Sono na educação infantil: descanso, agência infantil e regras em tensão
Estudos na Finlândia e no Reino Unido mostram que o descanso envolve mais do que dormir: práticas, orientações e participação das crianças também importam. Veja como interpretar esses achados no contexto brasileiro.
Em dois grupos de jardim de infância na Finlândia, as dificuldades vividas durante o horário de sono estavam ligadas a contradições incorporadas às próprias práticas e à forma como elas eram realizadas. Esse é o resultado central de uma pesquisa que observou interações entre crianças e adultos e reuniu entrevistas com participantes, lideranças e responsáveis (Hilppö, 2026).
O achado ajuda a mudar a pergunta do professor: em vez de pensar apenas em como fazer todas as crianças dormirem, vale observar que expectativas, necessidades e regras se encontram no momento do descanso. Pesquisas recentes de diferentes contextos internacionais não oferecem uma receita única para a rotina brasileira, mas ajudam a enxergar o sono como parte da organização cotidiana da educação infantil — e como uma situação em que o bem-estar, a participação das crianças e as decisões dos adultos podem entrar em tensão.
O que é sono na educação infantil e experiências internacionais e por que importa para o professor
Na educação infantil, sono e descanso são momentos da rotina em que a instituição organiza condições para que as crianças durmam ou permaneçam em repouso. Na prática, isso pode envolver horários, ambiente, orientação adulta e expectativas sobre o que cada criança deve fazer. Os estudos reunidos aqui mostram que esse momento não é apenas uma pausa entre atividades: é também uma prática de cuidado em que se negociam comportamentos e possibilidades de participação.
O assunto importa para professores porque acontece dentro da vida concreta do grupo. Enquanto algumas crianças podem dormir, outras podem não adormecer; adultos precisam conduzir a rotina coletiva e, ao mesmo tempo, lidar com as diferenças entre as crianças. Os resumos não propõem um protocolo universal, mas apontam questões úteis para a equipe observar: como se organiza o momento, que exigências recaem sobre crianças e adultos e quanto espaço as crianças têm para influenciar aquilo que lhes acontece.
A expressão “experiências internacionais” pede cuidado. Os estudos sobre práticas de sono aqui descritos foram realizados na Finlândia, e a revisão de documentos de orientação examinou o Reino Unido. São contextos distintos do brasileiro, com documentos e formas de organização próprios. O valor da comparação não está em importar regras, e sim em usar perguntas levantadas por essas pesquisas para analisar a rotina local.
O que a pesquisa recente mostra
Os estudos mais diretamente relacionados ao sono na educação infantil se concentram em duas frentes: o que acontece no horário de descanso e como os documentos orientadores dão espaço — ou pouca atenção — ao sono. Em conjunto, eles sugerem que uma rotina aparentemente simples pode reunir expectativas conflitantes, enquanto as orientações institucionais nem sempre tratam o sono com a mesma ênfase dada a outros comportamentos de movimento.
O horário de sono pode reunir exigências que entram em conflito
Uma pesquisa microetnográfica em dois grupos de jardim de infância finlandeses analisou as interações de crianças e adultos durante o horário de sono e entrevistas com crianças, adultos, lideranças e responsáveis. Os autores relatam que as dificuldades vividas decorreram de várias contradições incorporadas às práticas de sono e à sua realização. O estudo oferece um quadro mais matizado das exigências conflitantes que recaem sobre esse período do que aquele apresentado pela pesquisa existente (Hilppö, 2026).
Esse resultado não identifica uma causa isolada nem recomenda uma técnica específica para fazer as crianças dormirem. O foco está na complexidade da prática: o horário reúne pessoas com posições diferentes, e as dificuldades podem estar ligadas à maneira como a rotina está organizada, não simplesmente a uma criança que “não colabora”. Para a equipe, essa leitura convida a observar o conjunto das condições e interações.
Um trabalho relacionado, também baseado em observações e entrevistas em duas turmas finlandesas, explora as contradições subjacentes às práticas de sono e descreve como participantes da educação e do cuidado lidam com as dificuldades. O estudo reforça a ideia de que o descanso é uma atividade básica de cuidado atravessada por exigências diversas; não apresenta, no resumo, uma solução padronizada para resolvê-las (Hilppö, 2025).
Como os dois trabalhos tratam de duas turmas finlandesas e abordam contradições do horário de sono, é mais prudente lê-los como contribuições próximas sobre o mesmo tipo de questão, e não como evidências de que toda instituição enfrenta exatamente os mesmos conflitos. Eles ajudam a formular perguntas para a observação pedagógica: quais expectativas estão sendo colocadas sobre o grupo? Como adultos e crianças respondem às dificuldades? O que, na prática cotidiana, torna o descanso mais ou menos viável?
As crianças têm participação limitada no momento do descanso
Um estudo sobre relatos de crianças de cinco a sete anos na educação infantil investigou como seus posicionamentos corporais aparecem nas conversas, entrevistas e narrativas imaginativas sobre o descanso. A análise identificou três posições: corpos dóceis, corpos relutantes e corpos rebeldes. Os resultados indicam possibilidades limitadas de agência e de controle das crianças sobre seus corpos nesse contexto (Kuukka, 2025).
Em linguagem direta, agência significa poder participar, expressar preferências ou influenciar uma situação que afeta a própria criança. O estudo contrasta essa participação restrita com o direito das crianças de influenciar questões que lhes dizem respeito, conforme a Convenção sobre os Direitos da Criança mencionada pelos autores. A pesquisa destaca a importância de reconsiderar o descanso de modo a reduzir o governamento adulto dos corpos infantis.
Isso não equivale a dizer que toda orientação adulta seja inadequada, nem que cada criança possa definir sozinha a rotina de um grupo. O resultado aponta uma tensão: a instituição precisa organizar um momento coletivo, mas as crianças podem ter pouca influência sobre como seus corpos devem ficar e sobre o que se espera delas. Essa distinção é importante para que uma conversa sobre descanso não vire uma oposição simplista entre regra e liberdade.
Para o professor, o achado oferece um ângulo de observação específico: além de perguntar se a rotina está funcionando, vale considerar como as crianças a narram e vivem. Um corpo quieto pode estar confortável, relutante ou apenas cumprindo uma expectativa; o estudo mostra que os relatos infantis apresentaram posições distintas, sem que isso autorize atribuir automaticamente um estado interno a cada criança.
As orientações oficiais podem dar pouca atenção ao sono
Uma revisão de documentos orientadores do governo do Reino Unido investigou como as diretrizes de educação infantil tratavam comportamentos de movimento, espaços para brincadeiras ativas e inclusão de crianças com deficiência. Todos os documentos mencionavam a importância da atividade física, com destaque para habilidades motoras e brincadeiras ao ar livre, mas nenhum estabelecia padrões de frequência, duração ou intensidade das atividades (Phillips, 2026).
Já o sono e outros comportamentos sedentários receberam atenção mínima. Nenhum dos documentos analisados abordou os comportamentos de movimento ao longo de 24 horas. A revisão também identificou variações substanciais entre os documentos quanto aos padrões de movimento e poucas orientações sobre como atividades ou espaços poderiam atender aos requisitos de apoio a crianças com deficiência (Phillips, 2026).
Esse estudo não observou diretamente o que acontece na hora do descanso em cada instituição. Seu objeto foram documentos de orientação, por isso o resultado fala sobre a presença e a consistência das diretrizes, não sobre o comportamento de crianças ou a qualidade de uma rotina específica. Ainda assim, ele amplia a discussão: o sono pode ficar em segundo plano quando as orientações tratam de comportamentos relacionados à saúde, mesmo que a atividade física receba menções mais explícitas.
O contexto é o Reino Unido, e suas diretrizes não são regras brasileiras. A contribuição para a leitura local é a possibilidade de verificar se o sono aparece nas orientações que a própria rede ou instituição utiliza e se ele é articulado às demais dimensões da rotina. A revisão também chama atenção para inclusão: reconhecer que crianças com deficiência devem ser apoiadas é diferente de explicar como adaptar ambientes e atividades.
Os estudos lado a lado
Os três trabalhos a seguir investigam objetos diferentes: práticas observadas em grupos finlandeses, relatos de crianças sobre o descanso e documentos orientadores do Reino Unido. Essa distinção ajuda a comparar os achados sem tratar observações, narrativas e diretrizes como se fossem o mesmo tipo de evidência.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Hilppö, 2026 | Interações durante o horário de sono e entrevistas sobre as práticas. | As dificuldades decorreram de várias contradições incorporadas às práticas e à sua realização; o quadro é complexo e matizado. | Dois grupos de jardim de infância na Finlândia; educação e cuidado na primeira infância. |
| Hilppö, 2025 | Contradições nas práticas de sono e formas de lidar com dificuldades. | Apresenta exigências conflitantes e percepções sobre como participantes lidam com elas, sem indicar uma solução única no resumo. | Duas turmas finlandesas de jardim de infância. |
| Kuukka, 2025 | Relatos de crianças de cinco a sete anos sobre o momento do descanso. | Identifica corpos dóceis, relutantes e rebeldes e aponta possibilidades limitadas de agência e controle corporal. | Educação infantil; crianças de cinco a sete anos. O resumo não identifica país. |
| Phillips, 2026 | Documentos orientadores da educação infantil sobre movimento e espaços de brincadeira ativa. | Atividade física aparece em todos; sono e outros comportamentos sedentários recebem atenção mínima; não há abordagem de movimento ao longo de 24 horas. | Documentos governamentais do Reino Unido; busca realizada em julho de 2024. |
Quais pontos em comum e divergências aparecem entre os estudos?
Os trabalhos convergem ao mostrar que o sono e o descanso não se explicam apenas por uma decisão individual da criança. Os estudos finlandeses descrevem práticas atravessadas por contradições e exigências; a pesquisa com crianças destaca que o controle adulto pode limitar sua participação; a revisão britânica encontra pouca atenção ao sono nos documentos orientadores. Em conjunto, essas perspectivas tornam visíveis as condições institucionais e relacionais que cercam o descanso.
As diferenças estão no que cada estudo pode afirmar. A microetnografia observa interações e reúne entrevistas em dois grupos; o estudo de Kuukka interpreta relatos infantis sobre posições corporais; Phillips analisa documentos oficiais, não a rotina de uma turma. Assim, não se pode usar a revisão documental para concluir como as crianças se sentem, nem usar as narrativas infantis para afirmar que diretrizes de um país inteiro ignoram o sono.
Também permanecem perguntas abertas: quais formas de organizar o descanso conciliam melhor a rotina coletiva e as necessidades individuais? Como as crianças podem influenciar esse momento sem que a equipe perca a possibilidade de cuidar do grupo? Que orientações institucionais ajudam a tornar a prática mais inclusiva? Os resumos não oferecem respostas conclusivas a essas perguntas. Eles apontam questões para investigação e reflexão profissional, não uma fórmula pronta.
O que esses estudos significam para a sala de aula?
Uma aplicação responsável é transformar os achados em perguntas de observação e conversa com a equipe, sem apresentá-los como um método comprovado. As sugestões abaixo são possibilidades para adaptar ao contexto, às orientações da rede e às necessidades das crianças; não são resultados testados pelos estudos citados.
1. Observe a rotina inteira, não apenas quem adormece
Aplicação: por alguns dias, a equipe pode registrar de forma simples o que acontece antes, durante e depois do descanso: transições, instruções dadas, reações observáveis e organização do ambiente. Por exemplo, uma equipe hipotética percebe que a maior dificuldade surge na passagem de uma atividade movimentada para o repouso. Esse registro não prova uma causa, mas pode ajudar a localizar em que momento vale conversar e rever a organização.
2. Diferencie a necessidade de descanso da exigência de dormir
Aplicação: a equipe pode discutir se a rotina define como objetivo oferecer um período tranquilo ou fazer com que todas as crianças durmam. Imagine um grupo hipotético em que algumas crianças repousam e outras permanecem acordadas. Os profissionais podem examinar quais expectativas são essenciais para o cuidado coletivo e quais poderiam ser flexibilizadas, sempre respeitando as orientações locais e a segurança do grupo.
3. Abra espaço para ouvir as crianças
Aplicação: antes ou depois do descanso, o professor pode convidar as crianças a contar o que as ajuda a ficar confortáveis e o que acham difícil, usando conversa, desenho ou outra forma adequada ao grupo. Por exemplo, uma criança hipotética explica que não gosta de determinada posição. A resposta não precisa ser aceitar qualquer pedido, mas considerar a fala ao avaliar as opções da rotina. Essa proposta dialoga com a questão da agência, mas não é uma intervenção testada por Kuukka.
4. Repare nas diferentes formas de participação
Aplicação: em vez de interpretar silêncio como satisfação ou movimento como desafio, a equipe pode observar cada situação com cuidado e evitar conclusões automáticas sobre o que a criança sente. Imagine uma criança hipotética que permanece deitada, mas demonstra desconforto; a observação pode levar o adulto a conversar e buscar compreender a situação. O estudo sobre posicionamentos corporais incentiva atenção às experiências infantis, mas não oferece uma lista de sinais para diagnosticar sentimentos.
5. Discuta as expectativas entre adultos
Aplicação: professores, auxiliares e coordenação podem explicitar o que cada pessoa entende por “hora do sono” e quais objetivos considera prioritários. Em um exemplo hipotético, um adulto espera silêncio absoluto, enquanto outro considera suficiente que as crianças permaneçam em uma atividade tranquila. Tornar essa diferença visível pode ajudar a equipe a construir uma orientação comum, em vez de deixar que mensagens contraditórias recaiam sobre as crianças.
6. Examine se as orientações da instituição mencionam o sono
Aplicação: a equipe pode revisar documentos próprios da rede ou da escola e perguntar se eles tratam do descanso, da inclusão e das diferenças entre crianças. Uma coordenação hipotética percebe que as orientações detalham brincadeiras ativas, mas pouco dizem sobre o período de repouso. O passo seguinte pode ser levar a questão à gestão, sem copiar padrões britânicos, que pertencem a outro sistema e foram analisados em outro contexto.
7. Inclua a perspectiva das famílias na conversa
Aplicação: a instituição pode compartilhar com os responsáveis como organiza o período e escutar informações que ajudem a compreender necessidades e experiências da criança, mantendo a conversa respeitosa e sem transformar diferenças em julgamento. Por exemplo, uma família hipotética relata que a criança não costuma dormir em determinado horário em casa. Isso não determina automaticamente o que deve acontecer na escola, mas oferece um dado para uma conversa colaborativa sobre a rotina.
O que muda no contexto brasileiro?
No Brasil, os resultados devem ser lidos como perguntas úteis, não como regras importadas. As práticas descritas por Hilppö ocorreram em grupos finlandeses, e a revisão de Phillips analisou documentos do Reino Unido. O estudo de Kuukka trata de relatos de crianças de cinco a sete anos, mas o resumo não informa o país. Portanto, não há base nesses resumos para afirmar que a organização do descanso nesses lugares corresponde à realidade de uma instituição brasileira.
O que pode ser aproveitado é o modo de olhar: verificar como o horário está organizado, que expectativas são colocadas sobre as crianças, que espaço elas têm para influenciar o momento e o que os documentos locais orientam. A adaptação precisa considerar as condições concretas da escola e as diretrizes da rede. Uma proposta adequada para uma instituição pode não servir a outra, e os estudos não comparam diretamente modelos brasileiros e estrangeiros.
Também é importante evitar transformar “dar voz” em responsabilidade da criança por resolver uma questão coletiva. Escutar preferências não significa dispensar o papel do adulto; significa incluir a perspectiva infantil na reflexão sobre uma rotina que a afeta. Da mesma forma, a atenção limitada ao sono encontrada em documentos britânicos não permite concluir que as orientações brasileiras sejam iguais. Para saber isso, seria necessário analisar as normas e documentos usados na própria rede ou instituição.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis no ERIC, e não na leitura integral dos trabalhos. As pesquisas citadas têm objetos e contextos diferentes: dois estudos abordam práticas em grupos finlandeses, um analisa relatos de crianças e outro revisa documentos do Reino Unido. Por isso, os achados não devem ser generalizados para toda a educação infantil, nem tratados como uma comparação direta entre países.
Ficam em aberto perguntas sobre como os participantes foram observados em cada situação, quais instrumentos completos foram usados e como as práticas se relacionam com condições específicas de cada instituição. Também não há, nesses resumos, uma recomendação universal sobre duração, frequência ou formato do descanso. Faz sentido consultar os estudos completos quando a equipe ou a gestão quiser compreender melhor os métodos, verificar detalhes das análises ou usar os trabalhos como base para decisões institucionais e novas pesquisas.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O sono é um tema de cuidado e organização cotidiana, não algo que precise ser transformado em prova para as crianças pequenas. Para professores que desejam trabalhar assuntos relacionados à saúde, rotina ou leitura crítica de pesquisas com estudantes em etapas adequadas, o gerador de provas do GeraProva pode ajudar a criar questões e atividades; quem quiser conhecer a plataforma pode fazer o cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre sono na educação infantil
O que a pesquisa diz sobre crianças que não dormem na hora do descanso?
Os estudos citados não apresentam uma regra para crianças que não adormecem nem testam uma estratégia específica para fazê-las dormir. A pesquisa microetnográfica em dois grupos finlandeses relata que as dificuldades no horário de sono estavam ligadas a contradições incorporadas às práticas e à forma como eram realizadas. Outra pesquisa mostra que as crianças podem ter possibilidades limitadas de influenciar o momento. Para o professor, isso sugere observar a situação e as expectativas da rotina, sem concluir que a dificuldade é simplesmente falta de colaboração da criança.
O horário de descanso precisa ser igual para todas as crianças?
Os resumos não recomendam que todas as crianças tenham uma rotina idêntica, nem definem um modelo alternativo. Eles mostram que o horário de sono pode reunir exigências conflitantes e que as crianças têm possibilidades limitadas de agência em certos contextos. Uma aplicação possível é a equipe discutir quais aspectos da rotina precisam ser comuns para o cuidado do grupo e onde há espaço para considerar diferenças individuais. Essa discussão deve respeitar as orientações da instituição e da rede; não é uma recomendação testada diretamente pelos estudos.
O que significa agência infantil durante o descanso?
Neste contexto, agência é a possibilidade de a criança expressar uma preferência e influenciar uma situação que a afeta. Kuukka analisou relatos de crianças de cinco a sete anos e identificou posicionamentos corporais descritos como dóceis, relutantes e rebeldes. O estudo concluiu que havia possibilidades limitadas de agência e de controle sobre o próprio corpo no momento do descanso. Isso não significa que crianças devam decidir tudo sozinhas, mas ajuda o professor a perguntar se elas conseguem comunicar como vivem a rotina e se essa perspectiva é considerada.
O que a revisão do Reino Unido encontrou sobre sono?
A revisão analisou documentos orientadores governamentais de educação infantil do Reino Unido. Todos mencionavam a importância da atividade física, mas nenhum estabelecia padrões de frequência, duração ou intensidade das atividades. O sono e outros comportamentos sedentários recebiam atenção mínima, e os documentos não abordavam os comportamentos de movimento ao longo de 24 horas. Esse resultado descreve os documentos examinados, não a rotina de cada instituição britânica. Também não permite afirmar que as orientações brasileiras tenham as mesmas características.
Os estudos mostram qual é a melhor rotina de sono para a educação infantil?
Não. Os resumos não comparam diferentes rotinas para indicar qual seria a melhor, nem apresentam uma recomendação universal de horários, duração ou organização do descanso. Os trabalhos finlandeses exploram contradições nas práticas; o estudo sobre relatos infantis examina a participação e o controle corporal; a pesquisa britânica revisa documentos orientadores. Juntos, eles ajudam a formular questões para a equipe, mas não substituem orientações locais nem fornecem um protocolo pronto. Para adotar mudanças, é importante considerar o contexto da instituição e consultar as fontes completas quando necessário.
Como conversar sobre o descanso com as crianças?
Os estudos citados não testam um roteiro de conversa específico. Ainda assim, uma aplicação possível de seus achados é abrir oportunidades para que as crianças contem como percebem esse momento, por exemplo, em uma conversa breve ou por meio de desenhos. O professor pode escutar sem presumir que uma resposta isolada explique toda a experiência da criança. A ideia é incluir a perspectiva infantil na reflexão sobre a rotina, mantendo a responsabilidade adulta pela organização do grupo. Essa proposta é uma aplicação pedagógica, não um resultado demonstrado pelas pesquisas.
Referências
- Hilppö (2026). Sono conturbado na educação infantil: explorando tensões e contradições nas práticas de horário de sono de dois grupos de jardim de infância finlandeses (Troubled Sleep in ECEC: Exploring Tension and Contradictions in Two Finnish Kindergarten Groups' Sleep Time Practices). Early Childhood Education Journal. Link.
- Hilppö (2025). Sono problemático na educação infantil: explorando as contradições subjacentes às práticas durante o horário de sono em duas turmas finlandesas de jardim de infância (Troubled Sleep in ECEC: Exploring Contradictions Underlying Two Finnish Kindergarten Groups' Sleep Time Practices). AERA Online Paper Repository. Link.
- Kuukka (2025). Posicionamentos corporais das crianças nos relatos sobre o momento do descanso na Educação Infantil: uma perspectiva foucaultiana (Children's Bodily Positioning in Accounts of Naptime in Early Childhood Education and Care: A Foucauldian Perspective). European Early Childhood Education Research Journal. Link.
- Phillips (2026). Comportamentos de movimento e padrões para espaços de brincadeira ativa: uma revisão dos documentos orientadores da educação infantil no Reino Unido (Movement Behaviour and Active Play Space Standards: A Review of Early Childhood Education Frameworks in the United Kingdom). International Journal of Child Care and Education Policy. Link.
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