Nem existia Brasil no começo dessa história. Existiam o Peru e o México, no contexto pré-colombiano, mas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Nem existia Brasil no começo dessa história. Existiam o Peru e o México, no contexto pré-colombiano, mas Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, Canadá, não. No que seria o Brasil, havia gente no Norte, no Rio, depois no Sul, mas toda essa gente tinha pouca relação entre si até meados do século XVIII. E há aí a questão da navegação marítima, torna-se importante aprender bem história marítima, que é ligada à geografia. [...] Essa compreensão me deu muita liberdade para ver as relações que Rio, Pernambuco e Bahia tinham com Luanda. Depois a Bahia tem muita mais relação com o antigo Daomé, hoje Benin, na Costa da Mina. Isso formava um todo, muito mais do que o Brasil ou a América portuguesa. [...] Nunca os missionários entraram na briga para saber se o africano havia sido ilegalmente escravizado ou não, mas a escravidão indígena foi embargada pelos missionários desde o começo, e isso também é um pouco interesse dos negreiros, ou seja, que a escravidão africana predomine. [...] A escravização tem dois processos: o primeiro é a despersonalização, e o segundo é a dessocialização. (Luiz Felipe de Alencastro. Entrevista a Mariluce Moura. “O observador do Brasil no Atlântico Sul”. In: Revista Pesquisa Fapesp, nº 188, outubro de 2011.) UNESP - 2020
- A) da imposição de uma lógica global de comércio e da dissolução das fronteiras entre os territórios colonizados na América.
- B) do domínio colonial de Portugal sobre o litoral africano e da intermediação espanhola no tráfico escravagista.
- C) do controle das rotas marítimas por navegadores italianos e da conformação do conceito geográfico de Ocidente.
- D) da constituição do espaço geográfico do Atlântico Sul e da relação estabelecida entre os continentes americano e africano.
- E) do surgimento do tráfico de africanos escravizados e das relações comerciais do Brasil com a América espanhola.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto de Luiz Felipe de Alencastro afirma que, antes de meados do século XVIII, as diferentes populações do que viria a ser o Brasil tinham pouca relação entre si. Para entender a formação do território, ele propõe olhar para a navegação marítima e para as ligações entre Rio, Pernambuco, Bahia, Luanda e a Costa da Mina. Isso mostra que o foco não é o Brasil isolado, mas um espaço articulado pelo oceano.
- A chave da questão está na expressão 'Isso formava um todo, muito mais do que o Brasil ou a América portuguesa'. O autor descreve um conjunto formado pelas conexões atlânticas, ligando a América portuguesa à África ocidental e centro-ocidental por meio do comércio e do tráfico de escravizados.
- Portanto, a alternativa correta é a D: ela fala da constituição do espaço geográfico do Atlântico Sul e da relação entre os continentes americano e africano, exatamente o que o texto desenvolve.
- Por que as outras estão erradas: A trata de uma lógica global e dissolução de fronteiras, que o texto não defende; B atribui à Espanha a intermediação do tráfico, quando o texto liga o tráfico às conexões portuguesas com Luanda e a Costa da Mina; C cita navegadores italianos e Ocidente, temas ausentes do trecho; E fala em relações com a América espanhola, enquanto o texto trata das ligações com a África e com centros da própria América portuguesa.
💡 Dica: Analise as relações históricas entre os continentes mencionados no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a ideia de conexão do texto a uma integração global genérica e acredita que o texto defende a dissolução das fronteiras coloniais, sem notar que o foco é o Atlântico Sul.
O aluno pensa que a intermediação do tráfico era espanhola, confundindo o domínio português sobre a África com a presença da Espanha no comércio de escravizados.
Por que engana: Confundir as relações comerciais e políticas entre os continentes ou interpretar incorretamente o papel dos territórios colonizados.
O aluno se prende a termos como rotas marítimas e geografia e acredita que o texto trata de navegadores italianos e da origem do conceito de Ocidente, que não aparecem no trecho.
A alternativa D está correta porque o texto destaca que a formação do Brasil colonial não se deu de forma isolada, mas sim dentro de um contexto amplo de ligações marítimas entre diferentes partes do Atlântico Sul. O autor menciona as relações intensas entre regiões do atual Brasil (como Rio, Pernambuco e Bahia) com localidades da África (Luanda, Benin/costa da Mina), mostrando que o espaço formado pelas conexões marítimas entre América e África foi fundamental para definir a sociedade, economia e cultura no período colonial brasileiro. O texto também evidencia que tais ligações eram mais determinantes do que a própria integração interna da América portuguesa, enfatizando o papel do Atlântico Sul como ponte principal desses processos coloniais.
O aluno acredita que o tráfico de escravizados surge apenas nesse período e que as relações do Brasil eram sobretudo com a América espanhola, desconsiderando a conexão do Brasil com a África descrita no texto.
Raio-X da questão
espaço geográfico Atlântico Sul
diagnostico
colonialismo e escravidão atlântica · relações intercontinentais históricas
Estude a formação do espaço geográfico e as relações entre América e África no período colonial.
Confundir as relações comerciais e políticas entre os continentes ou interpretar incorretamente o papel dos territórios colonizados.
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