A praça central amanheceu cercada por tapumes após a prefeitura anunciar uma audiência sobre o destino de uma…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A praça central amanheceu cercada por tapumes após a prefeitura anunciar uma audiência sobre o destino de uma estátua erguida há quase um século. O homenageado, um comandante ligado à expansão territorial da região, passou a ser contestado depois que um dossiê de pesquisadores e relatos de comunidades indígenas foram divulgados, apontando expulsões e mortes durante as campanhas militares. Comerciantes temem queda no turismo caso a obra seja removida; já estudantes e lideranças locais afirmam que manter a estátua no pedestal “normaliza” a violência. Entre as propostas discutidas estão: preservar a peça onde está, acrescentando uma placa explicativa; transferi-la para um museu com curadoria crítica; ou substituí-la por um memorial às populações atingidas, renomeando a praça. Analise o impasse apresentado e identifique a medida que mais se aproxima do uso “crítico” da história em Nietzsche, ao confrontar valores do passado para orientar o presente.
- A) Retirar a estátua e apagar referências ao personagem, para eliminar qualquer lembrança do ocorrido
- B) Manter a estátua no pedestal e tratá-la como símbolo intocável da identidade local
- C) Proibir manifestações sobre o tema na praça, para evitar polarização e proteger a ordem
- D) Transferir a estátua ao museu e contextualizá-la com curadoria que explicite a violência associada
- E) Instalar uma réplica da estátua e guardar a original, para preservar a estética sem debates públicos
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão a partir do enunciado. O impasse é sobre o que fazer com um monumento que homenageia alguém ligado a violências contra populações indígenas. Na Segunda Consideração Intempestiva (Da utilidade e desvantagem da história para a vida), Nietzsche define a história crítica como aquela que julga o passado, confronta seus valores e os submete ao juízo do presente, para que a vida se liberte de uma herança que não deve mais ser venerada cegamente. Passo 2: A alternativa D é a que mais se aproxima desse uso. Ao transferir a estátua para um museu com curadoria que explicite a violência associada, a sociedade não apaga o passado nem o venera: examina o que ele representava e o coloca em julgamento à luz do presente. Passo 3: Por que as demais estão erradas. A: apagar todas as referências elimina o passado em vez de confrontá-lo, o que é esquecimento total e não julgamento crítico. B: manter a estátua intocável como símbolo de identidade é o uso monumental e venerador da história, que Nietzsche critica por paralisar a vida. C: proibir manifestações suprime o debate, justamente o espaço em que os valores do passado seriam confrontados. E: a réplica com a original guardada preserva a estética sem debate público, sendo uma postura antiquária, voltada a conservar o passado sem questioná-lo. Passo 4: Conclusão: concordo com o gabarito oficial D. A proposta de substituir a estátua por um memorial às populações atingidas também teria forte aderência ao uso crítico, mas não aparece entre as alternativas, então D é a melhor opção disponível.
💡 Dica: Analise as propostas considerando o uso crítico da história segundo Nietzsche.
Alternativa por alternativa
Acredita que a forma de lidar com um passado violento é eliminar qualquer vestígio dele, confundindo crítica histórica com apagamento. Assim, ignora que Nietzsche valoriza confrontar o passado, não suprimi-lo.
Entende que a identidade local exige preservar a estátua como símbolo intocável, tomando a tradição como valor a ser mantido sem questionamento. Isso reflete o uso venerador do passado que Nietzsche critica.
Por que engana: Escolher alternativas que ignoram o confronto crítico com valores do passado ou que buscam apagar a história.
Supõe que o melhor para a ordem é impedir manifestações, lendo o conflito como problema a ser eliminado e não como parte do processo de confronto de valores. Não percebe que o debate é justamente o que se busca.
Converte a homenagem em objeto de exame público, permitindo julgar o passado e reorientar valores no presente.
Imagina que preservar a estética da obra basta para lidar com o passado, separando a forma do conteúdo violento e dispensando o debate. Não reconhece que essa postura apenas conserva o passado sem julgá-lo.
Raio-X da questão
uso crítico da história
avaliacao
conceito de história crítica · contexto histórico e social
estudo sobre crítica histórica e valores sociais
Escolher alternativas que ignoram o confronto crítico com valores do passado ou que buscam apagar a história.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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