O leitor encontra, neste belo número da Revista Katálysis, um panorama rico, denso e qualificado do que vem…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
O leitor encontra, neste belo número da Revista Katálysis, um panorama rico, denso e qualificado do que vem ocorrendo no mundo do trabalho hoje, com seus traços de “continuidade” e “descontinuidade”, num período em que o capitalismo aprofundou ainda mais as penalizações que está impondo ao universo laborativo, onde o “novo” e o “velho” se (re)configuram a partir da nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT), que se reestruturou nas últimas décadas. [...] Se a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, legou-nos um enorme processo de “desantropomorfização do trabalho” (Lukács); se o século XX pode ser caracterizado pelo que Braverman definiu como sendo a “era da degradação do trabalho”, as últimas décadas do século passado e os inícios do atual vêm presenciando a generalização de “outras formas e modalidades de precarização”, [...] aquela responsável pela geração do cybertariado (Ursula Huws), uma nova força de trabalho global que mescla intensamente “informatização” com “informalização”.[...] As consequências são fortes: nesta fase de desmanche, estamos presenciando o derretimento dos poucos laços de sociabilidade, [...] sem presenciarmos uma ampliação da vida dotada de sentido, nem “dentro” e nem “fora” do trabalho. A vida se consolida, cada vez mais, como sendo desprovida de sentido no trabalho e, por outro lado, estranhada e fetichizada* também “fora” do trabalho, exaurindo-se no mundo sublimado do consumo (virtual ou real), ou na labuta incansável pelas qualificações de todo tipo, que são incentivadas como antídoto [...] para não perder o emprego daqueles que o têm. É por isso que estamos presenciando uma desconstrução sem precedentes do trabalho em toda a era moderna, ampliando os diversos modos de ser da precarização e do desemprego estrutural. Resta para a “classe-que-vive-do-trabalho” oscilar, ao modo dos pêndulos, entre a busca de qualquer “labor” e a vivência do desemprego. Este número especial da Revista Katálysis, dedicado às novas configurações do trabalho na sociedade capitalista, é uma contribuição efetiva para a linhagem crítica, atualizada e original, tanto pelos temas selecionados, quanto pela qualidade e competência dos colaboradores presentes, ajudando a descortinar tantos elementos que configuram a “nova morfologia do trabalho”, seus dilemas e desafios. Ricardo Antunes, Editorial da Revista Katálysis, n.2, 2009. *fetichizar: ação de admirar exageradamente, irrestritamente, incondicionalmente uma pessoa ou coisa. Os termos destacados no texto são exemplos de paronomásia, figura sonora definida, segundo o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, como “figura de linguagem que extrai expressividade da combinação de palavras que apresentam semelhança fônica, mas possuem sentidos diferentes”. Assinale a alternativa em que o autor também utilizou a paronomásia na construção de seus versos. (FATEC 2020)
- A) Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse (Manuel Bandeira)
- B) No azul do céu de metileno A lua irônica Diurética É uma gravura de sala de jantar. (Carlos Drummond de Andrade)
- C) Não amei bastante meu semelhante, Não catei o verme nem curei a sarna. Só proferi algumas palavras, Melodiosas, tarde, ao voltar da festa. (Carlos Drummond de Andrade)
- D) Antes de tudo, a música preza Portanto, o ímpar. Só cabe usar O que é mais vago e solúvel no ar Sem nada em si que pousa ou pesa. (Paul Verlaine)
- E) E o amor sempre nessa toada: Briga perdoa perdoa briga. Não se deve xingar a vida, A gente vive, depois esquece. Só o amor volta para brigar, Para perdoar, Amor cachorro bandido trem. (Carlos Drummond de Andrade)
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto-base define paronomasia como a combinacao de palavras de semelhanca fonica com sentidos diferentes (exemplos: 'desmanche', 'derretimento', 'desantropomorfizacao' e termos semelhantes no texto).
- Procure, em cada alternativa, duas palavras que soem parecidas e tenham sentidos diferentes.
- Na alternativa D, 'preza' e 'pesa' tem sonoridade muito proxima e sentidos distintos (apreciar versus ter peso), alem de 'pousa' e 'pesa' ocorrerem em rima interna. Essa e a paronomasia.
- A alternativa A apresenta repeticao de 'tosse', recurso de intensificacao, nao paronomasia.
- A alternativa B traz termos quimicos e adjetivos com sons proximos, mas sem a oposicao de sentido caracteristica da paronomasia.
- A alternativa C usa paralelismo ('Nao amei', 'Nao catei'), que e construcao sintatica, nao sonora.
- A alternativa E explora repeticao e rimas ('briga perdoa'), recursos de ritmo, mas nao a combinacao de palavras foneticamente proximas e de sentidos diferentes.
- Conclusao: a resposta correta e a alternativa D.
💡 Dica: Localize pares de palavras com sons parecidos e sentidos diferentes; em D, 'preza' e 'pesa' comparecem em versos vizinhos.
Alternativa por alternativa
O aluno toma a repeticao insistente de 'tosse' como paronomasia, confundindo repeticao com aproximacao sonora de palavras diferentes.
O aluno associa a presenca de palavras tecnicas e incomuns a um jogo sonoro, sem verificar se ha semelhanca fonica entre termos de sentido distinto.
O aluno identifica o paralelismo sintatico e a repeticao de 'Nao' como figura sonora, confundindo estrutura sintatica com paronomasia.
CORRETA. 'Preza' e 'pesa' (e 'pousa') sao palavras de sonoridade muito semelhante e sentidos diferentes, exatamente o procedimento definido como paronomasia.
O aluno se deixa levar pelas rimas e repeticoes ('briga perdoa'), supondo que qualquer jogo sonoro seja paronomasia, sem exigir sentidos diferentes para palavras parecidas.
Por que engana: Confundir repeticao ou rima com paronomasia
Raio-X da questão
Paronomasia
avaliacao
Figuras de linguagem · Sonoridade e rima
Figuras sonoras: aliteracao, assonancia, paronomasia
Confundir repeticao ou rima com paronomasia
literario
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