Atividades de Revolução Científica (Galileu, Bacon) para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito
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Alexandre Lombardi dos Santos 25 de outubro de 2026 10 min de leitura 3
Reúna questões comentadas sobre Galileu, Bacon, observação, experimentação e os limites da indução. Veja formas práticas de trabalhar o tema em Filosofia na 3ª série.
Quando ensino Revolução Científica na 3ª série do Ensino Médio, procuro ir além de uma lista de descobertas e nomes. O ponto é compreender como a investigação da natureza passou a valorizar observação, experimentação e evidências, e como isso se relaciona com a crítica à dependência exclusiva da autoridade dos antigos. Em sala, ajuda comparar o que cada método permite afirmar e quais limites aparecem quando tentamos aplicar uma forma de investigação a outro campo.
Nas questões abaixo, reúno itens sobre Galileu e Bacon e também outros itens filosóficos presentes no conjunto fornecido. Esses últimos não avaliam diretamente a Revolução Científica; podem servir para treino de leitura e análise de argumentos, mas eu os separaria numa prova temática para manter alinhamento entre conteúdo e avaliação. Assim, você pode aproveitar o material com clareza e escolher o recorte adequado à sua turma.
O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Revolução Científica (Galileu, Bacon)
Na 3ª série, o estudante precisa compreender a Revolução Científica como uma transformação nas formas de investigar e explicar a natureza, e não apenas como uma troca de nomes ou de teorias. Em Galileu, ganha destaque a observação sistemática, a experimentação e o uso de medidas quantitativas para confrontar explicações com evidências. Telescópios e procedimentos de observação ampliaram o campo de investigação, enquanto a verificação empírica tornou importante testar afirmações em vez de aceitá-las somente pela autoridade de textos tradicionais. Francis Bacon, por sua vez, defendeu uma investigação organizada a partir de observações e da indução, criticando a dependência exclusiva dos antigos e relacionando conhecimento à capacidade de agir sobre a natureza. Essa proposta tinha aplicações práticas, como agricultura, medicina e navegação. É importante também discutir limites: observações e dados não interpretam sozinhos fenômenos sociais complexos, que envolvem valores, normas, história e relações de poder.
O que ele precisa saber antes
Para acompanhar as questões centrais, vale revisar o significado de observação empírica, evidência e experimentação. O aluno também precisa reconhecer, em termos gerais, o método indutivo baconiano: partir de observações para construir explicações, sem confundi-lo com uma garantia de respostas definitivas. Um contraste simples entre autoridade textual e investigação baseada em evidências oferece contexto para Galileu e Bacon. Na questão sobre fenômenos sociais, é necessário considerar que dados isolados não bastam para interpretar valores, normas e relações de poder.
O conjunto fornecido ainda inclui pré-requisitos de outros conteúdos: Filosofia Medieval e Escolástica; arte e originalidade e reprodutibilidade técnica; historiografia e narrativa histórica; contradição lógica e filosofia de Parmênides. Esses itens podem ser usados como revisão interdisciplinar de leitura filosófica, mas não devem ser apresentados como conhecimentos prévios necessários à Revolução Científica.
Onde os alunos mais erram
Nas questões sobre Galileu, o erro típico é confundir a valorização da observação com aceitação de dogmas ou de teorias sem comprovação. O distrator que afirma que Galileu não usou telescópios, por exemplo, contradiz a própria centralidade da observação em sua investigação. Ajuda pedir que o aluno identifique qual alternativa fala de evidência verificável e qual apenas atribui uma opinião.
Sobre Bacon, aparece o risco de atribuir poder absoluto à indução ou reduzir a análise social a números. O distrator mais provável indicado para a questão dos fenômenos sociais é justamente a alternativa que propõe basear a análise apenas em estatísticas. O raciocínio falha porque observações e contagens podem ser relevantes, mas não explicam sozinhas significados, normas e relações de poder. Na questão sobre conhecimento e poder, também é possível reduzir a proposta baconiana à contemplação ou inverter sua crítica à autoridade dos antigos.
Os itens sobre Escolástica, Benjamin e Parmênides apontam erros de leitura próprios desses conteúdos: imaginar que a Idade Média rejeitava todo debate racional; confundir a ampliação do acesso a uma obra com a preservação de sua aura; tratar a crítica de Benjamin como defesa de neutralidade ou progresso linear; e confundir ser e não-ser no argumento de Parmênides. Eu os identificaria como questões de outros tópicos, para não criar uma associação equivocada com Galileu e Bacon.
Como trabalhar em sala
Monte um quadro comparativo: de um lado, autoridade e tradição; de outro, observação, experimentação e evidência. Peça à turma que registre o que cada abordagem permite investigar, sem transformar o contraste em uma oposição simplista.
Leia a questão antes das alternativas: em duplas, os estudantes sublinham no enunciado as pistas sobre método, aplicação prática ou limite da indução. Depois justificam a resposta com uma evidência do próprio texto.
Discuta um exemplo cotidiano de observação: proponha que a turma diferencie observação, hipótese e conclusão em uma situação simples e segura. O foco é reconhecer etapas do raciocínio, não reproduzir um experimento histórico.
Trabalhe o limite da indução: apresente uma pequena lista de observações sobre um fenômeno social e pergunte o que ainda seria preciso saber sobre contexto, valores e relações de poder antes de concluir algo.
Separe os temas na avaliação: use os itens de Galileu e Bacon na prova sobre Revolução Científica. Reserve os itens medievais, de Benjamin e Parmênides para revisões dos conteúdos correspondentes ou para uma atividade explicitamente interdisciplinar.
Questões prontas de Revolução Científica (Galileu, Bacon) para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
Nota para aplicação: as oito questões abaixo foram mantidas conforme o conjunto fornecido. As questões 1, 4, 5 e 6 tratam de outros tópicos filosóficos, não de Galileu e Bacon. Elas podem ser úteis em uma revisão mais ampla, mas não são itens alinhados diretamente ao assunto deste post.
1. Considerando a Filosofia Medieval, qual avaliação é mais adequada sobre o papel do argumento nas escolas medievais?
Um estudante afirma que, na Idade Média, pensar era apenas repetir o que já estava escrito. Outro responde que havia debate, mas ele seguia regras lógicas e referências a autoridades aceitas.
❌ A) As escolas evitavam toda forma de confronto de ideias. Incorreta: houve debate intelectual, ainda que sujeito a limites e referências aceitas.
❌ B) O método medieval seguia o modelo experimental moderno. Incorreta: a Escolástica priorizava análise lógica e autoridade textual, não o método experimental como eixo principal.
❌ C) O argumento era dispensado e o ensino consistia apenas em repetir passagens sagradas. Incorreta: ignora a discussão racional e toma a afirmação inicial de modo absoluto.
❌ D) A razão deveria substituir completamente a autoridade. Incorreta: a Escolástica dialogava com autoridades, em vez de eliminá-las.
✅ E) A autoridade dos autores aceitos coexistia com o debate racional, organizado em argumentos, objeções e respostas. Correta: resume o papel da argumentação nas escolas medievais.
2. Qual é uma limitação do método indutivo baconiano quando empregado para explicar fenômenos sociais complexos?
❌ A) Fenômenos sociais não requerem análise crítica ou interpretativa. Incorreta: compreender esses fenômenos demanda interpretação além de dados isolados.
❌ B) A análise social deve se basear apenas em números e estatísticas. Incorreta: essa redução deixa de considerar fatores diversos, valores e contexto.
❌ C) A indução sempre oferece explicações completas e definitivas. Incorreta: nenhum método garante explicações definitivas para todos os fenômenos.
✅ D) Pode fragmentar realidades sociais em dados isolados e negligenciar normas, valores e relações de poder. Correta: explicações sociais requerem também interpretação histórica e contextual.
❌ E) A indução basta para entender todas as dinâmicas sociais atuais. Incorreta: essa afirmação atribui alcance absoluto ao método e ignora fatores contextuais.
3. Galileu Galilei defendeu que a observação deve ser a base da ciência. Qual a importância dessa postura para a ciência moderna?
❌ A) Ela gerou uma ciência baseada em dogmas. Incorreta: a postura descrita valoriza evidências, não a aceitação dogmática.
❌ B) Promoveu teorias sem provas. Incorreta: a investigação científica confronta teorias com evidências.
✅ C) Estimula a pesquisa baseada em evidências. Correta: a observação contribui para examinar e validar explicações.
❌ D) Desconsidera a ética na pesquisa. Incorreta: a valorização da observação não implica abandonar a ética.
❌ E) Inibe a inovação tecnológica. Incorreta: observação e experimentação podem impulsionar novas investigações e aplicações.
4. Que conceito de Walter Benjamin explica a alteração da experiência quando uma obra passa a ser amplamente reproduzida por meios técnicos?
O texto contrasta a presença única de uma pintura em seu local de origem com a circulação de sua imagem em cartazes, telas e redes sociais.
✅ A) O enfraquecimento da aura, ligada à singularidade, autenticidade e presença única da obra. Correta: a reprodução amplia a circulação, mas modifica a relação com o original.
❌ B) A valorização ritual da obra. Incorreta: confunde aura com valor de culto e não explica a alteração da presença singular.
❌ C) A democratização cultural sem alteração significativa da experiência original. Incorreta: reconhece a ampliação do acesso, mas ignora a mudança destacada no texto.
❌ D) A perda da artisticidade da obra. Incorreta: a reprodução não elimina automaticamente o caráter artístico.
❌ E) A transferência integral da autenticidade do original para cada cópia. Incorreta: a cópia não herda toda a história e presença do original.
5. Um projeto escolar estuda a história local por relatos de trabalhadores, mulheres, moradores antigos e populações periféricas. A que perspectiva de Walter Benjamin essa escolha se aproxima?
✅ A) Aproxima o estudo das experiências dos grupos silenciados e questiona a narrativa dos vencedores. Correta: recupera memórias deixadas de lado pela história oficial.
❌ B) Busca uma narrativa neutra e sem conflitos. Incorreta: Benjamin destaca disputas de memória e poder, não uma neutralidade sem interpretação.
❌ C) Entende o passado como progresso contínuo e harmonioso. Incorreta: essa visão linear não corresponde à crítica de Benjamin.
❌ D) Valoriza principalmente líderes e grandes eventos políticos. Incorreta: reproduz a centralidade das narrativas oficiais que a perspectiva questiona.
❌ E) Usa memórias populares apenas como complemento das datas oficiais. Incorreta: essas vozes podem alterar a interpretação histórica, não funcionar como mero adorno.
6. Com base no fragmento atribuído a Parmênides, por que invocar o “não-ser” para explicar a mudança constitui uma contradição lógica?
✅ A) Porque tratar o não-ser como elemento da mudança exige pensá-lo como algo existente, contrariando a afirmação de que ele não é. Correta: é essa incompatibilidade que produz a contradição no argumento.
❌ B) Porque o não-ser representa apenas ausência de mudança. Incorreta: não explica por que usar o não-ser como elemento real seria incoerente.
❌ C) Porque a percepção sensível da mudança não prova a existência do não-ser. Incorreta: desloca o foco da contradição lógica apresentada.
❌ D) Porque o ser é imutável, mesmo sem mencionar o não-ser. Incorreta: não explica a contradição produzida ao invocar o não-ser.
❌ E) Porque uma forma do ser substitui outra sem passagem entre ser e não-ser. Incorreta: propõe outra explicação e não responde ao problema lógico do enunciado.
7. Considerando o contexto apresentado e a concepção de Francis Bacon, qual interpretação explica a relação entre conhecimento e poder?
Bacon relaciona conhecimento à compreensão das regularidades da natureza por observação e experimentação, com possibilidades de intervenção e aplicações como agricultura, medicina e navegação.
❌ A) A observação serve principalmente para contemplar leis eternas. Incorreta: reduz o saber à contemplação e desconsidera sua finalidade prática.
❌ B) A investigação científica permanece separada de interesses sociais e políticos. Incorreta: o enunciado menciona financiamento por governos e grupos econômicos.
✅ C) O saber experimental amplia a capacidade humana de intervir na natureza. Correta: expressa a relação entre conhecer regularidades e agir sobre elas, considerando também as condições sociais da investigação.
❌ D) A tradição dos antigos determina todo conhecimento válido. Incorreta: inverte a crítica baconiana à dependência exclusiva dessa autoridade.
❌ E) O poder político impede a aplicação prática do conhecimento. Incorreta: o texto menciona financiamento de técnicas úteis, não bloqueio das aplicações.
8. Indique a inovação metodológica central atribuída a Galileu Galilei na investigação da natureza.
❌ A) Galileu utilizou apenas filosofia. Incorreta: sua investigação também se apoiava em observação empírica e experimentação.
❌ B) Galileu não utilizou telescópios. Incorreta: ele empregou telescópios em observações astronômicas.
❌ C) Galileu apenas registrou opiniões de outros cientistas. Incorreta: sua investigação confrontou ideias por meio de evidências.
❌ D) Galileu era contra a experimentação e a observação. Incorreta: ambas são centrais à abordagem apresentada.
✅ E) A adoção sistemática da observação quantitativa e da verificação empírica por procedimentos controlados. Correta: destaca medidas e testes como parte de uma investigação apoiada em evidências.
Fechamento: transforme as questões em uma prova alinhada
Eu usaria as questões de Galileu e Bacon para verificar se a turma distingue observação, evidência, indução e aplicação prática, e selecionaria os demais itens apenas quando o objetivo incluir aqueles conteúdos. Para ampliar a atividade, consulte também questões da habilidade EM13CHS103. Você pode montar e ajustar uma avaliação no gerador de provas do GeraProva e fazer seu cadastro grátis.
As questões são um ponto de partida: revise o alinhamento com o conteúdo trabalhado e adapte a seleção ao objetivo da sua turma. Experimente o GeraProva para organizar sua próxima avaliação com mais praticidade.
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