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Sindicatos de professores e reformas educacionais: a pressão pode mudar políticas

Estudos de diferentes países mostram sindicatos e educadores influenciando reformas por meio de disputas, negociação e colaboração. Os resultados também revelam tensões entre autonomia, desempenho e igualdade.

Sindicatos de professores e reformas educacionais: a pressão pode mudar políticas

Sindicatos de professores podem influenciar reformas educacionais ao contestar políticas, negociar mudanças e defender condições de trabalho e participação docente. Estudos recentes em diferentes países mostram que essa influência pode levar a ajustes nas políticas, mas também envolve tensões entre autonomia, desempenho, igualdade e recursos. Os caminhos e resultados variam conforme o contexto político e educacional de cada país.

Como a pressão de um sindicato de professores pode mudar uma reforma educacional? Pode levar governos a ajustar políticas, mas não garante que todas as demandas dos educadores sejam atendidas.

Estudos recentes de diferentes países ajudam a entender essa influência e suas tensões. A seguir, vemos o que as pesquisas relatam e o que um professor brasileiro pode aproveitar sem confundir realidades distintas.

O que é mudança educacional em outros países e o papel dos sindicatos e por que importa para o professor

Mudança educacional é a alteração de políticas, regras, currículos, formas de avaliação ou organização do trabalho escolar. Em outros países, os estudos mostram que essas mudanças não acontecem apenas por decisão de governos: sindicatos, professores, gestores, organizações profissionais e comunidades podem participar, contestar ou adaptar as propostas.

Para quem está na escola, a reforma aparece em decisões bem concretas: uma nova forma de avaliar, a adoção de uma tecnologia, mudanças no currículo ou novas expectativas sobre o trabalho docente. Um sindicato pode representar interesses coletivos, negociar condições de trabalho e contestar medidas. Mas sua influência depende do contexto político e das relações com quem formula as políticas. Os estudos reunidos aqui mostram tanto conflitos prolongados quanto iniciativas de colaboração.

Isso importa porque uma política pode ser apresentada como uma orientação única, mas ser vivida de maneiras diferentes por quem precisa colocá-la em prática. A participação dos professores pode contribuir para que as propostas considerem conhecimentos e condições locais. Ao mesmo tempo, a existência de participação não elimina disputas sobre recursos, autonomia, avaliação e objetivos da educação.

O que a pesquisa recente mostra

Os estudos não oferecem uma receita universal para a atuação sindical. Eles ajudam, porém, a observar mecanismos diferentes: pressão e concessões, construção de alternativas coletivas, participação docente e tensões entre metas de reforma e condições de implementação.

Pressão, conflito e negociação podem alterar políticas

Na Dinamarca, Laursen analisa a implantação de um sistema obrigatório de gestão da aprendizagem na educação primária e secundária inferior. O estudo examina textos de políticas publicados entre 2005 e 2020 e acompanha o conflito entre legisladores e o Sindicato dos Professores dinamarquês. Os resultados indicam que a mudança foi marcada por uma luta prolongada: os legisladores fizeram ajustes contínuos em resposta à pressão do sindicato, e essas alterações podem ser entendidas como concessões políticas (Laursen, 2024).

Esse resultado é importante porque desloca a ideia de que uma reforma é simplesmente anunciada e depois executada sem alterações. No caso estudado, a contestação sindical aparece como parte do processo que modificou as políticas. O resumo também aponta uma disputa mais ampla: os legisladores recorriam a lógicas de outros campos, como a economia, para sustentar a predominância do capital humano na organização da educação.

Na Grécia, Traianou investiga os desafios enfrentados pelos sindicatos de professores durante reformas desenvolvidas entre 2010 e 2023, em um período de ajuste estrutural e austeridade prolongada. Com atenção especial à avaliação de escolas e professores, a pesquisa, baseada em entrevistas com dirigentes sindicais, relata que a crise gerou incertezas estratégicas para o sindicalismo docente. Ainda assim, os sindicatos mantiveram sua identidade como atores ativos da mudança educacional e como organizações que defendem o estatuto e as condições de trabalho de seus membros (Traianou, 2025).

Os dois casos não são idênticos. Na Dinamarca, o resumo destaca ajustes de política em resposta à pressão sindical; na Grécia, evidencia dilemas estratégicos em contexto de crise e a continuidade da atuação sindical. Em conjunto, mostram que influenciar não significa controlar o resultado: pode envolver conseguir mudanças específicas, sustentar uma posição ou defender condições profissionais durante uma reforma.

Organização coletiva também pode construir propostas

Nem toda influência se dá por oposição a uma política já pronta. Na Inglaterra, uma coalizão de organizações de educação infantil elaborou orientações curriculares próprias, descritas como feitas “para o setor, pelo setor”. A iniciativa ocorreu após preocupações com o envolvimento insuficiente de especialistas na revisão de documentos ligados à primeira infância. Archer reflete sobre a ação coletiva da coalizão e sobre como a diversidade de organizações envolvidas criou condições para contestar políticas (Archer, 2024).

O estudo considera o potencial de novas ações colaborativas de defesa em busca de maior autonomia e profissionalização para os profissionais da educação infantil, em parceria com eles. O resumo não apresenta uma avaliação de impacto da orientação produzida; sua contribuição está em discutir a agência crítica e a defesa coletiva como formas de participação na elaboração de propostas.

Na Austrália, Ham e Menzie-Ballantyne exploram uma abordagem colaborativa para traduzir um referencial internacional de competência global em uma proposta para toda a escola, em âmbito estadual. A pesquisa relata, em particular, dados coletados antes do início da colaboração, sobre as concepções prévias dos participantes. Essas concepções se alinhavam aos referenciais pedagógicos que os educadores conheciam e ao Currículo Australiano, incluindo competências gerais e sustentabilidade (Ham, 2026).

O estudo australiano destaca a importância de partir dos conhecimentos e contextos dos professores, em vez de apenas incorporar uma política de cima para baixo. Já o caso inglês mostra uma coalizão de organizações profissionais propondo orientações. São iniciativas diferentes, mas ambas ajudam a pensar participação como algo que pode incluir a construção de alternativas, não somente a reação a decisões já tomadas.

Autonomia, igualdade e desempenho nem sempre caminham juntos

A história da Coreia do Sul analisada por Sorensen ajuda a perceber que reformas com objetivos democráticos podem produzir efeitos contraditórios. Nas décadas de 1980 e início de 1990, reformadores buscaram maior liberdade e autonomia para professores, estudantes e famílias, associadas à sindicalização docente. Alguns excessos da centralização e do utilitarismo econômico do período autoritário foram atenuados nos anos 1990. Porém, a consolidação democrática envolveu uma coalizão com tecnocratas neoliberais, e as reformas passaram a enfatizar desregulamentação e escolha estudantil. Segundo o estudo, essas mudanças ampliaram algumas formas de escolha e autonomia, mas eliminaram a equalização das escolas defendida por muitos democratizadores (Sorensen, 2023).

Esse caso não trata apenas de sindicatos, mas situa a sindicalização dentro de uma disputa maior sobre democracia, autonomia e igualdade. A lição não é que autonomia seja ruim ou que escolha produza sempre desigualdade. É que uma reforma pode atender a certos objetivos e, ao mesmo tempo, enfraquecer outros que também eram valorizados por seus apoiadores.

Em Camarões, Bang e Kum examinam criticamente a implementação da educação baseada em competências no ensino secundário geral anglófono. Os resultados relatam influência de atores transnacionais e parceiros empresariais sobre burocratas, escassez de recursos e custos impostos aos atores escolares da base, apesar de suas diferentes capacidades. O estudo também relata que os profissionais incorporavam a política enquanto lamentavam a falta de recursos e assumiam funções complexas, com poucos avanços nos resultados acadêmicos e na vida real (Bang, 2023).

Essa pesquisa não é um estudo sobre sindicatos, mas acrescenta um alerta sobre implementação: uma política pode afirmar que empodera os atores escolares sem oferecer condições suficientes para sua realização. A crítica dos autores é situada em uma perspectiva marxista e no contexto específico de Camarões; não deve ser tomada como descrição automática de reformas em outros países.

Implementar uma reforma depende das condições da escola e do sistema

Na Noruega, Oldervik investiga como dirigentes de duas escolas de ensino médio respondem à complexidade da governança durante reformas. As escolas enfrentavam um novo sistema nacional de mensuração da qualidade e uma reforma municipal e regional relacionada à fusão das duas unidades. O estudo descreve uma “liderança intensificada”: administrar responsabilidades diversas, demonstrar compromisso com as comunidades locais e com finalidades mais amplas da educação, além de mobilizar práticas de resistência e cuidado de si (Oldervik, 2026).

No País de Gales, Embling e colegas estudam a preparação de quatro escolas secundárias para implementar o Currículo para o País de Gales, com foco em saúde e bem-estar. Os profissionais percebiam tensão entre a pressão tradicional por desempenho acadêmico e a visão mais holística da reforma. A governança de cima para baixo e a cultura profissional eram vistas como fatores que influenciavam a implementação nacional; no nível da escola, o apoio ao trabalho em parceria foi considerado um facilitador. Os autores apontam a necessidade de apoio em vários níveis, desenvolvimento profissional, parcerias eficazes e recursos adequados (Embling, 2026).

Esses casos não investigam a atuação sindical como tema principal. Ainda assim, ajudam a completar o quadro: mudanças de política chegam a escolas com responsabilidades, expectativas e recursos concretos. Para entender a influência de sindicatos e educadores, é preciso observar não só quem participa da decisão, mas também o que acontece durante a implementação.

Os estudos lado a lado

Os estudos abaixo investigam reformas e formas de participação em contextos distintos. A tabela resume o foco e os resultados relatados nos resumos, sem sugerir que as políticas ou instituições descritas sejam iguais às brasileiras.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Laursen, 2024Conflito sobre sistema obrigatório de gestão da aprendizagem.Luta prolongada entre legisladores e sindicato; ajustes contínuos em resposta à pressão sindical, entendidos como possíveis concessões.Dinamarca; educação primária e secundária inferior; textos de políticas de 2005 a 2020.
Traianou, 2025Dilemas sindicais diante de reformas, especialmente avaliação escolar e docente.A crise gerou incertezas estratégicas; sindicatos mantiveram atuação e defesa do estatuto e das condições de trabalho.Grécia; educação básica; reformas entre 2010 e 2023, em austeridade prolongada.
Archer, 2024Ação coletiva de uma coalizão de organizações de educação infantil na elaboração de orientações.A diversidade da coalizão favoreceu condições de contestação de políticas; discute potencial de defesa colaborativa.Inglaterra; educação infantil; revisão iniciada em 2019.
Ham, 2026Desenvolvimento colaborativo de uma abordagem escolar a partir de referencial internacional.Concepções prévias de educadores se alinhavam a referenciais conhecidos e ao currículo australiano.Austrália; gestores e professores; referencial de competência global do PISA.
Sorensen, 2023Relação entre democratização e reformas educacionais.Autonomia e escolha avançaram, mas a equalização das escolas foi eliminada como resultado paradoxal.Coreia do Sul; décadas de 1980 e início de 1990.
Bang, 2023Implementação da educação baseada em competências.Relata influência transnacional, escassez de recursos e custos para atores da base, entre outros resultados críticos.Camarões; ensino secundário geral anglófono.
Oldervik, 2026Respostas de dirigentes a mudanças na governança escolar.Descreve liderança intensificada para lidar com responsabilidades, comunidades locais e reformas.Noruega; duas escolas de ensino médio.
Embling et al., 2026Preparação para reforma curricular com foco em saúde e bem-estar.Identifica tensão com pressões por desempenho acadêmico e destaca parceria, recursos e apoio em vários níveis.País de Gales; quatro escolas secundárias; preparação para implementação a partir de setembro de 2022.

Quais pontos em comum e divergências aparecem entre os estudos?

Um ponto comum é que a mudança educacional envolve disputa sobre quem define prioridades e como elas chegam à escola. Na Dinamarca, a pressão sindical foi associada a ajustes de política. Na Grécia, a crise tornou mais incerta a estratégia sindical. Na Inglaterra, organizações da educação infantil formaram uma coalizão para elaborar orientações alternativas. Na Austrália, gestores e professores participaram de uma tradução colaborativa de um referencial internacional.

Outra convergência é a distância possível entre objetivos anunciados e condições de implementação. O estudo de Camarões relata escassez de recursos em uma política baseada em competências; o estudo galês aponta a importância de recursos, desenvolvimento profissional e trabalho em parceria. Na Noruega, as mudanças de governança ampliaram a complexidade das responsabilidades de dirigentes. Os contextos e os objetos são diferentes, mas todos chamam atenção para o trabalho que uma reforma exige de quem atua nas escolas.

As divergências também são importantes. Algumas pesquisas destacam sindicatos como agentes de contestação; outras estudam coalizões profissionais, participação docente ou liderança escolar sem analisar sindicatos como foco central. Além disso, uma mesma reforma pode produzir ganhos e perdas: na Coreia do Sul, a ampliação de escolha e autonomia coexistiu com o enfraquecimento da equalização escolar, conforme o estudo.

Permanece em aberto como comparar a força de sindicatos em sistemas políticos diferentes e quais formas de participação geram efeitos duradouros para professores e estudantes. Os resumos tampouco permitem concluir que uma estratégia específica — negociação, mobilização, coalizão ou participação local — será sempre a mais eficaz. O ponto mais seguro é reconhecer que as relações entre poder, voz profissional, recursos e objetivos educacionais variam de caso para caso.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não testam diretamente as atividades abaixo. São sugestões de aplicação inspiradas nas questões que eles levantam; cada professor pode adaptá-las à etapa de ensino e à realidade da escola.

1. Diferencie a decisão anunciada da mudança vivida

Uma forma de aplicar essa ideia é propor uma conversa sobre como uma nova regra chega à rotina. Imagine uma turma de 7º ano discutindo a adoção de uma plataforma escolar: os estudantes podem identificar o que a proposta promete, o que muda na prática e quais condições seriam necessárias para usá-la. A atividade não precisa avaliar se a política é boa ou ruim de saída; pode ajudar a turma a separar intenção, implementação e experiência concreta.

2. Inclua mais de uma perspectiva na análise

Uma reforma pode ser vista de modo diferente por docentes, gestão, famílias e estudantes. Como aplicação, apresente uma situação hipotética — por exemplo, uma mudança no formato de avaliação — e peça que grupos assumam perspectivas distintas. Depois, a turma pode comparar interesses e procurar pontos de acordo. A proposta dialoga com os estudos que mostram coalizões, conflitos e participação de diferentes atores, sem afirmar que uma simulação reproduza negociações reais.

3. Pergunte quem participou da elaboração

Ao discutir uma orientação ou projeto escolar, os alunos podem mapear quem participou da decisão e quem será responsável por executá-la. Imagine uma atividade sobre uma nova regra de uso de recursos digitais: a classe pode listar quais perguntas faria a professores, gestão e estudantes antes da implementação. É uma forma de exercitar análise crítica sobre processos decisórios; não substitui os canais formais de consulta nem representa uma conclusão específica dos estudos.

4. Observe a diferença entre autonomia e igualdade

O caso sul-coreano mostra que objetivos valorizados podem entrar em tensão. Como aplicação, proponha que a turma analise uma situação hipotética em que cada escola possa escolher métodos diferentes, mas tenha condições desiguais. Que benefícios a autonomia pode trazer? Que riscos aparecem se os recursos forem muito diferentes? O exercício ajuda a perceber que defender liberdade de escolha não responde sozinho à questão de como garantir oportunidades mais equitativas.

5. Discuta recursos antes de avaliar resultados

Uma política pode criar novas tarefas sem que a escola tenha meios suficientes para realizá-las, como relata o estudo de Camarões. Em sala, uma aplicação possível é pedir que os estudantes planejem um projeto escolar hipotético e identifiquem tempo, materiais, apoio e responsabilidades necessários. Depois, podem discutir o que seria justo cobrar se alguns recursos não estivessem disponíveis. Isso favorece uma conversa concreta sobre condições de trabalho e aprendizagem, sem transformar a atividade em julgamento de uma política local.

6. Trate participação como construção, não apenas como protesto

Os casos da Inglaterra e da Austrália mostram formas de participação que incluem elaborar orientações e traduzir referenciais com educadores. Uma aplicação hipotética é convidar a turma a revisar uma proposta de atividade e sugerir ajustes a partir de sua experiência, explicando as razões. O professor pode acolher sugestões e mostrar quais são possíveis dentro do planejamento. A ideia é ampliar a compreensão de participação, não prometer que toda sugestão será incorporada.

O que muda no contexto brasileiro?

Os estudos citados tratam de países e instituições diferentes do Brasil. A estrutura dos sindicatos, as regras de carreira, a organização dos sistemas educacionais, o financiamento e os mecanismos de participação podem variar; por isso, não é correto transportar diretamente uma política grega, dinamarquesa ou australiana para uma escola brasileira.

O que pode ser aproveitado é uma pergunta de análise: quem participou da elaboração da mudança, que espaço existe para negociação e quais condições de trabalho e recursos acompanham a implementação? Essa pergunta pode ser útil diante de propostas que chegam à escola por diferentes níveis de gestão, mas as respostas dependem das normas e dos canais institucionais brasileiros. O caso dinamarquês mostra que pressão sindical pode acompanhar ajustes; não permite afirmar que a mesma sequência ocorrerá aqui.

Também vale olhar para as tensões sem simplificá-las. Os estudos mostram que autonomia pode coexistir com perda de igualdade, que metas de desempenho podem entrar em tensão com objetivos de bem-estar e que participação formal não garante recursos. No Brasil, a discussão deve partir da realidade da rede, da escola e da comunidade, sem assumir que os arranjos de outros países sejam equivalentes. Para o professor, comparar pode abrir perguntas e oferecer vocabulário para a conversa, mas não substitui conhecer as regras locais nem dialogar com as entidades e equipes responsáveis.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na seleção apresentada, e não na leitura integral das pesquisas. Os resumos permitem identificar o tema, alguns procedimentos e os resultados que os autores destacam, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar o alcance de cada conclusão ou comparar diretamente os métodos.

Ficam em aberto perguntas como: quais ajustes específicos ocorreram em cada política, como os participantes foram selecionados em todos os estudos e quais efeitos duradouros as mudanças tiveram sobre o trabalho docente e a aprendizagem? Também não é possível concluir, apenas com esses resumos, que a atuação sindical tenha causado cada mudança descrita ou que os achados se apliquem a todas as escolas de um país.

Faria sentido ler os estudos completos quando a escola, uma entidade profissional ou um pesquisador quiser entender os métodos, as vozes ouvidas, os documentos analisados e os detalhes das políticas nacionais. Para uma conversa inicial entre professores, os resumos oferecem um mapa de questões; para decidir sobre uma reforma concreta ou sustentar uma análise mais aprofundada, é importante consultar os textos completos e as normas do contexto correspondente.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma discussão sobre reformas pode virar uma atividade de leitura crítica: os estudantes comparam objetivos, atores, condições e possíveis consequências de uma política hipotética. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a criar questões e avaliações a partir de materiais que você selecionar, sem substituir a análise do professor sobre o contexto e o conteúdo. Se quiser experimentar a plataforma, faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre sindicatos e reformas educacionais

Os estudos mostram que sindicatos conseguem mudar reformas?

Alguns dos estudos relatam influência concreta, mas não mostram que sindicatos controlem o resultado de uma reforma. Na Dinamarca, a pesquisa identificou ajustes contínuos dos legisladores em resposta à pressão do sindicato, descritos como possíveis concessões políticas. Na Grécia, o estudo relata incerteza estratégica durante um período de austeridade e, ao mesmo tempo, continuidade da atuação sindical em defesa de condições de trabalho. Os resultados são situados nesses países e não garantem que a pressão produza os mesmos efeitos em outros sistemas.

Todo estudo apresentado analisa sindicatos de professores?

Não. Laursen investiga um conflito entre legisladores e o sindicato dinamarquês, e Traianou estuda sindicatos gregos diante de reformas. Outros trabalhos tratam de uma coalizão de organizações de educação infantil na Inglaterra, de colaboração entre educadores na Austrália, de liderança escolar na Noruega e de reformas em contextos como Coreia do Sul e País de Gales. Esses estudos ampliam a discussão sobre participação e implementação, mas não devem ser apresentados como evidência direta sobre sindicatos quando esse não é o tema investigado.

Participar da elaboração garante uma reforma melhor?

Os resumos não permitem afirmar que a participação garanta resultados melhores. O estudo australiano relata que concepções prévias de professores e gestores se alinhavam a referenciais pedagógicos conhecidos e ao currículo local, e discute o desenvolvimento colaborativo de uma abordagem. O caso inglês analisa uma coalizão que elaborou orientações para o setor. São exemplos de participação e construção coletiva, não provas de que toda iniciativa participativa será eficaz. A qualidade da implementação também depende de condições, recursos e contexto.

Autonomia escolar sempre reduz a desigualdade?

Não é o que se pode concluir a partir dos estudos. A pesquisa histórica sobre a Coreia do Sul relata um efeito paradoxal: reformas associadas a escolha e autonomia atenderam a algumas metas dos democratizadores, mas eliminaram a equalização das escolas que muitos deles também defendiam. Isso não significa que autonomia cause necessariamente desigualdade em qualquer país. Mostra que políticas podem avançar em um objetivo e recuar em outro, e que os efeitos dependem das regras e das condições específicas do sistema educacional.

O que um professor brasileiro pode fazer com essas pesquisas?

Uma possibilidade é usar os casos como perguntas para analisar mudanças próximas da realidade escolar: quem participou da decisão, o que se espera dos professores, quais recursos existem e como serão consideradas as diferenças entre escolas. Também é possível propor atividades em que estudantes comparem perspectivas e discutam tensões entre autonomia, igualdade e desempenho. Essas são sugestões de aplicação, não recomendações testadas pelos estudos. Para avaliar uma política brasileira, é necessário considerar suas próprias regras e consultar fontes adequadas ao contexto nacional.

Por que ler estudos de outros países se as regras são diferentes?

Comparar não significa copiar. Os estudos ajudam a identificar questões que podem passar despercebidas: a influência de sindicatos, o espaço dado ao conhecimento docente, as consequências imprevistas de uma reforma e a importância dos recursos. Como os países têm instituições e políticas diferentes, os achados não devem ser transferidos automaticamente para o Brasil. Eles servem como referência para formular perguntas melhores e orientar uma conversa contextualizada, não como prova de que determinada solução funcionará em uma rede brasileira.

Referências

  1. Laursen (2024). A luta como precondição para mudanças na política educacional: uma análise textual bourdieusiana de um conflito entre legisladores e o sindicato dos professores dinamarqueses (Struggle as a Precondition for Changes in Educational Policy: A Bourdieusian Text Analysis of a Conflict between Legislators and the Danish Teachers' Union). Journal of Educational Change. Link.
  2. Traianou (2025). Depois do Último Bom Ano: Sindicatos de Professores e Reforma Educacional na Grécia (After the Last Good Year: Trade Unions and Educational Reform in Greece). Globalisation, Societies and Education. Link.
  3. Archer (2024). O desenvolvimento das Orientações Birth to Five Matters: reflexões sobre a agência crítica e a defesa coletiva de uma coalizão inglesa de educação infantil (The Development of "Birth to Five Matters Guidance": Reflections on the Critical Agency and Collective Advocacy of an English Early Childhood Coalition). Early Years: An International Journal of Research and Development. Link.
  4. Ham e Menzie-Ballantyne (2026). Utilização dos conhecimentos prévios dos professores como base para o desenvolvimento colaborativo de políticas: um estudo de caso australiano (Using Teachers' Prior Knowledge as the Foundation for Collaborative Policy Development: An Australian Case Study). Asia Pacific Journal of Education. Link.
  5. Sorensen (2023). O Efeito Paradoxal da Democratização sobre o Sistema Educacional Sul-Coreano nas Décadas de 1980 e início de 1990 (The Paradoxical Effect of Democratisation on the South Korean Education System in the 1980s and Early 1990s). History of Education. Link.
  6. Bang e Kum (2023). Reformar a educação pelas lentes da educação baseada em competências: uma crítica marxista (Reforming Education through the Lenses of Competence-Based Education: A Marxist Critique). Journal for Critical Education Policy Studies. Link.
  7. Oldervik (2026). A resposta dos dirigentes escolares à complexidade da governança (The Response of School Leaders to Governance Complexity). Journal of Educational Administration and History. Link.
  8. Embling, O'Donnell, Moore e Long (2026). Preparação das escolas secundárias para a implementação do Currículo para o País de Gales: estudos de caso sobre abordagens à saúde e ao bem-estar no contexto da reforma do sistema educacional nacional (Secondary Schools' Preparation for Roll-Out of Curriculum for Wales: Case Studies of Approaches to Health and Well-Being in the Context of National Education System Reform). Curriculum Journal. Link.

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