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Em entrevista sobre a presença de objetos indígenas em museus, Davi Kopenawa critica a retirada desses objetos…

Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva

Habilidade BNCC EM13LGG202

Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.

Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).

Questão

Em entrevista sobre a presença de objetos indígenas em museus, Davi Kopenawa critica a retirada desses objetos de seus povos de origem. Para ele, um artefato não é apenas uma peça material: está ligado às histórias, aos conhecimentos e às relações espirituais de uma comunidade. Quando separado desse contexto e apresentado segundo critérios externos, pode ter seu sentido reduzido ou distorcido. A artista e pesquisadora Glicéria Tupinambá estudou mantos tupinambá conservados em instituições europeias e participou da confecção de novos mantos a partir de pesquisas históricas, de conhecimentos transmitidos por seu povo e da observação de materiais e técnicas tradicionais. Esse trabalho não consiste apenas em reproduzir uma peça antiga, mas em reativar sua presença cultural e discutir a história de apropriação e afastamento desses objetos. Considerando o texto-base, explique de que modo as reflexões de Davi Kopenawa e o trabalho de Glicéria Tupinambá permitem compreender a importância dos artefatos indígenas na discussão sobre memória, identidade e colonialismo. Em sua resposta, relacione a crítica à retirada dos objetos de seus contextos de origem ao sentido atribuído à reconstrução dos mantos tupinambá.

  1. A) Os artefatos indígenas devem ser compreendidos principalmente como documentos materiais do passado, e a permanência dos mantos tupinambá em museus europeus garante sua preservação histórica, ainda que esses objetos deixem de participar da vida cultural de seu povo.
  2. B) A presença de mantos tupinambá em coleções europeias favorece a integração cultural entre povos indígenas e instituições estrangeiras, enquanto a confecção de novos mantos por Glicéria expressa sobretudo a adaptação da tradição indígena aos padrões artísticos contemporâneos.
  3. C) Os artefatos indígenas não devem ser compreendidos apenas como objetos materiais ou peças de museu, pois seus sentidos dependem das histórias, dos conhecimentos e das relações culturais dos povos que os produzem. A crítica de Kopenawa evidencia que a retirada desses objetos pode romper ou distorcer essa dimensão. Nesse contexto, o trabalho de Glicéria Tupinambá, ao pesquisar os mantos conservados na Europa e confeccionar novos exemplares com base em saberes tupinambá, reativa a presença e a memória de seu povo. Assim, a reconstrução funciona como forma de resistência ao apagamento colonial e de reafirmação da identidade indígena, e não como simples reprodução estética de uma peça antiga.
  4. D) A reconstrução dos mantos tupinambá representa uma ruptura com a tradição, pois a criação de novos exemplares substitui os objetos antigos e demonstra que a identidade indígena pode ser preservada somente por meio de peças materialmente autênticas.
  5. E) A retirada de objetos indígenas para instituições europeias pode ser justificada quando permite que pesquisadores estrangeiros estudem técnicas antigas, e a produção de novos mantos por Glicéria Tupinambá tem como principal finalidade recuperar informações históricas sobre a cultura material tupinambá.

✅ Resposta correta: alternativa C

Resolução passo a passo

  1. Identifique o eixo do texto-base. Davi Kopenawa afirma que um artefato indígena não é só uma peça material, pois carrega histórias, conhecimentos e relações espirituais da comunidade. Retirado de seu contexto e exposto segundo critérios externos, seu sentido pode ser reduzido ou distorcido.
  2. Relacione essa crítica ao caso de Glicéria Tupinambá. Ela estudou mantos conservados na Europa e participou da confecção de novos mantos a partir de pesquisas históricas, saberes transmitidos pelo seu povo e técnicas tradicionais. O objetivo não é copiar uma peça antiga, mas reativar a presença cultural do objeto e discutir a história de apropriação e afastamento.
  3. Conecte os dois pontos às noções pedidas. Memória, porque os mantos reativam a lembrança de um saber e de um povo; identidade, porque a produção de novos exemplares afirma a continuidade indígena; colonialismo, porque a retirada dos objetos para coleções estrangeiras é parte de um processo de apagamento que o trabalho procura questionar.
  4. Verifique a alternativa correta, a C. Ela afirma que os artefatos não são apenas objetos materiais, que seus sentidos dependem dos saberes e relações dos povos, que a retirada pode romper ou distorcer essa dimensão e que a reconstrução reativa a memória e funciona como resistência ao apagamento colonial, e não como simples reprodução estética.
  5. Por que as outras estão erradas. A trata o objeto apenas como documento material e aceita a permanência em museus como suficiente, contrariando a crítica do texto. B fala em integração cultural e adaptação aos padrões contemporâneos, ideias que o texto não sustenta. D afirma que a reconstrução substitui o antigo e que a identidade depende de peças autênticas, o oposto da proposta de reativar a presença cultural. E justifica a retirada para pesquisa estrangeira e reduz a produção de Glicéria a recuperar informações, ignorando a dimensão de memória e identidade.

💡 Dica: Analise as reflexões e relacione-as com a importância da arte indígena na cultura e na política.

Alternativa por alternativa

A Erradaerro: Conceituala que mais engana

O aluno acredita que a preservação física em museus basta para manter o valor do artefato, mesmo afastado da vida cultural do povo de origem.

Por que engana: O aluno pode confundir a resistência cultural com a simples valorização estética da arte indígena, sem considerar seu contexto histórico e social.

B Erradaerro: Interpretação

O aluno entende que a presença de objetos em coleções europeias gera integração cultural e que o novo manto seria uma adaptação a padrões artísticos atuais, leitura que inverte o sentido de resistência do texto.

C Correta

A resposta articula os dois aspectos apresentados no texto-base: a crítica de Kopenawa à separação entre os artefatos e os povos que lhes atribuem sentido e o trabalho de Glicéria como retomada ativa de memória, conhecimento e identidade tupinambá. A alternativa correta precisa compreender a reconstrução dos mantos como ação cultural e política, sem reduzi-la à preservação material ou à decoração.

D Erradaerro: Interpretação

O aluno supõe que a reconstrução substitui a peça antiga e que a identidade indígena só existe por meio de objetos materialmente autênticos, ignorando a dimensão viva e transmitida dos saberes.

E Erradaerro: Senso comum

O aluno aceita que a retirada de objetos se justifique pelo interesse de pesquisadores estrangeiros e reduz o trabalho de Glicéria à recuperação de informações históricas, sem perceber a dimensão de memória e identidade.

Raio-X da questão

Dificuldade Difícil
Bloom Analisar
Leitura alto
Discriminação alto
Peso pedagógico alto
Autonomia do enunciado depende_imagem
Cobertura da habilidade dupla
🧪 Simulado🩺 Diagnóstico🧮 Exige cálculo🏠 Cotidiano🔗 Interdisciplinar⭐ Representativa✍️ interpretativa🧩 progressao
🎯 Conceito central

arte indígena, apropriação cultural, identidade

📌 Objetivo

avaliacao

🧱 Pré-requisitos

apropriação cultural · arte indígena

📚 Reveja

Estude a apropriação cultural e o papel da arte indígena na valorização da identidade cultural.

⚠️ Erro mais comum

O aluno pode confundir a resistência cultural com a simples valorização estética da arte indígena, sem considerar seu contexto histórico e social.

🌎 Tema transversal

multiculturalismo

🤝 Socioemocional

pensamento_critico

🏫 Contexto

cotidiano

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