Os homens, diz antigo ditado grego, atormentam-se com a ideia que têm das coisas e não com as coisas em si…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Os homens, diz antigo ditado grego, atormentam-se com a ideia que têm das coisas e não com as coisas em si. Seria grande passo, em alívio da nossa miserável condição, se se provasse que isso é uma verdade absoluta. Pois se o mal só tem acesso em nós porque julgamos que o seja, parece que estaria em nosso poder não o levarmos a sério ou o colocarmos a nosso serviço. Por que atribuir à doença, à indignação, ao desprezo um gosto ácido e mau se o podemos modificar? Pois o destino apenas suscita o incidente; a nós é que cabe determinar a qualidade de seus efeitos. (Michel de Montaigne. Ensaios, 2000. Adaptado.) UNESP - 2018
- A) Representa uma oposição de natureza metafísica, que não está sujeita a relativismos existenciais.
- B) Relaciona-se com uma esfera sagrada cujo conhecimento é autorizado somente a sacerdotes religiosos.
- C) Resulta da queda humana de um estado original de bem-aventurança e harmonia geral do Universo.
- D) Depende do conhecimento do mundo como realidade em si mesma, independente dos julgamentos humanos.
- E) Depende sobretudo da qualidade valorativa estabelecida por cada indivíduo diante de sua vida.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leio o texto de Montaigne. Ele afirma que os homens se atormentam com a ideia que têm das coisas, e não com as coisas em si. Se o mal só nos atinge porque julgamos que ele é mau, então a forma como o sofrimento nos afeta depende do julgamento que fazemos. Como o enunciado não aparece completo, considero que a pergunta pede a origem do sofrimento ou do mal segundo o texto.
- Resolvo por conta própria. O autor diz que o destino apenas suscita o incidente e que cabe a nós determinar a qualidade de seus efeitos. Isso significa que o valor atribuído às coisas vem da avaliação de cada pessoa, ou seja, da forma como cada indivíduo valora a própria vida. A alternativa E expressa exatamente essa ideia.
- Analiso as demais alternativas. A) está errada porque o texto trata de julgamentos humanos e de relativização do mal, não de uma oposição metafísica absoluta. B) está errada porque não há nenhuma referência a um conhecimento sagrado reservado a sacerdotes. C) está errada porque o texto não fala de queda humana nem de um estado original de bem-aventurança. D) está errada porque o autor sustenta justamente o contrário: o mal depende do juízo humano e não de uma realidade independente dos julgamentos.
- Comparo com o gabarito oficial. O gabarito E coincide com a minha resolução, então concordo com ele.
💡 Dica: Analise o texto e relacione a ideia central com as alternativas.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que o mal é uma realidade absoluta e fixa, independente da subjetividade, ignorando que o texto defende que o sofrimento depende do julgamento.
O aluno associa a discussão sobre o sofrimento a uma esfera religiosa ou sagrada, possivelmente influenciado pela palavra grega antiga ou pelo tom de reflexão moral do texto.
O aluno associa a condição humana miserável a uma queda de um estado original de harmonia, uma leitura religiosa que o texto não sustenta.
O aluno acredita que o sofrimento vem de uma realidade em si mesma, independente dos juízos humanos, o que é o oposto da tese central de Montaigne.
Por que engana: Confundir a ideia de julgamento subjetivo com uma verdade absoluta ou conhecimento sagrado.
A alternativa (E) está correta porque, segundo o texto de Montaigne, o bem e o mal não são propriedades absolutas das coisas em si, mas sim avaliações feitas pelos próprios indivíduos diante das situações. O filósofo afirma que nos atormentamos mais com a ideia que formamos sobre os acontecimentos do que com os acontecimentos em si. Assim, a interpretação valorativa de cada pessoa sobre o que acontece em sua vida é o que determina se algo é sentido como bom ou mau. Isso mostra que a distinção entre bem e mal depende da forma como cada um julga e atribui sentido às experiências e não de uma natureza essencial das coisas.
Raio-X da questão
interpretação de texto filosófico
diagnostico
interpretação de textos filosóficos · conceitos básicos de metafísica
estudo sobre relativismo e julgamento de valores
Confundir a ideia de julgamento subjetivo com uma verdade absoluta ou conhecimento sagrado.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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