Em 2022, comemora-se o centenário da Semana de Arte Moderna, manifestação artístico-cultural que ocorreu entre…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 2022, comemora-se o centenário da Semana de Arte Moderna, manifestação artístico-cultural que ocorreu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Durante a abertura, Ronald de Carvalho leu o poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira. Leia o referido poema para responder às questões de números 10 a 12. Texto 3 Os sapos (Manuel Bandeira) 154 Enfunando os papos, 155 Saem da penumbra, 156 Aos pulos, os sapos. 157 A luz os deslumbra. 158 Em ronco que aterra, 159 Berra o sapo-boi: 160 – “Meu pai foi à guerra!” 161 – “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”. 162 O sapo-tanoeiro, 163 Parnasiano aguado, 164 Diz: – “Meu cancioneiro 165 É bem martelado. 166 Vede como primo 167 Em comer os hiatos! 168 Que arte! E nunca rimo 169 Os termos cognatos. 170 O meu verso é bom 171 Frumento sem joio. 172 Faço rimas com 173 Consoantes de apoio. 174 Vai por cinquenta anos 175 Que lhes dei a norma: 176 Reduzi sem danos 177 A fôrmas a forma. 178 Clame a saparia 179 Em críticas céticas: 180 Não há mais poesia, 181 Mas há artes poéticas..." 182 Urra o sapo-boi: 183 – “Meu pai foi rei!”- “Foi!” 184 – “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”. 185 Brada em um assomo 186 O sapo-tanoeiro: 187 – “A grande arte é como 188 Lavor de joalheiro. 189 Ou bem de estatuário. 190 Tudo quanto é belo, 191 Tudo quanto é vário, 192 Canta no martelo”. 193 Outros, sapos-pipas 194 (Um mal em si cabe), 195 Falam pelas tripas, 196 – “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”. 197 Longe dessa grita, 198 Lá onde mais densa 199 A noite infinita 200 Veste a sombra imensa; 201 Lá, fugido ao mundo, 202 Sem glória, sem fé, 203 No perau profundo 204 E solitário, é 205 Que soluças tu, 206 Transido de frio, 207 Sapo-cururu 208 Da beira do rio... Sobre o poema, é correto afirmar que (UECE 2022)
- A) os sapos são usados como crítica ao descuido do Brasil para com a fauna do país.
- B) os sapos são usados como metáfora para representar as tendências estéticas da literatura brasileira.
- C) reitera o modo de escrever da poesia vigente ao longo dos anos pelo modelo literário clássico brasileiro.
- D) representa a escrita acadêmica, essencial para a composição de textos literários.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o poema como uma sátira. Os sapos não são animais que o poeta quer estudar, e sim figuras que representam poetas e correntes literárias. Os sapos-boi, o sapo-tanoeiro, os sapos-pipas e o sapo-cururu aparecem discutindo quem tem razão sobre a arte, como em um debate literário.
- Observe os trechos que identificam essas figuras com tendências estéticas. O sapo-tanoeiro é chamado de 'Parnasiano aguado' e defende um fazer poético de martelar a forma, o que remete ao Parnasianismo. Os 'sapos-pipas' falam pelas tripas e os 'sapos-boi' repetem disputas vazias, representando discursos passadistas e críticos sem fundamento. O eu lírico, ao final, identifica-se com o sapo-cururu, que chora isolado na beira do rio, em uma figura que representa o poeta moderno, fora da grita dos outros.
- Conclua que a alternativa B é correta, pois os sapos funcionam como metáfora das tendências estéticas da literatura brasileira, em especial das disputas entre o passadismo parnasiano e as propostas renovadoras.
- Verifique as alternativas erradas. A está errada, pois o poema não trata de descuido com a fauna brasileira; os sapos são personagens alegóricas. C está errada, pois o poema critica justamente o modelo parnasiano, com seus versos martelados e forma acima do conteúdo, e não reitera esse modelo. D está errada, pois o poema ironiza a escrita acadêmica e formal, em vez de apresentá-la como essencial à literatura.
- Confirme o gabarito. A resposta oficial B está correta, pois coincide com a leitura alegórica do poema.
💡 Dica: Leia atentamente o poema para interpretar seu conteúdo e características.
Alternativa por alternativa
O aluno toma os sapos ao pé da letra, como animais reais, e acredita que o poema denuncia a falta de cuidado com a fauna brasileira.
CORRETA. O poema utiliza os sapos como metáforas para representar as diferentes tendências estéticas da literatura brasileira, especialmente criticando o parnasianismo e outras escolas.
O aluno entende que o poema defende o modelo clássico e a poesia tradicional, sem perceber que a sátira recai justamente sobre o rigor formal parnasiano.
O aluno acredita que o poema valoriza a escrita acadêmica como base da composição literária, confundindo a fala dos sapos com a opinião do autor.
Raio-X da questão
interpretação de poema modernista
diagnostico
interpretação de texto literário · conhecimento do modernismo brasileiro
estude características da Semana de Arte Moderna e análise poética
Confundir características do poema modernista com outras escolas literárias ou não relacionar o texto ao contexto histórico.
pensamento_critico
literario
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