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Atividades de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni questões de Geografia para trabalhar ocupação do espaço e formação de territórios na 3ª série, com gabarito comentado. Veja também sugestões práticas para discutir territorialidade, fronteiras e gestão do espaço.

Atividades de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho ocupação do espaço e formação de territórios com a 3ª série do Ensino Médio, procuro ir além da ideia de território como uma área desenhada no mapa. A turma precisa observar quem usa os lugares, quem decide sobre eles e como essas relações podem mudar ao longo do tempo. Situações como uma obra de infraestrutura, uma fronteira internacional ou a criação de uma área protegida ajudam a aproximar os conceitos de conflitos e decisões concretas.

Na prática, percebo que é importante pedir aos estudantes que relacionem os agentes envolvidos às consequências de cada proposta. As questões abaixo oferecem situações variadas para essa análise, incluindo memória urbana, soberania, territorialidades indígenas e usos ambientais. Elas podem servir como atividade diagnóstica, revisão ou avaliação, com espaço para discutir por que algumas alternativas parecem plausíveis, mas deixam de considerar aspectos importantes do território.

O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Ocupação do Espaço e Formação de Territórios

Para compreender a ocupação do espaço e a formação de territórios, o estudante precisa perceber que o espaço geográfico é produzido por relações sociais, políticas, econômicas e culturais. Território não é apenas uma superfície delimitada: envolve poder, regras de acesso, usos, pertencimento e disputas entre agentes, como Estado, empresas e comunidades. Uma fronteira pode ser um limite estatal, mas também pode aparecer no controle de entrada em uma área privada, sem que a divisão administrativa tenha mudado. A territorialidade expressa vínculos e práticas de grupos em determinados lugares, que podem atravessar fronteiras oficiais ou coexistir com outros usos. Obras de infraestrutura, concessões, unidades de conservação e decisões urbanas reorganizam o espaço e distribuem custos e benefícios de maneiras diferentes. Por isso, ao analisar um conflito, o aluno deve identificar os agentes, suas escalas de atuação, os interesses envolvidos e as consequências das propostas para a circulação, a permanência, a cultura e o ambiente. Também precisa reconhecer que participação social e gestão compartilhada podem ser relevantes para mediar usos concorrentes.

O que ele precisa saber antes

As questões mobilizam conhecimentos que ajudam a turma a interpretar os casos sem reduzir cada conflito a uma disputa simples entre dois lados. Vale retomar conceitos e conteúdos como:

  • Território, territorialidade e relações entre espaço e poder.
  • Uso do solo, direito à cidade, patrimônio cultural e gestão democrática do espaço urbano.
  • Fronteiras estatais, soberania nacional e conflitos territoriais internacionais.
  • Localização de países do Oriente Médio, incluindo Jordânia, Síria, Turquia, Líbano e Iraque.
  • Infraestrutura e organização territorial, considerando investimentos, prioridades e grupos beneficiados.
  • Territorialidade indígena, circulação transfronteiriça e participação nas decisões sobre obras.
  • Ecossistemas costeiros, gestão ambiental e conflitos socioambientais.
  • Agentes territoriais e formas de gestão participativa dos recursos naturais.

Não é necessário tratar todos esses pré-requisitos como uma lista isolada antes da atividade. Posso identificar o que a turma já mobiliza ao pedir que sublinhe, em cada enunciado, os agentes envolvidos, o uso em disputa e a escala do problema. Essa leitura orienta uma retomada curta e direcionada.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente indicado pelas questões é escolher uma medida que atende a apenas uma dimensão do conflito. No caso dos galpões ferroviários, por exemplo, preservar somente os edifícios não garante a permanência dos moradores nem protege as práticas culturais locais. Da mesma forma, atrair investimentos ou intensificar a vigilância não responde, por si só, à disputa sobre quem participa das decisões e quem consegue continuar usando o bairro.

Outro caminho equivocado é confundir uma concessão ou um limite administrativo com controle absoluto de todas as práticas do território. Uma concessão empresarial não apaga automaticamente usos sociais e ambientais; uma divisa municipal não explica necessariamente quem pode entrar em determinada área. A questão do parque eólico explora justamente a diferença entre limite administrativo e fronteira de uso: uma portaria com credencial controla o acesso, enquanto a faixa de proteção citada não impede a passagem a pé.

Também merece atenção o distrator mais provável da questão sobre o campo de Zaatari: confundir a Jordânia com países vizinhos que receberam refugiados sírios. Para ajudar a turma a evitar essa troca, peço que diferencie país de origem dos refugiados e país onde está localizado o campo. Nas situações de conflito socioambiental, o erro mais frequente é privilegiar um único uso — por exemplo, a operação empresarial, a conservação entendida como retirada total ou a atividade tradicional como veto automático — sem analisar os agentes, as regras e a possibilidade de negociação.

Como trabalhar em sala

  1. Mapeie agentes e interesses. Em duplas, os estudantes podem montar uma tabela com três colunas: agentes, interesses e efeitos possíveis. Use um dos casos do estuário ou da fronteira indígena. A atividade exige apenas o enunciado e o caderno e ajuda a separar informação explícita de conclusão.
  2. Compare escalas. Peça que a turma identifique se cada decisão é municipal, estadual, nacional, internacional ou local. Depois, discuta por que uma regra municipal não resolve sozinha uma circulação entre países, como mostra a questão da ponte, ou por que uma decisão sobre uso do solo pode envolver diferentes órgãos públicos.
  3. Analise alternativas antes do gabarito. Proponha que os alunos justifiquem por escrito por que uma alternativa está errada, e não apenas apontem a correta. Essa prática evidencia raciocínios como confundir patrimônio construído com proteção da comunidade ou associar conservação ambiental à ausência completa de ocupação humana.
  4. Desenhe limites e usos. No quadro, represente uma área fictícia com caminhos, moradias, atividades produtivas e uma obra planejada. A turma pode marcar quem usa cada parte e onde surgem barreiras ou sobreposições. Não é preciso elaborar um mapa técnico: o objetivo é visualizar que os limites de uso nem sempre coincidem com fronteiras administrativas.
  5. Feche com uma proposta negociada. Em grupos, peça que formulem uma medida para um dos casos, indicando quem participa, quais usos precisam ser considerados e como a decisão será acompanhada. Compare as propostas com as respostas comentadas para discutir participação, regras e consequências.

Questões prontas de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

Questão 1 — Memória social, permanência e gestão urbana

— Meu avô descarregava café aqui quando a linha do trem ainda funcionava — disse uma moradora, ao comentar a proposta da prefeitura de conceder os antigos galpões ferroviários a uma parceria com empresas de eventos e moradia de alto padrão.

No bairro, a escola de samba ensaia na rua, há feira aos domingos e pequenas oficinas ocupam os armazéns adaptados desde a desativação da ferrovia. A associação local registrou que, após o anúncio do projeto, o preço médio dos aluguéis subiu 35% em 18 meses, e vários comerciantes receberam notificações por “uso irregular” das calçadas. A prefeitura argumenta que a área precisa “modernizar-se” e promete mais iluminação e vigilância. O movimento de moradores defende que a história do trabalho e da cultura do bairro deve orientar as decisões sobre uso do solo e permanência de quem vive ali.

Analise o conflito descrito e identifique a medida que melhor preserva a territorialidade construída no bairro, articulando memória social, direito de permanência e gestão política do espaço.

  • ❌ A) Intensificar policiamento e remover comércio de rua para padronizar circulação e melhorar a imagem do bairro. Errada: reduz territorialidade a controle e ignora práticas sociais e de trabalho que constroem pertencimento.
  • ❌ B) Tombar somente os galpões como patrimônio, mantendo livre a definição de usos e sem instrumentos de proteção habitacional. Errada: proteger os edifícios não garante a permanência dos moradores nem a continuidade da territorialidade social.
  • ❌ C) Conceder isenção fiscal e flexibilizar regras urbanísticas para acelerar investimentos privados e ampliar a oferta de imóveis. Errada: dinamização econômica não assegura pertencimento e pode intensificar a expulsão associada à valorização.
  • ❌ D) Transferir a escola de samba para outra área e concentrar eventos culturais no novo complexo para evitar conflitos. Errada: trata a cultura como deslocável e rompe sua relação histórica com o lugar.
  • ✅ E) Instituir zona especial com moradia social e conselho gestor com moradores para definir usos e proteger permanência. Correta: articula memória, participação política e condições socioeconômicas de permanência.

Gabarito comentado: E. A resposta considera que o território reúne relações sociais, culturais e econômicas. A proposta inclui instrumentos de proteção habitacional e participação dos moradores nas decisões sobre os usos do espaço.

Questão 2 — Guerra das Malvinas e interesses geopolíticos

Do ponto de vista geopolítico, por que a Guerra das Malvinas ultrapassou uma disputa local entre Argentina e Reino Unido?

  • ✅ A) Porque revelou interesses ligados à soberania, à projeção estratégica no Atlântico Sul e ao simbolismo internacional da posse das ilhas. Correta: reúne soberania, posição estratégica e repercussão internacional.
  • ❌ B) Porque transformou automaticamente as ilhas no principal centro industrial do mundo durante a década de 1980. Errada: a guerra não produziu essa transformação industrial.
  • ❌ C) Porque eliminou definitivamente todas as disputas territoriais no Atlântico Sul após 1982. Errada: é uma afirmação exagerada e historicamente incorreta.
  • ❌ D) Porque as ilhas deixaram de ter qualquer valor estratégico logo após o início dos combates. Errada: o valor estratégico era um dos eixos da disputa, não algo eliminado pelo início dos combates.
  • ❌ E) Porque a guerra resultou na administração conjunta das ilhas por todos os países sul-americanos. Errada: não houve administração conjunta sul-americana das ilhas.

Gabarito comentado: A. A questão pede uma interpretação geopolítica, não uma afirmação sobre transformação industrial ou solução definitiva de disputas. A alternativa correta relaciona a guerra à soberania, à projeção no Atlântico Sul e ao simbolismo da posse.

Questão 3 — Ferrovias e poder político

Qual afirmação ajuda melhor a compreender por que a construção de estradas de ferro também pode ser estudada como expressão de poder político?

  • ✅ A) Porque obras ferroviárias resultam de escolhas sobre investimento, prioridades territoriais e grupos beneficiados. Correta: mostra que a infraestrutura envolve decisões políticas e distribuição de benefícios.
  • ❌ B) Porque trilhos e locomotivas são objetos puramente técnicos, sem qualquer dimensão histórica ou política. Errada: ignora as decisões sociais e políticas relacionadas à infraestrutura.
  • ❌ C) Porque o poder político desaparece quando surgem engenheiros e empresas privadas. Errada: decisões técnicas e empresariais não eliminam a dimensão política.
  • ❌ D) Porque toda ferrovia tem como único fim garantir igualdade imediata entre todos os cidadãos. Errada: idealiza os efeitos das obras e desconsidera possíveis desigualdades.
  • ❌ E) Porque a construção ferroviária depende apenas do clima e do relevo, nunca de disputas humanas. Errada: fatores naturais podem importar, mas não explicam sozinhos a construção.

Gabarito comentado: A. Uma ferrovia organiza deslocamentos e investimentos, mas sua construção também depende de escolhas sobre onde aplicar recursos e quais áreas ou grupos priorizar. O desafio é não reduzir a obra a um objeto técnico.

Questão 4 — Localização do campo de refugiados de Zaatari

Em que país fica o campo de refugiados de Zaatari, formado a partir de 2012 com a intensificação da guerra na Síria?

  • ❌ A) O campo de Zaatari fica na Turquia. Errada: a Turquia recebeu muitos refugiados sírios, mas o campo não fica em seu território.
  • ✅ B) O campo de Zaatari fica na Jordânia. Correta: o campo foi criado na Jordânia para acolher refugiados da guerra na Síria.
  • ❌ C) O campo de Zaatari fica na Síria. Errada: a Síria é o país de origem de muitos refugiados acolhidos ali, não o país onde o campo está localizado.
  • ❌ D) O campo de Zaatari fica no Líbano. Errada: o Líbano também aparece no contexto da crise síria, mas Zaatari não está localizado nesse país.
  • ❌ E) O campo de Zaatari fica no Iraque. Errada: essa opção confunde países da região; Zaatari não fica no Iraque.

Gabarito comentado: B. O ponto central é distinguir o país de origem de muitos refugiados do país que abriga o campo. Zaatari fica na Jordânia; localizar os países vizinhos no mapa ajuda a evitar a confusão.

Questão 5 — Fronteira estatal e territorialidade indígena

— Para chegar à roça de meus parentes, atravessamos o rio desde antes de existir a aduana — relatou uma liderança indígena durante audiência sobre uma ponte prevista em uma fronteira sul-americana. No caso fictício, a linha internacional divide aldeias de um mesmo povo, cujas famílias mantêm circuitos de cultivo, parentesco e rituais em ambas as margens. Órgãos federais tratam da fiscalização fronteiriça; uma construtora detém a concessão da obra; governos municipais esperam ampliar o comércio local. A associação indígena informa que a estrada de acesso alcançará áreas de plantio e uma rota cerimonial. O estudo do projeto ouviu apenas moradores do lado onde a ponte será construída, e a compensação oferecida considera somente os lotes diretamente afetados. Não há instância comum para discutir a circulação tradicional entre os dois países.

Elabore, a partir do cenário, a medida de organização territorial que compatibiliza a fronteira estatal com a territorialidade indígena e a atuação dos diferentes agentes.

  • ❌ A) Instituir à construtora a definição do traçado, desde que ela amplie a oferta de empregos temporários locais. Errada: emprego temporário não substitui a mediação pública e comunitária sobre impactos territoriais duradouros.
  • ❌ B) Instituir indenizações individuais apenas aos proprietários dos lotes atingidos pela estrada de acesso à ponte. Errada: a compensação individual não contempla usos coletivos, vínculos culturais nem circulação entre países.
  • ❌ C) Instituir postos de vigilância para subordinar a passagem tradicional às decisões exclusivas das forças de fronteira. Errada: trata a fronteira apenas como controle estatal e desconsidera participação e territorialidades preexistentes.
  • ✅ D) Instituir um fórum binacional com consulta prévia, revisão do traçado e regras de circulação definidas com as comunidades. Correta: reconhece a territorialidade que atravessa a fronteira, inclui os dois Estados e assegura participação indígena.
  • ❌ E) Instituir normas municipais para controlar o deslocamento indígena nos acessos brasileiros da nova ponte. Errada: o município não resolve sozinho uma circulação transfronteiriça nem representa comunidades do outro Estado.

Gabarito comentado: D. A proposta mais completa considera a escala binacional e os vínculos comunitários que antecedem a obra. Também inclui participação na definição do traçado e das regras de circulação.

Questão 6 — Usos do estuário e conflito socioambiental

“Quando a maré baixa, nossas famílias entram no manguezal; quando os navios chegam, o acesso à enseada é interrompido”, afirmou uma marisqueira durante audiência pública no fictício distrito de Pontal das Conchas. Há décadas, moradores utilizam o estuário para pesca artesanal, coleta de mariscos e circulação por canais naturais. Recentemente, uma empresa recebeu concessão para ampliar um terminal portuário e instalar cercas em parte da margem. O plano diretor municipal classificava a área como disponível para atividades logísticas, enquanto o órgão ambiental estadual registrou a função do manguezal na reprodução de espécies. Na audiência, empresários defenderam a segurança da operação, e associações locais reivindicaram participação nas decisões sobre os acessos e os períodos de uso da área.

Analise o conflito descrito e identifique a medida territorial que considera a atuação dos diferentes agentes e a coexistência de usos no estuário.

  • ❌ A) Reconhecer uso exclusivo da empresa, pois a concessão elimina as práticas territoriais anteriores da comunidade. Errada: a concessão não apaga automaticamente usos sociais, ambientais e direitos de participação.
  • ❌ B) Reconhecer a retirada de todos os usuários, pois a preservação ambiental exige ausência completa de ocupação humana. Errada: populações tradicionais podem manejar recursos; proteger o ambiente não exige necessariamente exclusão total.
  • ✅ C) Reconhecer usos compartilhados, definindo acessos e regras por acordo entre comunidade, empresa e poder público. Correta: articula interesses distintos e reconhece usos sobrepostos, mediados por normas e participação social.
  • ❌ D) Reconhecer uso exclusivo municipal, pois o plano diretor substitui decisões de órgãos ambientais e moradores. Errada: o município planeja o solo, mas não substitui competências ambientais nem a participação dos grupos afetados.
  • ❌ E) Reconhecer uso exclusivo comunitário, pois atividades tradicionais impedem qualquer infraestrutura de transporte. Errada: reconhecer a presença tradicional não equivale a estabelecer veto automático sem negociação e avaliação dos impactos.

Gabarito comentado: C. O caso apresenta usos que podem se sobrepor e agentes com responsabilidades distintas. Uma proposta de conciliação precisa considerar acesso, regras de uso, segurança da operação e participação das associações locais.

Questão 7 — Fronteira de uso em um parque eólico

O ruído constante das pás de um parque eólico passou a fazer parte do cotidiano de um distrito rural. No projeto, 42 aerogeradores foram instalados em topos de morros, com novas estradas de serviço ligando as torres a uma subestação. Parte das terras segue com criação de caprinos, e vários proprietários assinaram contratos de arrendamento com a empresa, que paga por turbina instalada. Moradores relatam, contudo, que trilhas usadas há décadas para chegar ao poço e ao cemitério foram bloqueadas por cercas e uma portaria, onde a entrada nas vias internas passou a exigir credencial. A prefeitura afirma que as divisas do município não mudaram e que as estradas antigas continuam públicas, mas admite dificuldade de fiscalizar a área. O órgão ambiental exigiu faixas de proteção para as obras perto de nascentes, sem impedir a passagem a pé.

Com base no texto, identifique a medida que melhor evidencia a formação de uma fronteira no uso do espaço, produzida por um agente não estatal, mesmo sem alteração do limite administrativo.

  • ✅ A) Implantação de portaria com controle de entrada e exigência de credencial. Correta: o controle cria uma fronteira de uso e uma territorialidade privada, restringindo a circulação sem mudar limites oficiais.
  • ❌ B) Estabelecimento de faixas de proteção para obras no entorno das nascentes. Errada: as faixas limitam obras e, conforme o texto, não impedem a passagem a pé.
  • ❌ C) Formação de associação de moradores para negociar compensações e demandas. Errada: a associação é um agente político, mas não define por si só um limite de acesso espacial.
  • ❌ D) Declaração municipal de que as divisas do município permanecem inalteradas. Errada: reduz fronteira ao limite administrativo, embora a questão pergunte sobre controle privado do uso do espaço.
  • ❌ E) Assinatura de contratos de arrendamento entre empresa e proprietários locais. Errada: o arrendamento regula renda e uso, mas não necessariamente cria uma barreira de circulação.

Gabarito comentado: A. O indício decisivo é a barreira física acompanhada de controle de acesso por credencial. A situação mostra que podem surgir fronteiras de uso sem alteração das divisas oficiais.

Questão 8 — Gestão participativa de veredas e nascentes

“A cerca apareceu de um dia para o outro”, contou uma moradora do Alto das Veredas, área de nascentes no Cerrado onde cerca de 60 famílias vivem da coleta de frutos, do extrativismo de capim-dourado e do pastoreio em áreas de uso comum. O governo estadual publicou decreto criando um parque e anunciou fiscalização para impedir roças e solta de gado. Ao mesmo tempo, uma cooperativa de produtores apresentou ao município um projeto de perímetro irrigado, com captação de água a montante das nascentes.

Na audiência pública, a comunidade afirmou que o modo de vida depende do acesso contínuo às veredas e que a cerca altera caminhos tradicionais. O Ministério Público solicitou uma proposta que reduza o conflito, defina limites e regras de uso e explicite o papel de cada agente envolvido.

Com base no texto, elabore qual encaminhamento tende a organizar o uso do espaço, reconhecendo territorialidades e estabelecendo uma forma de gestão com participação dos diferentes agentes.

  • ✅ A) Criação de unidade de uso sustentável com limites pactuados e conselho com comunidade, Estado e produtores. Correta: combina delimitação, regras de uso e cogestão para articular os agentes e reduzir o conflito.
  • ❌ B) Criação de acordo informal entre comunidade e cooperativa, sem mapa oficial, sem registro e sem fiscalização. Errada: sem delimitação e normas reconhecidas, a fronteira de uso fica instável e o conflito pode persistir.
  • ❌ C) Criação de parque de proteção integral com retirada imediata das famílias e proibição total de usos tradicionais. Errada: ignora a territorialidade comunitária e pode ampliar o conflito ao tratar toda ocupação como ilegalidade.
  • ❌ D) Criação de concessão exclusiva para a cooperativa irrigante, com indenização aos moradores para desocupação. Errada: prioriza o interesse econômico e reduz o conflito territorial a uma compensação financeira.
  • ❌ E) Criação de títulos individuais para cada família, substituindo o uso comum por lotes privados independentes. Errada: fragmenta o uso coletivo das veredas e não resolve regras compartilhadas nem acesso às nascentes.

Gabarito comentado: A. A alternativa contempla limites, regras e um conselho que reúne comunidade, Estado e produtores. Em vez de impor exclusão ou deixar o acordo sem formalização, propõe uma estrutura de gestão participativa dos usos.

Próximos passos

As oito questões permitem variar o foco da aula: localização, leitura geopolítica, análise de infraestrutura e avaliação de propostas territoriais. Para ampliar o trabalho, consulte também as questões da habilidade EM13CHS204. Você pode montar uma seleção para a sua turma usando o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis para começar.

Use as questões como ponto de partida: adapte a atividade ao que sua turma já estudou e retome os conceitos que aparecerem como desafio. O gabarito comentado pode apoiar a conversa, sem substituir a leitura e a mediação do professor.

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