Atividades de Conservação da Energia para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito
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Alexandre Lombardi dos Santos 25 de outubro de 2026 10 min de leitura 1
Reuni questões de Conservação da Energia para a 1ª série do Ensino Médio, com alternativas e gabarito comentado. Use-as para revisar conceitos, cálculos e perdas em sistemas energéticos.
Quando trabalho Conservação da Energia com a 1ª série do Ensino Médio, procuro aproximar as equações de situações que a turma consegue interpretar: um salto, um painel solar ou a energia que se perde no transporte elétrico. Na prática, nem sempre a dificuldade está em lembrar uma fórmula. Muitas vezes, é preciso identificar qual grandeza está sendo comparada, manter as unidades coerentes e acompanhar o que acontece com a energia em cada etapa.
Por isso, gosto de alternar explicações conceituais com problemas curtos de cálculo. As questões desta página percorrem conversões entre energia cinética e potencial, trabalho e potência, eficiência de painéis e perdas por efeito Joule. Você pode aplicá-las como atividade, discussão coletiva ou revisão, observando se os estudantes justificam o procedimento além de assinalar uma alternativa.
O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Conservação da Energia
Na 1ª série, o aluno precisa compreender que a energia não desaparece: em um sistema, ela pode ser transferida ou transformada, e a análise depende de quais formas de energia estão em jogo e de quais condições o problema estabelece. Na mecânica, quando não há perdas relevantes por forças dissipativas, a energia cinética pode se transformar em energia potencial gravitacional, como no salto em que a velocidade inicial se relaciona à altura atingida. Em sistemas reais, parte da energia útil pode ser dissipada, por exemplo, como aquecimento nos cabos devido à resistência elétrica. Também é importante distinguir potência, que indica a taxa de transferência ou transformação de energia, de energia total, e eficiência, que compara a energia ou potência útil com a fornecida. Para resolver os problemas, a turma deve interpretar os dados, escolher relações físicas adequadas, converter unidades quando necessário e explicar o resultado. Esse conjunto permite avaliar sistemas de geração e transmissão e discutir o aproveitamento energético.
O que ele precisa saber antes
Antes de propor os cálculos, vale verificar alguns conhecimentos que aparecem diretamente nestas questões. Para as situações de transmissão elétrica, são necessários potência elétrica, tensão, corrente, resistência e a relação entre potência e corrente. Os estudantes também precisam conhecer o efeito Joule e aplicar a expressão da potência dissipada, P = R·I². Em problemas quantitativos, a conversão entre quilowatts e watts, e entre quilovolts e volts, evita resultados incoerentes.
Nas questões de energia mecânica, é útil retomar energia cinética, energia potencial gravitacional e manipulação algébrica. Já os problemas de painéis fotovoltaicos pedem cálculo de porcentagem e compreensão da eficiência como razão entre saída útil e entrada. Para a questão de dimensionamento, entram ainda energia = potência × tempo e o cuidado de arredondar para cima quando se calcula uma quantidade mínima de painéis. Uma revisão rápida dessas ferramentas ajuda a turma a concentrar a atenção no raciocínio físico.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente nesta sequência é considerar apenas a taxa de perda de um trecho, sem calcular a perda acumulada ao longo do percurso. Também aparece a soma direta de percentuais como se cada trecho retirasse energia da quantidade inicial: na transmissão, cada nova perda incide sobre a energia que ainda resta. Em sistemas elétricos, outro ponto crítico é ignorar que a perda resistiva depende do quadrado da corrente. Assim, comparar somente a tensão ou escolher a corrente menor sem usar a relação dada pode levar a justificativas incompletas.
Nos cálculos, os distratores mostram confusões concretas: aplicar I²R sem calcular a corrente, misturar unidades, esquecer a eficiência do sistema fotovoltaico ou arredondar para baixo uma quantidade que precisa atender ao consumo. Na mecânica, é comum não extrair a raiz quadrada depois de encontrar v², ou confundir a fórmula de potência com uma multiplicação pelo intervalo de tempo. Eu incentivo a turma a escrever a relação usada e substituir os dados em etapas; esse registro torna o erro localizável e a correção mais produtiva.
Como trabalhar em sala
Comece pela previsão: apresente duas opções de transmissão com correntes diferentes e peça que os alunos antecipem qual aquece mais os cabos. Em seguida, confira a previsão com P = R·I².
Faça a conta por trechos: para comparar perdas percentuais, desenhe três segmentos de 100 km e registre a energia restante após cada um. Isso evidencia por que as perdas sucessivas não devem ser somadas de modo simples.
Separe grandezas e unidades: antes de resolver um problema, peça que a turma destaque o que é potência, energia, corrente, tensão, tempo e eficiência. A estratégia ajuda a evitar a mistura de fórmulas.
Use um salto como modelo: desenhe o instante de saída do solo e o ponto mais alto. Discuta a conversão de energia cinética em potencial gravitacional sob a hipótese indicada e resolva a equação coletivamente.
Feche com justificativas: em duplas, peça que expliquem por que um distrator parece plausível e em que etapa deixa de funcionar. Essa conversa permite avaliar o raciocínio, não apenas a resposta final.
Questões prontas de Conservação da Energia para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As oito questões a seguir podem ser usadas em uma sequência ou selecionadas conforme o conteúdo já trabalhado. Em cada item, o comentário explica a alternativa correta e o equívoco associado às demais.
1. Comparação das perdas em sistemas de transmissão
Uma usina eólica fica a 300 km do centro consumidor. No sistema AC, a voltagem é ajustada para 230 kV, com perdas de 8% a cada 100 km. No sistema HVDC, a voltagem é de 500 kV e as perdas são de 2% a cada 100 km. Qual sistema apresenta menor perda total de energia ao longo dos 300 km?
❌ A) A perda do sistema AC é de 20%. Incorreto: calcula a terceira perda como se incidisse sobre uma quantidade reduzida de modo inadequado; a taxa de cada trecho deve ser aplicada à energia restante.
❌ B) A perda do sistema AC é de 8%. Incorreto: considera apenas um trecho de 100 km e ignora os outros dois.
❌ C) Sistema de transmissão AC a 230 kV. Incorreto: a perda acumulada do AC é maior do que a do HVDC.
❌ D) A perda do sistema AC é de 24%. Incorreto: soma 8% três vezes sobre a energia inicial, sem considerar a redução progressiva.
✅ E) Sistema de transmissão HVDC a 500 kV. Correto: após três trechos, a perda acumulada é aproximadamente 1 − 0,98³ = 5,9%, inferior à perda do AC, de aproximadamente 1 − 0,92³ = 22,1%.
2. Corrente e perda de potência nos cabos
Uma comunidade costeira envia energia de painéis solares às casas por cabos de cobre com resistência de 4,0 Ω. Para transmitir a mesma potência de 2,0 × 10³ W, a corrente pode ser 10 A com tensão de 200 V ou 2,0 A com tensão de 1000 V. Qual medida reduz mais a perda nos cabos? Use P = R·I².
❌ A) Reduzir a tensão para 200 V, mantendo a potência. Incorreto: a corrente de 10 A produz perda de 4,0 × 10² = 400 W.
❌ B) Aumentar a potência para 3,0 × 10³ W e manter 200 V. Incorreto: a corrente seria 15 A e a perda, 4,0 × 15² = 900 W.
❌ C) Aumentar a resistência para 8,0 Ω, mantendo 10 A. Incorreto: a perda seria 800 W, maior que a obtida com 2,0 A.
✅ D) Elevar a tensão para 1000 V, mantendo a potência. Correto: a corrente cai para 2,0 A e a perda é 4,0 × 2,0² = 16 W.
❌ E) Reduzir a resistência para 2,0 Ω, mantendo 10 A. Incorreto: a perda seria 200 W, ainda superior a 16 W.
3. Vantagem de uma tensão maior na distribuição
Uma comunidade isolada testou soluções para alimentar uma carga de 10 kW usando o mesmo cabo, cuja resistência no trecho é 1 Ω. A 48 V em corrente contínua, a corrente foi aproximadamente 208 A e as perdas por efeito Joule, 43,264 kW. A 230 V em corrente alternada, a corrente foi aproximadamente 43,5 A e as perdas, 1,892 kW. Qual é a principal vantagem observada na solução de 230 V?
❌ A) Necessidade de cabos com maior seção transversal. Incorreto: os dados indicam corrente menor; não apontam necessidade de aumentar a seção.
✅ B) Redução da corrente elétrica exigida pelo sistema. Correto: a corrente cai de cerca de 208 A para 43,5 A, reduzindo as perdas, que dependem de I²R.
❌ C) Eliminação total das perdas por efeito Joule. Incorreto: as perdas diminuem, mas não desaparecem; o valor informado ainda é diferente de zero.
❌ D) Compatibilidade apenas com cargas de baixa potência. Incorreto: o sistema alimentou a carga indicada de 10 kW.
❌ E) Aumento da resistividade do cabo. Incorreto: a resistividade é propriedade do material e não aumenta por se aplicar outra tensão.
4. Eficiência elétrica de um painel fotovoltaico
Um painel fotovoltaico fornece potência de saída de 200 W sob irradiância de 800 W/m² incidente sobre uma área de 1,5 m². Calcule a eficiência elétrica η = Pout/(I·A) e expresse o resultado em porcentagem.
❌ A) 30%. Incorreto: a potência incidente é 800 × 1,5 = 1200 W; a razão 200/1200 não chega a 30%.
❌ B) 50%. Incorreto: não corresponde à razão entre a potência de saída e a potência incidente.
✅ C) Aproximadamente 16,7%. Correto: Pin = 800 × 1,5 = 1200 W; η = 200/1200 ≈ 0,1667, ou 16,7%.
❌ D) 10%. Incorreto: resulta de um cálculo inadequado da razão e não dos dados apresentados.
❌ E) 25%. Incorreto: não se obtém esse valor dividindo a potência útil pela potência incidente calculada.
5. Perda por efeito Joule em uma linha
Uma linha conduz potência de 80,0 kW sob tensão de 11,0 kV. Sua resistência total é 0,50 Ω. Calcule a perda por efeito Joule usando Ploss = I²R e I = P/V, com potência em watts e tensão em volts.
❌ A) 50 W, usando 10 A. Incorreto: 10 A não é a corrente calculada a partir de 80 000 W e 11 000 V.
✅ B) Aproximadamente 26,5 W. Correto: I = 80 000/11 000 ≈ 7,273 A; então Ploss = 7,273² × 0,50 ≈ 26,5 W.
❌ C) 32 W, usando 8 A. Incorreto: a corrente não é 8 A, mas aproximadamente 7,273 A.
❌ D) 40 000 W. Incorreto: multiplica a potência diretamente pela resistência, sem calcular a corrente nem aplicar I²R.
❌ E) 3636,36 W. Incorreto: usa I·R como se fosse a expressão da potência dissipada; é preciso elevar a corrente ao quadrado.
6. Quantidade de painéis para suprir o consumo diário
Uma residência consome 18 kWh por dia. Cada painel fotovoltaico tem potência de 300 Wp, a insolação média é de 5 h por dia e a eficiência combinada do sistema é 72%. Use Epainel = Ppainel·t·η. Quantos painéis são necessários? Arredonde para cima.
❌ A) 25 painéis. Incorreto: esse resultado pode vir de uma eficiência diferente; com 72%, cada painel gera 1080 Wh no cálculo indicado.
❌ B) 12 painéis. Incorreto: ignora a eficiência e considera 1500 Wh por painel.
❌ C) 14 painéis. Incorreto: não corresponde aos dados; por exemplo, não se deve substituir as 5 horas informadas por 6.
✅ D) 17 painéis. Correto: 18 kWh = 18 000 Wh; cada painel fornece 300 × 5 × 0,72 = 1080 Wh. A divisão resulta em cerca de 16,67, que se arredonda para cima.
❌ E) 16 painéis. Incorreto: arredondar para baixo deixa a produção calculada abaixo do consumo diário.
7. Velocidade inicial em um salto
Um dançarino eleva o centro de massa em 0,40 m. Considerando g = 10 m/s² e a conversão integral da energia cinética inicial em energia potencial gravitacional máxima, calcule a velocidade vertical inicial. Use Ecinicial = mv₀²/2 = mgh.
❌ A) 0,25 m/s. Incorreto: não satisfaz a relação entre a energia cinética inicial e a energia potencial correspondente à altura indicada.
❌ B) 3,0 m/s. Incorreto: não resulta do isolamento correto de v₀ na equação apresentada.
❌ C) 1,2 m/s. Incorreto: é baixo demais para corresponder à altura de 0,40 m sob g = 10 m/s².
❌ D) 4,0 m/s. Incorreto: corresponde a uma velocidade maior que a calculada com os dados do enunciado.
8. Trabalho e potência média no movimento vertical
Durante um chute controlado, uma coxa de massa 4,5 kg eleva-se verticalmente 0,30 m em 0,20 s. Use g = 10 m/s². Calcule o trabalho W = mgΔh e a potência média P = W/Δt.
❌ A) W = 13,17 J, usando g = 9,8 m/s². Incorreto: o enunciado determina o uso de g = 10 m/s².
❌ B) P = 2,7 W. Incorreto: multiplica o trabalho pelo tempo, mas a potência média é trabalho dividido pelo intervalo de tempo.
✅ C) W = 13,5 J e P = 67,5 W. Correto: W = 4,5 × 10 × 0,30 = 13,5 J; P = 13,5/0,20 = 67,5 W.
❌ D) P = 135 W. Incorreto: multiplica o trabalho por g, relação que não representa a potência média.
❌ E) W = 6,75 J. Incorreto: usa metade da altura fornecida, 0,15 m, em vez de 0,30 m.
Fechamento: transforme a revisão em avaliação
Você pode aplicar os itens em blocos: primeiro transmissão e efeito Joule, depois eficiência e energia mecânica. Para ampliar a sequência, consulte também as questões da habilidade EM13CNT106. Se quiser montar uma avaliação com itens adequados ao conteúdo da sua turma, experimente o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
Adapte a seleção e o nível de apoio ao que sua turma já estudou. As questões são um ponto de partida para discutir conceitos, analisar procedimentos e preparar sua próxima aula.
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