Segregação racial e mudança social: por que a escola não muda só com novas regras
Estudos da África do Sul e da Índia mostram como desigualdades históricas atravessam língua, currículo, recursos e identidade. Veja caminhos para conversar sobre mudança social na escola sem importar soluções prontas.
A segregação racial não termina quando uma regra discriminatória é revogada: seus efeitos podem continuar organizando oportunidades, recursos e pertencimentos dentro e ao redor da escola.
Estudos recentes realizados sobretudo na África do Sul ajudam a enxergar essa continuidade em dimensões concretas: financiamento desigual, condições dos bairros, escolhas de língua, modos de ensinar História e espaço para diferentes identidades. Para professores brasileiros, a contribuição não é importar respostas prontas, mas observar como a história e as relações de poder aparecem na experiência escolar cotidiana.
O que é segregação racial e mudança social em outros países e por que importa para o professor?
Segregação racial é a separação ou hierarquização de grupos racializados, sustentada por regras, práticas e condições sociais que distribuem de modo desigual acesso, voz e recursos. Mudança social é a transformação dessas relações; ela pode envolver políticas, instituições e ações coletivas, sem apagar automaticamente os efeitos deixados pelo passado.
Na rotina escolar, esse tema não se limita a uma aula sobre leis antigas. Pode aparecer na distribuição de recursos entre comunidades, nas expectativas dirigidas a diferentes grupos, na escolha de línguas valorizadas, nas histórias que entram no currículo e em quem é reconhecido como fonte legítima de conhecimento. O estudo sobre escolas do Cape Flats, por exemplo, relaciona os efeitos duradouros da segregação do apartheid ao financiamento desigual, à superlotação e à violência de gangues nos bairros (Christian, 2024).
O contexto sul-africano é específico: os estudos discutem a história colonial e do apartheid, assim como seus legados. Não é equivalente à história brasileira. Ainda assim, observar como pesquisadores de outros países conectam passado e presente pode ajudar o professor a formular perguntas melhores: que desigualdades são visíveis na escola? Quais parecem naturais, embora tenham uma história? Quem participa das decisões sobre a mudança?
O que a pesquisa recente mostra sobre segregação racial e mudança social?
Os estudos reunidos não oferecem uma teoria única nem tratam todos da mesma dimensão. Em conjunto, investigam como legados históricos e hierarquias sociais atravessam a gestão escolar, a experiência dos estudantes, o ensino de línguas, a História e práticas educativas sobre colorismo.
As heranças da segregação aparecem nas condições concretas da escola
Na província sul-africana de Western Cape, diretores de escolas de ensino fundamental falaram sobre os efeitos persistentes das políticas segregacionistas do apartheid. O estudo relata que a violência de gangues nos bairros e o financiamento muito desigual entre bairros afetam a educação das crianças e a capacidade de liderança dos diretores, em contextos também marcados por superlotação e desigualdade (Christian, 2024).
O trabalho também registra uma tensão entre iniciativas locais e ação governamental. Segundo os diretores entrevistados, programas liderados por pais, como o Ônibus a Pé, podem produzir efeitos positivos, mas o governo tende a enfraquecer os esforços dos pais para trabalhar com as direções em favor da equidade. Os autores apontam que ampliar o poder de gestão de pais e diretores pode ajudar a reduzir desigualdades extremas. É uma conclusão situada nas perspectivas desses participantes, não uma receita universal para qualquer sistema escolar.
Outro estudo sul-africano examina a liderança em escolas secundárias de comunidades historicamente classificadas como coloured, na Província do Cabo Ocidental. Com entrevistas a quatro diretores e quatro professores de quatro escolas, a pesquisa explora como lideranças atuam num ambiente de políticas neoliberais e maior responsabilização por padrões de desempenho. Os autores defendem que programas de formação considerem valores e práticas culturais e que uma mentalidade empreendedora seja incentivada de modo culturalmente sensível (Larey, 2025).
Esses trabalhos aproximam duas escalas: as condições estruturais em que a escola opera e as decisões que gestores e comunidades conseguem tomar. A ação local pode ser importante, mas não elimina por si só desigualdades de financiamento, contexto ou oportunidade. Para a leitura pedagógica, isso é um alerta contra responsabilizar apenas professores, famílias ou estudantes por resultados moldados também por condições mais amplas.
Língua, identidade e pertencimento não têm respostas simples
Na África do Sul, o debate entre inglês e africâner é ligado a disputas de poder e identidade. O estudo sobre estudantes mestiços falantes de africâner em uma periferia urbana relata ceticismo em relação à aprendizagem do inglês. Parte da comunidade associa o inglês ao elitismo e ao poder; outra parte o vê como ameaça à preservação da identidade mestiça. O africâner, por sua vez, tem uma posição histórica ambígua: associado tanto à opressão quanto à identidade de grupos que foram oprimidos (Sibanda, 2024).
Esse resultado não autoriza concluir que determinada língua seja, em qualquer país, apenas símbolo de dominação ou de libertação. O que ele mostra é que escolhas linguísticas podem carregar significados históricos e afetivos diferentes para grupos distintos. Uma política escolar que trate a língua somente como ferramenta neutra pode deixar de perceber o que está em jogo para os estudantes.
Em uma sala brasileira, uma aplicação possível seria investigar como os alunos entendem as variedades linguísticas que ouvem em casa, na comunidade e na escola. Isso é uma proposta de atividade, não um achado do estudo sul-africano. O cuidado é não transformar a conversa em classificação de fala “certa” e “errada” nem pedir que estudantes representem um grupo inteiro. A pergunta pedagógica pode ser: quem ganha prestígio quando uma forma de falar é valorizada e outra é corrigida?
Ensinar o passado exige discutir fontes, tempo e responsabilidade
Um estudo realizado na mesma escola sul-africana, com trabalho de campo etnográfico em 1998 e 2019, investigou como professores abordavam os legados do conflito. Os autores organizaram a análise em três questões: onde os professores traçam a fronteira entre passado e presente; quais fontes são consideradas legítimas, incluindo experiência vivida e conhecimento especializado; e quem é visto como responsável por promover e se beneficiar da mudança, em termos individuais ou coletivos (Dryden-Peterson, 2024).
O resumo não apresenta um resultado simples como “os professores mudaram de opinião” ou “o ensino ficou melhor”. A contribuição relatada é um referencial para investigar como e por que essas fronteiras são estabelecidas. Isso importa porque uma aula sobre segregação pode apresentar fatos históricos sem discutir se os efeitos pertencem apenas ao passado, quais vozes ajudam a interpretá-los e como se distribui a responsabilidade pela transformação.
Uma aplicação possível é colocar lado a lado uma fonte histórica e um relato de experiência, perguntando o que cada uma permite compreender e o que não alcança. A proposta não significa equiparar todas as fontes ou substituir conhecimento histórico por opinião: trata-se de tornar explícito como se constrói uma explicação e quem tem autoridade para participar dela.
Diálogo e narrativas podem abrir espaço para reflexão crítica
Em uma turma de 11º ano na África do Sul, as pesquisadoras observaram uma aula de poesia em inglês como língua adicional. O estudo relata que uma pedagogia dialógica crítica pode recorrer a problemas da vida real dos estudantes, perguntas de ordem superior, múltiplas modalidades e um espaço inclusivo para as ideias da turma. A análise também identificou diálogo com os estudantes, sobre a aprendizagem, por meio de recursos digitais e em prol da justiça social; os autores observaram que essa abordagem pode fortalecer identidades sociais adolescentes (Mavhiza, 2024).
Esse estudo não examina diretamente uma política de segregação racial. Sua relevância para o assunto está em mostrar possibilidades pedagógicas para discutir identidade e justiça social sem reduzir o ensino à transmissão de definições. A poesia, nesse caso, funciona como ponto de partida para relacionar linguagem, problemas da vida real e produção de sentido.
Na Índia, um estudo-piloto avaliou um curso on-line de três semanas para profissionais de saúde pública sobre colorismo e produtos de clareamento da pele. A formação usou pedagogia baseada em casos e contação estratégica de histórias. Depois do curso, os participantes demonstraram melhora significativa no conhecimento sobre discriminação baseada no tom da pele e clareamento, relataram maior preocupação com a gravidade do problema e descreveram uma experiência positiva de aprendizagem (Santoso, 2023).
O contexto e o público são diferentes dos de uma escola básica brasileira: o curso foi dirigido a profissionais de saúde pública e tratou da realidade indiana. Ainda assim, o estudo oferece uma pista pedagógica delimitada: casos e histórias podem ser usados para trabalhar um tema social complexo. Não prova que a mesma intervenção terá os mesmos resultados com crianças ou adolescentes, mas permite pensar em narrativas cuidadosamente escolhidas como disparadores de análise, desde que não exponham estudantes nem transformem experiências de discriminação em espetáculo.
Quais estudos sobre segregação racial e mudança social se complementam?
Os estudos abaixo investigam recortes diferentes, com contextos e participantes próprios. A tabela resume o foco de cada um sem sugerir que todos tenham encontrado o mesmo tipo de resultado.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| (Christian, 2024) | Perspectivas de diretores sobre efeitos persistentes da segregação na escolarização de crianças. | Desigualdade de financiamento entre bairros, violência de gangues, superlotação e limites à liderança; registra propostas de maior poder de gestão a pais e diretores. | Escolas de ensino fundamental em Western Cape, África do Sul. |
| (Larey, 2025) | Liderança escolar em instituições historicamente desfavorecidas e políticas neoliberais. | Defende formação atenta a valores e práticas culturais e uma abordagem empreendedora culturalmente sensível. | Quatro escolas secundárias de Western Cape, África do Sul; entrevistas com diretores e professores. |
| (Sibanda, 2024) | Relações entre língua, identidade e hierarquias raciais no debate inglês-africâner. | Relata ceticismo sobre o inglês e sentidos distintos atribuídos a essa língua; apresenta o africâner como marcador de identidade mestiça e com posição histórica ambígua. | Estudantes mestiços falantes de africâner em periferia urbana da África do Sul. |
| (Dryden-Peterson, 2024) | Como professores abordam legados do conflito e estabelecem fronteiras de tempo, fontes e responsabilidade. | Propõe um referencial comparativo para investigar essas fronteiras no ensino de História. | Uma escola sul-africana observada em 1998 e 2019. |
| (Mavhiza, 2024) | Pedagogia dialógica crítica, poesia e desenvolvimento da identidade adolescente. | Relata possibilidades de diálogo, ensino problematizador, múltiplas modalidades e fortalecimento de identidades sociais. | Aula de 11º ano em escola de township, Gauteng, África do Sul. |
| (Santoso, 2023) | Curso on-line com histórias e casos sobre colorismo. | Relata aumento significativo de conhecimento, maior preocupação com discriminação por tom de pele e experiência de aprendizagem positiva. | Profissionais de saúde pública; curso sobre colorismo na Índia, realizado em 2021. |
O que há em comum e o que diverge entre os estudos?
Em conjunto, os estudos tratam a escola como parte de relações sociais mais amplas, e não como espaço isolado. Os trabalhos sobre a África do Sul mostram que heranças históricas podem aparecer em condições materiais, identidades linguísticas, escolhas curriculares e modos de ensinar. O estudo indiano acrescenta um recorte sobre colorismo e formação por casos, mas não aborda o mesmo sistema escolar nem a mesma história nacional.
Há também diferenças importantes no tipo de evidência. Alguns estudos exploram experiências de poucos participantes ou uma escola específica; outro acompanha uma escola em dois momentos históricos; e o estudo de colorismo combina questionários antes e depois de um curso com respostas abertas. Por isso, não é adequado transformar qualquer resultado em lei geral sobre toda a África do Sul, toda a Índia ou todas as escolas.
Os textos tampouco convergem numa única solução. O estudo sobre diretores destaca recursos, contexto e gestão; o trabalho sobre língua evidencia significados em disputa; o de História oferece perguntas para analisar fronteiras entre passado, fontes e responsabilidade; e os estudos pedagógicos descrevem abordagens para diálogo e aprendizagem. Continua em aberto como combinar mudanças institucionais, participação comunitária e práticas de sala de aula de modo eficaz em contextos distintos.
Como levar essas ideias para a sala de aula?
As propostas a seguir são aplicações pedagógicas inspiradas pelos temas dos estudos, não resultados testados por todos eles. O professor pode ajustá-las à idade da turma, ao currículo e ao contexto local, sem pedir que estudantes compartilhem experiências pessoais de discriminação.
1. Investigue o caminho entre passado e presente
Uma aplicação possível é pedir à turma que escolha um tema histórico e identifique que perguntas permitem relacioná-lo ao presente sem afirmar que nada mudou. Imagine uma turma de 8º ano analisando uma política antiga de separação social: os alunos podem distinguir o que a fonte informa, o que ela não explica e quais questões atuais ainda precisam de outras evidências. A proposta dialoga com as perguntas sobre tempo, fontes e responsabilidade examinadas no estudo de História (Dryden-Peterson, 2024).
2. Compare fontes e pergunte quem pode falar
Uma aplicação possível é reunir fontes de formatos diferentes sobre um tema, como um texto histórico e um depoimento publicado, e pedir que os estudantes comparem alcance, perspectiva e limites. A intenção não é declarar que todas as versões têm o mesmo valor, mas discutir como se constrói conhecimento e quais vozes ficam de fora. Esse exercício pode ajudar a turma a separar evidência, interpretação e opinião, aproximando-se das questões sobre legitimidade das fontes levantadas por Dryden-Peterson (2024).
3. Trate língua e identidade com curiosidade, não com rótulos
Uma aplicação possível é propor que a turma observe situações em que diferentes formas de falar recebem prestígio ou são corrigidas, sem eleger um aluno como representante de uma comunidade. Por exemplo, uma turma pode analisar falas fictícias ou trechos públicos e discutir como contexto, audiência e poder influenciam a linguagem. O estudo sul-africano mostra que uma língua pode carregar sentidos históricos e identitários ambivalentes; não fornece uma equivalência direta para o Brasil (Sibanda, 2024).
4. Use perguntas que abram investigação
Uma aplicação possível é partir de um poema, conto ou situação-problema e elaborar perguntas que exijam interpretação: quem fala, quais experiências são reconhecidas, que tensões aparecem e que outras perspectivas poderiam estar presentes? Imagine uma turma de 9º ano discutindo um poema sobre pertencimento: o professor pode abrir espaço para leituras diferentes sem obrigar os estudantes a revelar vivências pessoais. A observação de aula de poesia na África do Sul destaca perguntas de ordem superior e conexão com problemas da vida real (Mavhiza, 2024).
5. Trabalhe colorismo com casos fictícios e mediação cuidadosa
Uma aplicação possível é criar um caso fictício sobre padrões de beleza e discriminação pela tonalidade da pele, seguido por perguntas sobre consequências, estereótipos e formas de contestação. Evite pedir que estudantes comparem a própria aparência ou contem experiências íntimas. O curso estudado na Índia usou pedagogia baseada em casos e histórias com profissionais de saúde pública; seus resultados não garantem o mesmo efeito numa turma escolar, mas oferecem uma referência para planejar uma conversa mediada (Santoso, 2023).
6. Analise desigualdade sem culpar uma pessoa ou uma família
Uma aplicação possível é apresentar uma situação hipotética em que escolas de bairros diferentes enfrentam condições distintas e pedir que os alunos separem fatores individuais, comunitários e institucionais. A conversa pode incluir quais informações seriam necessárias antes de propor uma solução. Esse tipo de análise ajuda a não explicar dificuldades escolares apenas por esforço ou comportamento, em sintonia com o estudo que relaciona financiamento, superlotação e contexto dos bairros à escolarização (Christian, 2024).
7. Convide a turma a pensar em ação coletiva
Uma aplicação possível é encerrar uma sequência com uma proposta de melhoria pequena, viável e construída em grupo, como tornar uma atividade mais inclusiva ou ampliar a participação dos estudantes numa decisão da turma. Não é preciso afirmar que uma ação local resolverá desigualdades estruturais. O estudo de diretores em Western Cape chama atenção para o papel de pais e gestores, enquanto o de História pergunta quem promove e quem se beneficia da mudança; juntos, ajudam a abrir a discussão sobre participação (Christian, 2024; Dryden-Peterson, 2024).
O que muda ao trazer essas pesquisas para o contexto brasileiro?
A principal adaptação é não tratar o apartheid sul-africano como sinônimo da história brasileira. Os estudos selecionados descrevem contextos próprios, com categorias raciais, políticas linguísticas e trajetórias institucionais que não podem ser transferidas automaticamente. Para o professor no Brasil, servem como comparações e perguntas, não como diagnóstico direto da sua escola.
Também é importante não supor que uma mesma prática tenha o mesmo efeito em qualquer faixa etária. A observação sobre poesia foi realizada em uma turma sul-africana de 11º ano; o curso sobre colorismo foi destinado a profissionais de saúde pública na Índia; e as entrevistas com diretores tratam de escolas específicas. A aplicação em educação infantil, ensino fundamental ou médio precisa considerar idade, segurança emocional, objetivos pedagógicos e repertório da turma.
Uma adaptação cuidadosa começa por investigar o que faz sentido localmente: que materiais representam diferentes experiências? Quais formas de participação estão disponíveis? Como se distribuem recursos e oportunidades na comunidade escolar? Essas são perguntas para investigação, não conclusões que os estudos apresentados autorizam sobre o Brasil. Quando a conversa envolver racismo ou colorismo, o professor pode trabalhar com fontes e situações fictícias, evitar expor alunos e construir regras de diálogo que protejam a participação de todos.
Por fim, não reduza mudança social a uma atividade pontual. As pesquisas indicam dimensões distintas: formação culturalmente sensível, gestão, recursos, currículo, língua e diálogo. Uma aula pode abrir reflexão e apoiar participação, mas não substitui políticas e condições institucionais. Reconhecer essa diferença permite propor ações pedagógicas sem prometer que elas, sozinhas, corrigirão desigualdades estruturais.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados, e não na leitura integral de cada publicação. Os trabalhos têm objetivos, métodos e contextos diferentes; alguns focam escolas ou grupos específicos, e os resumos não fornecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, duração das intervenções ou alcance dos resultados.
Ficam em aberto perguntas importantes: como as práticas descritas funcionam em outras escolas e faixas etárias? Que condições materiais são necessárias para sustentar mudanças? Como estudantes de diferentes grupos interpretam as atividades ao longo do tempo? E quais propostas são mais adequadas ao contexto brasileiro? Para planejar uma intervenção extensa, elaborar formação docente ou usar um estudo como base de política escolar, faz sentido consultar o texto completo e verificar seus métodos, limites e referências.
Como o GeraProva pode ajudar a trabalhar esse assunto?
Uma avaliação sobre segregação racial e mudança social pode combinar interpretação de fontes, análise de conceitos e perguntas que peçam justificativas, em vez de cobrar apenas definições. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a estruturar questões e atividades para a turma, que o professor revisa e adapta ao contexto e à idade dos estudantes. Para conhecer a plataforma, acesse o cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre segregação racial e mudança social na escola
Como explicar segregação racial para estudantes sem simplificar a história?
Uma forma é explicar que segregação racial envolve separação e hierarquização sustentadas por regras e práticas sociais, e que seus efeitos podem permanecer depois que regras mudam. Os estudos sul-africanos relacionam o legado do apartheid a desigualdades de financiamento, condições de bairro, língua e identidade (Christian, 2024; Sibanda, 2024). Isso não significa dizer que toda desigualdade atual tenha uma única causa. Em sala, vale distinguir fatos históricos, evidências disponíveis e interpretações, além de deixar claro que o caso sul-africano não representa automaticamente a história brasileira.
Essas pesquisas provam que uma aula pode acabar com o racismo?
Não. Os estudos não demonstram que uma aula isolada elimine racismo ou segregação. Eles investigam dimensões específicas, como diálogo em uma aula de poesia, um curso sobre colorismo, as percepções de diretores e o ensino de História. O estudo sobre poesia relata possibilidades para incluir vozes e relacionar conteúdo a problemas da vida real (Mavhiza, 2024), enquanto o curso indiano encontrou melhora de conhecimento entre profissionais de saúde pública (Santoso, 2023). São referências para planejar experiências pedagógicas, não evidência de que uma atividade, sozinha, transforme estruturas sociais.
Como falar de colorismo sem constranger os estudantes?
Uma possibilidade é usar situações fictícias, histórias ou casos preparados com cuidado e discutir efeitos de padrões de beleza e discriminação sem pedir que os alunos exponham aparência ou experiências pessoais. O estudo realizado na Índia avaliou um curso on-line baseado em casos e contação de histórias para profissionais de saúde pública; os participantes mostraram melhora no conhecimento sobre discriminação por tom de pele e relataram maior preocupação com sua gravidade (Santoso, 2023). Como o público não era uma turma escolar, o resultado não deve ser transferido diretamente. A aplicação precisa proteger a privacidade e prever mediação docente.
O que a escolha da língua tem a ver com identidade?
Uma língua pode carregar significados históricos, políticos e afetivos, e esses sentidos podem ser diferentes dentro de uma mesma comunidade. Na África do Sul, o estudo sobre estudantes mestiços falantes de africâner relata que parte da comunidade associa o inglês a elitismo e poder, enquanto outra parte o considera uma ameaça à identidade; o africâner aparece com uma posição histórica ambígua (Sibanda, 2024). Isso não define como línguas são percebidas no Brasil. Para a sala de aula, o estudo sugere uma pergunta útil: quais formas de falar recebem prestígio e quais são desvalorizadas, e por quê?
Como relacionar o passado à realidade atual sem dizer que nada mudou?
Uma maneira é diferenciar continuidade e transformação. O estudo de ensino de História na África do Sul examina como professores traçam fronteiras entre o período do conflito e o presente, que fontes reconhecem e quem consideram responsável pela mudança social (Dryden-Peterson, 2024). Em sala, o professor pode comparar fontes e pedir que a turma identifique o que mudou, o que persiste e que evidências sustentam cada afirmação. Assim, a relação entre passado e presente não vira uma equivalência automática: os alunos investigam conexões, mas também reconhecem diferenças entre épocas e contextos.
As soluções discutidas para escolas sul-africanas servem para o Brasil?
Não podem ser aplicadas automaticamente. As pesquisas tratam de condições e histórias particulares, entre elas o apartheid, as categorias raciais sul-africanas e disputas entre inglês e africâner. O estudo de diretores em Western Cape destaca financiamento desigual, superlotação, violência nos bairros e propostas de maior poder de gestão para pais e diretores (Christian, 2024). Para o Brasil, isso funciona como ponto de comparação e convite à investigação local, não como diagnóstico ou política pronta. Antes de adaptar uma proposta, é importante considerar a comunidade, os recursos disponíveis e a faixa etária dos estudantes.
Referências
- Christian, Desire'; Stambach, Amy E. (2024). Desigualdades no Cape Flats: perspectivas de diretores sobre a escolarização das crianças (Inequalities in the Cape Flats: Principals' Perspectives on Children's Schooling). South African Journal of Childhood Education. Link.
- Larey, Desireé Pearl (2025). Neoliberalismo e a mudança de direção das escolas: uma abordagem de liderança eduempreendedora (Neoliberalism and the Changing Direction of Schools: An Edupreneurial Leadership Approach). International Journal of Educational Management. Link.
- Sibanda, Rockie (2024). Condenado se fizer, condenado se não fizer: estudantes mestiços das periferias urbanas presos ao debate entre inglês e africâner (You're Damned if You Do, You're Damned if You Don't: Coloured Township Learners Caught in the English-Afrikaans Debate). Journal of Language, Identity, and Education. Link.
- Dryden-Peterson, Sarah; Robinson, Natasha (2024). Tempo, fontes e responsabilidade: compreendendo as mudanças nos usos do passado no ensino de História na África do Sul “pós-conflito”, em 1998 e 2019 (Time, Source, and Responsibility: Understanding Changing Uses of the Past in 'Post-Conflict' South African History Teaching, 1998 and 2019). Compare: A Journal of Comparative and International Education. Link.
- Mavhiza, Grace; Nkealah, Naomi (2024). Pedagogia dialógica crítica e desenvolvimento da identidade de adolescentes em uma turma de poesia em inglês como língua adicional do 11º ano, na África do Sul (Critical Dialogic Pedagogy and Adolescents' Identity Development in a Grade 11 English First Additional Language Poetry Classroom in South Africa). Africa Education Review. Link.
- Santoso, Monique; Agrawal, Reena; Tiwari, Kritika; Manjanatha, Deepa; Austin, S. Bryn; McAdams-Mahmoud, Ayesha; Craddock, Nadia; Raffoul, Amanda (2023). Enfrentando o colorismo por meio da contação de histórias em um curso on-line para profissionais de saúde pública (Tackling Colourism through Storytelling in an Online Course for Public Health Professionals). Health Education Journal. Link.
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