Por que muitas pessoas dizem “a gente fomos” em conversas informais, ainda que a norma-padrão recomende “a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas gramáticas de uso contemporâneas em relação a diferentes tópicos gramaticais, de forma a perceber as diferenças de abordagem e o fenômeno da variação linguística e analisar motivações que levam ao predomínio do ensino da norma-padrão na escola.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que muitas pessoas dizem “a gente fomos” em conversas informais, ainda que a norma-padrão recomende “a gente foi”? Estudos em linguística de uso apontam que a construção reflete a concordância natural com o significado plural de “a gente”. A gramática tradicional, baseada em regras prescritivas, considera erro atribuir flexão verbal diversa de terceira pessoa do singular. Já gramáticas de uso contemporâneas, fundamentadas em observação empírica, reconhecem essa variedade como variante legítima na fala cotidiana, sem desvalorizar o padrão culto. Compare a avaliação de gramáticos tradicionais e contemporâneos sobre “a gente fomos”. Qual perspectiva legitima essa forma como variante válida do português?
- A) A gramática tradicional prescritiva considera a flexão em “a gente fomos” inadequada
- B) A gramática normativa contemporânea mantém “a gente fomos” fora do padrão culto
- C) A gramática de uso contemporânea avalia a flexão em “a gente fomos” como legítima variação linguística
- D) A gramática gerativa interpreta a concordância como violação de princípios universais do idioma
- E) A gramática funcional vê a forma como erro de pragmática na comunicação oral
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado pede a perspectiva que legitima “a gente fomos” como variante válida do português. Resolvo pela análise do próprio texto, antes de consultar o gabarito. Passo 2: A gramática tradicional prescritiva, segundo o texto, considera erro atribuir a essa construção flexão diferente da terceira pessoa do singular. Portanto, ela condena a forma, e não a legitima. Passo 3: As gramáticas de uso contemporâneas, baseadas em observação empírica, reconhecem a variedade como variante legítima na fala cotidiana, sem desvalorizar o padrão culto. Essa é a perspectiva que responde à pergunta. Passo 4: Por isso a alternativa C é a correta, e coincide com o gabarito oficial. Passo 5: A alternativa A está errada porque descreve a condenação feita pela tradição, o oposto do que se pede. A alternativa B está errada porque a gramática normativa contemporânea mantém a norma culta, mas não se trata de legitimar a forma fora dela. A alternativa D está errada porque a gramática gerativa, no texto, não aparece como defensora da forma; a concordância é tratada como violação e não como variante. A alternativa E está errada porque a gramática funcional, conforme apresentado, não trata a forma como erro de pragmática, e o enunciado não sustenta essa leitura. Passo 6: Conclusão: a perspectiva que legitima “a gente fomos” como variação linguística válida é a das gramáticas de uso contemporâneas, alternativa C.
💡 Dica: Compare as perspectivas tradicionais e contemporâneas sobre a concordância em 'a gente fomos'.
Alternativa por alternativa
O aluno leu a descrição da gramática tradicional e a tomou como resposta, sem perceber que a pergunta pede a perspectiva que legitima a forma. Ele confunde descrever a condenação com justificar a validade.
O aluno confunde gramática normativa com gramática de uso e supõe que a visão contemporânea também mantém a forma fora do padrão culto. Não percebe que a gramática de uso reconhece a variante sem negar o padrão.
Por que engana: Confundir a norma-padrão com a variação linguística legítima na fala cotidiana.
Conecta abordagem empírica ao reconhecimento de variantes legítimas, conforme o texto-base.
O aluno associa a gramática gerativa a uma defesa de princípios universais que rejeitaria a concordância. Ele não entende que essa corrente não é a que avalia a variação como legítima no texto.
O aluno considera que qualquer desvio da norma na fala é erro de uso pragmático. Assim, confunde variação linguística legítima com inadequação comunicativa.
Raio-X da questão
variação linguística e concordância
diagnostico
concordância verbal · variação linguística
estude variações linguísticas e normas gramaticais tradicionais e contemporâneas
Confundir a norma-padrão com a variação linguística legítima na fala cotidiana.
pensamento_critico
cotidiano
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