Uma empresa oferece a famílias a recriação, por inteligência artificial, da voz de pessoas falecidas para…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma empresa oferece a famílias a recriação, por inteligência artificial, da voz de pessoas falecidas para produzir mensagens personalizadas. Em um teste com 200 participantes, 150 disseram que ouviriam essas mensagens. Entre 40 projetos analisados, 28 tinham registro de autorização prévia da pessoa falecida para recriar sua voz; nos outros 12, essa autorização não foi localizada. Considerando os dados, qual conclusão é mais adequada para avaliar eticamente a oferta da empresa?
- A) A aceitação dos ouvintes é suficiente para justificar eticamente a recriação da voz, pois demonstra que as mensagens são desejadas por quem as receberá.
- B) A aceitação dos ouvintes indica interesse pelo serviço, mas não comprova a vontade da pessoa falecida; a recriação deve considerar suas autorizações ou orientações prévias sobre o uso da própria voz.
- C) Os registros de autorização encontrados indicam que a empresa pode considerar consentida a recriação da voz em seus projetos, mesmo sem verificar a orientação de cada pessoa falecida.
- D) A decisão das famílias deve prevalecer na avaliação ética, pois cabe a elas escolher se as mensagens personalizadas serão produzidas para os ouvintes interessados.
- E) Quando não se localiza uma autorização prévia, a empresa pode presumir que a pessoa falecida consentiria com a recriação, caso as famílias considerem as mensagens úteis.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Os dados mostram que 150 de 200 participantes ouviriam as mensagens, indicando interesse entre os possíveis ouvintes. Isso não informa, porém, se as pessoas falecidas autorizariam o uso de suas vozes.
- Em 28 dos 40 projetos havia registro de autorização prévia; nos outros 12, ela não foi localizada. A avaliação ética deve considerar as autorizações ou orientações da própria pessoa falecida, sem presumir consentimento pela aceitação dos ouvintes ou pela decisão da família.
- A alternativa B é a mais adequada porque distingue o interesse de quem receberia as mensagens da vontade de quem teria a voz recriada. A alternativa A confunde essas duas vontades; C generaliza autorizações de alguns projetos para os demais; D atribui à família poder de substituir a orientação da pessoa falecida; e E presume consentimento sem evidência.
💡 Dica: Separe o interesse de quem receberá as mensagens da vontade prévia de quem teve a voz recriada.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde a disposição dos ouvintes para receber as mensagens com a autorização da pessoa cuja voz seria recriada. O interesse dos destinatários, sozinho, não demonstra consentimento de quem faleceu.
Por que engana: Tratar a aceitação dos ouvintes ou a decisão da família como substituta do consentimento da pessoa falecida.
A tabela mostra que a aceitação do público e a autorização da pessoa falecida são informações distintas. O interesse dos ouvintes não substitui a consideração da vontade de quem teve a voz recriada.
O aluno generaliza os registros encontrados em 28 projetos como se autorizassem também os outros projetos. A autorização deve ser verificada para cada pessoa cuja voz será recriada.
O aluno entende que a decisão da família basta para autorizar o uso da voz. Isso ignora que a vontade ou as orientações prévias da própria pessoa falecida são relevantes para a avaliação ética.
O aluno trata a falta de registro como se fosse consentimento presumido, apoiando-se na utilidade percebida pela família. A ausência de autorização localizada não comprova que a pessoa consentiria.
Raio-X da questão
Consentimento e autonomia após a morte
avaliacao
Consentimento informado · Distinção entre interesse dos familiares e vontade da pessoa falecida
Ética da inteligência artificial e uso de dados pessoais
Tratar a aceitação dos ouvintes ou a decisão da família como substituta do consentimento da pessoa falecida.
Ética e cidadania digital
Empatia e respeito à autonomia
cientifico
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