Analise, do ponto de vista sociológico e citando autores relevantes (por exemplo Piore & Sabel; Braverman)…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Caracterizar e analisar os impactos das transformações tecnológicas nas relações sociais e de trabalho próprias da contemporaneidade, promovendo ações voltadas à superação das desigualdades sociais, da opressão e da violação dos Direitos Humanos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Analise, do ponto de vista sociológico e citando autores relevantes (por exemplo Piore & Sabel; Braverman), como a transição do fordismo para formas produtivas flexíveis alterou os fluxos financeiros e as decisões públicas sobre emprego e política industrial.
- A) Piore e Sabel defendem que a produção flexível garante fluxos financeiros estáveis e previsíveis.
- B) A transição fordista para flexível resultou em mais empregos estáveis e regulamentação do mercado de trabalho.
- C) O fordismo não impactou as decisões públicas sobre políticas industriais, que sempre foram as mesmas.
- D) Flexibilidade na produção significa menos necessidade de investimento em formação e requalificação de trabalhadores.
- E) Transição para produção flexível descentraliza cadeias, altera fluxos financeiros para fornecedores e pressão por políticas ativas de emprego; resulta em menor emprego estável e maior necessidade de políticas de requalificação.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- A questão pede uma análise sociológica, com autores como Piore e Sabel e Braverman, sobre como a passagem do fordismo para formas flexíveis mudou fluxos financeiros e decisões públicas de emprego e política industrial. Passo 2: Piore e Sabel, em A Segunda Virada Industrial, sustentam que a crise do fordismo levou à especialização flexível, com redes de pequenas e médias empresas, produção por demanda e maior incerteza. Braverman, em Trabalho e Capital Monopolista, mostra a desqualificação (deskilling) do trabalho sob a gerência científica, que separa concepção e execução. Passo 3: Ao descentralizar cadeias, a produção flexível transfere riscos a fornecedores, altera o modo como o capital circula e cria pressão por políticas ativas de emprego, como requalificação e intermediação, porque o emprego deixa de ser estável e vitalício. Passo 4: Por isso a alternativa E é a única que articula os três elementos da pergunta: mudança nos fluxos financeiros, menor emprego estável e maior necessidade de políticas públicas de requalificação. Passo 5: A alternativa A está errada porque a produção flexível não garante fluxos estáveis; Piore e Sabel justamente destacam a instabilidade e a incerteza do mercado. Passo 6: A alternativa B está errada porque a flexibilização tende a precarizar vínculos e reduzir a estabilidade, não a ampliar empregos estáveis. Passo 7: A alternativa C está errada porque a crise do fordismo provocou reformulações nas políticas industriais e de emprego, e afirmar que nada mudou contraria a literatura. Passo 8: A alternativa D está errada porque a flexibilidade, na leitura da literatura, aumenta a demanda por requalificação contínua, já que o trabalhador precisa dominar múltiplas funções. Passo 9: Conclusão: o gabarito oficial E está correto, pois é a única alternativa coerente com a análise sociológica pedida.
💡 Dica: Considere as teorias dos autores mencionados para embasar sua análise.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde a tese de Piore e Sabel sobre especialização flexível com a ideia de estabilidade garantida, ignorando que os autores tratam a flexibilidade como resposta à instabilidade e à incerteza do mercado.
O aluno assume o senso comum de que modernização produtiva gera automaticamente empregos estáveis e mais regulação, sem considerar que a flexibilização tende a precarizar vínculos e reduzir a proteção do trabalho.
Por que engana: Confundir a produção flexível com a criação de mais empregos estáveis, ignorando a necessidade de requalificação dos trabalhadores.
O aluno acredita que as políticas industriais são neutras e imutáveis, desconsiderando que a crise do fordismo levou a reformulações nas políticas de emprego e de produção.
O aluno entende flexibilidade apenas como liberdade de gestão e supõe que, com maior flexibilidade, o trabalhador não precisa de formação, quando na verdade a flexibilização aumenta a necessidade de requalificação contínua.
Piore & Sabel descrevem ‘flexible specialization’ que desloca investimentos para redes e fornecedores; Braverman explica perda de controle dos trabalhadores; isso muda arrecadação e exige políticas públicas (incentivos a clusters, programas de requalificação) para mitigar desemprego estrutural e volatilidade financeira regional.
Raio-X da questão
fordismo e produção flexível
avaliacao
transição do fordismo · políticas industriais
Revisar as teorias de Piore & Sabel e Braverman sobre produção e trabalho.
Confundir a produção flexível com a criação de mais empregos estáveis, ignorando a necessidade de requalificação dos trabalhadores.
cidadania_etica
pensamento_critico
cientifico
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