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Atividades de Estereótipos e preconceitos em danças de salão para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni oito questões de Física contextualizadas em danças de salão, com gabarito comentado para a 1ª série do Ensino Médio. O material aborda trabalho, energia, forças, pressão, rotação e atrito, além de propor caminhos para conversar sobre estereótipos com cuidado.

Atividades de Estereótipos e preconceitos em danças de salão para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho danças de salão com uma turma da 1ª série em Física, procuro manter duas coisas em diálogo: os conceitos do componente e a forma como representamos as pessoas que dançam. O tema permite discutir situações concretas de movimento, forças e energia sem tratar papéis de liderança, gênero ou capacidade física como características naturais de um grupo. Nas questões desta proposta, a dança é o contexto para calcular grandezas e examinar como área de contato, massa, raio e força entram nas explicações.

Na prática, eu apresento primeiro o problema físico e peço que a turma identifique dados, unidades e relações antes de substituir valores. Depois, abro espaço para observar a linguagem do enunciado: uma conta pode estar correta e, ainda assim, uma generalização sobre quem é “forte” ou quem deve conduzir não se sustentar pelos dados. As atividades abaixo ajudam a conduzir essa conversa sem transformar a aula em julgamento de estudantes.

O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Estereótipos e preconceitos em danças de salão

Na 1ª série, o estudante precisa compreender que estereótipos são generalizações atribuídas a pessoas ou grupos e que preconceitos podem orientar julgamentos e limitar participação. Em danças de salão, isso pede atenção a ideias prontas sobre quem conduz, quem acompanha, quais movimentos seriam próprios de cada gênero ou quem teria mais força. Nas questões desta sequência, a discussão aparece junto de conceitos de Física: trabalho contra a gravidade, aceleração, energia cinética, momento angular, força de reação, pressão e atrito. O estudante deve separar o que os cálculos permitem concluir do que seria uma suposição sobre a identidade ou a capacidade de alguém. Por exemplo, a pressão no piso depende da força normal e da área de contato; não demonstra uma “força intrínseca” de um pé. Também é importante reconhecer que os papéis podem se inverter, como indica uma das situações propostas. A leitura crítica do contexto acompanha a aplicação de fórmulas, o uso correto das unidades e a justificativa baseada nos dados fornecidos.

O que ele precisa saber antes

Antes de resolver a lista, vale verificar se a turma consegue multiplicar e dividir números com unidades, substituir valores em fórmulas e distinguir massa, força, velocidade e aceleração. Para esta sequência, também são pré-requisitos a relação entre trabalho e energia potencial gravitacional, a expressão da energia cinética, o cálculo do peso a partir de massa e gravidade e a relação entre força e pressão.

As questões de rotação pressupõem familiaridade com momento de inércia de massa puntiforme e conservação do momento angular. Já o item sobre o pouso após um salto utiliza uma relação entre trabalho, força resultante e deslocamento; o último requer reconhecer que o coeficiente de atrito depende da força aplicada e da normal. Se algum desses conteúdos ainda estiver em construção, eu não deixaria de usar o tema: faria uma retomada breve, com uma fórmula por vez e atenção às unidades antes de propor a avaliação completa.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente descrito nas questões é trocar a operação ou usar apenas parte da relação física. No cálculo de trabalho, por exemplo, pode-se considerar a velocidade, embora a expressão fornecida dependa de massa, gravidade e altura. No item da segunda lei de Newton, a dificuldade pode ser inverter força e massa ou tomar a massa como se fosse a aceleração. Minha intervenção é pedir que o estudante diga em voz alta o que a fórmula relaciona antes de fazer a conta.

Em energia cinética, vale observar se o fator ½ foi aplicado e se a velocidade foi elevada ao quadrado. Para pressão, o distrator mais provável da questão apresentada é afirmar que os dois bailarinos exercem a mesma pressão, ignorando que as áreas das solas são diferentes. Na rotação, é possível tratar a mudança de raio como uma mudança linear de velocidade, sem conservar o momento angular total. Por fim, na questão do salto, a força média de reação não é simplesmente o peso: é preciso isolar a força na relação fornecida. Em todos esses casos, eu peço uma estimativa e uma justificativa; isso ajuda a localizar o raciocínio que levou à alternativa, não apenas a marcar certo ou errado.

Como trabalhar em sala

  • Comece pela leitura do contexto: peça que a turma destaque os dados físicos e, em outra cor, as expressões que falam de papéis ou características de quem dança. Pergunte quais conclusões são realmente apoiadas pelos dados.
  • Faça uma resolução-modelo: escolha um cálculo simples, como trabalho contra a gravidade, e organize no quadro: dados, fórmula, substituição, unidade e interpretação. Depois, convide a turma a seguir a mesma sequência nos demais itens.
  • Use comparação entre respostas: em duplas, os estudantes podem explicar por que um distrator parece plausível e apontar o passo em que se afasta da fórmula. Isso transforma o erro em material de revisão, sem expor quem marcou a alternativa.
  • Converse sobre os papéis de dança: retome o enunciado que menciona a inversão de papéis e convide a turma a pensar por que conduzir e acompanhar não precisam ser definidos por estereótipos. Mantenha a conversa vinculada ao respeito e à participação.
  • Feche com uma checagem de unidades: peça que cada estudante selecione uma resposta e explique se a unidade final é compatível com a grandeza calculada. É uma prática simples, sem material especial, que ajuda a detectar substituições inadequadas.

Questões prontas de Estereótipos e preconceitos em danças de salão para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As oito questões a seguir usam situações de dança como contexto para conteúdos de Física. Oriente a turma a ler cada enunciado com atenção: quando houver valores e fórmula, a resposta deve ser sustentada pelo cálculo; quando o item propõe relacionar o resultado a estereótipos, é importante não extrapolar o que os dados permitem dizer.

1. Trabalho realizado contra a gravidade

Durante um levantamento em dança de salão, o líder eleva a parceira, de massa 55 kg, verticalmente por h = 0,80 m. Calcule o trabalho realizado contra a gravidade: W = m·g·h, usando g = 10 m/s². Dê a resposta em joules.

  • ❌ A) W = 880 J, devido à velocidade do movimento. A velocidade não entra na expressão de trabalho contra a gravidade apresentada.
  • ❌ B) W = 550 J, pois leva em conta a aceleração da gravidade. A substituição correta dos três valores não resulta em 550 J.
  • ✅ C) W = 440 J. W = 55 × 10 × 0,80 = 440 J.
  • ❌ D) W = 660 J, pois a altura é maior que 0,80 m. A altura informada é 0,80 m; não se deve trocar o dado do enunciado.
  • ❌ E) W = 330 J, considerando massa errada. A massa indicada é 55 kg e, com os dados fornecidos, o resultado é 440 J.

Gabarito comentado: C. A questão avalia a aplicação de W = m·g·h. A velocidade não altera esse cálculo do trabalho contra a gravidade, e a unidade do resultado é o joule.

2. Conservação do momento angular de dois dançarinos

Dois dançarinos, considerados massas puntiformes, giram com velocidade angular inicial ωᵢ = 1,20 rad/s: A, de massa 70 kg, está a r = 0,60 m; B, de massa 50 kg, está a r = 0,90 m. Ambos se aproximam do centro até r′A = 0,40 m e r′B = 0,50 m. Usando a conservação do momento angular, L = Σmr²ω, calcule ωᶠ.

  • ❌ A) ωᶠ = 10 rad/s. O valor não decorre da conservação do momento angular com os dados fornecidos.
  • ❌ B) ωᶠ = 2,0 rad/s. Esse resultado não conserva o momento angular total do sistema.
  • ❌ C) ωᶠ = 5,0 rad/s. É preciso considerar as massas e os raios dos dois dançarinos, não apenas uma aproximação da variação.
  • ✅ D) ωᶠ ≈ 3,33 rad/s. Iᵢ = 70·0,60² + 50·0,90² = 65,7 kg·m². Logo, Lᵢ = 65,7·1,20 = 78,84 kg·m²/s. Iᶠ = 70·0,40² + 50·0,50² = 23,7 kg·m²; portanto, ωᶠ = 78,84/23,7 ≈ 3,33 rad/s.
  • ❌ E) ωᶠ = 1,5 rad/s. A resposta não corresponde à conservação do momento angular após a mudança dos raios.

Gabarito comentado: D. Primeiro se calcula o momento de inércia inicial e final do conjunto. Como o momento angular total se conserva, a redução do momento de inércia é acompanhada por aumento da velocidade angular.

3. Força horizontal e aceleração

Durante um passo de dança de salão, o líder aplica uma força horizontal constante de 40 N sobre a parceira, de massa 50 kg. Ignorando o atrito, calcule a aceleração usando F = m·a. Indique também a direção.

  • ❌ A) a = 2,0 m/s², pois a força é aplicada verticalmente. A força indicada é horizontal e, além disso, 40/50 não resulta em 2,0.
  • ❌ B) a = 0,4 m/s², porque a fricção aumenta a aceleração. O enunciado manda ignorar o atrito; a divisão correta é 40/50.
  • ❌ C) a = 4,0 m/s², pois a força é dobrada com a massa menor. A massa informada é 50 kg e não deve ser substituída por outro valor.
  • ❌ D) a = 1,0 m/s², já que a massa é maior que 40 kg. A aceleração não se obtém dividindo a massa por ela mesma.
  • ✅ E) a = 0,8 m/s² na direção horizontal. Pela segunda lei de Newton, a = F/m = 40/50 = 0,8 m/s², na direção da força resultante.

Gabarito comentado: E. O estudante divide a força pela massa e mantém a direção horizontal indicada. A relação não autoriza concluir nada sobre papéis de gênero na dança.

4. Variação da energia cinética quando os papéis se invertem

Durante uma sequência em que os papéis se invertem, dois dançarinos aceleram do repouso até v = 1,50 m/s. As massas são m₁ = 78,0 kg e m₂ = 62,0 kg. Calcule a variação da energia cinética de cada um em joules, usando ΔK = ½mv².

  • ✅ A) ΔK₁ = 87,8 J; ΔK₂ = 69,8 J. Para o primeiro: 0,5·78,0·(1,50)² = 87,75 J. Para o segundo: 0,5·62,0·(1,50)² = 69,75 J. Arredondando, obtêm-se os valores indicados.
  • ❌ B) ΔK₁ = 39,0 J; ΔK₂ = 31,0 J. Os resultados não aplicam corretamente a velocidade ao quadrado na expressão fornecida.
  • ❌ C) ΔK₁ = 117,0 J; ΔK₂ = 92,0 J. Esses valores não correspondem à substituição de cada massa e de v² na fórmula.
  • ❌ D) ΔK₁ = 156,0 J; ΔK₂ = 124,0 J. Os resultados são maiores que os obtidos ao aplicar o fator ½ e a velocidade indicada.
  • ❌ E) ΔK₁ = 78,0 J; ΔK₂ = 62,0 J. Essa alternativa não considera corretamente o fator ½ e o quadrado da velocidade.

Gabarito comentado: A. Como ambos chegam à mesma velocidade, a energia cinética calculada depende da massa de cada pessoa. A inversão de papéis no enunciado ajuda a lembrar que liderança e acompanhamento não determinam os valores usados na fórmula.

5. Força média de reação ao aterrissar

Uma pessoa dançando, de massa m = 72 kg, aterrissa de um pequeno salto. A queda tem altura h = 0,40 m e, pela flexão dos joelhos, o corpo para em um deslocamento vertical s = 0,20 m. Calcule a força média de reação vertical Favg, com g = 10 m/s², usando (Favg − mg)·s = mgh.

  • ❌ A) Favg = 840 N. A resposta não satisfaz a relação entre força resultante, deslocamento e energia indicada.
  • ❌ B) Favg = 1.200 N. Esse valor não resulta de isolar Favg na equação fornecida.
  • ❌ C) Favg = 3.000 N. A conta não considera corretamente o deslocamento de parada e o peso.
  • ✅ D) Favg = 2.160 N. Isolando a força: Favg = mg + mgh/s. Como mg = 720 N e mgh/s = (72·10·0,40)/0,20 = 1.440 N, a soma é 2.160 N.
  • ❌ E) Favg = 900 N. A alternativa não incorpora adequadamente a energia potencial da queda na relação apresentada.

Gabarito comentado: D. É importante somar o peso ao termo associado à parada. A força média de reação não é igual ao peso; o enunciado fornece a relação necessária para encontrar o resultado.

6. Pressão das solas e estereótipos sobre “força dos pés”

Dois bailarinos, cada um com massa m = 65,0 kg, apoiam-se no piso. O bailarino A usa sola com área A₁ = 0,010 m² e o B, com A₂ = 0,020 m². Calcule as pressões p₁ e p₂, sabendo que p = F/A, F = mg e g = 10 m/s². Explique como o resultado confronta estereótipos sobre “força dos pés”.

  • ✅ A) p₁ = 6,50×10⁴ Pa; p₂ = 3,25×10⁴ Pa. O peso de cada um é 65,0·10 = 650 N. Assim, p₁ = 650/0,010 = 6,5×10⁴ Pa e p₂ = 650/0,020 = 3,25×10⁴ Pa. A diferença vem da área de contato, não de uma força intrínseca do pé.
  • ❌ B) A pressão não varia com a massa, apenas com a gravidade. A pressão depende da força exercida e da área; a massa contribui para o peso.
  • ❌ C) Ambos exercem a mesma pressão, independentemente da área. Com a mesma força e áreas diferentes, as pressões calculadas são diferentes.
  • ❌ D) A pressão é maior no bailarino B, que tem sola maior. Mantida a força, a área maior resulta em pressão menor, não maior.
  • ❌ E) A pressão aumenta com a área da sola, não com a força. A definição p = F/A mostra que, para a mesma força, aumentar a área reduz a pressão.

Gabarito comentado: A. Os dois têm a mesma massa e, no modelo proposto, o mesmo peso. A sola menor produz maior pressão por causa da área de contato. Esse resultado não sustenta generalizações sobre a força de um grupo ou de um pé.

7. Recolher os membros e variar a velocidade angular

Um bailarino de massa m = 60 kg gira em torno do próprio eixo, sendo tratado como massa concentrada a r₁ = 0,70 m, com velocidade angular ω₁ = 1,50 rad/s. Ao recolher os membros, reduz o raio para r₂ = 0,40 m. Assumindo I = mr² e conservação do momento angular, calcule ω₂.

  • ❌ A) ω₂ = 6,0 rad/s. Esse valor não resulta dos momentos de inércia calculados com os raios fornecidos.
  • ❌ B) ω₂ = 2,0 rad/s. A resposta não aplica a conservação do momento angular entre os dois estados.
  • ✅ C) ω₂ ≈ 4,59 rad/s. I₁ = 60·0,70² = 29,4 kg·m² e I₂ = 60·0,40² = 9,6 kg·m². Portanto, ω₂ = ω₁I₁/I₂ = 1,50·(29,4/9,6) ≈ 4,59 rad/s.
  • ❌ D) ω₂ = 2,5 rad/s. Esse resultado não corresponde à razão entre os momentos de inércia inicial e final.
  • ❌ E) ω₂ = 1,0 rad/s. A velocidade angular não permanece igual nem diminui nesse modelo quando o raio é recolhido.

Gabarito comentado: C. A redução do raio diminui o momento de inércia; para conservar o momento angular, a velocidade angular aumenta. A resposta depende do modelo e dos valores indicados, não de uma característica pessoal do bailarino.

8. Coeficiente mínimo de atrito para os pés não escorregarem

Durante um ensaio de dança, uma criança de 50 kg recebe uma força horizontal de 60 N para fazer um passo rápido. Considere g = 10 N/kg e use μ = F ÷ (m × g). Qual é o coeficiente mínimo para os pés não escorregarem?

  • ❌ A) 1,2. Esse valor resulta de dividir 60 por 50, sem calcular o peso como pede a expressão.
  • ✅ B) 0,12. O peso é 50·10 = 500 N; então μ = 60/500 = 0,12.
  • ❌ C) 0,02. A divisão e a posição da vírgula não correspondem a 60/500.
  • ❌ D) 0,6. O resultado não vem da divisão da força pela força normal calculada a partir da massa e da gravidade.
  • ❌ E) 0,2. Essa alternativa não relaciona corretamente a força horizontal ao peso da criança.

Gabarito comentado: B. Primeiro se calcula a força normal, que, no modelo simples apresentado, é igual ao peso. Depois se divide a força horizontal por esse valor. O item permite revisar o papel do atrito sem atribuir a segurança a estereótipos sobre quem dança.

Fechamento: da resolução à próxima aula

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