A Odisseia choca-se com a questão do passado. Para perscrutar o futuro e o passado, recorre-se geralmente ao…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e experimentar diversos processos de remidiação de produções multissemióticas, multimídia e transmídia, desenvolvendo diferentes modos de participação e intervenção social.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A Odisseia choca-se com a questão do passado. Para perscrutar o futuro e o passado, recorre-se geralmente ao adivinho. Inspirado pela musa, o adivinho vê o antes e o além: circula entre os deuses e entre os homens, não todos os homens, mas os heróis, preferencialmente mortos gloriosamente em combate. Ao celebrar aqueles que passaram, ele forja o passado, mas um passado sem duração, acabado. (François Hartog. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo, 2015. Adaptado.) UNESP - 2020
- A) questiona as ações heroicas dos povos fundadores da Grécia Antiga, pois se baseia na concepção filosófica de physis.
- B) valoriza os mitos em que os gregos acreditavam e que estão no fundamento das concepções modernas de tempo e história.
- C) é fundadora da ideia de história, pois concebe o passado como um tempo que prossegue no presente e ensina os homens a aprenderem com seus erros.
- D) identifica uma forma de pensamento mítico e uma visão de passado estranha à ideia de diálogo entre temporalidades, que caracteriza a história.
- E) desenvolve uma abordagem crítica do passado e uma reflexão de caráter racionalista, semelhantes à da filosofia pré-socrática.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto de Hartog descreve a figura do adivinho inspirado pela musa, que vê o antes e o além, circula entre deuses e heróis mortos em combate e, ao celebrá-los, forja um passado sem duração, acabado. Trata-se de uma visão mítica do tempo, em que o passado é glorificado e fechado em si mesmo.
- A ideia central do trecho é que essa forma de lidar com o passado não envolve diálogo entre épocas, isto é, não há conexão entre o passado e o presente que permita questioná-lo, compará-lo ou aprender com ele, como ocorre na história.
- Assim, a alternativa D está correta, pois identifica o pensamento mítico e uma visão de passado estranha à ideia de diálogo entre temporalidades, característica da história. Concordo com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas: A está errada porque o texto não questiona as ações heroicas, apenas as celebra. B está errada porque o texto não valoriza os mitos como base das concepções modernas de tempo e história. C está errada porque afirma que essa visão é fundadora da história, o que contradiz o texto, que descreve um passado sem duração. E está errada porque a abordagem descrita é mítica e não crítica nem racionalista, sendo oposta à filosofia pré-socrática.
💡 Dica: Analise o texto e relacione a visão do passado com as concepções históricas.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que o trecho critica os heróis e os povos fundadores da Grécia, quando o texto apenas descreve a celebração desses heróis pelo adivinho. Também associa a questão à concepção filosófica de physis, que não aparece no texto.
O aluno supõe que os mitos gregos são a base das concepções modernas de tempo e história, quando o texto apresenta essa visão mítica justamente como diferente da história.
Por que engana: Confundir pensamento mítico com histórico e interpretar o passado como linear e racional.
O aluno confunde a visão mítica do passado com a origem da historiografia, imaginando que um passado que prossegue no presente e ensina lições seja a fundação da história. O texto descreve justamente um passado acabado, sem duração.
Correta. O texto destaca que a Odisseia apresenta uma visão de passado típico do pensamento mítico, em que o passado é fixo e sem duração, em contraste com a história, que busca um diálogo entre diferentes tempos. Não há continuidade temporal, mas sim um passado glorificado e encerrado.
O aluno acredita que a forma de lidar com o passado descrita seja crítica e racionalista, por associação com a filosofia grega antiga. O trecho, porém, descreve um pensamento mítico e inspirado pela musa, oposto à racionalidade pré-socrática.
Raio-X da questão
visão do passado na Odisseia
diagnostico
interpretação de texto literário · conceitos básicos de história
estude conceitos de temporalidade e pensamento mítico versus histórico
Confundir pensamento mítico com histórico e interpretar o passado como linear e racional.
pensamento_critico
literario
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