Em uma exposição organizada por estudantes, uma instalação ocupa o corredor da escola com carteiras escolares…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma exposição organizada por estudantes, uma instalação ocupa o corredor da escola com carteiras escolares empilhadas, relógios parados e bilhetes anônimos sobre cansaço, cobranças e falta de tempo. Não há explicação única sobre a obra. Alguns visitantes passam rapidamente; outros reorganizam os bilhetes, conversam sobre suas próprias rotinas e questionam por que certos ritmos de vida parecem naturais. Considerando a instalação como uma fonte que constrói uma narrativa sobre os ritmos de vida e a concepção de arte autônoma em Theodor Adorno, a obra pode favorecer reflexão crítica quando
- A) deixa de ser autônoma quando os visitantes reorganizam os bilhetes e relacionam a instalação às próprias experiências cotidianas.
- B) apresenta uma denúncia clara sobre a sobrecarga escolar, orientando os visitantes a reconhecerem a causa dos problemas retratados.
- C) garante uma reação emancipadora dos visitantes, pois o contato com objetos cotidianos reorganizados leva necessariamente ao questionamento das rotinas.
- D) preserva sua autonomia ao evitar referências a experiências sociais concretas, mantendo-se distante das rotinas e das preocupações dos visitantes.
- E) rompe com formas habituais de percepção e leva o público a estranhar rotinas socialmente naturalizadas, abrindo espaço para interpretá-las e questioná-las.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- A questão pede o que favorece a reflexão crítica numa obra que, segundo Adorno, mantém sua autonomia e, ao mesmo tempo, tem força social pela forma. Passo 2: Na instalação, os objetos cotidianos (carteiras, relógios parados, bilhetes sobre cansaço e cobrança) são deslocados do uso habitual, o que obriga o visitante a perceber de outro modo rotinas que costumam parecer naturais. Passo 3: A alternativa E descreve exatamente esse mecanismo: a obra rompe a percepção habitual, faz o público estranhar rotinas socialmente naturalizadas e deixa a interpretação aberta, sem impor uma conclusão. Essa é a leitura adorniana de crítica social mediada pela forma estética. Passo 4: A alternativa A está errada porque relacionar a obra à própria experiência não elimina a autonomia; para Adorno, a autonomia é compatível com a relação social mediada pela forma. Passo 5: A alternativa B está errada porque uma denúncia clara com orientação sobre a causa dos problemas transforma a obra em mensagem pronta, o que Adorno critica como heteronomia. Passo 6: A alternativa C está errada porque usa a palavra necessariamente: a obra pode favorecer a reflexão, mas não garante uma reação emancipadora, pois a recepção depende de cada visitante, como o próprio enunciado mostra ao falar de visitantes que passam rapidamente. Passo 7: A alternativa D está errada porque evitar qualquer referência social não preserva a autonomia de forma crítica; a obra autônoma é socialmente relevante justamente por sua forma, e a distância total das rotinas dos visitantes esvaziaria a crítica. Passo 8: Conclusão: a resposta correta é a E, que é coerente com o gabarito oficial.
💡 Dica: Diferencie possibilidade crítica de efeito garantido.
Alternativa por alternativa
O aluno acha que, ao ser relacionada à vida cotidiana do público, a obra perde sua autonomia e vira apenas um instrumento de uso prático. Não percebe que, para Adorno, a autonomia e a relevância social se articulam pela forma.
O aluno acredita que a crítica eficaz é a que aponta claramente a causa dos problemas e orienta o público a identificá-la. Isso confunde reflexão crítica com mensagem pronta, algo que Adorno rejeita como heteronomia da arte.
O aluno entende que o contato com objetos cotidianos reorganizados produz automaticamente a emancipação do público. Ignora que a recepção é aberta e depende de cada visitante, e não há garantia do efeito.
O aluno supõe que a autonomia exige afastar-se totalmente das preocupações sociais e das experiências concretas. Não percebe que, em Adorno, a autonomia não significa ausência de conteúdo social, mas crítica social realizada pela própria forma.
A reorganização de objetos e experiências cotidianas pode produzir estranhamento, permitindo interpretar e questionar ritmos sociais que costumam parecer naturais.
Raio-X da questão
Autonomia da arte e estranhamento em Adorno.
Relacionar estranham
Indústria cultural em Adorno. · Estranhamento de práticas naturalizadas.
Arte autônoma e crítica social.
Tomar o potencial crítico da arte como transformação automática do público.
Educação e saúde mental.
Reflexão crítica sobre a própria rotina.
Arte e rotina escola
🔎 Resolver outra questão
Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
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