Por que algumas pessoas ainda pagam por um retrato impresso se o celular faz fotos o tempo todo? Em um bairro…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política e econômica e identificar o processo de construção histórica dessas práticas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que algumas pessoas ainda pagam por um retrato impresso se o celular faz fotos o tempo todo? Em um bairro, Dona Lurdes guarda um retrato de casamento feito em estudio: fundo pintado, luz controlada e a copia em papel entregue em envelope. O fotografo cobrava por pose, revelacao e acabamento, e o retrato circulava como prova de respeito e memoria da familia. Hoje, um coletivo jovem oferece ensaios na praca: fotografa com celular e camera, usa presets, publica em rede social e vende impressao sob demanda. Parte do trabalho e negociar autorizacao de uso da imagem: alguns clientes querem apenas o arquivo; outros pedem que a foto componha uma serie sobre “trabalhadores do bairro”, exibida em um comercio local e compartilhada em campanha por melhorias. O coletivo relata que a visibilidade na internet trouxe convites, mas tambem discussoes sobre autoria, edicao e quem lucra com a circulacao das imagens. Interprete as situacoes e identifique a leitura que melhor explica, por analogia entre os dois modos de produzir e circular imagens, como o retrato fotografico se construiu historicamente em articulacao com a vida social.
- A) Compreender o retrato como pratica essencialmente comercial, pois o que a define e a cobranca e a venda de impressao, nao os sentidos culturais.
- B) Compreender o retrato como pratica determinada pela tecnologia, ja que presets e redes sociais explicam sozinhos seu sentido e sua relevancia.
- C) Compreender o retrato como pratica que se mantem a mesma, pois o valor artistico depende apenas de luz e enquadramento, nao do contexto.
- D) Compreender o retrato como pratica essencialmente politica, pois qualquer foto que circule em campanha substitui seu valor estetico por propaganda.
- E) Compreender o retrato como pratica que muda com tecnologias e formas de circulacao, redefinindo trabalho, memoria, identidades e usos publicos da imagem.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique o que a questão pede: uma leitura que explique, por analogia entre o retrato de estúdio (Dona Lurdes) e o ensaio atual do coletivo, como o retrato fotográfico se construiu historicamente junto com a vida social.
- Observe os dois casos. No estúdio, o retrato tinha função de respeito, memória familiar e envolvia trabalho técnico (pose, revelação, acabamento) e circulação em envelope. Hoje, o mesmo tipo de imagem ganha outras formas: impressão sob demanda, redes sociais, negociação de autorização de uso, séries exibidas em comércio e campanhas, além de disputas sobre autoria e lucro.
- A alternativa E reúne exatamente essa leitura: o retrato muda conforme tecnologias e formas de circulação, e essas mudanças redefinem trabalho, memória, identidades e usos públicos da imagem. Ela considera a relação entre imagem e vida social, como o texto sugere.
- A alternativa A é errada porque reduz o retrato ao aspecto comercial, ignorando os sentidos de memória e respeito que aparecem no caso de Dona Lurdes.
- A alternativa B é errada porque atribui à tecnologia um poder determinante e sozinho, quando os casos mostram que o sentido vem também das relações sociais, da negociação e do uso.
- A alternativa C é errada porque afirma que o retrato permanece igual e que o valor depende só de luz e enquadramento, o que contraria a ideia de transformação histórica e social apresentada.
- A alternativa D é errada porque define o retrato como essencialmente político e diz que a propaganda substitui o valor estético, uma generalização que o texto não sustenta, já que a dimensão política é apenas um dos usos.
- Conclusão: a resposta correta é E, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare as duas situações e reflita sobre as mudanças sociais e tecnológicas no retrato fotográfico.
Alternativa por alternativa
Toma o aspecto comercial (cobrança e venda de cópias) como a essência do retrato, desconsiderando memória, respeito e vínculos familiares presentes no caso de Dona Lurdes.
Acredita que a tecnologia (presets, redes sociais) determina sozinha o sentido do retrato, ignorando que as relações sociais e as negociações de uso também constroem seu significado.
Por que engana: Confundir o valor do retrato apenas com aspectos técnicos ou comerciais, ignorando seu contexto social e cultural.
Supõe que a imagem fotográfica não muda historicamente e que seu valor depende apenas de técnica (luz e enquadramento), sem considerar o contexto social em que circula.
Generaliza um dos usos possíveis (circulação em campanhas) como se fosse a essência de todo retrato, e supõe que a propaganda necessariamente anula o valor estético.
Integra estude/praca, impresso/rede, pagamento/convites, autorizacao/campanha, mostrando construcao historica ligada a dimensoes sociais, culturais, politicas e economicas.
Raio-X da questão
retrato fotográfico e contexto social
avaliacao
história da fotografia · cultura visual contemporânea
Estude a relação entre tecnologia, cultura e circulação de imagens.
Confundir o valor do retrato apenas com aspectos técnicos ou comerciais, ignorando seu contexto social e cultural.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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