Em uma atividade de curadoria digital sobre memória histórica, estudantes analisaram dois registros sobre um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma atividade de curadoria digital sobre memória histórica, estudantes analisaram dois registros sobre um mesmo campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. No primeiro, um comunicado oficial do governo o descreve como “centro de reassentamento e trabalho”, afirmando que a medida era necessária para a “segurança do Estado”. No segundo, o depoimento de uma pessoa sobrevivente relata superlotação, separação de famílias, fome, trabalho forçado e vigilância armada. A equipe do projeto precisa decidir como apresentar esses materiais ao público sem reproduzir a linguagem de ocultamento da violência. Com base no texto, qual procedimento de análise histórica é o mais adequado para interpretar criticamente os campos de concentração nesse caso e orientar a apresentação pública dos materiais?
- A) Confrontar os dois registros como fontes situadas historicamente, examinando autoria, finalidade e vocabulário, para explicitar que a formulação estatal suaviza e legitima práticas de confinamento, violência e negação de direitos no campo de concentração.
- B) Tomar o relato da pessoa sobrevivente como causa da linguagem moderada do comunicado oficial, entendendo que o Estado passou a empregar termos mais brandos em resposta posterior às denúncias de fome, separação familiar e trabalho forçado descritas no testemunho.
- C) Apresentar os dois materiais de forma equilibrada e sem hierarquização, tratando o comunicado oficial e o depoimento como versões igualmente válidas do acontecimento, para que o público formule sua própria interpretação sem interferência da curadoria.
- D) Concluir, a partir do contraste entre os textos, que todo registro estatal sobre guerra e segurança deve ser descartado da pesquisa histórica, pois documentos produzidos por governos servem apenas para ocultar crimes e nunca contribuem para a interpretação do passado.
- E) Privilegiar o comunicado governamental por ser um documento oficial produzido no momento dos fatos, usando o depoimento apenas como ilustração emocional, já que a fonte estatal oferece maior objetividade para reconstruir historicamente o funcionamento do campo.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A questão pede o procedimento de análise histórica mais adequado para interpretar criticamente um campo de concentração e orientar a apresentação pública de dois registros com visões opostas.
- Resolvendo por conta própria, o caminho metodológico correto é tratar cada registro como fonte situada: identificar quem produziu o texto, com que finalidade e com que vocabulário. O comunicado fala em centro de reassentamento e trabalho e em segurança do Estado, o que mostra uma linguagem de ocultamento. O depoimento descreve superlotação, fome, separação de famílias, trabalho forçado e vigilância armada, o que revela a experiência concreta do confinamento. Confrontar as duas fontes permite explicitar que a formulação estatal suaviza e legitima a violência.
- Comparando com o gabarito oficial, A coincide com a conclusão obtida. Não há discordância.
- Por que as outras estão erradas: B inverte a relação causal, pois não há no texto nenhuma evidência de que o depoimento tenha causado a linguagem do comunicado. C abre mão da análise crítica ao tratar versões que não são equivalentes, já que uma delas oculta violência. D descarta toda documentação estatal, o que impede a pesquisa histórica e ignora que fontes oficiais podem ser criticadas e usadas. E hierarquiza a fonte governamental como objetiva, desconsiderando que ela é justamente a mais suspeita de ocultar a violência, e reduz o depoimento a mera ilustração emocional.
💡 Dica: observe quem fala, com qual interesse e como nomeia a violência
Alternativa por alternativa
Alternativa correta porque mobiliza procedimento central da análise histórica: comparar criticamente fontes distintas, contextualizando produção, interesses e linguagem. Isso permite identificar o uso de eufemismos no discurso oficial e orientar uma apresentação pública que não reproduza o ocultamento da violência.
O aluno supõe uma relação de causa e efeito sem base no texto, imaginando que o depoimento motivou o Estado a suavizar sua linguagem. Ele confunde a cronologia e a causalidade entre as fontes.
O aluno acredita que tratar todas as fontes como igualmente válidas garante neutralidade, ignorando que o comunicado oficial oculta a violência descrita no depoimento. Ele confunde imparcialidade com ausência de crítica histórica.
Por que engana: tratar documento oficial como automaticamente neutro e mais confiável
O aluno entende que, por ser estatal e ocultar crimes, o documento não tem nenhum valor como fonte. Ele reduz a crítica histórica a descarte total, sem perceber que fontes oficiais podem ser analisadas criticamente.
O aluno considera o documento oficial objetivo apenas por ser contemporâneo aos fatos, o que é um senso comum sobre documentos escritos. Ele não percebe que a finalidade do comunicado é justificar o confinamento.
Raio-X da questão
crítica comparativa de fontes
desenvolver crítica
fonte histórica · contextualização histórica
eufemismo e propaganda estatal
tratar documento oficial como automaticamente neutro e mais confiável
Direitos Humanos e memória
empatia histórica
curadoria digital e
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