“Quem negaria que os futuros ainda não são? Mas já está na mente a espera dos futuros. E quem negaria que os…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Quem negaria que os futuros ainda não são? Mas já está na mente a espera dos futuros. E quem negaria que os passados já não são? Todavia, ainda está na mente a memória dos passados. E quem negaria que o tempo presente não tem extensão temporal, porque passa em um instante? Todavia, perdura a atenção, pela qual o que está presente se encaminha para a ausência.” Agostinho de Hipona. Confissões. Ao propor uma aproximação entre a fala da personagem Calvin no quadrinho e o trecho citado das Confissões de Agostinho, é possível encontrar semelhanças com relação à descrição do tempo e sua compreensão filosófica. Dentre as afirmativas a seguir, qual delas pode ser considerada verdadeira para ambos os casos? [FUVEST 2025 - Questão 44] FUVEST - 2025
- A) A passagem do tempo é ilusória.
- B) O tempo desfaz a mudança.
- C) Há um paradoxo na compreensão do tempo.
- D) Os momentos do tempo identificam-se entre si.
- E) Há ruptura completa entre o tempo presente e o futuro.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o que o trecho de Agostinho afirma. Ele observa que o futuro ainda não é, que o passado já não é e que o presente não tem extensão, pois passa em um instante. Mesmo assim, fala de uma espera dos futuros, de uma memória dos passados e de uma atenção que perdura, ou seja, o tempo parece existir na mente. Passo 2: Note o padrão do texto. Em cada caso, Agostinho afirma algo e logo depois o oposto: as partes do tempo não existem, mas são percebidas, nomeadas e vividas como se existissem. Esse choque entre o que o tempo é e o modo como ele é experimentado e medido caracteriza um paradoxo. Passo 3: A fala de Calvin no quadrinho segue a mesma linha, ao tratar o tempo como algo que escapa a uma definição simples. Assim, a semelhança entre os dois textos está na percepção de uma tensão lógica dentro da própria noção de tempo. Passo 4: Verifique as alternativas. A alternativa C é a única que descreve essa tensão presente nos dois casos. Passo 5: Por que as outras estão erradas. A) A passagem do tempo é ilusória: Agostinho não nega que o tempo passa; ele investiga como a mente apreende esse fluxo. B) O tempo desfaz a mudança: o texto trata justamente do fluxo, em que o presente se encaminha para a ausência, ou seja, o tempo produz mudança e não a desfaz. D) Os momentos do tempo identificam-se entre si: o trecho distingue passado, presente e futuro justamente por serem diferentes. E) Há ruptura completa entre o tempo presente e o futuro: o presente se encaminha para a ausência e a espera do futuro está na mente, logo há continuidade, e não ruptura completa.
💡 Dica: Analise as ideias sobre o tempo presentes no texto e no quadrinho para identificar a semelhança filosófica.
Alternativa por alternativa
Confunde a dificuldade de definir o tempo com a negação de sua realidade, concluindo que, se passado e futuro não são, a passagem do tempo seria apenas uma ilusão.
Por que engana: Confundir a ideia de que o tempo é linear com a noção de que ele é um paradoxo, levando a uma interpretação errada do texto de Agostinho.
Acredita que a transformação contínua do presente em ausência anula a mudança, como se o tempo apagasse os acontecimentos em vez de produzi-los.
CORRETA. Há um paradoxo na compreensão do tempo segundo Agostinho.
Entende que, por passado, presente e futuro pertencerem todos ao 'tempo', seus momentos seriam idênticos entre si, sem perceber a distinção feita no trecho.
Supõe que, como o futuro ainda não é e o presente passa num instante, os dois estariam totalmente separados, sem qualquer continuidade entre eles.
Raio-X da questão
conceito filosófico de tempo
avaliacao
conceito filosófico de tempo · paradoxo do tempo
Revisar as principais teorias filosóficas sobre a natureza do tempo.
Confundir a ideia de que o tempo é linear com a noção de que ele é um paradoxo, levando a uma interpretação errada do texto de Agostinho.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
Questões parecidas com resolução
- ENEM - 2018 Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem: “Que fazia Deus antes de…
- Justifique como a visão de tempo de Santo Agostinho impacta a compreensão do passado e futuro.
- Explique como a ideia de tempo em Santo Agostinho pode ser relacionada ao cotidiano, especialmente em momentos de…
- No livro Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, a Rainha Vermelha diz uma frase enigmática: Pois aqui, como…
- ENEM - 2016 Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma…
- Assim como o camponês, o mercador está a princípio submetido, na sua atividade profissional, ao tempo meteorológico, ao…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
