Atividades de A emergência do fascismo e do nazismo para o 9º ano com gabarito
Reúna questões com gabarito comentado para trabalhar fascismo e nazismo no 9º ano. O material aborda propaganda, autoritarismo, ascensão de Hitler e antecedentes da Segunda Guerra Mundial.
Quando ensino a emergência do fascismo e do nazismo no 9º ano, procuro evitar que o tema vire apenas uma sequência de nomes, datas e definições. Em sala, ajuda muito construir relações: o que aconteceu depois da Primeira Guerra, como a crise política favoreceu projetos autoritários e de que modo esses regimes tentaram controlar a sociedade.
Também gosto de trabalhar com fontes e situações concretas, como propaganda estatal, organizações juvenis e mudanças institucionais na Alemanha. As questões abaixo permitem retomar conceitos e identificar confusões comuns. Há, porém, uma questão sobre o Sacro Império Romano-Germânico que não corresponde ao tema; deixo esse desalinhamento sinalizado para você decidir se deve usá-la em outro conteúdo.
O que o aluno de 9º ano precisa saber sobre A emergência do fascismo e do nazismo
Para compreender a emergência do fascismo e do nazismo, o estudante precisa relacionar o período entre guerras às crises políticas, econômicas e sociais que afetaram a Europa após a Primeira Guerra Mundial. Na Alemanha, as condições impostas pelo Tratado de Versalhes alimentaram ressentimentos e descontentamento, em um contexto de instabilidade. O nazismo e o fascismo defenderam nacionalismo, liderança autoritária e subordinação da vida política a um projeto de poder centralizado, em oposição ao pluralismo democrático. Na Alemanha, a nomeação de Adolf Hitler como chanceler, em 1933, foi seguida por medidas de repressão e pela concentração de poderes, incluindo o uso do incêndio do Reichstag para justificar a suspensão de direitos e a aprovação da Lei de Plenos Poderes. A propaganda estatal e as organizações juvenis ajudaram a difundir a ideologia oficial e a ampliar o controle social. Na década de 1930, a remilitarização da Renânia mostrou a revisão das restrições do pós-guerra e a hesitação de França e Reino Unido em responder militarmente.
O que ele precisa saber antes
Antes de avançar, vale conferir se a turma compreende alguns conceitos que aparecem diretamente nas questões: diferenças entre democracia e totalitarismo; direitos humanos e liberdade de expressão; propaganda e controle da informação; e consequências da Primeira Guerra Mundial, especialmente o Tratado de Versalhes. Para interpretar a sequência alemã, é importante situar a nomeação de Hitler em 1933, o incêndio do Reichstag e a Lei de Plenos Poderes. A remilitarização da Renânia também fica mais clara quando os estudantes conhecem as restrições impostas à Alemanha no pós-guerra e entendem o sentido da política de apaziguamento.
Uma retomada breve desses conhecimentos evita que a resolução dependa apenas de decorar uma alternativa. No caso da questão sobre propaganda, por exemplo, o aluno precisa perceber a diferença entre uma mensagem oficial que seleciona informações e um espaço de imprensa independente. Nas questões sobre juventude, deve reconhecer que organizações criadas por regimes totalitários não eram equivalentes a associações democráticas ou cursos profissionais.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente previsto nas questões é confundir organizações juvenis totalitárias com espaços de pluralidade política ou iniciativas voltadas principalmente à formação profissional. O distrator mais provável nessa questão descreve um ambiente democrático de debate. Para desfazer a confusão, peço que os alunos observem quem controla a organização, quais valores ela transmite e a que projeto político serve. A doutrinação e a formação de lealdade ao regime são diferentes de participação plural.
Outra confusão é tratar democracia e totalitarismo como sistemas com o mesmo nível de liberdade. A alternativa que afirma que ambos garantem liberdade de expressão pode parecer razoável se o aluno se fixa apenas na existência formal de instituições. É importante comparar o funcionamento efetivo do poder: regimes totalitários restringem direitos, reprimem oposição e ampliam o controle da sociedade.
Na leitura de propaganda, pode ocorrer o erro de tomar uma peça oficial como informe neutro ou jornalismo independente. A questão sobre o DIP evidencia como a escolha de símbolos nacionais e a centralidade do governante, junto à omissão de conflitos, ajudam a produzir uma imagem favorável do governo. Já na questão sobre AIB e Estado Novo, o cuidado é não confundir convergência autoritária com identidade completa entre os projetos: havia aproximações, mas o Estado Novo proibiu a própria AIB.
Por fim, a questão sobre o Tratado de Versalhes pede atenção à relação entre o pós-guerra e o descontentamento alemão. A alternativa “paz e prosperidade” inverte o contexto apresentado: a ascensão do nazismo se relaciona a dificuldades, ressentimentos e instabilidade, não a um cenário de prosperidade. A questão sobre Baden-Baden, por sua vez, não avalia fascismo ou nazismo; seu distrator sobre Estado-nação centralizado pertence a outro recorte histórico e não deve ser usado como evidência de aprendizagem deste tema.
Como trabalhar em sala
- Monte uma linha do tempo enxuta: registre o fim da Primeira Guerra, o Tratado de Versalhes, a nomeação de Hitler em 1933, as medidas de concentração de poder e a remilitarização da Renânia. Convide a turma a explicar relações entre os acontecimentos, em vez de apenas copiar datas.
- Compare democracia e totalitarismo: no quadro, organize diferenças em torno de direitos, liberdade de expressão, oposição e controle estatal. Peça que os estudantes justifiquem cada característica com base no conteúdo estudado.
- Leia propaganda como fonte: use a descrição do cartaz sobre Vargas e o DIP como exercício de observação. Pergunte o que é destacado, o que não aparece e que imagem do governo a composição procura construir. Explique que a descrição é elaborada para fins didáticos.
- Faça uma comparação de projetos: retome o texto sobre a AIB e o Estado Novo. Peça que a turma separe convergências e diferenças e destaque a informação decisiva de que o Estado Novo proibiu a AIB.
- Feche com justificativa individual: após responder às questões, cada estudante explica por escrito por que uma alternativa errada parece plausível e qual informação do enunciado permite descartá-la. Essa prática ajuda a revelar o raciocínio, não apenas a letra escolhida.
Questões prontas de A emergência do fascismo e do nazismo para o 9º ano (com gabarito comentado)
As questões a seguir podem servir como revisão, atividade diagnóstica ou parte de uma avaliação. Em cada item, mantenha a atenção no enunciado e peça que a turma justifique as escolhas com evidências do texto.
1. Organizações juvenis em regimes totalitários
Referindo-se às décadas de 1920–1940 (1920–1945), indique uma função social desempenhada pelas organizações juvenis criadas por regimes totalitários europeus e explique uma consequência política dessa prática até o início da Segunda Guerra Mundial (1939–1945).
- ❌ A) Guiavam jovens exclusivamente para carreiras científicas e acadêmicas não-militares. O foco era formação ideológica, disciplina e preparação política ou militar, não uma orientação acadêmica exclusiva.
- ❌ B) Eram criadas como espaços de pluralidade política e debate democrático juvenil. Eram controladas pelo partido e não promoviam pluralidade democrática.
- ❌ C) Serviam para promover o cosmopolitismo e intercâmbio cultural entre países rivais. A proposta se relacionava ao nacionalismo e à mobilização, não ao intercâmbio cosmopolita com rivais.
- ✅ D) Instrumento de doutrinação e formação de lealdade; consequência: homogeneização social e fortalecimento do partido no poder, ampliando o controle político e a capacidade de mobilização (1920s–1945). Organizações como a Hitlerjugend e a Opera Nazionale Balilla difundiam valores do regime e formavam lealdade política, contribuindo para ampliar o controle e a mobilização.
- ❌ E) Principal objetivo era aumentar a produtividade industrial jovem, treinando-os para trabalho fabril. Essa alternativa reduz a função dessas organizações à formação fabril e ignora a doutrinação e a mobilização política.
2. Poder e liberdade em democracia e totalitarismo
Em um artigo sobre regimes políticos, analise a relação entre poder e liberdade em uma democracia e um regime totalitário. Quais são as principais diferenças?
- ❌ A) Ambos garantem a liberdade de expressão. Em regimes totalitários, a liberdade de expressão é restrita.
- ❌ B) A democracia tem controle do governo sobre ações individuais. A alternativa atribui à democracia uma característica de controle que contrasta com a liberdade individual.
- ❌ C) O totalitarismo promove a participação popular. A participação é limitada e controlada em regimes totalitários.
- ✅ D) A democracia valoriza os direitos humanos. O respeito aos direitos humanos é um princípio democrático, em contraste com a repressão e a restrição de direitos próprias do totalitarismo.
- ❌ E) Ambos os regimes têm o mesmo nível de controle sobre a sociedade. O totalitarismo busca exercer controle muito mais amplo sobre a sociedade.
3. Propaganda estatal e imagem do governo Vargas
Descrição de cartaz de propaganda estatal, elaborada para fins didáticos a partir de recursos visuais usados no Estado Novo: no centro, Getúlio Vargas aparece diante de um mapa do Brasil; ao redor, bandeiras e símbolos nacionais ocupam grande espaço. Não há referências a conflitos políticos, censura ou grupos de oposição. Materiais desse tipo eram divulgados pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão do governo criado para controlar e difundir informações oficiais. Com base na composição do cartaz e na atuação do DIP, qual estratégia de construção da imagem do governo Vargas está representada?
- ❌ A) A reunião de opiniões diversas, para que a população definisse livremente a imagem governamental. A descrição mostra a visão oficial, não a reunião de perspectivas plurais.
- ✅ B) A seleção de mensagens para apresentar o governo como promotor da unidade nacional, sem expor críticas ou conflitos. A figura do governante e os símbolos nacionais são valorizados, enquanto conflitos e oposição ficam de fora; isso constrói uma imagem favorável do governo.
- ❌ C) A divulgação neutra de decisões públicas, sem intenção de influenciar a avaliação do governo. A centralidade do líder e a seleção dos elementos visuais indicam intenção de orientar a percepção da população.
- ❌ D) A reação a críticas já difundidas, que teria levado o DIP a apresentar uma imagem neutra do governo. O texto não aponta essa motivação nem descreve uma comunicação neutra.
- ❌ E) A produção de notícias independentes, com verificação de fontes e espaço para críticas ao governo. O DIP era um órgão governamental de controle e difusão de informações oficiais, não uma imprensa independente.
4. A AIB e o Estado Novo
Em 1932, a Ação Integralista Brasileira (AIB) defendia a substituição da disputa entre partidos por uma organização política centralizada, com representação corporativa e valorização de princípios como “Deus, Pátria e Família”. Em 1937, o Estado Novo fechou o Congresso, fortaleceu o Poder Executivo e proibiu os partidos políticos, inclusive a AIB. No ano seguinte, uma tentativa de levante integralista contra o governo foi reprimida. Com base nas informações, qual interpretação compara adequadamente o projeto integralista e o projeto político do Estado Novo?
- ❌ A) O Estado Novo realizou integralmente o programa integralista, pois ambos defendiam uma organização política autoritária e centralizada. A aproximação autoritária não significa que o Estado Novo tenha adotado integralmente o programa da AIB: proibiu a organização.
- ✅ B) Embora convergissem na crítica ao pluralismo partidário e na defesa da centralização, o Estado Novo não adotou o programa integralista, pois proibiu a AIB e concentrou o poder no Executivo. A alternativa reconhece tanto a convergência quanto a diferença indicada no texto.
- ❌ C) A AIB defendia a manutenção de diversos partidos, enquanto o Estado Novo proibiu todos os partidos políticos. A AIB defendia substituir a disputa entre partidos por uma organização centralizada, não manter diversos partidos.
- ❌ D) As diferenças entre a AIB e o Estado Novo eram apenas religiosas, pois ambos preservaram a mesma organização partidária. O Estado Novo proibiu os partidos, inclusive a AIB, portanto não preservou a mesma organização.
- ❌ E) A proibição dos partidos pelo Estado Novo ocorreu para permitir que a AIB concentrasse a representação política nacional. O texto afirma que a AIB também foi proibida, então não cabe dizer que a medida lhe entregou a representação nacional.
5. Atenção ao alinhamento: a fragmentação do Sacro Império
Nota para o professor: este item está entre as questões fornecidas, mas trata da organização política do Sacro Império Romano-Germânico e não da emergência do fascismo e do nazismo. Para manter o foco da atividade, recomendo aplicá-lo em outro conteúdo, não contabilizá-lo como avaliação de EF09HI13 neste tema. Enunciado: Em uma exposição escolar sobre a Europa do fim da Idade Média, uma turma encontrou um mapa histórico que destaca a Marca de Baden-Baden. A imagem mostra um território pequeno, recortado e cercado por várias outras jurisdições, com cidades e rotas importantes indicadas no entorno. O guia da mostra explica que Baden-Baden surgiu por desagregação de uma marca maior e permaneceu como Estado vassalo dentro do Sacro Império Romano-Germânico. Ao comparar a explicação com o mapa, os estudantes perceberam que, naquele império, o poder não se organizava como um país único e contínuo, mas como uma rede de domínios com obrigações políticas e militares, governados por nobres locais. Analise o texto-base e a configuração territorial apresentada no mapa e identifique o aspecto da organização política do Sacro Império Romano-Germânico que essa marca vassala ajuda a lembrar.
- ❌ A) Relacionar o recorte do mapa à formação de um Estado-nação unificado, com fronteiras estáveis e governo único. O texto descreve várias jurisdições vassalas, não um território nacional unificado.
- ❌ B) Relacionar o recorte do mapa à divisão administrativa moderna definida por um governo central para facilitar a burocracia. A marca é apresentada como domínio nobre ou vassalo, não como província de um Estado moderno.
- ❌ C) Relacionar o recorte do mapa à centralização do poder do imperador sobre um território contínuo e padronizado. A descrição aponta um mosaico de domínios, não a centralização uniforme.
- ❌ D) Relacionar o recorte do mapa à expansão colonial ultramarina como base principal do poder político dos margraves. O texto trata de domínios internos do império, não de colonização ultramarina.
- ✅ E) Relacionar o recorte do mapa à fragmentação do poder em principados e marcas vassalas, com grande autonomia local. Essa interpretação corresponde à estrutura descentralizada descrita no texto.
6. A nomeação de Hitler como chanceler
Em 30 de janeiro de 1933 Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha. Indique a consequência institucional imediata desse evento no biênio 1933–1934.
- ❌ A) Hitler foi eleito presidente da Alemanha em 1933, instaurando uma democracia direta. Ele foi nomeado chanceler, não eleito presidente, e os acontecimentos seguintes foram autoritários.
- ❌ B) O evento culminou na criação de um parlamento forte e independente na Alemanha, fortalecendo a democracia. O processo levou à repressão e à concentração de poder, não ao fortalecimento de um parlamento independente.
- ❌ C) Houve um acordo de paz assinado em 1933 que resolveu crises políticas na Alemanha. A alternativa não corresponde aos acontecimentos descritos para esse período.
- ❌ D) O incêndio do Reichstag resultou no fortalecimento de partidos de esquerda na Alemanha. O incêndio foi usado para justificar repressão, não para fortalecer partidos de esquerda.
- ✅ E) Nomeação em 30/01/1933 levou à repressão: Decreto do Incêndio do Reichstag e, em março/1933, à Lei de Plenos Poderes, instaurando governo autoritário. O incêndio foi usado para suspender direitos civis e a Lei de Plenos Poderes ampliou a capacidade de governar sem as barreiras legais anteriores.
7. A remilitarização da Renânia
A remilitarização da Renânia (março de 1936) foi um passo decisivo pela Alemanha nazista. Indique uma consequência política imediata para França e Reino Unido e a causa alemã apontada para essa ação (1935–1936).
- ❌ A) Alemanha agiu para expandir suas colônias no continente africano. A ação ocorreu na Europa e relacionava-se à revisão das restrições do pós-guerra, não à expansão colonial africana.
- ✅ B) Ação reforçou a política de apaziguamento e hesitação em responder militarmente; causada pela intenção alemã de violar e revisar limites do Tratado de Versalhes para recuperar segurança estratégica. A resposta hesitante de França e Reino Unido permitiu à Alemanha testar a reação ocidental e alterar o equilíbrio europeu.
- ❌ C) A Alemanha pretendia integrar a Renânia ao Reino Unido. A remilitarização não tinha como objetivo integrar a região ao território britânico.
- ❌ D) França e Reino Unido declararam guerra imediata a Alemanha. Os dois países hesitaram em responder militarmente naquele momento.
- ❌ E) Reforço das alianças militares entre França e Itália contra a Alemanha. A questão aponta uma resposta de apaziguamento e hesitação, não a formação dessa aliança como consequência imediata.
8. Uma causa da ascensão do nazismo
Qual foi uma das principais causas da ascensão do nazismo na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial?
- ❌ A) Paz e prosperidade. A Alemanha enfrentou dificuldades econômicas e sociais; a alternativa não corresponde a esse contexto.
- ❌ B) Reformas sociais. A explicação central desta questão é o descontentamento e a instabilidade do pós-guerra, não reformas sociais como causa principal.
- ✅ C) Tratado de Versalhes. As condições impostas pelo tratado, incluindo pesadas obrigações e o sentimento de humilhação, alimentaram o descontentamento na Alemanha.
- ❌ D) Alianças políticas. O contexto foi marcado por instabilidade e divisões, não por alianças políticas como causa principal apresentada no item.
- ❌ E) Cultura pacifista. A alternativa não representa o cenário de ressentimento associado ao pós-guerra e ao Tratado de Versalhes.
Próximos passos
Depois da correção, vale retomar as justificativas que mais geraram dúvida e separar o que é causa, característica e consequência dos regimes autoritários. Consulte também as questões da habilidade EF09HI13 para ampliar a seleção e montar uma sequência coerente com sua turma. Se quiser organizar novos itens a partir do conteúdo trabalhado, experimente o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
Use as questões como ponto de partida e ajuste a aplicação ao percurso da sua turma. O GeraProva ajuda você a preparar atividades e avaliações com mais praticidade, sem substituir seu olhar de professor.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
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