Em entrevista sobre a presença de objetos indígenas em museus, Davi Kopenawa critica a retirada desses objetos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em entrevista sobre a presença de objetos indígenas em museus, Davi Kopenawa critica a retirada desses objetos de seus povos de origem. Para ele, um artefato não é apenas uma peça material: está ligado às histórias, aos conhecimentos e às relações espirituais de uma comunidade. Quando separado desse contexto e apresentado segundo critérios externos, pode ter seu sentido reduzido ou distorcido. A artista e pesquisadora Glicéria Tupinambá estudou mantos tupinambá conservados em instituições europeias e participou da confecção de novos mantos a partir de pesquisas históricas, de conhecimentos transmitidos por seu povo e da observação de materiais e técnicas tradicionais. Esse trabalho não consiste apenas em reproduzir uma peça antiga, mas em reativar sua presença cultural e discutir a história de apropriação e afastamento desses objetos. Considerando o texto-base, explique de que modo as reflexões de Davi Kopenawa e o trabalho de Glicéria Tupinambá permitem compreender a importância dos artefatos indígenas na discussão sobre memória, identidade e colonialismo. Em sua resposta, relacione a crítica à retirada dos objetos de seus contextos de origem ao sentido atribuído à reconstrução dos mantos tupinambá.
- A) Os artefatos indígenas devem ser compreendidos principalmente como documentos materiais do passado, e a permanência dos mantos tupinambá em museus europeus garante sua preservação histórica, ainda que esses objetos deixem de participar da vida cultural de seu povo.
- B) A presença de mantos tupinambá em coleções europeias favorece a integração cultural entre povos indígenas e instituições estrangeiras, enquanto a confecção de novos mantos por Glicéria expressa sobretudo a adaptação da tradição indígena aos padrões artísticos contemporâneos.
- C) Os artefatos indígenas não devem ser compreendidos apenas como objetos materiais ou peças de museu, pois seus sentidos dependem das histórias, dos conhecimentos e das relações culturais dos povos que os produzem. A crítica de Kopenawa evidencia que a retirada desses objetos pode romper ou distorcer essa dimensão. Nesse contexto, o trabalho de Glicéria Tupinambá, ao pesquisar os mantos conservados na Europa e confeccionar novos exemplares com base em saberes tupinambá, reativa a presença e a memória de seu povo. Assim, a reconstrução funciona como forma de resistência ao apagamento colonial e de reafirmação da identidade indígena, e não como simples reprodução estética de uma peça antiga.
- D) A reconstrução dos mantos tupinambá representa uma ruptura com a tradição, pois a criação de novos exemplares substitui os objetos antigos e demonstra que a identidade indígena pode ser preservada somente por meio de peças materialmente autênticas.
- E) A retirada de objetos indígenas para instituições europeias pode ser justificada quando permite que pesquisadores estrangeiros estudem técnicas antigas, e a produção de novos mantos por Glicéria Tupinambá tem como principal finalidade recuperar informações históricas sobre a cultura material tupinambá.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o eixo do texto-base. Davi Kopenawa afirma que um artefato indígena não é só uma peça material, pois carrega histórias, conhecimentos e relações espirituais da comunidade. Retirado de seu contexto e exposto segundo critérios externos, seu sentido pode ser reduzido ou distorcido.
- Relacione essa crítica ao caso de Glicéria Tupinambá. Ela estudou mantos conservados na Europa e participou da confecção de novos mantos a partir de pesquisas históricas, saberes transmitidos pelo seu povo e técnicas tradicionais. O objetivo não é copiar uma peça antiga, mas reativar a presença cultural do objeto e discutir a história de apropriação e afastamento.
- Conecte os dois pontos às noções pedidas. Memória, porque os mantos reativam a lembrança de um saber e de um povo; identidade, porque a produção de novos exemplares afirma a continuidade indígena; colonialismo, porque a retirada dos objetos para coleções estrangeiras é parte de um processo de apagamento que o trabalho procura questionar.
- Verifique a alternativa correta, a C. Ela afirma que os artefatos não são apenas objetos materiais, que seus sentidos dependem dos saberes e relações dos povos, que a retirada pode romper ou distorcer essa dimensão e que a reconstrução reativa a memória e funciona como resistência ao apagamento colonial, e não como simples reprodução estética.
- Por que as outras estão erradas. A trata o objeto apenas como documento material e aceita a permanência em museus como suficiente, contrariando a crítica do texto. B fala em integração cultural e adaptação aos padrões contemporâneos, ideias que o texto não sustenta. D afirma que a reconstrução substitui o antigo e que a identidade depende de peças autênticas, o oposto da proposta de reativar a presença cultural. E justifica a retirada para pesquisa estrangeira e reduz a produção de Glicéria a recuperar informações, ignorando a dimensão de memória e identidade.
💡 Dica: Analise as reflexões e relacione-as com a importância da arte indígena na cultura e na política.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a preservação física em museus basta para manter o valor do artefato, mesmo afastado da vida cultural do povo de origem.
Por que engana: O aluno pode confundir a resistência cultural com a simples valorização estética da arte indígena, sem considerar seu contexto histórico e social.
O aluno entende que a presença de objetos em coleções europeias gera integração cultural e que o novo manto seria uma adaptação a padrões artísticos atuais, leitura que inverte o sentido de resistência do texto.
A resposta articula os dois aspectos apresentados no texto-base: a crítica de Kopenawa à separação entre os artefatos e os povos que lhes atribuem sentido e o trabalho de Glicéria como retomada ativa de memória, conhecimento e identidade tupinambá. A alternativa correta precisa compreender a reconstrução dos mantos como ação cultural e política, sem reduzi-la à preservação material ou à decoração.
O aluno supõe que a reconstrução substitui a peça antiga e que a identidade indígena só existe por meio de objetos materialmente autênticos, ignorando a dimensão viva e transmitida dos saberes.
O aluno aceita que a retirada de objetos se justifique pelo interesse de pesquisadores estrangeiros e reduz o trabalho de Glicéria à recuperação de informações históricas, sem perceber a dimensão de memória e identidade.
Raio-X da questão
arte indígena, apropriação cultural, identidade
avaliacao
apropriação cultural · arte indígena
Estude a apropriação cultural e o papel da arte indígena na valorização da identidade cultural.
O aluno pode confundir a resistência cultural com a simples valorização estética da arte indígena, sem considerar seu contexto histórico e social.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
Questões parecidas com resolução
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
