Atividades de Riscos e Segurança em Atividades Cotidianas para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito
Atividades de Física sobre riscos e segurança em situações cotidianas para a 2ª série do Ensino Médio, com oito questões e gabarito comentado. Explore segurança elétrica, trânsito, calor e prevenção de acidentes.
Atividades de riscos e segurança em situações cotidianas ajudam estudantes da 2ª série do Ensino Médio a aplicar conceitos de Física à prevenção de acidentes. As questões podem abordar choques elétricos, uso de dispositivos de proteção, superaquecimento, colisões e frenagem, com cálculos e interpretação de situações reais. O gabarito comentado apoia a correção e a retomada dos conceitos.
Quando trabalho riscos e segurança em atividades cotidianas com a 2ª série, procuro aproximar os conceitos físicos de decisões que podem aparecer fora da escola: usar um aparelho elétrico perto da água, avaliar uma extensão, compreender o papel do capacete ou reconhecer o perigo de aquecer um recipiente fechado. A proposta não é transformar Física em uma lista de proibições, mas ajudar a turma a explicar por que certas condutas reduzem riscos. Nas questões, os estudantes precisam interpretar situações, selecionar dados, fazer cálculos e distinguir dispositivos de proteção que têm funções diferentes. Isso permite observar se conseguem aplicar conhecimentos sobre corrente, potência, força, energia, temperatura e pressão a contextos concretos. Também abro espaço para discutir prevenção com responsabilidade: identificar um perigo não significa testar uma situação arriscada, e sim compreender o fenômeno para tomar decisões mais seguras.
Organizei abaixo uma sequência de oito questões com gabarito comentado, contemplando situações domésticas, trânsito e uso de baterias. Você pode utilizá-la como avaliação, atividade de revisão ou ponto de partida para uma conversa orientada.
O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Riscos e Segurança em Atividades Cotidianas
Na 2ª série, espero que o estudante consiga relacionar conhecimentos de Física à identificação e à redução de riscos em situações cotidianas. Isso inclui reconhecer que a água e a pele molhada favorecem a passagem de corrente pelo corpo; diferenciar a atuação de um disjuntor termomagnético da proteção oferecida pelo DR; e calcular ou estimar corrente elétrica a partir de potência e tensão para avaliar o uso simultâneo de aparelhos. No trânsito, é importante aplicar velocidade média, força e energia cinética para compreender a função do capacete, a frenagem e a distância de segurança. A turma também deve interpretar como o aquecimento de um gás em recipiente fechado pode elevar a pressão e como um curto-circuito pode aquecer rapidamente uma célula. Mais do que memorizar recomendações, o aluno precisa justificar uma escolha com dados, reconhecer limites dos dispositivos de proteção e entender que equipamentos de segurança complementam, mas não substituem, uma conduta prudente.
O que ele precisa saber antes
As questões mobilizam conhecimentos prévios de segurança elétrica, perigos da eletricidade, condução em metais e isolamento de fios. Para acompanhar os cálculos, a turma precisa conhecer corrente, tensão, resistência, potência elétrica e circuitos em paralelo, além das relações de Ohm e de potência apresentadas nos enunciados. Também entram o cálculo de velocidade média, a importância do capacete, força e movimento, energia cinética, temperatura, agitação das partículas, gases em recipientes fechados e calor específico. Vale retomar esses conceitos brevemente antes da atividade, sobretudo quando a intenção for avaliar aplicação e não apenas lembrança de fórmulas.
Onde os alunos mais erram
Um ponto recorrente nesta seleção é confundir a função dos dispositivos elétricos: o disjuntor comum protege principalmente contra sobrecorrentes, enquanto o DR detecta fuga de corrente. Também é possível tratar a presença do DR como autorização para usar aparelhos com as mãos molhadas ou próximos à água. Em circuitos com vários aparelhos, o erro pode ser ignorar que as correntes se somam em paralelo ou supor que um adaptador reduz a demanda elétrica.
Nos itens quantitativos, a dificuldade pode estar em trocar distância por tempo no cálculo da velocidade, confundir força com energia ou não usar corretamente a relação entre potência e tempo de aquecimento. A questão do capacete ajuda a explorar outro raciocínio importante: para uma mesma variação da quantidade de movimento, aumentar o tempo de colisão reduz a força média. Por fim, nos itens sobre aerossol e bateria, o estudante pode considerar apenas a temperatura externa da lata ou inverter a relação entre potência e tempo. Peço que a turma explique o caminho usado, não apenas marque uma alternativa; assim consigo identificar se o erro veio do conceito, da leitura ou do cálculo.
Como trabalhar em sala
- Leitura de situações: antes das questões, peça que os estudantes sublinhem o risco e as informações úteis de cada enunciado. Em seguida, podem propor uma medida preventiva e justificá-la com o conceito físico pertinente.
- Comparação de proteções: construa no quadro uma tabela simples com disjuntor, DR e DPS, registrando o que cada dispositivo detecta ou limita. Use as descrições dos itens e evite apresentar qualquer dispositivo como proteção absoluta.
- Cálculos com unidades: resolva um exemplo de corrente pela relação I=P/U e um de frenagem com F=m·a. Oriente a turma a escrever os dados, a fórmula e a unidade antes de comparar com as alternativas.
- Discussão de prevenção: organize uma conversa sobre aparelho elétrico perto de água, extensão sobrecarregada, lata de aerossol aquecida e fios danificados. Reforce que a atividade é de análise: ninguém deve reproduzir situações perigosas.
- Correção por justificativa: após a resolução individual, peça que duplas escolham uma alternativa incorreta e expliquem por que ela parece plausível e onde falha. Essa etapa torna visíveis confusões de conceito sem exigir materiais especiais.
Questões prontas de Riscos e Segurança em Atividades Cotidianas para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
1. Secador de cabelos próximo à pia
Em uma residência, uma pessoa pretende usar um secador perto da pia. A água pode conduzir corrente pelo corpo, especialmente com a pele molhada. O banheiro pode ter proteção por DR, que interrompe o circuito ao detectar fuga, mas não elimina os riscos de uso inadequado. Qual procedimento reduz mais efetivamente o risco?
- ❌ A) Afastar o secador da pia, interromper o uso antes de contato com água e ligá-lo a uma extensão comum. A extensão comum não detecta fugas e acrescenta conexões em ambiente úmido.
- ❌ B) Afastar o secador, interromper o uso antes de contato com água e confiar apenas no disjuntor comum. Ele pode não detectar pequenas fugas capazes de causar choque.
- ❌ C) Usar o secador próximo à pia, interrompendo o funcionamento antes de contato com água e usando circuito com DR. Mantém uma fonte de risco evitável: a proximidade da pia.
- ✅ D) Manter o secador afastado da pia, interromper o uso antes de qualquer contato com água e utilizar circuito protegido por DR. Combina prevenção da exposição com uma proteção adicional contra fuga de corrente.
- ❌ E) Manter o secador afastado da pia, segurá-lo com as mãos molhadas e utilizar DR. A pele molhada favorece a passagem de corrente; o DR não torna segura essa conduta.
Gabarito: D. A proteção do DR complementa os cuidados de uso, mas não substitui manter o aparelho longe da água e evitar manuseá-lo molhado.
2. Velocidade média e função do capacete
Um ciclista percorre 30 km em 1,0 h, com movimento aproximadamente uniforme. O capacete tem materiais que se deformam durante uma colisão, aumentando o tempo de interação. Para a mesma variação da quantidade de movimento, esse aumento reduz a força média. Qual alternativa apresenta a velocidade média e explica o efeito do capacete?
- ✅ A) 30 km/h; a deformação aumenta o tempo da colisão e reduz a força média para a mesma variação da quantidade de movimento. A velocidade é 30 km divididos por 1,0 h.
- ❌ B) 25 km/h, com explicação adequada do capacete. A justificativa sobre o tempo está correta, mas o cálculo de velocidade não corresponde aos dados.
- ❌ C) 40 km/h e aumento da força média. Tanto a velocidade quanto a relação entre tempo de colisão e força estão incorretos.
- ❌ D) 20 km/h, com explicação adequada do capacete. A velocidade está calculada incorretamente; a distância e o intervalo dados resultam em 30 km/h.
- ❌ E) 35 km/h e diminuição do tempo de colisão. O valor não vem dos dados e a deformação descrita aumenta, não diminui, o tempo de interação.
Gabarito: A. A questão combina cálculo de velocidade média com a aplicação do princípio do impulso: para a mesma variação da quantidade de movimento, maior tempo de colisão implica menor força média.
3. Aparelhos ligados à mesma extensão
Uma extensão é adequada a correntes de até 10 A e está ligada a uma tomada de 127 V. O secador tem potência de 1.000 W, o ferro, 1.200 W, e o carregador, 20 W. Ligados em paralelo, a corrente total pode ser estimada por I=P/U. Que conduta reduz o risco de superaquecimento?
- ❌ A) Trocar por extensão de 20 A sem verificar tomada e fiação. A capacidade da extensão precisa ser compatível com o restante da instalação; a troca isolada não garante segurança.
- ❌ B) Usar adaptador com vários pinos porque ele reduz a corrente. O adaptador apenas permite conexões adicionais; não reduz a corrente exigida pelos aparelhos.
- ❌ C) Desligar apenas o carregador porque ele sozinho ultrapassa o limite. O carregador consome cerca de 0,16 A; o problema é a soma das correntes dos aparelhos de alta potência.
- ❌ D) Usar os três aparelhos ao mesmo tempo porque a potência se distribui. Em paralelo, as correntes se somam na extensão; juntos exigem cerca de 17,5 A.
- ✅ E) Alternar o uso do secador e do ferro, mantendo somente um deles ligado com o carregador. Assim a corrente fica abaixo de 10 A, conforme os dados.
Gabarito: E. Somando as potências e dividindo por 127 V, os três aparelhos ultrapassam o limite indicado. O uso alternado dos aparelhos de alta potência reduz a corrente total.
4. Disjuntor e DR em um choque elétrico
Em um circuito de 127 V com disjuntor de 20 A, uma pessoa molhada toca um condutor energizado e está em contato com o chão. Considere resistência corporal de 2,0 × 10³ Ω e um DR que desliga ao detectar diferença de 30 mA. Qual medida reduz o risco de choque perigoso?
- ❌ A) Instalar fusível de 20 A em série. Essa proteção atua contra sobrecorrente, não contra uma corrente pelo corpo de dezenas de miliampères.
- ❌ B) Instalar DPS para limitar picos de tensão. O DPS trata surtos transitórios e não substitui o dispositivo que detecta fuga de corrente.
- ❌ C) Trocar o disjuntor de 20 A por um de 30 A. Aumentar a corrente nominal não protege contra uma corrente de choque muito menor que esses valores.
- ✅ D) Instalar DR de 30 mA além do disjuntor existente. Pela lei de Ohm, 127/2.000 ≈ 0,064 A, acima de 30 mA, e o DR pode detectar a fuga e desligar o circuito.
- ❌ E) Instalar cabo de maior seção. Isso pode reduzir aquecimento dos condutores, mas não interrompe a corrente que atravessa o corpo.
Gabarito: D. O cálculo evidencia por que o disjuntor termomagnético de 20 A não é a proteção indicada para detectar essa fuga. O DR atua por diferença entre a corrente de ida e a de volta.
5. Aquecimento de uma lata de aerossol
Por que uma lata de aerossol fechada não deve ser exposta a calor intenso?
- ❌ A) O líquido ocupa menos espaço e o risco diminui. A alternativa inverte o efeito relevante do aquecimento sobre o gás e a pressão interna.
- ✅ B) O gás tende a se expandir, elevando a pressão interna e o risco de ruptura ou explosão. É a consequência física do aquecimento de um gás em recipiente fechado.
- ❌ C) O gás se contrai, reduzindo a pressão. Isso troca expansão por contração e inverte a relação entre temperatura e pressão descrita.
- ❌ D) A lata só esquenta por fora, sem alteração relevante da pressão. A afirmação ignora que o gás interno também pode aquecer e elevar a pressão.
- ❌ E) O gás sai imediatamente pela válvula e impede o aumento da pressão. A liberação imediata não é garantida e não se deve contar com ela como proteção.
Gabarito: B. A recomendação decorre da elevação da pressão interna quando o gás é aquecido em um recipiente fechado. É um caso em que compreender o conceito ajuda a evitar uma exposição perigosa.
6. Fios desencapados e objetos metálicos
Em um carregador improvisado, fios desencapados encostam em objetos metálicos próximos a uma tomada. Qual risco elétrico essa situação evidencia?
- ❌ A) Aumento da tensão da rede causado pelos objetos metálicos. O perigo não decorre de uma alteração da tensão da rede, mas do contato inadequado entre condutores e metal.
- ❌ B) Interrupção total da corrente porque os fios desencapados isolam os metais. Fios sem isolamento podem permitir contato elétrico; não isolam as superfícies.
- ✅ C) Curto-circuito e choque elétrico provocados pelo contato inadequado entre condutores e partes metálicas. O contato pode criar um caminho indevido para a corrente e energizar superfícies.
- ❌ D) Apenas aumento do consumo, sem perigo imediato. A situação descrita pode causar choque ou curto-circuito, não se limita ao consumo de energia.
- ❌ E) Apenas aquecimento dos fios, sem possibilidade de choque ou curto-circuito. Essa opção ignora os riscos centrais do contato entre fios expostos e metal.
Gabarito: C. A identificação do risco depende de reconhecer que metais podem conduzir corrente e que fios desencapados deixam de oferecer o isolamento esperado.
7. Frenagem e distância de segurança
Um automóvel de massa 1.200 kg desloca-se a 20 m/s e freia com desaceleração média de 4,0 m/s² até parar. Calcule a força de frenagem média e a energia cinética dissipada, relacionando os valores à distância de segurança.
- ❌ A) Força média ≈ 6.000 N e energia zero porque o carro parou. A energia cinética inicial é dissipada na frenagem; parar não significa que ela era zero.
- ✅ B) Força média ≈ 4.800 N e energia dissipada ≈ 2,4 × 10⁵ J. F=m·a=1.200·4,0=4.800 N; Ec=½·1.200·20²=240.000 J.
- ❌ C) Força média ≈ 2.400 N e energia ≈ 1,2 × 10⁵ J. Os dois valores não correspondem à aplicação das fórmulas com os dados fornecidos.
- ❌ D) Força média ≈ 5.000 N e energia ≈ 3,0 × 10⁵ J. A força está superestimada e a energia não resulta do cálculo de energia cinética.
- ❌ E) Força média ≈ 4.000 N e energia ≈ 4,0 × 10⁵ J. Os valores não são compatíveis com a massa, a desaceleração e a velocidade informadas.
Gabarito: B. A energia cinética precisa ser dissipada durante a frenagem. A velocidade e as condições de frenagem influenciam o processo; por isso, manter distância de segurança é uma medida preventiva importante.
8. Curto-circuito em uma célula de íon-lítio
Uma célula de tensão nominal 3,7 V e resistência interna 0,050 Ω sofre curto-circuito. Sua massa é 45 g e seu calor específico, 900 J/(kg·K). Partindo de 25 °C, estima-se a temperatura de ignição do separador em 150 °C. Desprezando perdas, use P=V²/r e ΔT=P·t/(mc). Quanto tempo leva para atingir 150 °C?
- ❌ A) Aproximadamente 100 s, com ignição quase imediata. O cálculo não corresponde à potência elevada prevista pelos dados; além disso, 100 s não é um tempo quase imediato.
- ❌ B) Aproximadamente 50 s. Esse resultado subestima a potência da célula em curto-circuito e não acompanha o cálculo do enunciado.
- ❌ C) Aproximadamente 5 s. Esse tempo não é sustentado pela aplicação das relações de potência e calor fornecidas.
- ✅ D) Aproximadamente 19 s. P=3,7²/0,050≈274 W; ΔT=125 K; t=mcΔT/P=0,045·900·125/274≈18,5 s.
- ❌ E) Aproximadamente 25 s. O valor não corresponde ao resultado obtido com a potência e a energia térmica calculadas a partir dos dados.
Gabarito: D. A questão exige converter 45 g em 0,045 kg, calcular a variação de temperatura e, então, usar a potência para encontrar o tempo. É uma estimativa idealizada, pois o enunciado manda desprezar perdas térmicas.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Riscos e Segurança em Atividades Cotidianas, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
