A transmissão ao vivo de um torneio municipal de basquete em cadeira de rodas mostrou lances decisivos e…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A transmissão ao vivo de um torneio municipal de basquete em cadeira de rodas mostrou lances decisivos e entrevistou atletas das duas equipes. Aos jogadores, os repórteres perguntaram sobre mudanças na marcação e administração do tempo. Porém, ao conversar com os atletas em cadeira de rodas, concentraram-se em suas histórias pessoais de recuperação e em como poderiam "inspirar" o público. No intervalo, uma jogadora explicou que a sequência de bloqueios de sua equipe havia criado espaços para os arremessos. A fala foi interrompida para a exibição de imagens sobre sua trajetória fora das quadras. Ao final, a emissora anunciou que ampliará a cobertura de esportes locais. Analise as diferenças no tratamento dado aos atletas pela transmissão e identifique a prática jornalística que enfrenta o estereótipo e a relação de poder evidenciados no texto.
- A) Construir entrevistas que adotem o esporte sem deficiência como medida superior de desempenho.
- B) Construir entrevistas que detalhem limitações corporais como explicação principal de cada lance.
- C) Construir entrevistas conduzidas por familiares, para traduzir a experiência dos atletas.
- D) Construir entrevistas que apresentem atletas como fontes de análise técnica e valorizem suas estratégias de jogo.
- E) Construir entrevistas centradas na superação individual, deixando as estratégias em segundo plano.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto mostra uma diferença de tratamento. Aos jogadores de cadeira de rodas, os repórteres fizeram perguntas pessoais sobre recuperação e inspiração, enquanto aos demais atletas perguntaram sobre marcação e administração do tempo. Além disso, a fala técnica de uma jogadora foi interrompida para exibir imagens de sua vida fora da quadra. Isso revela o estereótipo de que a pessoa com deficiência é fonte de emoção ou exemplo de superação, e não de conhecimento esportivo, além de uma relação de poder em que a emissora decide o que é relevante sobre esses atletas.
- A prática jornalística que enfrenta esse estereótipo é tratar o atleta como fonte de análise técnica, perguntando e registrando suas estratégias de jogo, como fez a jogadora ao explicar a sequência de bloqueios. Isso devolve ao atleta a autoridade sobre o próprio esporte.
- Por que a alternativa D está correta: ela propõe justamente entrevistas em que o atleta analisa o jogo e suas estratégias, reconhecendo competência técnica e não apenas a história pessoal.
- Por que as outras estão erradas: A) coloca o esporte sem deficiência como padrão superior, reforçando a hierarquia que o texto critica. B) reduz cada lance às limitações corporais, o que é justamente o estereótipo denunciado. C) entrega a voz a familiares, tirando do atleta o protagonismo e mantendo a relação de tutela. E) privilegia a superação individual e deixa a estratégia em segundo plano, repetindo o foco emocional que o texto mostra como problema.
💡 Dica: Analise o tratamento diferenciado dado aos atletas e relacione com práticas jornalísticas contra estereótipos.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter interpretado que a referência ao esporte deve ser o padrão de comparação, confundindo a crítica ao estereótipo com uma hierarquia de desempenho entre atletas com e sem deficiência.
O aluno pode ter associado a deficiência à explicação dos resultados, achando que detalhar limitações corporais seria uma forma de tornar a cobertura mais informativa sobre o atleta.
O aluno pode ter entendido que, por ser um tema de inclusão, a melhor solução seria dar voz a terceiros que traduzam a experiência, sem perceber que isso mantém o atleta em posição de tutela.
Ao interromper a análise da jogadora e priorizar sua recuperação, a transmissão a reduz a objeto inspirador. Dar-lhe voz técnica enfrenta esse estereótipo e a assimetria de poder.
O aluno pode ter lido apenas o foco nas histórias de recuperação do texto e concluído que a superação individual é o enfoque correto, sem notar que o texto critica a falta de atenção às estratégias.
Raio-X da questão
estereótipos e práticas jornalísticas
diagnostico
compreensão de estereótipos sociais · noções básicas de jornalismo
Estude sobre estereótipos e ética no jornalismo esportivo.
Confundir o foco da questão e não identificar a prática jornalística que combate estereótipos e relações de poder.
saude
pensamento_critico
cotidiano
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