Em uma cidade marcada por assaltos frequentes e pela sensação de insegurança, parte da população defende que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma cidade marcada por assaltos frequentes e pela sensação de insegurança, parte da população defende que, para evitar conflitos entre interesses individuais, o Estado deve concentrar poder suficiente para impor regras e garantir a paz social, mesmo que as pessoas precisem abrir mão de parte de sua liberdade em troca de proteção. A situação descrita é mais compatível com a defesa de qual filósofo contratualista, considerando a relação entre liberdade, medo e autoridade política?
- A) Maquiavel, porque o governante precisa centralizar forças para preservar o Estado e evitar a desordem provocada pelos conflitos internos.
- B) Rousseau, porque a autoridade política legítima nasce da vontade geral e deve garantir a liberdade coletiva por meio da participação dos cidadãos.
- C) Aristóteles, porque a vida em sociedade depende da autoridade do Estado para corrigir os excessos individuais e assegurar a paz comum.
- D) Hobbes, porque o medo da violência leva os indivíduos a firmar um pacto e entregar autoridade a um poder comum capaz de assegurar a ordem.
- E) Locke, porque a função do Estado é proteger os direitos naturais e manter a convivência política sem retirar dos cidadãos a maior parte de sua liberdade.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve a passagem de uma situação de insegurança e conflito para um poder comum que garante a paz em troca da renúncia parcial à liberdade. Esse é o núcleo do contratualismo de Thomas Hobbes, para quem o medo da violência leva os indivíduos a firmar um pacto. Passo 2: Para Hobbes, sem um poder comum os homens vivem em uma guerra de todos contra todos, e a razão aponta a paz como saída. Por isso, cada indivíduo transfere parte de seus direitos a um soberano capaz de impor a ordem. Passo 3: A alternativa D está correta porque reúne medo, pacto e autoridade comum que assegura a ordem, exatamente os elementos do texto. Passo 4: A alternativa A está errada porque Maquiavel defende a centralização do poder pelo príncipe, mas não fundamenta o Estado em um contrato nem no medo como base do pacto social. Passo 5: A alternativa B está errada porque Rousseau associa a autoridade à vontade geral e à participação, buscando preservar a liberdade, e não sacrificá-la. Passo 6: A alternativa C está errada porque Aristóteles é um pensador clássico que considera o ser humano um animal político por natureza, sem elaborar uma teoria de contrato social. Passo 7: A alternativa E está errada porque Locke defende direitos naturais e limita o poder do governo pelo consentimento dos governados, sem exigir a entrega da maior parte da liberdade. Passo 8: Portanto, o gabarito oficial D está correto e coincide com a resolução feita de forma independente.
💡 Dica: Procure a relação entre medo, paz e poder concentrado.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde a concentração de força defendida por Maquiavel com o fundamento contratualista, achando que defender um governante forte já caracteriza contratualismo.
O aluno associa a proteção coletiva à vontade geral de Rousseau e ignora que, nessa teoria, a liberdade é preservada e não entregue ao poder.
O aluno supõe que qualquer defesa da autoridade do Estado seja contratualista e atribui a Aristóteles uma teoria de pacto social, que ele não formulou.
Responde exatamente à relação entre medo, liberdade e autoridade política presente no texto, associando o contrato social à transferência de poder para impedir o conflito generalizado.
O aluno lê apenas a parte sobre paz e convivência política e ignora a ideia do texto de abrir mão de liberdade, esquecendo que Locke limita o poder estatal e exige consentimento.
Por que engana: Confundir Hobbes com Locke ou Rousseau.
Raio-X da questão
Contrato social em Hobbes.
Distinguir Hobbes de
Contratualismo. · Teorias de Hobbes, Locke e Rousseau.
Soberania e estado de natureza.
Confundir Hobbes com Locke ou Rousseau.
Segurança pública e convivência social.
Discernimento.
Filosofia política.
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