Em sua reflexão sobre o pecado original, Agostinho de Hipona afirma que a humanidade nasce marcada por uma…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em sua reflexão sobre o pecado original, Agostinho de Hipona afirma que a humanidade nasce marcada por uma condição de afastamento do bem e que a vontade humana, embora possa escolher, não é plenamente autossuficiente para alcançar a perfeição moral. Essa interpretação não equivale a dizer que cada recém-nascido tenha cometido pessoalmente uma falta. No debate atual sobre políticas para pessoas em situação de pobreza, alguns discursos atribuem exclusivamente ao indivíduo a responsabilidade por sua condição, enquanto outros consideram também as limitações sociais que reduzem suas possibilidades de escolha. Considerando o texto-base, qual leitura da visão agostiniana permite relacioná-la de modo mais adequado ao debate contemporâneo apresentado?
- A) Ela sustenta que a pobreza resulta principalmente de falhas morais individuais, independentemente das condições sociais.
- B) Ela estabelece que políticas sociais devem ser rejeitadas, pois somente a transformação moral individual poderia enfrentar a pobreza.
- C) Ela demonstra que as escolhas individuais não possuem valor moral, pois a vontade humana seria completamente incapaz de decidir.
- D) Ela questiona a ideia de que indivíduos sejam plenamente autossuficientes e moralmente isolados, favorecendo uma análise menos simplista da responsabilidade social.
- E) Ela confirma que cada pessoa nasce juridicamente culpada e deve responder individualmente por sua condição social.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto afirma que a humanidade nasce marcada por um afastamento do bem e que a vontade humana, embora livre para escolher, não é plenamente autossuficiente para alcançar a perfeição moral. Além disso, esclarece que isso não significa que cada recém-nascido tenha cometido uma falta pessoal.
- Assim, a visão agostiniana desloca o foco de uma culpa puramente individual e concreta para uma condição geral da existência humana, em que nenhum indivíduo é inteiramente autossuficiente.
- No debate contemporâneo, há quem atribua exclusivamente ao indivíduo a responsabilidade pela pobreza e quem considere também as limitações sociais que reduzem as possibilidades de escolha. A leitura que relaciona melhor Agostinho a esse debate é a que mostra que a condição humana é marcada por limitações que não se resumem à escolha individual.
- A alternativa D corresponde a essa leitura, pois questiona o isolamento moral e a autossuficiência do indivíduo, o que favorece uma análise menos simplista da responsabilidade social.
- Por que as demais estão erradas: A atribui a pobreza apenas a falhas morais individuais, contrariando a ideia de que a condição humana não se reduz à culpa pessoal. B deduz de Agostinho uma rejeição de políticas sociais, o que o texto não afirma. C nega valor moral às escolhas, enquanto o texto diz que a vontade pode escolher. E transforma a doutrina do pecado original em culpa jurídica individual, o que o texto expressamente nega.
💡 Dica: Analise as implicações sociais da visão de Agostinho.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a condição humana marcada pelo pecado a uma responsabilidade moral exclusivamente individual, ignorando que o texto nega a culpa pessoal de cada indivíduo.
O aluno transforma a ênfase na transformação moral em uma recusa das políticas sociais, algo que o texto não sugere.
O aluno entende que a insuficiência da vontade significa ausência total de capacidade de escolha, quando o texto diz que a vontade pode escolher, embora não seja autossuficiente.
O texto apresenta o pecado original como uma condição humana universal, associada à limitação da vontade e à impossibilidade de plena autossuficiência moral. A relação com o debate atual não consiste em afirmar que todos sejam pessoalmente culpados desde o nascimento, mas em questionar julgamentos que atribuem exclusivamente ao indivíduo a responsabilidade por sua situação, ignorando condições sociais que restringem escolhas.
O aluno confunde a condição marcada pelo pecado original com culpa jurídica pessoal e herdada, algo que o texto explicitamente afasta.
Raio-X da questão
pecado original
diagnostico
visão agostiniana do pecado · questões sociais atuais
Revisar a visão agostiniana sobre o pecado original e suas implicações sociais.
Confundir a ideia de culpa inata com a noção de responsabilidade social, levando a uma interpretação errada da visão agostiniana.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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