ter assinado contratos de arrendamento com proprietários locais e diz que as porteiras evitam “invasões” e furtos. A associação comunitária sustenta que parte do terreno funciona há décadas como fundo de pasto: uso comum para soltar rebanhos, com limites marcados mais por costumes e marcos naturais do que por escritura. A prefeitura apoia o empreendimento por prometer empregos, enquanto a defensoria solicita audiência pública e apresenta um mapa feito pelos próprios moradores, registrando caminhos, nascentes e um pequeno cemitério. Com base no texto e na concepção pragmatista de John Dewey sobre a formação de um “público” diante de consequências comuns, qual medida é mais coerente?
- ❌ A) Estabelecer um plebiscito apenas entre contribuintes do município, definindo as cercas pela decisão da maioria local. Restringe quem participa e pode excluir pessoas diretamente afetadas.
- ❌ B) Estabelecer como critério único a escritura individual, anulando usos comuns e práticas costumeiras não registradas. Confunde legitimidade territorial com título formal e apaga usos sociais continuados.
- ❌ C) Estabelecer a manutenção integral do fundo de pasto, recusando qualquer reconfiguração espacial mesmo com novas atividades. Absolutiza o costume, sem avaliar consequências e mudanças no território.
- ✅ D) Estabelecer um fórum deliberativo com mapeamento participativo e revisão das regras conforme impactos observados. A proposta articula investigação pública, participação dos afetados e ajuste das normas diante das consequências.
- ❌ E) Estabelecer uma comissão técnica que decida sozinha as divisas, substituindo a audiência por laudos especializados. Reduz o problema à perícia e retira dos afetados a participação na definição das fronteiras.
Gabarito comentado: D. A resposta combina mapeamento e deliberação com acompanhamento dos efeitos das decisões. Em sala, é produtivo discutir por que participação não significa ignorar evidências técnicas nem garantir que todos concordem em tudo: significa incluir quem sofre consequências e permitir que as regras sejam avaliadas.
5. Quem legitima a autoridade administrativa?
Quem define os limites e as normas em um novo distrito tecnológico dentro de uma cidade tradicional? O bairro TechVille surgiu em parceria com a corporação TechCorp, que instalou prédios de escritórios, praças e sistema de câmeras privadas. A empresa fechou convênio com a prefeitura local para administrar serviços de limpeza, iluminação e fiscalização de uso do solo. Além disso, uma associação comunitária de moradores estabelece um código de convivência, e investidores estrangeiros aportaram recursos para infraestrutura. Alguns intérpretes relacionam o caso à teoria do contrato social, que atribui ao Estado a função de legitimar competências administrativas. Identifique o agente responsável pela legitimação do exercício de autoridade no distrito TechVille.
- ✅ A) A prefeitura local delega competências administrativas ao distrito TechVille. O convênio com a prefeitura confere base legal às competências administrativas descritas.
- ❌ B) Os investidores estrangeiros financiam infraestrutura e conferem autoridade ao distrito. O financiamento pode influenciar a economia, mas não estabelece por si só autoridade jurídica.
- ❌ C) A associação comunitária de moradores valida as regras ao aceitá-las tacitamente. A aceitação pode expressar consenso social, mas não é a legitimação jurídica formal indicada no caso.
- ❌ D) As empresas de vigilância privada impõem controles e definem procedimentos internos. Executam controles, mas não legitimam a autoridade administrativa do distrito.
- ❌ E) A corporação TechCorp estabelece normas internas para reger o distrito TechVille. A empresa pode definir regras próprias, mas o enunciado atribui a delegação formal à prefeitura.
Gabarito comentado: A. A questão diferencia quem financia, quem cria regras internas e quem delega competências públicas. É uma boa oportunidade para revisar que influência econômica ou aceitação social não são sinônimos de legitimação jurídica da autoridade.
6. Consentimento coletivo e fronteiras
Comecei minha participação em uma assembleia comunitária à beira-mar, convocada para definir usos e limites de uma extensa área de manguezal. O governo estadual apresentou mapas legais e critérios de zoneamento. Os pescadores artesanais expuseram seus conhecimentos sobre rotas de reprodução dos peixes. Organizações não governamentais ambientais propuseram normas de conservação biocultural. Representantes de empresas de turismo sugeriram áreas para acesso controlado de visitantes. Todas as propostas foram debatidas em plenária, mediada por um conselho plural formado por todos os grupos, e as delimitações do espaço foram finalmente aprovadas por consenso, após ajustes que integraram legalidade, saberes tradicionais, proteção ambiental e viabilidade econômica. Qual princípio filosófico orienta o modelo de definição de fronteiras adotado?
- ❌ A) Princípio do direito natural fundado em normas universais ou ordem divina pré-estabelecidas. O foco não está em normas preestabelecidas, mas na deliberação entre agentes.
- ❌ B) Princípio utilitarista que delimita espaços visando a maximização da soma de benefícios. A busca por benefícios não explica, por si só, o consentimento coletivo descrito.
- ❌ C) Princípio autoritário que impõe fronteiras pela força ou decisão singular de um agente. Contradiz a plenária plural e os ajustes realizados por consenso.
- ✅ D) Princípio do contrato social baseado no consentimento coletivo para legitimar regras e fronteiras. O acordo entre os participantes fundamenta a legitimidade das regras estabelecidas.
- ❌ E) Princípio da ética da virtude que legitima fronteiras pelo caráter moral dos mediadores. A decisão se legitima pelo consentimento e pelas regras pactuadas, não apenas pelo caráter dos mediadores.
Gabarito comentado: D. A marca central do caso é o consentimento coletivo. Vale pedir que os estudantes comparem essa situação com uma decisão unilateral: ambas podem produzir limites, mas não possuem o mesmo processo de legitimação ou grau de participação.
7. Fronteiras digitais e normas estatais
Por que uma série de vídeos fica inacessível em determinados países, mesmo com conexão global? Dados de uma pesquisa de 2025 apontam que grandes plataformas de streaming utilizam contratos de licenciamento regionais para fechar catálogos a públicos específicos. Simultaneamente, governos nacionais aprovam leis de proteção de dados e exigem autorizações para transmissão de conteúdos, impondo sanções em caso de descumprimento. Comunidades online produzem traduções e legendas coletivas, contornando barreiras e instituindo normas próprias de acesso. Produtoras de conteúdo negociam direitos de exibição conforme cada jurisdição, definindo territórios de distribuição. Identifique o agente que estabelece fronteiras digitais por meio de normas legais e sanções estatais.
- ❌ A) Produtoras de conteúdo negociam direitos de exibição em contratos de licenciamento. Os contratos são privados e não correspondem às sanções legais estatais.
- ❌ B) Comunidades online elaboram legendas e traduções coletivas para driblar restrições. Essas ações são comunitárias, não imposições de normas jurídicas do Estado.
- ✅ C) Governos nacionais aprovam leis de proteção de dados e impõem autorizações com sanções. O enunciado associa diretamente leis e sanções aos governos.
- ❌ D) Plataformas de streaming utilizam contratos privados para limitar catálogos regionais. As plataformas definem limites contratuais, mas não aplicam sanções estatais.
- ❌ E) Organismos internacionais definem padrões globais de distribuição de mídia digital. Esses organismos não são mencionados como agentes reguladores no cenário apresentado.
Gabarito comentado: C. O contraste principal está entre normas legais e regras contratuais ou comunitárias. A questão também permite discutir como fluxos digitais atravessam fronteiras sem tornar irrelevante a ação dos Estados, que podem estabelecer condições jurídicas dentro de suas jurisdições.
8. Consenso entre agentes territoriais
Dados fictícios de um estudo sobre uso de um trecho do rio Jatobá mostram diferentes formas de gestão territorial. No primeiro caso, o governo estadual emitiu decreto que define limites sem consulta às comunidades ribeirinhas. No segundo, municípios vizinhos criaram acordo conjunto com participação de lideranças locais para regular atividades de pesca. No terceiro, uma empresa privada instalou estruturas de lazer no leito do rio, estabelecendo regras de acesso apenas para seus clientes. Compare os processos de formação de limites territoriais descritos e identifique qual agente legitima uma fronteira por meio do consenso entre partes envolvidas.
- ❌ A) Forças militares por meio de ocupação e controle do território. A ocupação coercitiva não corresponde a um acordo entre as partes.
- ❌ B) O governo federal por meio de legislação nacional. A legislação apresentada como ato hierárquico não é o acordo local descrito.
- ❌ C) A empresa privada por meio de regulação exclusiva aos clientes. A regra da empresa não resulta de consenso com as comunidades.
- ❌ D) O governo estadual por meio de decreto unilateral. O decreto pode definir limites, mas o enunciado diz que não houve consulta.
- ✅ E) Os municípios vizinhos por meio de acordo conjunto com lideranças locais. O processo envolve participação mútua e reconhecimento entre os agentes.
Gabarito comentado: E. A informação decisiva está no acordo conjunto com participação de lideranças. Não basta identificar que um governo está envolvido: é preciso observar como a fronteira foi estabelecida e se houve consenso entre os envolvidos. O item fecha a sequência retomando a diferença entre imposição unilateral e construção pactuada.
Próximos passos
Você pode aplicar as oito questões como diagnóstico, selecionar algumas para discussão ou usar as justificativas como devolutiva após a prova. Para ampliar a sequência, consulte questões da habilidade EM13CHS204, questões da habilidade EM13CHS102 e questões da habilidade EM13CHS203. Se quiser montar uma avaliação com outros itens e organizar sua aplicação, acesse o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
Use este material como ponto de partida e adapte a seleção ao percurso da sua turma. No GeraProva, você pode criar outras versões da atividade e ajustar a prova aos objetivos da sua aula.
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