Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela atenuação da subjetividade e do sentimentalismo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar assimilações, rupturas e permanências no processo de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela atenuação da subjetividade e do sentimentalismo, pela ausência quase completa de interesse político no contexto da obra e pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) A referida “atenuação da subjetividade e do sentimentalismo” está bem exemplificada na seguinte estrofe do poeta parnasiano Alberto de Oliveira (1859-1937): UNESP - 2017
- A) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nem uma lágrima Em pálpebra demente.
- B) Erguido em negro mármor luzidio, Portas fechadas, num mistério enorme, Numa terra de reis, mudo e sombrio, Sono de lendas um palácio dorme.
- C) Eu vi-a e minha alma antes de vê-la Sonhara-a linda como agora a vi; Nos puros olhos e na face bela, Dos meus sonhos a virgem conheci.
- D) Longe da pátria, sob um céu diverso Onde o sol como aqui tanto não arde, Chorei saudades do meu lar querido – Ave sem ninho que suspira à tarde. –
- E) Eu morro qual nas mãos da cozinheira O marreco piando na agonia… Como o cisne de outrora… que gemendo Entre os hinos de amor se enternecia.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A questão pede a estrofe em que a subjetividade e o sentimentalismo estão atenuados, ou seja, em que o eu lírico não se expõe emocionalmente e o poema descreve algo de forma objetiva e plástica, como esperava o Parnasianismo. Passo 2: Analisando a alternativa B, o poema descreve um palácio: "Erguido em negro mármore luzidio", "Portas fechadas", "mudo e sombrio", "Sono de lendas um palácio dorme". Não há confissão de sentimentos nem voz emotiva; predominam a descrição visual, a precisão de imagens e o cuidado formal (rimas ricas, metro regular, vocabulário escolhido), o que corresponde à expressão de tipo plástico. Passo 3: A alternativa A é errada porque fala de dor, lágrima e fibra do peito, expondo o sofrimento íntimo do eu lírico, traço romântico. Passo 4: A alternativa C é errada porque trata de um amor idealizado, com a visão da mulher amada e os sonhos do eu lírico, marca de subjetividade. Passo 5: A alternativa D é errada porque o eu lírico expressa saudades da pátria e chora longe de casa, sentimentalismo típico do Romantismo. Passo 6: A alternativa E é errada porque o eu lírico fala de si mesmo em primeira pessoa ("Eu morro"), com tom de piedade e emoção, o que é subjetivismo e sentimentalismo. Passo 7: Conclusão: a estrofe B é a única em que o poeta se distancia do sentimento e apresenta uma cena objetiva, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as características do parnasianismo e compare com as estrofes apresentadas.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a estrofe ao tom reflexivo e melancólico do poema, sem perceber que a dor e as lágrimas são expostas diretamente pelo eu lírico.
Por que engana: Confundir a subjetividade e sentimentalismo do romantismo com a objetividade e formalismo do parnasianismo.
A estrofe evidencia objetividade e distanciamento emocional. Descreve um palácio com riqueza de detalhes visuais ('negro mármor luzidio', 'portas fechadas', 'mudo e sombrio'), focando na imagem e na descrição plástica, sem dar espaço ao sentimentalismo ou à subjetividade do eu lírico. Essa objetividade e a valorização da forma são marcas da poesia parnasiana, como destacado no enunciado.
O aluno pode ter se guiado pela forma regular e pelo tom de elogio à beleza, supondo que a idealização amorosa seria 'objetiva'; porém, o verso fala dos sonhos e da alma do eu lírico, o que é subjetividade pura.
O aluno pode ter confundido a contenção formal (versos bem construídos e rimados) com ausência de sentimentalismo, sem notar que 'chorei saudades' expressa emoção pessoal intensa.
O aluno pode ter pensado que a comparação com animais (marreco, cisne) traria distanciamento objetivo, mas a primeira pessoa 'Eu morro' e o tom de piedade mantêm o sentimentalismo e a subjetividade.
Raio-X da questão
parnasianismo e subjetividade
diagnostico
movimentos literarios brasileiros · caracteristicas do romantismo
Estude as características do parnasianismo e do romantismo na literatura brasileira.
Confundir a subjetividade e sentimentalismo do romantismo com a objetividade e formalismo do parnasianismo.
pensamento_critico
literario
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