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Atividades de Morfossintaxe para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni questões de Morfossintaxe para a 2ª série do Ensino Médio, com gabarito comentado sobre pronomes, concordância verbal e funções sintáticas. Veja sugestões para trabalhar os conteúdos em sala.

Atividades de Morfossintaxe para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho Morfossintaxe com a 2ª série do Ensino Médio, procuro aproximar a análise das frases de decisões concretas de leitura e escrita. Em uma mesma atividade, a turma pode observar como a função de um pronome interfere na escolha da forma, como o sujeito se relaciona com o verbo e que circunstância um termo acrescenta à oração. Não basta decorar nomes de classes e funções: é importante justificar a análise olhando para a construção da frase.

As questões deste material percorrem pronomes pessoais, concordância verbal, predicado e adjunto adverbial. Eu as usaria tanto para uma revisão orientada quanto para identificar quais relações sintáticas precisam ser retomadas antes de avançar. As seis questões vêm com alternativas comentadas, para que o gabarito ajude a explicar o raciocínio, e não apenas a informar uma letra.

O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Morfossintaxe

Na 2ª série, espero que o estudante consiga observar como as palavras se organizam na oração e como a função sintática participa da construção dos sentidos. Isso envolve reconhecer pronomes pessoais retos e oblíquos e relacionar sua forma à função que exercem, identificar o sujeito e verificar a concordância verbal, além de distinguir predicado verbal de predicado nominal. Também é importante perceber quando um termo modifica o verbo e expressa uma circunstância, como ocorre com o adjunto adverbial de tempo. Nas questões deste conjunto, esse conhecimento aparece em frases curtas, mas pede atenção à estrutura: o aluno precisa localizar o verbo, observar seus participantes e perguntar que papel cada termo desempenha. A norma-padrão escrita é um foco particular nos itens sobre pronomes. Eu trabalho essas escolhas sem desconsiderar que usos correntes da fala podem diferir da convenção formal cobrada em determinados gêneros e situações de escrita.

O que ele precisa saber antes

Antes de resolver a sequência, convém retomar alguns conhecimentos que aparecem diretamente nas questões. O primeiro é a diferença entre pronomes pessoais retos e oblíquos: em termos gerais, o pronome reto pode exercer a função de sujeito, enquanto o oblíquo é usado em outras funções, como a de objeto. Essa distinção ajuda a analisar construções como “para eu fazer” e “entre mim e você”.

Também é necessário reconhecer o sujeito da oração e relacioná-lo ao número e à pessoa do verbo. Esse passo sustenta a análise de concordância e permite observar casos especiais, como o verbo “haver” com sentido de existir e o verbo “fazer” indicando tempo decorrido, que ficam no singular. Para classificar o predicado, o aluno precisa localizar o verbo e diferenciar verbo significativo de verbo de ligação. Por fim, vale revisar a identificação de advérbios e dos termos da oração, pois isso permite perceber que “cedo” modifica “nasce” e indica tempo.

Onde os alunos mais erram

Nos itens sobre pronomes, um erro possível é escolher uma frase familiar da conversa cotidiana sem verificar se ela atende à norma-padrão escrita. A análise não deve partir apenas de “isso soa comum?”, mas da função do pronome na oração. Em “Isso é para mim fazer”, por exemplo, “eu” é o sujeito de “fazer”; em “Entre eu e você”, o pronome vem depois de uma preposição e a forma esperada é “mim”. O distrator D da primeira questão pode atrair justamente porque muitos reconhecem “mim” em construções com preposição, mas não observam que, nesse caso, o pronome funciona como sujeito do infinitivo.

Na concordância, a proximidade de “muitas pessoas” pode levar o estudante a pluralizar “haver”. O raciocínio precisa considerar que, com sentido de existir, esse verbo é impessoal: a forma padrão é “havia muitas pessoas”. Já em “Faz três semanas”, “fazer” também fica no singular quando indica tempo decorrido. Vale pedir que a turma identifique primeiro o sentido do verbo, em vez de concordar automaticamente com o termo mais próximo.

Outro ponto de atenção é a diferença entre verbo de ligação e verbo significativo. Diante de “As flores estão murchas”, o aluno pode se prender ao verbo e classificá-lo como núcleo verbal, sem notar que “estão” liga o sujeito à característica “murchas”. Em “O gato correu rápido”, por outro lado, “correu” expressa a ação e é o núcleo do predicado verbal. Na análise de “cedo”, a dificuldade pode ser confundir o termo com uma característica do sujeito ou com algo ligado a um substantivo. A pergunta útil é: que palavra ele modifica e que informação acrescenta?

Por último, quando a questão destaca pronomes, outras inadequações da frase podem desviar a atenção. Na questão 5, por exemplo, a alternativa C apresenta uma questão de crase, mas a pergunta pede o uso incorreto de pronome. Ensinar a separar o foco do item de outros aspectos que também podem ser revisados ajuda a leitura cuidadosa. Na questão 6, a forma “Ele viu ela” é inadequada à norma-padrão escrita por causa do emprego de “ela” como objeto direto; a forma recomendada é “Ele a viu”.

Como trabalhar em sala

  • Faça uma leitura por camadas. Apresente uma frase no quadro e peça primeiro que a turma localize o verbo; depois, que identifique o sujeito e, por fim, que explique a função dos demais termos. Essa rotina ajuda a evitar respostas baseadas apenas na impressão sonora.
  • Compare formas em contexto. Coloque lado a lado “para mim” e “para eu fazer”, ou “entre mim e você” e “A Maria e eu”. Peça que os alunos expliquem a função de cada pronome. A comparação torna visível que a forma depende da posição e do papel sintático, não apenas da presença de uma preposição.
  • Peça justificativas curtas. Depois de marcar uma alternativa, cada estudante escreve uma frase explicando por que a correta atende ao enunciado. Para os distratores, pode apontar qual regra ou relação sintática foi desconsiderada. Isso transforma a correção em oportunidade de revisão.
  • Use exemplos próximos da escrita cotidiana. Traga frases de comunicados, avisos ou mensagens produzidas para a escola e revise-as em conjunto. Discuta a diferença entre usos da fala e escolhas esperadas na norma-padrão escrita, sem tratar a fala cotidiana como incapacidade linguística.
  • Organize uma correção colaborativa. Divida as seis questões entre duplas ou pequenos grupos. Cada grupo apresenta a alternativa correta e explica pelo menos um distrator. Depois, a turma compara as justificativas e registra no caderno uma regra acompanhada de exemplo.

Questões prontas de Morfossintaxe para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As questões a seguir contemplam conteúdos de análise linguística e reflexão sobre usos da língua relacionados à habilidade questões da habilidade EM13LP08. Você pode aplicá-las como atividade de revisão, avaliação diagnóstica ou parte de uma prova.

1. Em uma atividade de revisão, a turma analisa frases usadas em um comunicado escolar formal. Considerando a norma-padrão escrita, qual frase está correta em relação ao uso de pronomes?

  • A) Me empresta o seu lápis. ❌ Na norma-padrão escrita, a oração não começa com pronome oblíquo átono nessa construção; a forma esperada é “Empresta-me o seu lápis”.
  • B) Entre eu e você não há segredos. ❌ Depois da preposição “entre”, usa-se o pronome oblíquo tônico: “Entre mim e você”.
  • C) Eu vi ela na escola. ❌ Na norma-padrão escrita, “ela” não é a forma adequada para exercer a função de objeto direto nessa construção. Pode-se dizer “Eu a vi na escola”.
  • D) Isso é para mim fazer. ❌ O pronome é sujeito do verbo “fazer”; nesse caso, a forma adequada é “para eu fazer”.
  • E) A Maria e eu vamos ao cinema. ✅ “Eu” está corretamente empregado como parte do sujeito composto, e o verbo “vamos” concorda com esse sujeito.

Gabarito: E. Para resolver, observe a função de cada pronome, não apenas se a frase é comum na conversa. A alternativa correta apresenta “eu” como sujeito, junto com “A Maria”.

2. Qual das alternativas abaixo apresenta um erro de concordância verbal?

  • A) Faz três semanas que não a vejo. ❌ A frase está correta: “fazer”, indicando tempo decorrido, é impessoal e fica no singular.
  • B) Haviam muitas pessoas na festa. ✅ Há erro. Com sentido de existir, “haver” é impessoal e deve ficar no singular: “Havia muitas pessoas na festa”.
  • C) Ele e ela estão felizes. ❌ A frase está correta: o sujeito é composto e o verbo está no plural.
  • D) Os pássaros cantam ao amanhecer. ❌ A frase está correta: “cantam” concorda com o sujeito “os pássaros”.
  • E) A maioria dos alunos gosta de estudar. ❌ A frase está correta: o verbo pode concordar no singular com o núcleo “maioria”.

Gabarito: B. O grupo nominal “muitas pessoas” pode induzir à concordância no plural, mas não funciona como sujeito de “haver” nessa acepção. A forma padrão é “havia”.

3. Identifique a frase que apresenta um predicado verbal.

  • A) As flores estão murchas. ❌ “Estão” liga o sujeito à característica “murchas”; o núcleo do predicado é nominal.
  • B) Ela estava feliz com a notícia. ❌ “Estava” liga o sujeito à característica “feliz”; trata-se de predicado nominal.
  • C) A casa é grande. ❌ “É” relaciona o sujeito à característica “grande”; o predicado é nominal.
  • D) O gato correu rápido. ✅ “Correu” expressa uma ação e é o núcleo do predicado verbal.
  • E) O livro parecia interessante. ❌ “Parecia” funciona como verbo de ligação, relacionando o sujeito à característica “interessante”.

Gabarito: D. Compare o papel dos verbos: nas alternativas A, B, C e E, eles ligam o sujeito a uma característica. Na D, “correu” expressa uma ação e organiza o predicado verbal.

4. Na frase “O sol nasce cedo”, qual é a função sintática do termo “cedo”?

  • A) Adjunto adnominal. ❌ O adjunto adnominal acompanha um substantivo; “cedo” está relacionado ao verbo “nasce”.
  • B) Adjunto adverbial. ✅ “Cedo” indica quando o sol nasce; é adjunto adverbial de tempo.
  • C) Sujeito. ❌ O sujeito da oração é “O sol”.
  • D) Objeto direto. ❌ “Nascer” não pede objeto direto nessa oração, e “cedo” acrescenta uma circunstância de tempo.
  • E) Predicativo do sujeito. ❌ “Cedo” não atribui uma característica ao sujeito por meio de verbo de ligação; indica o momento em que ocorre a ação.

Gabarito: B. Para identificar a função, pergunte que informação o termo acrescenta e a que elemento se liga. “Cedo” modifica o verbo e informa o tempo.

5. Identifique a frase em que o pronome está utilizado de forma incorreta.

  • A) Eu trouxe a minha mochila. ❌ “Minha” é um pronome possessivo empregado corretamente, pois acompanha “mochila”.
  • B) Você viu ela ontem? ✅ Na norma-padrão escrita, “ela” não é a forma adequada como objeto direto. Uma opção é “Você a viu ontem?”.
  • C) Nós vamos a festa amanhã. ❌ A frase tem um problema de crase: na escrita padrão, seria “à festa”. Porém, o pronome não está incorreto; por isso, essa alternativa não responde ao que o enunciado pergunta.
  • D) Ele me disse que viria. ❌ “Me” está corretamente empregado como pronome oblíquo ligado ao verbo “disse”.
  • E) Eles se encontraram no parque. ❌ “Se” está corretamente empregado na construção pronominal “se encontraram”.

Gabarito: B. O foco do enunciado é o pronome. A alternativa C pode chamar atenção porque apresenta uma questão de crase, mas isso não a torna a resposta. Em B, a forma indicada para a norma-padrão escrita é “a viu”.

6. Assinale a frase que apresenta um erro de colocação pronominal.

  • A) Eu me lembrei do seu aniversário. ❌ A colocação de “me” está adequada na frase.
  • B) Ele viu-se no espelho. ❌ A colocação de “se” está adequada nessa construção.
  • C) Ela me contou a história. ❌ A colocação de “me” está adequada na frase.
  • D) Ele viu ela na escola. ✅ Na norma-padrão escrita, a forma recomendada é “Ele a viu na escola”. O problema está no emprego de “ela” como objeto direto; a correção exige também usar a forma oblíqua adequada.
  • E) Nós nos encontramos na praça. ❌ “Nos” está corretamente empregado na construção “nos encontramos”.

Gabarito: D. Ao corrigir, vale explicar com precisão que o problema principal é o uso do pronome reto “ela” como objeto direto, e não simplesmente sua posição antes ou depois do verbo. A forma adequada é “Ele a viu na escola”.

Para fechar: da análise à produção

Depois da correção, retome as justificativas e peça que os alunos criem exemplos próprios para cada conteúdo: uma frase com verbo “haver” no sentido de existir, outra com adjunto adverbial de tempo e construções que mostrem a diferença entre pronomes retos e oblíquos. Assim, a turma passa da identificação para o uso consciente das relações sintáticas.

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