À luz das análises de Loïc Wacquant sobre o 'Estado penal' e dos estudos sobre racismo estrutural, qual…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
À luz das análises de Loïc Wacquant sobre o 'Estado penal' e dos estudos sobre racismo estrutural, qual mecanismo social explica a maior vitimização policial de jovens negros nas periferias brasileiras?
- A) É resultado exclusivo de políticas internacionais, não de racismo estrutural local.
- B) Devida a falhas técnicas policiais aleatórias, sem influência racial.
- C) Criminalização diferencial: estereótipos levam à vigilância seletiva e policiamento intensivo sobre corpos negros.
- D) Causada por escolha individual dos jovens negros de viverem em áreas perigosas.
- E) Ocorre só porque há maior criminalidade real entre jovens negros.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A questão pede o mecanismo social que explica a maior vitimização policial de jovens negros nas periferias brasileiras, à luz de Loïc Wacquant (Estado penal) e dos estudos sobre racismo estrutural. Passo 2: Resolvi antes de olhar o gabarito. Wacquant mostra que, no neoliberalismo, o Estado reforça o controle penal sobre populações pobres e marginalizadas, especialmente nos bairros urbanos degradados, deslocando a gestão da desigualdade para a repressão. O racismo estrutural, por sua vez, faz com que estereótipos associem pessoas negras ao crime, o que orienta a atuação policial. Passo 3: Juntando as duas leituras, o mecanismo é a criminalização diferencial: estereótipos produzem vigilância seletiva e policiamento intensivo sobre corpos negros, independentemente de essas pessoas cometerem mais crimes. Esse é exatamente o conteúdo da alternativa C. Passo 4: Por que as outras estão erradas: A atribui a origem a políticas internacionais, ignorando o racismo estrutural local que a questão pede considerar. B nega a influência racial, mas os dados e estudos indicam padrões raciais consistentes na abordagem policial. D transfere a responsabilidade às vítimas, desconsiderando que a localização em periferias decorre de desigualdades históricas e urbanas. E supõe que a maior criminalidade real explica a vitimização, mas os estudos apontam que a seletividade da ação policial, e não apenas a criminalidade, produz esse padrão. Passo 5: Conclusão: o gabarito C está correto.
💡 Dica: Analise os conceitos de racismo estrutural e Estado penal.
Alternativa por alternativa
Acredita que o problema vem de políticas externas e não de dinâmicas internas como o racismo estrutural brasileiro. Com isso desconsidera a produção local de desigualdade racial no sistema de segurança.
Por que engana: O aluno pode confundir a criminalização diferencial com a ideia de que a vitimização é apenas resultado de escolhas individuais ou da criminalidade real, ignorando o papel dos estereótipos raciais.
Entende que a violência policial é um erro técnico distribuído ao acaso, sem relação com o pertencimento racial. Ignora os padrões estatísticos e a seletividade da abordagem.
Wacquant mostra como políticas penais focalizam territórios marginalizados; o racismo estrutural e estereótipos produzem perfilamento racial, com policiamento concentrado em bairros negros, elevando abordagens, autuações e violência policial.
Atribui à escolha individual dos jovens a exposição à violência, tratando a localização na periferia como decisão pessoal e não como resultado de desigualdade urbana e racial. Isso inverte a responsabilidade pelo problema.
Supõe que a maior vitimização é consequência direta de maior criminalidade real entre jovens negros, sem considerar que a seletividade policial pode produzir o padrão mesmo com taxas semelhantes de delito.
Raio-X da questão
racismo estrutural
diagnostico
racismo estrutural · políticas de segurança pública
Revisar os conceitos de racismo estrutural e Estado penal.
O aluno pode confundir a criminalização diferencial com a ideia de que a vitimização é apenas resultado de escolhas individuais ou da criminalidade real, ignorando o papel dos estereótipos raciais.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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