Atividades de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito
Reuni oito questões comentadas de Geografia para trabalhar ocupação do espaço e formação de territórios na 2ª série. O material aborda conflitos, redes, territorialidades e fronteiras.
Quando trabalho ocupação do espaço e formação de territórios com a 2ª série do Ensino Médio, procuro partir de situações concretas: quem usa determinado lugar, quem estabelece regras e o que muda quando novos agentes passam a controlar acessos e recursos. Essa abordagem ajuda a turma a perceber que território não significa apenas uma área desenhada no mapa. Ele também envolve relações de poder, usos cotidianos, normas e formas de pertencimento.
Na prática, situações como uma obra pública que altera o acesso à terra, uma área de pesca submetida a novas regras ou a conexão digital entre cidades permitem discutir essas relações com vocabulário geográfico. Organizei abaixo uma sequência de questões com gabarito comentado para apoiar a avaliação e a retomada dos conceitos. Ao corrigir, dou atenção especial à diferença entre uma mudança na paisagem e uma mudança nas relações de uso e controle do espaço.
O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Ocupação do Espaço e Formação de Territórios
Para compreender ocupação do espaço e formação de territórios, o aluno precisa analisar como diferentes agentes — comunidades, empresas e poder público, por exemplo — usam, organizam e controlam lugares. Território não é somente uma superfície com fronteiras oficiais: também pode ser produzido por regras de acesso, práticas coletivas, fiscalização e reconhecimento social. A turma deve relacionar os interesses dos grupos aos efeitos concretos sobre circulação, trabalho, acesso à terra e uso de recursos. Também é importante distinguir territorialidade, que envolve práticas e normas de controle espacial, de fronteiras políticas formais e de simples características naturais. A expansão de redes de comunicação pode reorganizar relações entre cidades sem que elas se unam fisicamente; da mesma forma, uma cerca ou uma norma pode restringir usos tradicionais sem apagar de imediato os vínculos de uma comunidade com o lugar. O foco é interpretar processos, agentes, escalas e disputas, em vez de presumir que toda mudança beneficia igualmente os envolvidos.
O que ele precisa saber antes
As questões pressupõem alguns conhecimentos que vale revisar antes da avaliação. Primeiro, o sentido geográfico de território e a identificação dos agentes sociais que atuam sobre ele. Em seguida, a diferença entre uso do espaço, apropriação, controle e territorialidade. A turma também precisa reconhecer relações entre lugar e rede, funções urbanas, limites e fronteiras, além de compreender que há territórios formais e formas de controle coletivo sem escritura ou delimitação oficial.
Em itens específicos, entram ainda noções de incentivo fiscal e zonas especiais, território produtivo e indicação geográfica, e ordenamento do uso de recursos naturais. Não é necessário transformar essa retomada em uma lista de definições decoradas: vale pedir que os alunos expliquem quem estabelece uma regra, a quem ela se aplica e quais práticas espaciais pode alterar.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente previsto nas questões é confundir a existência de um benefício coletivo com a ausência de conflito. No caso do reservatório, por exemplo, ampliar o abastecimento pode ser um objetivo público, mas não elimina o possível impacto sobre famílias que usam a terra para produzir e viver. O distrator que sugere cooperação entre governo e agricultores parece plausível por apresentar um benefício geral, mas não é sustentado pelo enunciado.
Outro tropeço é tomar uma conexão em rede por crescimento urbano físico ou êxodo rural. As empresas e o trabalho remoto descritos na questão sobre internet indicam novas relações entre lugares, não a fusão das cidades nem o esvaziamento do interior. Também é comum interpretar a expansão econômica como melhoria automática para todos. No caso da comunidade quilombola, cercar trilhas restringe acessos e afeta práticas e referências culturais; isso não equivale a uma integração benéfica ao novo modelo produtivo.
Por fim, os itens convidam a diferenciar controle jurídico, costumeiro e social. Uma indicação geográfica oficial não é a mesma coisa que uma campanha publicitária ou um estudo técnico; uma comunidade pode exercer territorialidade sem escritura; e uma regra estatal pode formalizar restrições no mar mesmo quando pescadores já mantêm acordos locais. Peço aos alunos que procurem no texto quem cria a regra, quem controla o acesso e quem tem sua circulação alterada. Esse procedimento ajuda a evitar respostas baseadas apenas em palavras familiares, como “fronteira”, “região” ou “modernização”.
Como trabalhar em sala
- Faça uma leitura por agentes: apresente um dos enunciados e peça que a turma marque quem está envolvido, o que cada grupo pretende e que mudança ocorre no uso do espaço. Caderno e lápis bastam.
- Compare dois tipos de controle: coloque lado a lado uma regra oficial, como uma área de acesso restrito, e uma regra comunitária de uso coletivo. A discussão deve observar quem reconhece cada regra e como ela é mantida.
- Desenhe relações em vez de mapas detalhados: no quadro, represente lugares e conexões com setas. Use o exemplo da internet para diferenciar articulação em rede de conurbação, que envolve continuidade física das áreas urbanas.
- Peça justificativas para eliminar distratores: em duplas, os alunos escolhem uma alternativa incorreta e indicam qual trecho do enunciado contradiz sua interpretação. Assim, a correção trabalha leitura e raciocínio geográfico.
- Retome a ideia de escala: compare a comunidade, o município, uma região e o espaço marinho. Pergunte como uma decisão tomada por um agente pode modificar usos locais sem alterar limites políticos.
Questões prontas de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
1. Em um município do semiárido brasileiro, a prefeitura anunciou a construção de um grande reservatório para ampliar o abastecimento de água da cidade. Parte da área escolhida é usada há décadas por famílias agricultoras para pequenas plantações e criação de animais. As famílias afirmam que o projeto pode reduzir o acesso à terra e alterar sua forma de viver e produzir. A situação descrita evidencia qual relação geográfica entre os grupos envolvidos e o uso do território?
- ❌ A) Uma política de gestão hídrica, em que a construção do reservatório amplia o abastecimento da cidade sem interferir no acesso das famílias à terra e em suas atividades. Incorreta: considera apenas o objetivo da obra e ignora o possível impacto sobre as famílias.
- ❌ B) Uma relação de cooperação entre governo e agricultores, pois a ampliação do abastecimento de água fortalece simultaneamente o uso tradicional da terra e a permanência das famílias no local. Incorreta: o enunciado não indica cooperação; as famílias apontam possíveis prejuízos ao seu modo de vida.
- ✅ C) Um conflito territorial entre agentes sociais distintos, no qual o poder público prioriza a obra de infraestrutura e as famílias agricultoras defendem o uso tradicional da terra para sua reprodução social e econômica. Correta: os grupos expressam interesses diferentes sobre o uso e o controle da área.
- ❌ D) Uma ação de planejamento regional voltada para integrar o semiárido, em que a construção do reservatório atende ao interesse comum e substitui antigas práticas rurais sem gerar disputas relevantes. Incorreta: o projeto não demonstra que os interesses são comuns; há preocupação explícita com a perda de acesso à terra.
- ❌ E) Um processo de urbanização do campo, em que a instalação do reservatório transforma a área rural em espaço urbano e elimina gradualmente as atividades agrícolas familiares. Incorreta: o texto não afirma que a área se tornará urbana nem que a agricultura familiar será eliminada.
2. Após a expansão da internet de alta velocidade em vários municípios do interior, pequenas empresas passaram a atender clientes de outras cidades sem abrir novas lojas físicas. Ao mesmo tempo, parte dos moradores passou a trabalhar de casa alguns dias da semana, reduzindo deslocamentos diários até a capital regional. Com base no texto, que transformação espacial essa mudança expressa?
- ❌ A) Um aumento do êxodo rural, provocado pela dificuldade de acesso à internet, que passou a esvaziar os municípios do interior. Incorreta: o enunciado fala em expansão da internet e fortalecimento de atividades locais, não em falta de acesso e esvaziamento.
- ❌ B) Uma intensificação da concentração industrial nas capitais regionais, que passou a atrair todas as atividades produtivas para um único polo urbano. Incorreta: supõe concentração total, enquanto o texto descreve atividades atendidas em diferentes municípios.
- ❌ C) A formação de uma metrópole contínua entre os municípios, com fusão completa das áreas urbanas e desaparecimento das fronteiras municipais. Incorreta: confunde conexão funcional em rede com conurbação física; não há indicação de união das áreas urbanas.
- ✅ D) Uma reorganização das funções urbanas e das relações entre lugares, com ampliação das conexões em rede e menor dependência do deslocamento físico para trabalhar e consumir. Correta: a internet altera as relações entre lugares e permite trabalhar e vender sem os mesmos deslocamentos cotidianos.
- ❌ E) A substituição do comércio local por um modelo exclusivamente agrícola, com retorno das atividades econômicas ao campo e redução dos serviços urbanos. Incorreta: o texto não indica retorno à agricultura nem desaparecimento dos serviços; descreve novas formas de trabalho e venda.
3. Em uma região de fronteira agrícola, uma empresa de soja arrendou grandes áreas para monocultura e passou a cercar antigas trilhas usadas por uma comunidade quilombola para acesso ao rio, à roça e ao cemitério local. Lideranças da comunidade afirmam que a medida altera seu modo de vida e enfraquece seus vínculos com o lugar. Qual interpretação geográfica melhor explica esse conflito?
- ✅ A) O conflito expressa a territorialização do agronegócio sobre um espaço antes usado de forma comunitária, gerando desterritorialização parcial da comunidade quilombola ao restringir seus usos, referências culturais e formas de circulação. Correta: a monocultura e as cercas ampliam o controle empresarial e restringem práticas e acessos da comunidade.
- ❌ B) O conflito mostra uma disputa fundiária entre proprietários vizinhos, sem relação com territorialidade, já que a comunidade continua usando livremente as antigas trilhas. Incorreta: não se trata apenas de uma divisa; o enunciado informa que a circulação pelas trilhas foi restringida.
- ❌ C) O conflito expressa a integração da comunidade quilombola ao novo modelo produtivo, ampliando sua circulação pelo território e fortalecendo seus vínculos culturais com a área. Incorreta: inverte o efeito descrito; a restrição enfraquece os vínculos e não amplia a circulação.
- ❌ D) O conflito evidencia apenas uma modernização do espaço rural, sem impacto territorial relevante, pois o arrendamento das terras não altera o modo de vida da comunidade. Incorreta: desconsidera os efeitos sobre o acesso ao rio, à roça e ao cemitério.
- ❌ E) O conflito revela uma expansão agrícola sustentável que concilia o uso empresarial com a preservação integral dos caminhos tradicionais e dos espaços de memória da comunidade. Incorreta: o texto relata restrições, não preservação integral dos caminhos.
4. Em uma situação hipotética, galpões foram construídos junto a uma rodovia rural após a criação de uma Área Especial de Incentivo Logístico. Empresas recebem redução de impostos, e um posto de controle fiscaliza a entrada e a saída de mercadorias. Qual situação, por analogia, também forma um território por regras diferenciadas e controle de acesso de mercadorias, sem mudar limites políticos locais?
- ❌ A) Criação de uma região metropolitana para integrar transporte e saneamento entre municípios vizinhos por gestão consorciada. Incorreta: a cooperação administrativa integra políticas, mas não cria, por si, controle de entrada e saída de mercadorias com regime fiscal especial.
- ❌ B) Estabelecimento de uma microrregião estatística para agrupar municípios com características semelhantes em pesquisas oficiais. Incorreta: é um recorte analítico; não estabelece regras de circulação ou fiscalização no espaço vivido.
- ✅ C) Implantação de uma zona de processamento de exportação cercada, com entrada fiscalizada e incentivos tributários a empresas. Correta: combina normas especiais, controle de fluxos e atuação do Estado e das empresas, formando uma fronteira funcional.
- ❌ D) Definição de um parque estadual com zoneamento ambiental para restringir desmatamento e ordenar trilhas de visitantes. Incorreta: pode impor restrições, mas seu foco é a conservação ambiental, não um regime logístico e tributário de mercadorias.
- ❌ E) Delimitação de uma bacia hidrográfica por divisores de água para planejar o uso do solo e a captação de recursos. Incorreta: corresponde a um limite relacionado a características naturais, não a um território criado por controle fiscal e de acesso.
5. Uma cooperativa de produtores de café decidiu pedir uma indicação geográfica para proteger o nome de uma serra associado à produção local. O processo exige definir em mapa as áreas autorizadas a usar a denominação e estabelecer regras de produção. Qual iniciativa expressa a atuação do poder público na definição de um território produtivo e de suas fronteiras?
- ❌ A) Lançar uma campanha publicitária para associar o nome da serra à qualidade e tradição do produto. Incorreta: uma campanha divulga uma marca, mas não oficializa limites territoriais nem restringe legalmente o uso do nome.
- ❌ B) Negociar com supermercados para retirar das prateleiras pacotes que usem o nome da serra. Incorreta: um acordo comercial pode ter efeito em lojas, mas não oficializa as fronteiras e regras da indicação.
- ❌ C) Formar uma cooperativa de produtores para padronizar práticas de cultivo e beneficiamento do café. Incorreta: a cooperativa pode organizar a produção, mas não substitui o reconhecimento legal das fronteiras.
- ✅ D) Registrar a indicação geográfica e oficializar o limite da área autorizada a usar o nome no rótulo. Correta: o reconhecimento oficial consolida o recorte territorial e as regras associadas à denominação.
- ❌ E) Contratar uma universidade para mapear altitude e solo e sustentar tecnicamente o pedido da região. Incorreta: os estudos fornecem subsídios, mas não oficializam por si mesmos o território nem suas fronteiras.
6. Em uma comunidade, famílias usam há gerações uma área comum para soltar animais, coletar lenha e acessar aguadas. Há regras de revezamento e vigilância coletiva, mas não existe escritura individual nem placa oficial delimitando a área. Que conceito melhor caracteriza esse controle do espaço?
- ❌ A) Fronteira política sustentada por linha oficial e soberania estatal. Incorreta: não há linha estabelecida pelo Estado nem soberania política em questão.
- ❌ B) Território formal sustentado por escritura e registro cartorial. Incorreta: o enunciado destaca justamente a ausência de escritura e registro.
- ❌ C) Região natural sustentada por homogeneidade de clima e vegetação. Incorreta: a situação trata de normas sociais de uso, não de características ambientais homogêneas.
- ❌ D) Lugar vivido sustentado por memória e sentido de pertencimento. Incorreta: pertencimento pode estar presente, mas a pergunta enfatiza regras, vigilância e controle coletivo.
- ✅ E) Territorialidade sustentada por regras de uso e controle coletivo. Correta: normas, vigilância e reconhecimento entre moradores organizam o espaço mesmo sem título ou limite oficial.
7. Em um município litorâneo, pescadores usam há décadas pontos fixos de pesca. O governo autorizou um parque eólico offshore com áreas de exclusão e rotas obrigatórias, e a Marinha fiscaliza o cumprimento das regras. Uma unidade de conservação marinha também foi proposta, enquanto patrulhas de outro país abordaram embarcações perto de uma área de fronteira. Qual interpretação explica melhor as fronteiras e territorialidades no espaço marinho?
- ❌ A) Predomina a fronteira natural, pois correntes e relevo submarino definem, por si, quem pode usar cada área. Incorreta: desconsidera normas, concessões e fiscalização, que também organizam o uso do mar.
- ❌ B) Predomina a fronteira econômica, pois o preço do peixe no mercado define automaticamente os limites de circulação. Incorreta: o preço pode influenciar a atividade, mas não cria zonas legais de exclusão nem fiscalização territorial.
- ❌ C) Predomina a ausência de fronteiras, pois o uso de GPS torna o mar um espaço totalmente livre e sem disputas territoriais. Incorreta: o GPS ajuda a localizar pontos, mas não elimina regras, fiscalização e conflitos de uso.
- ✅ D) Predomina a sobreposição de territórios, pois normas estatais e concessões privadas reordenam acessos e conflitam com usos tradicionais. Correta: reúne a atuação do Estado, da empresa e dos pescadores, cujas normas e práticas podem se sobrepor.
- ❌ E) Predomina a fronteira cultural, pois a identidade da comunidade garante, sem regulação, o controle efetivo da área de pesca. Incorreta: identidade e pertencimento não asseguram, sozinhos, controle material ou reconhecimento institucional.
8. Pescadores artesanais usam pontos no mar marcados por alinhamentos na costa e acordos locais. Durante a instalação de um parque eólico offshore e de cabos submarinos, boias e avisos orientam as embarcações a manter distância. Qual ação formaliza mais diretamente uma nova fronteira de uso no mar, redefinindo território e acessos?
- ✅ A) A publicação de ato oficial que delimita área de restrição e permite fiscalização durante a obra. Correta: uma norma pública estabelece o limite formal e a fiscalização reforça o controle do uso do espaço marinho.
- ❌ B) A definição de preços e rotas de venda do pescado pela cooperativa para reduzir custos de comercialização. Incorreta: organiza a atividade econômica, mas não cria uma fronteira espacial obrigatória.
- ❌ C) A variação sazonal dos cardumes, concentrando peixes longe da costa e deslocando a atividade pesqueira. Incorreta: fatores naturais podem alterar onde se pesca, mas não formalizam uma restrição de acesso.
- ❌ D) A escolha de trajeto mais seguro pelos barcos, evitando boias e sinalizações para não perder equipamentos. Incorreta: adaptar uma rota responde a uma restrição, mas não cria o limite territorial.
- ❌ E) A manutenção de regras locais de pesca baseadas em referências da costa e em acordos entre pescadores. Incorreta: organiza usos costumeiros, mas não equivale a uma fronteira jurídica oficial reconhecida pelo Estado.
Próximos passos
Você pode aplicar as questões como atividade diagnóstica, avaliação ou retomada após uma discussão sobre território e territorialidade. Para ampliar o trabalho com a habilidade, consulte também as questões da habilidade EM13CHS204. Se quiser montar uma avaliação com outros itens, experimente o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
Use as questões como ponto de partida e ajuste a aplicação ao percurso da sua turma. No GeraProva, você encontra apoio para preparar atividades e provas com mais praticidade.
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