Por que a água deixou de chegar com regularidade a comunidades rurais situadas sobre um aquífero antes…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que a água deixou de chegar com regularidade a comunidades rurais situadas sobre um aquífero antes considerado abundante? Em um município fictício, o governo estadual autorizou uma engarrafadora a ampliar a captação subterrânea, destacando a geração de empregos e a arrecadação tributária. A empresa afirma respeitar os volumes previstos em sua licença. Nos períodos secos, porém, quatro comunidades passaram a depender semanalmente de caminhões-pipa, enquanto famílias reduziram hortas e a criação de animais. Um estudo local também registrou menor recarga do aquífero, associada ao desmatamento de áreas de nascente e ao aumento das temperaturas. As autorizações foram avaliadas isoladamente, sem considerar o efeito conjunto das captações nem incluir representantes das comunidades nas decisões. A prefeitura propôs uma campanha para que moradores diminuíssem o consumo doméstico. Analise o caso por analogia com a crítica de Marx à ruptura metabólica e avalie a medida que enfrenta, simultaneamente, a origem institucional e empresarial da escassez.
- A) Restringir o uso doméstico da água e preservar integralmente a produção destinada ao mercado consumidor.
- B) Manter a concessão lucrativa e atribuir a escassez exclusivamente aos hábitos domésticos de consumo.
- C) Transferir à empresa a definição dos limites de extração, considerando sua eficiência técnica no mercado.
- D) Ampliar o fornecimento por caminhões-pipa e conservar inalteradas as regras de captação subterrânea.
- E) Subordinar a concessão lucrativa à gestão coletiva da água, com limites cumulativos e participação comunitária.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve um caso de escassez hídrica produzida por decisões institucionais e empresariais, não por falta natural de água. O aquífero era considerado abundante, mas as autorizações foram avaliadas isoladamente, sem considerar o efeito conjunto das captações e sem participação das comunidades. Somam-se a isso o desmatamento de nascentes e o aumento das temperaturas, que reduziram a recarga.
- A analogia com Marx refere-se à ruptura do metabolismo entre sociedade e natureza: a lógica de acumulação e lucro separa a produção das condições naturais que a sustentam, esgotando recursos e deslocando os custos para as populações mais vulneráveis. No caso, a engarrafadora lucra com a extração enquanto as comunidades perdem água, hortas e criações.
- Uma medida que enfrente essa ruptura precisa atuar sobre a origem (a concessão e a extração) e sobre a forma de decisão (quem governa o bem comum). A alternativa E faz exatamente isso: subordina a concessão lucrativa ao interesse coletivo, impõe limites cumulativos que levam em conta o efeito conjunto das captações e garante participação comunitária.
- Por que as outras estão erradas: A restringe apenas o consumo doméstico e preserva a produção de mercado, reproduzindo a desigualdade que gerou o problema. B atribui a escassez exclusivamente aos hábitos domésticos, ignorando a extração empresarial e as autorizações. C entrega à empresa a definição dos limites, mantendo a mesma lógica que causou a crise. D trata apenas o sintoma com caminhões-pipa e mantém intactas as regras que geram a escassez.
- Conclusão: a alternativa E é a única que enfrenta simultaneamente a origem institucional (regras de concessão e captação) e a empresarial (extração lucrativa sem limite coletivo), por isso coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione o caso apresentado com a crítica de Marx à ruptura metabólica e avalie as medidas propostas.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a crise se resolve cobrando economia das famílias, pois vê o consumo doméstico como o principal uso da água, e aceita que a produção para o mercado seja preservada.
O aluno entende que a culpa recai sobre quem usa a água no dia a dia e não percebe que a captação empresarial autorizada é a causa estrutural, lendo a campanha da prefeitura como solução suficiente.
O aluno supõe que a empresa, por ser eficiente tecnicamente, é a melhor responsável por definir limites de extração, sem perceber que isso mantém a lógica de lucro que gerou a ruptura e exclui a comunidade das decisões.
O aluno confunde remediar a falta de água com resolver a causa, supondo que o abastecimento por caminhões-pipa basta, sem notar que as regras de captação que geraram a escassez permanecem intactas.
A medida enfrenta a apropriação privada de uma condição coletiva de vida e considera os efeitos combinados sobre o ciclo natural, em diálogo com a ruptura metabólica.
Raio-X da questão
ruptura metabólica e escassez hídrica
avaliacao
crítica social marxista · impactos ambientais da exploração
Estude a crítica de Marx à ruptura metabólica e os impactos socioambientais da exploração dos recursos naturais.
Confundir a crítica de Marx à ruptura metabólica com problemas apenas ambientais, sem considerar as causas institucionais e empresariais.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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