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Saúde física das meninas na escola: por que banheiros e menstruação também são cuidado

Pesquisas recentes relacionam saúde menstrual, acesso ao banheiro e atuação da enfermagem escolar. Veja o que os estudos investigaram e como transformar esses achados em cuidados possíveis na rotina da escola.

Saúde física das meninas na escola: por que banheiros e menstruação também são cuidado

A saúde física das meninas na escola envolve condições para cuidar da menstruação, usar banheiros limpos e privados e receber orientação adequada. Estudos recentes destacam o papel da enfermagem escolar na educação menstrual e na orientação sobre acesso ao banheiro. Para professores, isso significa colaborar com uma rotina respeitosa, sem barreiras desnecessárias, e encaminhar dúvidas de saúde aos profissionais responsáveis.

O banheiro também faz parte do cuidado com a saúde das meninas na escola. Pesquisas recentes mostram que condições de uso, privacidade, limpeza e acesso a produtos menstruais entram na experiência escolar e merecem atenção junto com a educação em saúde.

Isso importa para o professor porque regras cotidianas — como pedir autorização para sair da sala ou lidar com uma estudante que precisa de absorvente — podem facilitar ou dificultar necessidades físicas básicas. Os estudos não colocam toda a responsabilidade no docente: destacam a atuação da enfermagem, a organização da escola e a importância de ambientes que permitam pedir ajuda sem constrangimento.

O que é saúde fisiológica de meninas na escola e por que importa para o professor?

Saúde fisiológica de meninas na escola é o cuidado com necessidades e processos corporais que interferem no bem-estar durante o período escolar, como menstruação, higiene menstrual e acesso ao banheiro. Na rotina, o tema aparece quando uma estudante precisa trocar um produto menstrual, usar o banheiro, pedir orientação ou lidar com desconforto. A enfermagem escolar pode orientar, apoiar o manejo e contribuir com professores e gestores para que regras e recursos não criem obstáculos desnecessários.

O assunto não se limita a uma aula sobre o ciclo menstrual. Inclui também condições concretas: banheiros limpos e privados, disponibilidade de produtos, informação adequada e adultos preparados para responder com respeito. Uma adolescente pode conhecer o funcionamento do ciclo e ainda assim enfrentar dificuldade se não consegue sair da sala ou se não encontra os recursos de que precisa.

Para o professor, a consequência prática é reconhecer que participação e aprendizagem dependem também de condições básicas de saúde. Isso não significa diagnosticar sintomas nem substituir profissionais de saúde. Significa observar como as rotinas escolares funcionam, acolher pedidos com discrição e saber a quem encaminhar uma necessidade. Os estudos reunidos aqui investigam dimensões diferentes desse cenário, em países e sistemas escolares distintos.

O que a pesquisa recente mostra sobre saúde física das meninas na escola?

Os estudos recentes apontam que a saúde menstrual e o acesso ao banheiro não são questões isoladas: envolvem informação, infraestrutura, normas escolares e articulação entre profissionais. Os resultados variam conforme o tema e o contexto, mas ajudam a identificar onde a escola pode oferecer apoio e quais perguntas ainda precisam de resposta.

Educação menstrual precisa de informação, preparo e colaboração

Uma pesquisa em uma escola secundária exclusivamente feminina de Perth, na Austrália Ocidental, investigou facilitadores e barreiras para implementar uma abordagem de escola inteira de alfabetização em saúde menstrual ovulatória. No levantamento inicial, 12 integrantes da equipe escolar mostraram atitudes positivas e conhecimento anatômico sólido, mas conhecimento limitado sobre padrões do ciclo. Nas entrevistas e discussões posteriores, os autores identificaram como facilitadores os materiais validados do programa, o alinhamento curricular e o enfrentamento do estigma (Roux, 2025).

O mesmo estudo também encontrou barreiras que ajudam a pensar a implementação: necessidade de formação profissional, duração do programa ao longo dos anos, separação entre Saúde e Ciências, dependência da liderança e desafios para estabelecer parcerias comunitárias. A recomendação relatada é desenvolver a iniciativa junto à liderança e à equipe escolar. O ponto para professores não é copiar um programa australiano, mas perceber que uma ação isolada pode ter dificuldade de se sustentar se não houver coordenação e preparo (Roux, 2025).

Outra pesquisa, com enfermeiras escolares do ensino fundamental I nos Estados Unidos, explorou como elas percebiam a educação menstrual. As 30 participantes responderam a um questionário de métodos mistos. Os dados indicaram disposição para participar de formação continuada, mas também conhecimentos e habilidades pedagógicas limitados e pouca familiaridade com diferenças culturais relacionadas à saúde menstrual (Sweeney, 2024).

Esses resultados não dizem que a enfermagem deva assumir sozinha todo o ensino. Eles mostram uma necessidade de apoio para quem pode ser chamado a conversar sobre menstruação, sobretudo quando professores não se sentem preparados. A colaboração entre enfermagem e equipe pedagógica pode ajudar a ajustar a linguagem à idade e ao contexto das estudantes.

Produtos menstruais e acesso ao banheiro fazem parte do cuidado

Em escolas do Missouri, nos Estados Unidos, enfermeiros escolares participaram de grupos focais sobre recursos e necessidades de produtos menstruais. Os profissionais relataram recursos insuficientes para ajudar estudantes e reduzir ausências relacionadas à menstruação. Também apontaram que a dependência de doações pode produzir abastecimento irregular e produtos incompatíveis com as necessidades. Além disso, pediram mais recursos educacionais para estudantes e responsáveis (Kuhlmann, 2025).

O estudo não avalia uma solução única para todas as escolas. Sua contribuição é tornar visível que disponibilizar produtos exige pensar em continuidade e adequação, não apenas em uma doação pontual. Para a equipe escolar, isso sugere que a existência de um estoque conhecido, acessível e acompanhado pode ser mais útil do que depender de iniciativas ocasionais; essa é uma aplicação possível, não um resultado testado pelo estudo.

O acesso ao banheiro também foi investigado diretamente. Em entrevistas com 30 adolescentes do ensino médio, nos Estados Unidos, as barreiras relatadas incluíram banheiros desagradáveis, falta de privacidade e normas da escola e dos professores. Banheiros limpos e privativos e a menstruação apareceram como facilitadores do uso. Os autores apontam que melhorar limpeza e privacidade e eliminar regras que controlam o acesso pode reduzir obstáculos (Allen, 2025).

Um levantamento com enfermeiros escolares nos Estados Unidos, por sua vez, tratou de constipação e acesso ao banheiro, e não exclusivamente de meninas. Entre 125 respondentes, 95% atendiam estudantes com constipação pelo menos mensalmente; banheiros sujos e bullying foram barreiras frequentemente citadas. Metade informou que o acesso ficava a critério dos professores, e apenas 37% sabiam da existência de normas formais na escola. O estudo indica a importância de formação e de regras para toda a escola que apoiem o uso do banheiro (Chu, 2025).

Infraestrutura, frequência e aprendizagem se relacionam, mas não são a mesma coisa

Em Gana, um estudo transversal com 875 alunas do ensino fundamental e do ensino médio de primeiro ciclo analisou instalações de água, saneamento e higiene, gestão da higiene menstrual, frequência escolar e resultados de aprendizagem. O acesso à água potável esteve associado a maior chance de melhor desempenho acadêmico; a frequência regular também apresentou associação positiva. Já a gestão da higiene menstrual não apareceu associada de forma independente aos resultados de aprendizagem na análise relatada (Frimpong, 2026).

É importante preservar essa distinção: o estudo encontrou associações, não prova que a água ou a frequência, isoladamente, causem uma mudança de desempenho. Também não permite concluir que a higiene menstrual não importa para a vida escolar. O resultado diz respeito à relação estatística examinada com aprendizagem e reforça a necessidade de considerar infraestrutura e frequência, sem reduzir o bem-estar a notas.

Intervenções educativas podem mudar conhecimento e atitudes

Uma intervenção escolar avaliada em estudantes do ensino médio combinou duas sessões: uma em grupos mistos, para conhecimentos básicos e enfrentamento do estigma, e outra só para meninas, com foco em manejo de sintomas e acesso a serviços de saúde. Participaram da análise 113 meninas e 37 meninos. Após a intervenção, o conhecimento aumentou significativamente entre as meninas; entre os meninos, o ganho de conhecimento não foi estatisticamente significativo. Ainda assim, melhorou a percepção dos meninos sobre a menstruação como processo natural, e as meninas ficaram menos propensas a negar quaisquer efeitos da menstruação (Bollinger, 2026).

Esse resultado dá apoio à ideia de que falar de menstruação pode envolver estudantes de diferentes gêneros, embora o formato e os objetivos de cada conversa possam variar. Os autores também destacam que são necessárias pesquisas futuras sobre a duração das mudanças e sobre como otimizar abordagens inclusivas quanto ao gênero (Bollinger, 2026).

Uma pesquisa em Zagreb, na Croácia, comparou uma representação pictórica e um videoclipe simples para ensinar a determinação dos dias da ovulação. Participaram 122 estudantes de três escolas de ensino médio. As avaliações foram aplicadas antes, depois e cerca de três meses após a aula. O estudo encontrou diferença no impacto do tipo de material sobre os resultados nessa tarefa, e estudantes e professores consideraram o vídeo oferecido melhor do que a imagem oferecida (Sirovina, 2025).

Esse achado é específico: trata da representação do ciclo e da determinação dos dias da ovulação, não de toda a educação menstrual. Ainda assim, lembra que a forma de explicar pode influenciar a compreensão. Uma imagem ou um vídeo bem escolhido pode apoiar a aula, desde que o professor confira se o material é claro e adequado ao objetivo.

O que os estudos mostram lado a lado?

A tabela resume o foco e os resultados dos estudos citados. Os contextos não são intercambiáveis: variam entre países, faixas escolares e métodos, e cada pesquisa responde a uma pergunta específica.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Roux, 2025Facilitadores e barreiras à abordagem de escola inteira sobre saúde menstrual ovulatória.Atitudes positivas e materiais validados favoreceram a implementação; formação, coordenação e parcerias foram desafios.Escola secundária exclusivamente feminina em Perth, Austrália Ocidental; equipe escolar.
Kuhlmann, 2025Recursos e necessidades de produtos menstruais segundo enfermeiros escolares.Recursos insuficientes, dependência de doações e demanda por materiais educativos.Missouri, Estados Unidos; oito grupos focais, 51 enfermeiros.
Allen, 2025Barreiras e facilitadores para uso do banheiro por adolescentes.Limpeza, privacidade e normas escolares influenciam a experiência de uso.Ensino médio nos Estados Unidos; entrevistas com 30 adolescentes.
Sweeney, 2024Percepções de enfermeiras sobre educação menstrual no ensino fundamental I.Interesse em formação continuada e necessidade de apoio pedagógico e cultural.Estados Unidos; questionário respondido por 30 enfermeiras escolares.
Frimpong, 2026Relação entre WASH, gestão menstrual, frequência e aprendizagem.Água potável e frequência regular associaram-se a melhores resultados; gestão menstrual não teve associação independente.Gana; 875 alunas do ensino fundamental e do ensino médio de primeiro ciclo.
Bollinger, 2026Intervenção educativa sobre conhecimento e atitudes menstruais.Conhecimento aumentou significativamente entre meninas; atitudes também melhoraram em aspectos específicos.Ensino médio; 113 meninas e 37 meninos. O resumo não identifica o país.
Sirovina, 2025Imagem versus vídeo no ensino sobre ciclo menstrual e ovulação.O tipo de material teve impacto diferente; participantes preferiram o vídeo oferecido.Três escolas de ensino médio em Zagreb, Croácia; 122 estudantes.
Chu, 2025Constipação, barreiras ao banheiro e formação de enfermeiros.Atendimentos frequentes e barreiras ambientais; interesse em formação adicional.Estados Unidos; pesquisa com 125 enfermeiros escolares.

Quais são os pontos em comum e as diferenças entre os estudos?

Um ponto comum é que o cuidado escolar depende tanto de informação quanto de condições concretas. Os estudos sobre banheiro e produtos menstruais mostram obstáculos materiais e organizacionais; os trabalhos sobre educação destacam preparo profissional, materiais e escolhas pedagógicas. Em conjunto, eles sugerem que uma aula bem planejada não compensa, por si só, um banheiro sem privacidade ou a falta de acesso a produtos.

Outra convergência é a importância de adultos e regras institucionais. Adolescentes entrevistadas citaram normas escolares como barreira ao banheiro, enquanto enfermeiros relataram que a autorização para sair pode ficar a critério do professor. Já os estudos de implementação e educação destacam formação, liderança e coordenação entre áreas. A escola, portanto, não é apenas o lugar onde a estudante recebe informação: suas rotinas também podem facilitar ou dificultar o cuidado.

As diferenças são relevantes. Alguns estudos tratam diretamente de menstruação; outros investigam o uso do banheiro, a constipação ou a infraestrutura de água e saneamento. Os métodos também variam: entrevistas, grupos focais, questionários e análises de associação não produzem o mesmo tipo de evidência. O estudo de Gana encontrou associação entre água potável, frequência e aprendizagem, mas não associação independente entre gestão menstrual e aprendizagem. Isso não contradiz estudos que discutem produtos ou conforto: as perguntas são diferentes.

Também permanecem questões abertas. Os resultados de uma intervenção educativa precisam de acompanhamento para saber se as mudanças se mantêm. Estudos realizados em outros países não estabelecem automaticamente quais políticas ou recursos funcionariam no Brasil. E os resumos não permitem comparar diretamente programas, custos ou efeitos em diferentes idades. A conclusão mais prudente é trabalhar com o que os estudos realmente relatam e adaptar qualquer iniciativa ao contexto local.

O que o professor pode fazer na sala de aula e na rotina escolar?

Uma aplicação cuidadosa começa por práticas simples, alinhadas à equipe de saúde e à gestão. As sugestões abaixo são formas de levar os achados para a rotina; não são intervenções cuja eficácia tenha sido testada por todos os estudos citados.

1. Combine uma resposta discreta a pedidos de banheiro

Como aplicação, professor e equipe podem combinar um procedimento simples para que estudantes peçam para sair sem precisar explicar detalhes diante da turma. Imagine uma aluna do 8º ano que precisa ir ao banheiro durante uma aula: uma resposta breve e respeitosa evita transformar uma necessidade física em exposição. O estudo com adolescentes identificou normas escolares e de professores entre as barreiras relatadas ao uso do banheiro (Allen, 2025).

2. Saiba quem procurar quando uma estudante precisa de apoio

Como aplicação, deixe claro para a turma, sem destacar uma estudante, quais profissionais podem ajudar com uma necessidade de saúde ou com produtos menstruais. Imagine uma estudante que percebeu que a menstruação começou e não tem um produto consigo: saber onde pedir ajuda reduz a necessidade de improvisar ou de explicar a situação a várias pessoas. A escola pode combinar esse fluxo com a enfermagem e a gestão, respeitando a privacidade.

3. Trate limpeza e privacidade como parte da conversa sobre saúde

Como aplicação, registre problemas recorrentes de limpeza, falta de privacidade ou indisponibilidade de água e encaminhe-os à equipe responsável, em vez de tratar o banheiro apenas como tema disciplinar. Imagine que estudantes evitam usar um banheiro porque o consideram desagradável: ouvir o que relatam e repassar a questão pode ajudar a escola a identificar uma barreira prática. A importância de limpeza e privacidade aparece nas entrevistas com adolescentes e nos relatos de enfermeiros (Allen, 2025; Chu, 2025).

4. Planeje uma conversa menstrual que não dependa de uma única pessoa

Como aplicação, professores, enfermagem e coordenação podem decidir em conjunto quem conduz cada parte, quais dúvidas podem ser respondidas na escola e para onde encaminhar questões de saúde. Imagine uma turma que traz perguntas sobre o ciclo: o professor pode apoiar a aprendizagem sem assumir o papel de profissional de saúde. A experiência australiana destaca colaboração e formação como pontos importantes para implementar uma abordagem escolar mais ampla (Roux, 2025).

5. Use recursos visuais com um objetivo de aprendizagem definido

Como aplicação, escolha imagem, vídeo ou outro recurso a partir da ideia que a turma precisa compreender, e não apenas porque o formato parece mais moderno. Por exemplo, se a meta é entender que o ciclo tem diferentes momentos, o professor pode comparar uma representação visual clara com uma explicação verbal e abrir espaço para perguntas. O estudo croata encontrou diferença entre os materiais oferecidos no ensino sobre ovulação, mas não autoriza concluir que todo vídeo seja melhor que toda imagem (Sirovina, 2025).

6. Inclua meninos na redução do estigma, sem apagar necessidades específicas

Como aplicação, atividades em grupos mistos podem abordar a menstruação como processo natural e combater brincadeiras ou ideias equivocadas; conversas específicas com meninas podem tratar de manejo de sintomas e acesso a serviços, quando apropriado. Imagine uma turma em que circulam comentários constrangedores: uma discussão orientada pode estabelecer respeito e informação. A intervenção estudada combinou sessões mistas e uma sessão exclusiva para meninas, com mudanças em conhecimentos e atitudes em dimensões específicas (Bollinger, 2026).

7. Pergunte se produtos e informações chegam de forma regular

Como aplicação, a equipe pode verificar com a enfermagem se há um ponto conhecido para solicitar produtos menstruais, se o abastecimento é previsível e se estudantes e responsáveis têm acesso a orientações. Imagine uma estudante que encontra produtos disponíveis em alguns momentos, mas não em outros: a irregularidade pode transformar um recurso existente em apoio pouco confiável. Enfermeiros do Missouri relataram problemas de abastecimento e demanda por recursos educativos (Kuhlmann, 2025).

8. Evite diagnosticar e encaminhe situações que pedem cuidado

Como aplicação, acolha o relato sem fazer avaliação clínica, sem exigir que a estudante exponha informações pessoais diante de colegas e sem prometer resultados. Se houver uma preocupação persistente, siga os procedimentos da escola e encaminhe à enfermagem ou aos responsáveis conforme as orientações locais. O estudo sobre constipação reforça que enfermeiros escolares lidam com demandas frequentes e que barreiras ambientais e normas podem dificultar o uso do banheiro (Chu, 2025).

O que muda quando aplicamos essas pesquisas ao contexto brasileiro?

Os estudos citados foram realizados em outros países: Austrália, Estados Unidos, Gana e Croácia. Eles não descrevem diretamente as redes brasileiras, suas regras de acesso ao banheiro, a organização da enfermagem escolar ou a disponibilidade de produtos. Por isso, é mais seguro usar os achados como perguntas para a própria escola do que copiar políticas, programas ou formatos de outro lugar.

Uma equipe brasileira pode começar verificando questões locais: estudantes conseguem pedir para usar o banheiro com discrição? Há privacidade e condições de higiene? Existe um fluxo conhecido para pedir ajuda ou produtos menstruais? Quem conversa com a turma sobre saúde menstrual e como recebe apoio? Essas perguntas não pressupõem que todas as escolas tenham os mesmos recursos ou que exista uma única solução.

Também é importante considerar que os estudos tratam de idades e cenários diferentes. A pesquisa com enfermeiras do ensino fundamental I aborda percepções profissionais; os estudos com adolescentes investigam experiências de estudantes mais velhas. Uma conversa adequada para uma turma dos anos iniciais pode não servir para adolescentes. A adaptação deve respeitar a idade, a linguagem, a privacidade e as orientações da rede de ensino, sem apresentar recomendações estrangeiras como normas brasileiras.

Quando a escola não conta com enfermeiro ou profissional de saúde presente, o professor não precisa ocupar esse lugar. Pode articular-se com a coordenação, os responsáveis e os serviços definidos pela rede, além de defender procedimentos claros para acolhimento e encaminhamento. Os estudos sobre formação e implementação reforçam a utilidade de pensar o cuidado como responsabilidade organizada, em vez de depender apenas da iniciativa individual de um adulto.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados como fonte, e não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem identificar objetivos, métodos gerais e resultados relatados, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, análises, limitações ou condições de aplicação. Os achados apresentados foram mantidos no alcance descrito pelos próprios resumos, sem transformar associações em causas ou resultados específicos em regras universais.

Ficam em aberto perguntas importantes: como mudanças educativas se mantêm ao longo do tempo; quais formas de acesso a produtos funcionam de modo sustentável em escolas com recursos diferentes; e como as experiências variam entre estudantes de idades, contextos culturais e redes escolares distintas. Também seria necessário conhecer mais sobre a aplicação desses temas em escolas brasileiras e sobre como estudantes, famílias e equipes locais avaliam as soluções.

Faria sentido ler os estudos completos antes de desenhar uma intervenção formal, orientar uma política escolar ou afirmar que um formato educativo é mais eficaz em qualquer contexto. Isso é especialmente importante para comparar métodos, compreender detalhes de amostras e conhecer os limites que não aparecem nos resumos. Para o uso cotidiano do professor, a leitura oferece pistas para observar a rotina e conversar com a equipe, não um protocolo clínico.

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Perguntas frequentes sobre saúde física das meninas na escola

O professor deve liberar o banheiro sempre que uma estudante pedir?

Os estudos citados não estabelecem uma regra universal para todas as escolas, mas mostram que normas e decisões de professores podem ser barreiras ao uso do banheiro. Uma aplicação responsável é combinar com a gestão um procedimento que permita atender necessidades físicas sem exigir justificativas públicas. Se houver uma situação recorrente, o professor pode conversar com a coordenação e a enfermagem, quando disponível. O objetivo é acolher e encaminhar, não diagnosticar nem expor a estudante diante da turma.

A escola deve falar de menstruação com meninos e meninas juntos?

Uma intervenção escolar estudada combinou uma sessão em grupos mistos, voltada ao conhecimento básico e ao estigma, com outra exclusiva para meninas sobre manejo de sintomas e acesso a serviços. Após a intervenção, houve mudanças em conhecimentos e atitudes em aspectos específicos (Bollinger, 2026). Isso não prova que um único formato sirva para toda escola. Como aplicação, a equipe pode tratar respeito e informação em conjunto e planejar espaços específicos quando houver dúvidas ou necessidades que peçam maior privacidade.

Ter produtos menstruais disponíveis resolve as dificuldades na escola?

Produtos podem ser parte do apoio, mas o estudo com enfermeiros do Missouri identificou também insuficiência de recursos, dependência de doações com abastecimento irregular e necessidade de mais materiais educativos (Kuhlmann, 2025). Portanto, a disponibilidade precisa ser acompanhada de um modo conhecido e discreto de pedir ajuda e de atenção à continuidade do estoque. O resumo não compara modelos de distribuição. A escola pode discutir com a enfermagem e a gestão quais recursos são possíveis e como evitar que o acesso dependa de uma situação constrangedora.

Vídeos são melhores do que imagens para ensinar o ciclo menstrual?

O estudo realizado em Zagreb comparou um videoclipe simples com uma representação pictórica ao ensinar sobre os dias da ovulação. Encontrou diferença no impacto do tipo de material e relatou que estudantes e professores preferiram o vídeo oferecido (Sirovina, 2025). Isso é um resultado ligado à tarefa e aos materiais estudados, não uma regra de que qualquer vídeo supera qualquer imagem. O professor pode escolher o recurso pela clareza, adequação à turma e objetivo da aula, e checar se a representação não reforça confusões.

Os estudos provam que saúde menstrual melhora as notas?

Não. O estudo realizado em Gana encontrou associação entre acesso à água potável e melhores resultados de aprendizagem, além de uma associação positiva entre frequência regular e aprendizagem. A gestão da higiene menstrual não teve associação independente com os resultados de aprendizagem na análise relatada (Frimpong, 2026). Como o estudo é transversal, esses resultados não demonstram que um fator cause outro. Eles também não dizem que a saúde menstrual seja irrelevante: bem-estar, acesso a recursos e aprendizagem são questões relacionadas, mas não idênticas.

O que fazer se a escola não tem enfermeiro?

Os estudos sobre enfermagem mostram contribuições possíveis de profissionais de saúde, como orientação, apoio educativo e articulação com a equipe, mas não dizem que o professor deva assumir funções clínicas. Como aplicação, a escola pode definir com a coordenação quem recebe pedidos de ajuda, como preservar a privacidade e quais serviços ou responsáveis devem ser acionados conforme os procedimentos locais. Também pode conversar com a rede de ensino sobre formação e recursos. A ausência de enfermeiro não elimina a necessidade de uma resposta organizada e respeitosa.

Referências

  1. Roux, F., Hendriks, J., Chih, H. e Burns, S. (2025). Facilitadores e Barreiras para a Implementação de uma Abordagem de Escola Inteira em Alfabetização em Saúde Menstrual Ovulatória: Um Estudo de Caso em uma Escola Exclusivamente Feminina na Austrália Ocidental (Enablers and Barriers of Implementing a Whole School Approach to Ovulatory Menstrual Health Literacy: A Case Study of a Single-Sex School in Western Australia). Australian Educational Researcher. Link.
  2. Kuhlmann, A. K. S., Palovick, K. A., Allen, C., Teni, M. T. e Marshall, C. (2025). Recursos e necessidades de produtos menstruais nas escolas do Missouri: grupos focais com enfermeiros escolares (Period Product Resources and Needs in Missouri Schools: Focus Group Discussions with School Nurses). Journal of School Nursing. Link.
  3. Allen, E. S. e Low, L. K. (2025). Perspectivas de Adolescentes do Sexo Feminino sobre Barreiras e Facilitadores ao Uso do Banheiro no Ensino Médio (Adolescent Women's Perspectives on Barriers and Facilitators to High School Bathroom Use). Journal of School Nursing. Link.
  4. Sweeney, E. N., Fisher, C. M. e Adkins, M. M. (2024). Percepções de enfermeiras escolares do ensino fundamental I sobre educação menstrual: um estudo exploratório (Elementary School Nurses' Perceptions Regarding Menstruation Education: An Exploratory Study). Journal of School Nursing. Link.
  5. Frimpong, J. A., Codjoe, S. N. A., Abu, M., Ayisi-Addo, A. K. e Bayari, E. E. (2026). A associação entre água, saneamento e higiene (WASH), gestão da higiene menstrual, frequência escolar e resultados de aprendizagem entre meninas em Gana (The Association between WASH, Menstrual Hygiene Management, Attendance and Learning Outcomes among Girls in Ghana). Discover Education. Link.
  6. Bollinger, L., Escriva-Boulley, G. e Gavens, N. (2026). Avaliação de uma intervenção educativa em escola sobre o conhecimento e as atitudes de meninos e meninas em relação à saúde menstrual (Evaluating a School-Based Educational Intervention on Boys' and Girls' Menstrual Health Knowledge and Attitudes). Health Education Journal. Link.
  7. Sirovina, D., Sović, B., Davda Sirovina, B., Krstanac, Ž., Halapir Franković, R. e Kovačević, G. (2025). Diferenças entre a apresentação por imagem e por vídeo nos resultados do ensino sobre o ciclo menstrual (Differences between Image Presentation and Video Presentation on the Outcome of Teaching about the Menstrual Cycle). Journal of Biological Education. Link.
  8. Chu, A. S. e Chiou, E. H. (2025). Percepções de uma pesquisa com enfermeiros escolares: avaliação dos desafios da constipação nas escolas (Insights from a Survey of School Nurses: Assessing the Challenges of Constipation in Schools). Journal of School Health. Link.

Se esse tema aparece na sua rotina, converse com a equipe da escola e escolha uma pequena mudança possível para tornar o cuidado mais acessível e respeitoso.

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