"A realidade é boa, o realismo é que não presta para nada." A declaração acima foi publicada por Machado de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
"A realidade é boa, o realismo é que não presta para nada." A declaração acima foi publicada por Machado de Assis num artigo de jornal. A frase do narrador de Quincas Borba que melhor se associa à declaração acima é a seguinte: (UERJ 2025)
- A) A imaginação não podia mais, e a realidade próxima atraiu-lhe a vista.
- B) Já é muito concertar farrapos de realidade.
- C) Rubião, na rua, voltou a cabeça para todos os lados, a realidade apossava-se dele e o delírio esvaía-se.
- D) Rubião precisava de um pedaço de corda que o atasse à realidade, porque o espírito sentia-se outra vez presa da vertigem.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A declaração distingue duas coisas: a realidade, que é boa, e o realismo, que 'não presta para nada'. Machado critica a escola literária (o método de representar a vida), e não a realidade em si. Passo 2: Procuro, no narrador de Quincas Borba, a frase que expressa essa desconfiança em relação ao realismo. A alternativa B diz 'Já é muito concertar farrapos de realidade'. Os farrapos são fragmentos, pedaços soltos do real, e concertá-los é tarefa limitada: é o máximo que o realismo consegue, reunindo pedaços sem alcançar o todo. Isso combina com a ironia de Machado contra a pretensão realista. Passo 3: A alternativa A fala de a imaginação ter se esgotado e de a realidade próxima atrair o olhar. Ela apenas descreve uma mudança de foco e não critica o realismo como método. Passo 4: A alternativa C descreve Rubião sendo apossado pela realidade enquanto o delírio se esvai. Ela trata a realidade como algo que domina a personagem, sem qualquer julgamento sobre a eficácia do realismo. Passo 5: A alternativa D usa a imagem de uma corda que prende Rubião à realidade para conter a vertigem do espírito. Ela sugere a realidade como âncora, o que reforça a ideia de que a realidade é boa, mas não fala do realismo. Passo 6: Portanto, B é a melhor associação. Ela mostra o realismo como uma tentativa fragmentada e insuficiente, que é exatamente a crítica da declaração, e confirma o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione a frase de Machado de Assis com as citações do narrador para identificar a mais coerente.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que a passagem da imaginação para a realidade próxima expressa a rejeição de Machado à fantasia, e portanto uma defesa do realismo como caminho.
Por que engana: O aluno pode confundir a relação entre a frase de Machado de Assis e as citações, escolhendo uma alternativa que não expressa a mesma ideia de realidade e realismo.
CORRETA. A frase expressa uma crítica ao realismo, indicando que consertar a realidade é algo difícil ou inútil, alinhando-se ao sentido da declaração de Machado de Assis.
O aluno associa a realidade que toma conta de Rubião a uma valorização direta do realismo, sem perceber que a frase trata apenas da personagem e não do método literário.
O aluno lê a realidade como um porto seguro e conclui que a frase defende o realismo como forma de amarrar o espírito ao real, ignorando que a declaração critica o realismo como escola.
Raio-X da questão
interpretação de texto literário
diagnostico
interpretação de texto · análise literária básica
estude interpretação de frases e contexto literário
O aluno pode confundir a relação entre a frase de Machado de Assis e as citações, escolhendo uma alternativa que não expressa a mesma ideia de realidade e realismo.
pensamento_critico
literario
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