Um gráfico de barras elaborado com dados do Censo Demográfico 2022 apresenta a condição de ocupação dos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Um gráfico de barras elaborado com dados do Censo Demográfico 2022 apresenta a condição de ocupação dos domicílios particulares permanentes no Brasil. As barras indicam 72,7% de domicílios próprios já quitados, 3,0% próprios ainda em aquisição, 20,9% alugados e 3,4% cedidos ou em outra condição. O levantamento informa a forma de ocupação, mas não mede por quanto tempo cada morador permanece no mesmo endereço. Na reflexão sobre a sociedade do cansaço, Byung-Chul Han associa a aceleração das exigências de desempenho à dificuldade de sustentar atenção, pausas e relações que amadureçam no tempo. Assim, a sucessão intensa de tarefas e mudanças pode transformar vivências em episódios isolados, sem que sejam elaborados coletivamente. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: Características dos domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/. Acesso em: 8 mar. 2025. Em uma cidade, o cenário I reúne moradores de um conjunto habitacional que permanecem por anos na mesma região e realizam encontros periódicos para organizar cuidados com crianças, deslocamentos e uso dos espaços comuns. No cenário II, moradores de quartos e apartamentos alugados mudam de endereço com frequência, organizam a vida por aplicativos e mantêm contatos breves, interrompidos pelas mudanças sucessivas de moradia e trabalho. Com base no texto, analise como a comparação entre os cenários permite compreender a relação entre aceleração social e construção de experiências duradouras na sociedade do cansaço.
- A) O cenário II tende a conservar experiências duradouras porque os aplicativos permitem manter contatos apesar das mudanças de moradia e trabalho, substituindo os encontros presenciais por interações contínuas. No cenário I, a proximidade territorial favorece a organização de atividades comuns, mas não assegura que as vivências sejam elaboradas coletivamente ou que os vínculos amadureçam. A comparação sugere que, na sociedade do cansaço, a continuidade depende principalmente da disponibilidade de meios digitais para acompanhar as relações, enquanto a permanência na mesma região tem papel secundário na formação de memória compartilhada.
- B) A comparação indica que os dois cenários podem produzir experiências igualmente fragmentadas, pois tanto a organização periódica de tarefas comuns quanto as mudanças de moradia exigem adaptação e ocupam o tempo dos moradores. A permanência territorial no cenário I favorece encontros, mas não permite concluir que haja mais confiança ou elaboração coletiva; no cenário II, os contatos breves tampouco demonstram, por si, que os vínculos sejam menos significativos. A sociedade do cansaço, nessa leitura, decorre das exigências de desempenho presentes em ambos os contextos, sem relação particular com a continuidade das interações ou com o tempo compartilhado.
- C) O cenário I tende a assegurar experiências duradouras porque a permanência dos moradores na mesma região protege a vida coletiva das exigências de desempenho e da aceleração social. No cenário II, as mudanças sucessivas dificultam a construção de memória compartilhada, mas essa diferença decorre da duração da moradia, e não da articulação entre tarefas, atenção e tempo de elaboração das vivências. Assim, a comparação permite compreender que a estabilidade residencial é suficiente para conter os efeitos da sociedade do cansaço, enquanto encontros periódicos e acompanhamento mútuo têm importância complementar para a formação dos vínculos.
- D) O cenário II tende a dificultar a formação de experiências duradouras porque a sucessão de mudanças de moradia, tarefas e contatos fragmenta a continuidade dos vínculos e reduz o tempo de elaboração coletiva das vivências. No cenário I, a permanência territorial articulada a encontros regulares favorece memória compartilhada, confiança e acompanhamento mútuo. Os dados do Censo mostram que o aluguel corresponde a uma parcela relevante das formas de ocupação, mas não permitem concluir, por si mesmos, que todos os moradores alugados se mudam frequentemente ou vivenciam maior cansaço; essa interpretação depende da articulação com as condições concretas descritas.
- E) O cenário II tende a favorecer experiências duradouras porque a mudança frequente de moradia e trabalho aproxima os moradores de diferentes pessoas e situações, ampliando as oportunidades de estabelecer vínculos. No cenário I, a permanência territorial e os encontros regulares podem restringir a convivência a um grupo conhecido, reduzindo a diversidade das experiências compartilhadas. A aceleração social, nessa comparação, aparece como possibilidade de renovar as relações e construir repertórios comuns em novos contextos, enquanto a continuidade depende da circulação entre ambientes, e não do tempo de elaboração coletiva das vivências.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto relaciona aceleração social e exigências de desempenho à dificuldade de sustentar atenção, pausas e relações construídas ao longo do tempo. Passo 2: No cenário II, mudanças frequentes e contatos breves interrompem a continuidade dos vínculos e dificultam elaborar vivências coletivamente. No cenário I, permanência na região e encontros periódicos favorecem acompanhamento mútuo e memória compartilhada. Passo 3: A alternativa D faz essa comparação sem generalizar os dados censitários: o percentual de domicílios alugados não prova que seus moradores mudem frequentemente; essa característica está especificada apenas no cenário II. A alternativa A privilegia os meios digitais como se substituíssem a continuidade e a elaboração coletiva. B desconsidera a relação entre continuidade das interações e experiências duradouras. C trata a estabilidade residencial como suficiente para proteger da aceleração e do cansaço. E interpreta a circulação e a mudança como fatores que, por si, favoreceriam vínculos duradouros, contrariando o texto.
💡 Dica: Relacione a continuidade dos vínculos à aceleração e ao tempo de elaboração, sem generalizar os dados do Censo.
Alternativa por alternativa
Supõe que aplicativos e contatos digitais substituem a continuidade das relações e a elaboração coletiva das vivências, embora o cenário II descreva contatos breves e interrompidos.
Trata os dois cenários como igualmente fragmentados e desconsidera que encontros regulares e tempo compartilhado podem favorecer vínculos e experiências duradouras.
Confunde permanência residencial com proteção suficiente contra a aceleração social, embora o texto destaque também atenção, pausas e elaboração das vivências.
A análise correta relaciona a aceleração à fragmentação temporal dos vínculos, sem transformar a condição de aluguel em prova automática de instabilidade ou cansaço. A continuidade das interações no cenário I favorece experiências elaboradas coletivamente.
Supõe que a circulação e a diversidade de contatos produzidas pelas mudanças garantem vínculos duradouros, ignorando a fragmentação e as interrupções descritas no cenário II.
Raio-X da questão
Aceleração social e fragmentação das experiências duradouras.
avaliacao
Conceito de aceleração social em Byung-Chul Han. · Leitura crítica de dados censitários e limites de inferência.
Sociedade do cansaço e elaboração coletiva das vivências.
Tomar a condição de aluguel como prova de mudança frequente ou atribuir estabilidade coletiva apenas à permanência residencial.
Trabalho, vida comunitária e qualidade de vida.
Escuta e cooperação na construção de vínculos comunitários.
cotidiano
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