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Atividades de O Realismo Político (Maquiavel): O Príncipe para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni atividades de Filosofia para trabalhar O Príncipe e o realismo político com a 1ª série, além de questões com gabarito comentado. As questões fornecidas também abordam mobilidade, justiça e teorias éticas, permitindo discutir aproximações e diferenças conceituais.

Atividades de O Realismo Político (Maquiavel): O Príncipe para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho O Príncipe com a 1ª série do Ensino Médio, procuro evitar que a aula vire apenas uma lista de frases famosas atribuídas a Maquiavel. O ponto é compreender o que significa analisar a política a partir das relações de poder e das condições concretas de governo. A leitura ganha sentido quando a turma identifica quem decide, quais objetivos estão em jogo e que consequências as escolhas políticas produzem.

Também costumo deixar explícita a diferença entre estudar Maquiavel e estudar toda a filosofia política de uma vez. As oito questões disponíveis para esta atividade tratam principalmente de circulação econômica, migração, justiça e teorias éticas; não são questões diretamente sobre O Príncipe. Ainda assim, podem servir como material de comparação, desde que eu sinalize essa diferença e não atribua a Maquiavel ideias de Aristóteles, dos estoicos, de Kant, do utilitarismo ou de Hannah Arendt.

O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre O Realismo Político (Maquiavel): O Príncipe

Ao estudar O Príncipe, o aluno precisa compreender que Maquiavel examina a política como uma atividade marcada por disputas de poder, decisões estratégicas e necessidade de conservar o Estado. Em vez de avaliar um governante apenas pela intenção moral que declara, o autor observa suas ações, as circunstâncias em que atua e os efeitos políticos que elas produzem. Isso não significa que toda atitude seja automaticamente aceitável, nem que Maquiavel ofereça uma defesa simples da crueldade. Significa analisar a ação política em seu contexto e perguntar como se conquista, mantém ou perde o poder. É importante distinguir essa abordagem de uma ética que julga as ações principalmente por deveres universais ou virtudes individuais. A fortuna, entendida como contingência e mudança das circunstâncias, e a virtù, como capacidade de agir com iniciativa e prudência, ajudam a discutir por que o governante precisa adaptar sua conduta. A turma deve argumentar com base no texto, sem reduzir a obra ao lema “os fins justificam os meios”.

O que ele precisa saber antes

Para acompanhar O Príncipe, ajuda ter noções básicas de filosofia e de política: o que é poder, o que caracteriza um Estado e como decisões de governo afetam a vida coletiva. Também é útil distinguir intenção, ação e consequência, pois a análise de Maquiavel pede atenção às circunstâncias e aos resultados políticos. Nas questões desta página aparecem outros pré-requisitos: interpretação de texto, conceitos de mobilidade populacional, justiça política, cosmopolitismo, princípios de ética kantiana e teorias éticas clássicas. Eles são necessários para resolver os itens fornecidos, mas não devem ser confundidos com conteúdos próprios de Maquiavel.

Onde os alunos mais erram

Um erro frequente ao abordar Maquiavel é resumir sua obra como se ela recomendasse que qualquer meio é permitido. Esse atalho apaga a análise histórica e política do autor. Eu peço que os estudantes identifiquem primeiro o problema apresentado e as condições da ação, antes de concluir o que uma decisão significa. Outro cuidado é separar conceitos de pensadores diferentes: oikonomia e crematística pertencem ao debate aristotélico; cosmopolitismo aparece nas questões sobre os estoicos; dignidade como fim remete a Kant; maximização do bem-estar, ao utilitarismo; e “direito a ter direitos”, a Arendt. Nos itens abaixo, um distrator recorrente é trocar circulação temporária por fixação permanente ou confundir critérios morais. A estratégia para evitar isso é voltar ao enunciado e comparar cada alternativa com as informações e o conceito solicitado, sem escolher apenas pela familiaridade de uma palavra.

Como trabalhar em sala

  1. Leitura guiada de um trecho: selecione uma passagem de O Príncipe e peça que a turma marque a situação política, a decisão do governante e o efeito esperado. Depois, compare interpretações em duplas.
  2. Quadro de conceitos: organize no quadro virtù, fortuna, poder e conservação do Estado. Os alunos podem escrever uma definição provisória e revisá-la após a leitura, sempre distinguindo interpretação de frase de efeito.
  3. Debate com critérios explícitos: apresente um dilema político ligado ao conteúdo estudado e peça que os grupos expliquem que decisão tomariam e quais consequências considerariam. O objetivo é justificar, não transformar a atividade em defesa automática de qualquer meio.
  4. Questões por contraste: use os itens a seguir para retomar teorias éticas e políticas presentes nos enunciados. Antes de resolver, avise que eles não são todos sobre Maquiavel; peça aos alunos que identifiquem o autor ou conceito efetivamente citado.
  5. Correção comentada: em vez de anunciar só a letra, convide a turma a explicar por que um distrator parece plausível e qual detalhe do texto o invalida. Essa prática desenvolve leitura atenta e comparação conceitual.

Questões prontas de O Realismo Político (Maquiavel): O Príncipe para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

Observação para aplicação: os oito itens reais abaixo compõem um bloco de questões de Filosofia e Ciências Humanas relacionado à habilidade EM13CHS201. Eles abordam diferentes conceitos e autores, não apenas Maquiavel. Mantive os enunciados e as alternativas para que você possa utilizá-los como revisão comparativa ou selecionar os mais adequados ao seu planejamento.

Questão 1 — Crematística e oikonomia

Uma cooperativa de costureiras de uma cidade brasileira passou a produzir roupas para uma rede internacional. A empresa financiadora instala e retira máquinas conforme os incentivos fiscais oferecidos por diferentes municípios, compra tecidos no exterior e remunera as trabalhadoras por peça produzida. Quando a produção é transferida para outra cidade, parte das trabalhadoras migra em busca de novos contratos. Pequenos comerciantes, por sua vez, abrem pensões e mercados para atender ao fluxo de pessoas, mas seus negócios também diminuem quando as encomendas desaparecem. Embora a prefeitura anuncie geração de emprego e modernização, os moradores observam que a economia local se torna instável e dependente da circulação do capital.

Com base no texto e na distinção feita por Aristóteles entre a administração voltada à suficiência da vida comum e a busca ilimitada de riqueza, qual conceito explica melhor a mobilidade do capital e a instabilidade da fixação das pessoas descritas?

  • ❌ A) Defesa da oikonomia ampliada, por fazer a circulação internacional de mercadorias sustentar a organização doméstica. A circulação descrita não está subordinada à manutenção ordenada das famílias ou da cidade; a vida local se adapta a decisões externas de investimento.
  • ❌ B) Aceitação da crematística natural, por limitar as trocas comerciais à obtenção dos recursos necessários à vida coletiva. A situação apresenta produção e transferência orientadas pela expansão e mobilidade do capital, não pelos limites das necessidades locais.
  • ❌ C) Defesa da oikonomia, por organizar a produção local segundo as necessidades de subsistência e a estabilidade das famílias. O texto não apresenta a suficiência da comunidade como finalidade principal: contratos, incentivos e transferência do capital orientam a produção.
  • ✅ D) Crítica à crematística, por subordinar a produção e a vida local à acumulação e à circulação ilimitadas de riqueza. A oikonomia busca administrar recursos para a casa e a comunidade; a crematística ilimitada transforma a aquisição de riqueza em finalidade. A mobilidade das fábricas e a instabilidade dos trabalhadores e comerciantes ilustram essa lógica.
  • ❌ E) Aceitação da crematística ilimitada, por transformar a busca de riqueza em finalidade adequada à prosperidade da comunidade. O enunciado destaca instabilidade e dependência, sustentando a crítica à acumulação ilimitada, não sua aceitação como finalidade legítima.

Questão 2 — Circulação de mercadorias e mobilidade de trabalhadores

Em um porto brasileiro, a movimentação média foi de 20 mil contêineres por mês durante dois anos. No mesmo período, aproximadamente 5 mil trabalhadores migrantes chegaram temporariamente para atender à demanda de carga e descarga. Depois desse trabalho, 2 mil decidiram permanecer na cidade e buscar ocupação no comércio local. O caso revela dois fluxos relacionados à atividade econômica do porto: o deslocamento periódico de mercadorias e a mobilidade de trabalhadores, seguida, para parte deles, pela fixação na cidade.

Com base no texto, qual alternativa estabelece uma analogia adequada entre a circulação de mercadorias e a mobilidade de trabalhadores no porto?

  • ❌ A) A movimentação periódica de contêineres para atender às operações do porto assemelha-se à chegada de 20 mil trabalhadores para realizar a carga. A alternativa iguala fenômenos e números distintos: o texto informa 20 mil contêineres e cerca de 5 mil trabalhadores.
  • ❌ B) A movimentação periódica de contêineres assemelha-se à busca de ocupação comercial pelos trabalhadores que permaneceram. Isso compara circulação de mercadorias com integração econômica posterior, não com o deslocamento inicial.
  • ❌ C) A movimentação periódica de contêineres assemelha-se à permanência de trabalhadores que decidiram viver na cidade. A permanência é diferente da circulação; apenas parte dos trabalhadores ficou.
  • ❌ D) A movimentação periódica de contêineres assemelha-se à permanência de todos os trabalhadores que chegaram. O texto informa que somente 2 mil dos aproximadamente 5 mil decidiram permanecer.
  • ✅ E) A movimentação periódica de contêineres assemelha-se à chegada temporária de trabalhadores para responder à demanda de carga e descarga. A comparação reúne dois deslocamentos temporários ligados à atividade econômica do porto. A permanência posterior de parte dos migrantes é uma etapa diferente.

Questão 3 — Mobilidade populacional itinerante

Pesquisa recente revela que cerca de 40% das startups tecnológicas europeias adotam práticas itinerantes de trabalho: os funcionários mudam-se a cada três meses para uma nova cidade, alugando apartamentos temporários e utilizando espaços de coworking. Essa circulação produz impactos variados: o comércio local registra aumento sazonal de consumo, enquanto serviços públicos enfrentam dificuldade em planejar demandas permanentes. As empresas argumentam que a diversidade cultural e a flexibilidade favorecem a inovação, mas gestores locais alertam para a falta de vínculos comunitários duradouros, o que fragiliza iniciativas de longo prazo. Esse modelo de mobilidade sem fixação definitiva cria uma população flutuante que consome mercadorias e impulsiona capitais, porém não estabiliza os habitantes nas localidades visitadas.

Com base no texto, identifique qual modalidade histórica de mobilidade populacional se aproxima do modelo itinerante descrito.

  • ✅ A) A transumância pastoril. Ela envolve deslocamentos periódicos e temporários, característica que se aproxima das mudanças regulares descritas.
  • ❌ B) A rota comercial medieval. Refere-se à circulação de mercadorias e caravanas, não especificamente à mobilidade temporária de trabalhadores.
  • ❌ C) A prática do turismo de massa contemporâneo. O enunciado trata de estadias de trabalho por meses, não de viagens de lazer de curta duração.
  • ❌ D) A diáspora de povos escravizados. Trata-se de deslocamento forçado e de caráter permanente, diferente do modelo itinerante apresentado.
  • ❌ E) A migração rural no século XX. A alternativa descreve uma migração do campo para a cidade, não deslocamentos periódicos sem fixação definitiva.

Questão 4 — Cosmopolitismo estoico e justiça política

Por que um porto pode mudar quem mora em uma cidade? Em uma região costeira do norte da África, a ampliação de um terminal de contêineres atraiu empresas de logística, montadoras e centros de distribuição. O governo local ofereceu isenções e facilitou a entrada de investimentos, e a circulação de mercadorias passou a operar em turnos contínuos. Em dois anos, comerciantes e trabalhadores de outras partes do país e de países vizinhos chegaram em busca de emprego, mas muitos permaneceram em alojamentos temporários. A prefeitura, pressionada pelo aumento do custo de vida, aprovou uma regra: apenas famílias com pelo menos cinco anos de residência formal podem acessar aluguel social e vagas em creches públicas. Associações de bairro defendem a prioridade aos “antigos moradores”; sindicatos afirmam que a cidade depende do trabalho recém-chegado para sustentar o novo ritmo econômico.

Interprete a situação e aplique a noção estoica de cosmopolitismo para indicar qual critério de justiça política entra em conflito com a regra municipal.

  • ❌ A) Defender que serviços básicos sigam a contribuição econômica, atendendo primeiro quem paga mais impostos e consome mais. Isso reduz justiça ao aporte financeiro e ignora a igualdade moral estoica.
  • ✅ B) Defender que serviços básicos atendam qualquer pessoa, pois a dignidade não depende de origem ou tempo de moradia. Para o cosmopolitismo estoico, todos pertencem a uma comunidade moral; a regra exclui recém-chegados por seu tempo de residência.
  • ❌ C) Defender que serviços básicos sejam decididos por costumes locais, pois não há critério universal para julgar políticas de acolhimento. Essa posição relativista contraria a ideia estoica de uma lei racional comum.
  • ❌ D) Defender que serviços básicos sejam suspensos até estabilizar a economia, pois a ordem do mercado deve guiar o ritmo de chegada. A alternativa trata a dinâmica econômica como norma ética e desvia a atenção dos direitos e do pertencimento moral.
  • ❌ E) Defender que serviços básicos priorizem residentes antigos, pois a cidade pertence primeiro a quem já estava nela. Esse particularismo cívico se opõe à ideia estoica de comunidade humana universal.

Questão 5 — Kant e a mobilidade de trabalhadores

Navios porta-contêineres atracam dia e noite em um terminal no Mediterrâneo, escoando roupas e eletrônicos montados em diferentes países e vendidos em vários continentes. Para cumprir prazos curtos, a operadora do porto contratou, por meio de uma agência, trabalhadores vindos de outras regiões: chegam sozinhos, moram em alojamentos próximos aos galpões e têm a permanência vinculada ao contrato. Na alta temporada, turnos extras são oferecidos; na baixa, parte do grupo é desligada e retorna, enquanto novos contingentes são recrutados. No mesmo período, a empresa anuncia “otimização financeira” ao transferir sedes e lucros para localidades com tributação menor. O governo local celebra a entrada de investimentos e a circulação de mercadorias; entidades civis questionam o custo humano dessa organização do trabalho.

Analise a situação descrita e identifique a crítica ética mais coerente, à luz de Kant, para problematizar a mobilidade e a não fixação dos trabalhadores subordinadas aos fluxos de mercadorias e capital.

  • ❌ A) A crítica de que a solução é fortalecer o poder do Estado para garantir ordem e obediência. Isso desloca a questão para autoridade e segurança, sem abordar o princípio kantiano sobre o uso das pessoas como instrumentos.
  • ✅ B) A crítica de que pessoas são tratadas como recursos substituíveis para cumprir metas econômicas. A mobilização e o descarte conforme a logística podem instrumentalizar trabalhadores; Kant exige tratar a humanidade também como fim, não apenas como meio.
  • ❌ C) A crítica de que o problema central é a falta de hábitos virtuosos individuais nos gestores. Essa explicação desloca o foco para virtudes pessoais, em vez de analisar a relação moral que instrumentaliza pessoas.
  • ❌ D) A crítica de que a ação é correta se aumenta o bem-estar médio gerado pelo comércio global. O cálculo de resultados não corresponde ao foco kantiano nos deveres e na dignidade, independentemente do saldo de utilidades.
  • ❌ E) A crítica de que a mobilidade é aceitável quando deriva do consentimento em contratos privados. O contrato, por si só, não torna legítimo tratar alguém sem respeito à dignidade humana.

Questão 6 — Utilitarismo e deslocamento populacional

No auditório de uma cidade cortada por rios e armazéns, moradores acompanham a audiência sobre um corredor logístico (ferrovia + terminal de cargas) financiado por um consórcio estrangeiro. A apresentação prevê reduzir em 30% o custo de escoamento de grãos e minérios ao porto, atrair novas empresas de armazenagem e gerar 8 mil empregos durante as obras. Ao mesmo tempo, o traçado exige remover 1 200 famílias de um bairro antigo, onde parte da economia local depende de pequenos comércios e pesca.

Um secretário municipal defende o projeto afirmando que, “com indenização e realocação, o prejuízo de alguns pode ser compensado pelo ganho de muitos”, já que o aumento de arrecadação permitiria ampliar serviços públicos. Representantes do bairro respondem que a mudança rompe laços comunitários e torna incerta a permanência das pessoas quando os empregos temporários acabarem.

Interprete o argumento do secretário à luz de uma teoria ética clássica e identifique o critério moral que orienta sua justificativa para a mobilidade e a fixação populacional geradas pela obra.

  • ❌ A) A prioridade de garantir liberdades iguais e favorecer primeiro os menos beneficiados. O secretário não prioriza os deslocados como grupo menos favorecido; argumenta pelo saldo agregado.
  • ❌ B) A formação de virtudes cívicas pelo justo meio, valorizando a estabilidade do modo de vida. O secretário não apela ao caráter ou ao justo meio, mas às consequências mensuráveis.
  • ✅ C) A maximização do bem-estar total, mesmo com perdas localizadas para um grupo. Aceitar o deslocamento de alguns diante de um saldo coletivo maior caracteriza uma justificativa utilitarista.
  • ❌ D) O dever de respeitar cada pessoa como fim, proibindo trocas entre direitos e benefícios. O argumento do secretário troca prejuízos de alguns por ganhos de muitos, lógica distinta da deontologia kantiana.
  • ❌ E) A preservação de tradições e vínculos comunitários como fundamento principal da decisão. Esse é o argumento dos moradores, não o critério usado pelo secretário.

Questão 7 — Pertencimento político e direito a ter direitos

Numa reportagem fictícia sobre um arquipélago do Atlântico, o governo anuncia dois programas migratórios. O primeiro concede residência de cinco anos a quem abrir empresa e investir o equivalente a 200 mil dólares; em seis meses, 3 800 pessoas de três continentes receberam o documento e já alugaram imóveis e contrataram serviços locais. O segundo programa trata pedidos de refúgio de quem chega em barcos vindos de uma rota africana: essas pessoas podem permanecer em centros de acolhimento, mas não recebem autorização para trabalhar nem para fixar moradia fora deles enquanto o processo tramita.

No debate público, defensores do primeiro programa dizem que “o investimento prova compromisso com o país”. Organizações humanitárias respondem que a diferença de regras mostra como o acesso a direitos depende de pertencer, de fato, a uma comunidade política reconhecida.

Com base no texto, identifique a interpretação filosófica que melhor explica por que a mobilidade e a fixação de pessoas são tratadas de modo distinto quando dependem do capital investido ou do status de refugiado.

  • ❌ A) Sustentar, com Locke, que o trabalho individual cria direito direto ao território, tornando irrelevantes as leis migratórias. Locke discute propriedade; sua teoria não elimina a mediação jurídico-política que regula entrada e residência.
  • ❌ B) Sustentar, com Kant, que o Estado tem dever moral de conceder residência permanente a qualquer visitante pacífico. O direito cosmopolita kantiano garante visita, não um direito automático de estabelecimento permanente.
  • ❌ C) Sustentar, com Bentham, que a política correta é a que soma mais utilidades, sem considerar quem tem status para permanecer. O foco do caso é o reconhecimento desigual de direitos por status, não o cálculo total de prazer e dor.
  • ❌ D) Sustentar, com Hobbes, que toda entrada estrangeira destrói o soberano e deve ser proibida em qualquer circunstância. O texto descreve abertura seletiva para investidores, não proibição total de entrada.
  • ✅ E) Sustentar, com Arendt, que sem pertencimento político efetivo o indivíduo perde o “direito a ter direitos”, dificultando a fixação. A diferença entre a residência concedida a investidores e as restrições aos refugiados mostra a importância da inclusão política reconhecida.

Questão 8 — Cosmópolis estoica e atuação municipal

Caminhões descarregam, no entreposto de uma cidade portuária fictícia, frutas vindas de três países e peças destinadas a fábricas de outros continentes. O centro logístico atraiu operadores de diferentes regiões e marinheiros que permanecem poucos dias antes de nova viagem. Enquanto empresas locais celebram os contratos e o aumento da circulação comercial, parte desses trabalhadores encontra dificuldade para receber orientações sobre serviços públicos e para relatar problemas de moradia temporária. Em debate no conselho municipal, uma estudante recorda a ideia estoica de cosmópolis: embora as cidades tenham leis próprias, todos os seres humanos participam de uma mesma comunidade moral, por compartilharem a razão.

Analise a situação descrita e aplique a ideia estoica de cosmópolis à atuação do conselho municipal.

  • ✅ A) Criar canais de orientação acessíveis a trabalhadores de diversas origens, considerando-os membros da comunidade moral. A cosmópolis amplia a consideração para além da origem local e permite acolher as pessoas sem depender de nacionalidade.
  • ❌ B) Criar regras que atendam somente a nacionais, considerando a cidadania jurídica limite da consideração ética. A alternativa confunde legalidade com moralidade; a cosmópolis reconhece deveres perante todos os seres humanos.
  • ❌ C) Criar benefícios exclusivos a moradores antigos, considerando a permanência local critério de maior valor moral. Isso transforma origem ou permanência em critério de valor e contraria a comunidade humana universal estoica.
  • ❌ D) Criar exigências iguais de deslocamento contínuo, considerando a mobilidade dever de quem busca trabalho. A circulação não elimina as necessidades das pessoas nem transforma o deslocamento em obrigação moral.
  • ❌ E) Criar incentivos apenas às empresas exportadoras, considerando o lucro comercial fundamento da justiça. A alternativa reduz a justiça ao lucro e confunde a circulação econômica com o fundamento moral das decisões sobre pessoas.

Próximos passos

Ao planejar a sequência, recomendo combinar a leitura de O Príncipe com perguntas que exijam contextualização e justificativa. As questões desta página podem ampliar a comparação entre conceitos de Filosofia, desde que a turma reconheça quais autores estão realmente em pauta. Para encontrar mais itens ligados à habilidade, consulte questões da habilidade EM13CHS201. Você também pode preparar uma avaliação no gerador de provas do GeraProva ou fazer o cadastro grátis.

Use este material como ponto de partida: revise os enunciados conforme o conteúdo trabalhado com sua turma e adapte a seleção aos objetivos da sua aula.

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