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Relações entre colegas na escola: testes validados medem dimensões diferentes

Estudos recentes desenvolveram e adaptaram instrumentos para avaliar bullying, apego, comunicação e identidade social entre estudantes. Os resultados mostram por que escolher a medida certa depende da pergunta que o professor quer investigar.

Relações entre colegas na escola: testes validados medem dimensões diferentes

Medir relações entre colegas exige escolher um instrumento adequado à pergunta: há escalas validadas para investigar vitimização por bullying, apego aos pares, comunicação, identidade social e adaptação escolar. Estudos recentes mostram que esses testes avaliam dimensões diferentes; por isso, uma escala desenvolvida em outro país não deve ser aplicada automaticamente no Brasil sem considerar idioma e contexto cultural.

Uma escala desenvolvida para estudantes do ensino fundamental identificou três dimensões da vitimização por bullying: física, verbal e social. A pesquisa que validou esse instrumento encontrou evidências de validade e confiabilidade para as três dimensões e para a escala como um todo (Teleb, 2025). Esse resultado mostra algo importante para quem acompanha uma turma: relações entre colegas não são uma coisa só, e a maneira de medi-las depende da pergunta feita.

Uma medida pode focalizar agressões e vitimização; outra, confiança e comunicação; outra ainda, como adolescentes acreditam que são vistos pelos pares. Pesquisas recentes em diferentes países construíram ou adaptaram instrumentos para investigar essas dimensões. Conhecer o que cada ferramenta procura avaliar ajuda o professor a ler resultados com mais cuidado, a formular perguntas melhores e a não confundir uma pontuação com um retrato completo da convivência.

O que significa medir relações entre colegas na escola e por que isso importa para o professor?

Medir relações entre colegas é transformar uma pergunta sobre convivência em um conjunto organizado de itens ou indicadores que possam ser respondidos e analisados. Na rotina escolar, isso pode envolver investigar se estudantes relatam experiências de bullying, como descrevem a confiança e a comunicação entre amigos ou como percebem sua posição diante dos pares. Cada instrumento representa uma definição específica do que será observado: não existe uma única escala capaz de responder automaticamente a todas essas perguntas.

Para o professor, essa distinção importa porque situações parecidas à primeira vista podem apontar para questões diferentes. Um estudante que participa pouco de conversas pode estar se sentindo excluído, pode preferir observar antes de se aproximar, ou pode estar enfrentando uma dificuldade de comunicação em determinado grupo. Uma medida sobre vitimização não responde, por si só, como esse estudante entende suas amizades; uma escala de apego tampouco identifica necessariamente episódios de agressão.

Um teste validado é um instrumento que foi examinado para verificar se seus itens representam o que se propõem a medir e se produzem resultados consistentes no contexto em que foi estudado. Validade e confiabilidade são qualidades importantes, mas não significam que a ferramenta seja apropriada para qualquer idade, língua, país ou finalidade. Os estudos apresentados aqui ilustram justamente a variedade de construtos e de processos de construção e adaptação.

Na prática, a pergunta deve vir antes do instrumento. Queremos compreender a experiência de vitimização? Investigar confiança, comunicação e afastamento nas relações? Conhecer a percepção dos adolescentes sobre sua identidade social? A resposta orienta quais evidências procurar e quais limites considerar. Também ajuda a evitar que um resultado seja tratado como diagnóstico individual ou como explicação definitiva para a dinâmica de uma turma.

O que a pesquisa recente mostra sobre testes de relações entre colegas?

Os estudos recentes não oferecem uma escala universal de convivência. Eles investigam partes distintas das relações entre estudantes e mostram como cada medida é construída para uma finalidade delimitada. Algumas pesquisas desenvolvem instrumentos novos; outras adaptam uma escala existente para outra língua e contexto. Também há estudos que examinam associações entre relações, adaptação escolar e outros aspectos do desenvolvimento.

Bullying e vitimização podem ser organizados em dimensões diferentes

Uma pesquisa com estudantes de 11 e 12 anos da região de Asir, em Abha, desenvolveu e avaliou a Escala de Vitimização por Bullying Escolar. A versão estudada ficou com 30 itens distribuídos em três fatores: vitimização por bullying físico, verbal e social, cada um com dez itens. As análises exploratória e confirmatória apoiaram essa estrutura, e os autores relataram confiabilidade para as subdimensões e para a escala completa (Teleb, 2025).

A contribuição prática desse resultado é a separação de formas de vitimização que podem passar despercebidas se a investigação ficar restrita a agressões físicas. Uma medida organizada em dimensões pode orientar uma conversa mais específica sobre o tipo de experiência que se quer compreender. Isso não significa que a escala substitua a escuta, a observação ou os procedimentos de proteção da escola; significa que a ferramenta foi desenhada para avaliar um construto com componentes definidos.

Outra pesquisa desenvolveu a Escala de Bullying entre Pares, ou PeBuS, usando respostas de professores de diferentes etapas escolares no distrito central de Edirne, na Turquia. O instrumento inicial tinha 50 itens do tipo Likert, com quatro opções de resposta. Após análises de validade e confiabilidade, o estudo concluiu que a escala era válida, confiável e utilizável para detectar comportamentos de bullying observáveis nas relações interpessoais, conforme a finalidade descrita pelos autores (Ergin, 2023).

Esses dois trabalhos não são intercambiáveis. Um avalia vitimização relatada por estudantes de 11 e 12 anos; o outro desenvolve uma escala respondida por professores e dirigida à detecção de comportamentos observáveis. A diferença entre quem responde e o que se avalia faz parte da interpretação. Um relato do estudante e uma observação docente podem iluminar aspectos diferentes da mesma situação, sem que um seja automaticamente substituto do outro.

Apego, comunicação e identidade social respondem a outras perguntas

Na Indonésia, pesquisadores adaptaram a subescala de apego aos pares do Inventário de Apego aos Pais e aos Pares para estudantes do ensino secundário. O instrumento adaptado partiu de 25 itens em três dimensões: confiança, comunicação e alienação. Depois das análises, 20 itens demonstraram validade e confiabilidade consideradas adequadas pelos autores, e a estrutura de três fatores foi mantida na versão indonésia (Marini, 2025).

Esse trabalho é um exemplo de adaptação cultural, não apenas de tradução palavra por palavra. O processo relatado seguiu diretrizes internacionais e etapas sistemáticas para buscar equivalência linguística e cultural. Para o professor, a distinção é relevante: uma pergunta sobre confiança ou comunicação entre amigos não mede diretamente bullying, e os resultados de uma versão adaptada em outro país não podem ser transferidos sem avaliação para uma turma brasileira.

Uma pesquisa com estudantes de escolas públicas e privadas do ensino médio no Norte de Chipre buscou construir uma escala de eficácia comunicativa das relações entre pares. Os autores relatam que a análise identificou dez dimensões e validou dez dos 42 itens examinados. O coeficiente alfa de Cronbach foi de 0,835, e o estudo apresentou o instrumento como adequado para avaliar a eficácia comunicativa geral de estudantes do ensino médio naquele sistema educacional (Kalavasonlu, 2024).

Já a Medida de Identidade Social do Adolescente foi desenvolvida para captar duas formas de percepção: como o adolescente acredita que os pares o veem e como gostaria idealmente de ser visto. As duas escalas têm dez itens cada e abordam comportamentos conformistas e não conformistas. As subescalas foram consideradas confiáveis, válidas e invariantes entre grupos de idade e gênero no estudo; também foram observadas diferenças significativas, porém pequenas, nas médias latentes entre gêneros (Carroll, 2023).

Os três instrumentos se aproximam por tratarem do lugar dos pares na experiência escolar, mas diferem no foco. Apego envolve confiança, comunicação e alienação; eficácia comunicativa focaliza a comunicação nas relações; identidade social aborda a percepção de como o adolescente aparece para os outros e de como desejaria aparecer. Essas distinções ajudam a não resumir toda a vida social dos estudantes a uma única medida.

As relações com os pares também aparecem junto à adaptação escolar

Em escolas inclusivas de ensino fundamental e médio na China, um estudo desenvolveu um instrumento para avaliar a adaptação escolar de estudantes com necessidades educacionais especiais. O modelo proposto reuniu quatro fatores: adaptação comportamental, emocional, às relações com os pares e à aprendizagem. Com base em 625 questionários válidos respondidos por professores, os autores relataram bons índices de confiabilidade e validade para esse modelo (Du, 2026).

O estudo também investigou a relação entre estilos interpessoais dos professores, adaptação escolar e desempenho acadêmico. Os estilos positivos predisseram positivamente a adaptação e o desempenho; os estilos negativos predisseram negativamente a adaptação. A adaptação escolar, por sua vez, predisse positivamente o desempenho e mediou parcialmente a relação entre estilos positivos e desempenho. Esses resultados não fazem da adaptação entre pares uma explicação isolada, mas mostram que ela foi considerada como uma das dimensões da experiência escolar de estudantes com necessidades educacionais especiais (Du, 2026).

Uma pesquisa longitudinal realizada na China acompanhou por um ano estudantes que estavam inicialmente no quinto e no oitavo ano. A timidez autorrelatada esteve associada a menor desempenho acadêmico posterior, a mais problemas comportamentais posteriores e a maior vitimização por pares na infância. Entre adolescentes, a timidez não se associou significativamente ao desempenho acadêmico ou a problemas comportamentais, mas contribuiu para uma diminuição da vitimização por pares. Os autores destacam a importância de interpretar a timidez considerando o desenvolvimento (Bian, 2026).

Esse contraste entre infância e adolescência é um lembrete contra interpretações simples. Um mesmo traço não se relacionou da mesma forma com todos os indicadores nem em todas as etapas consideradas. O resultado não autoriza classificar estudantes tímidos como mais ou menos vulneráveis em qualquer turma; mostra que as relações entre características pessoais e ajustamento social podem variar conforme a idade e o indicador observado.

Quais estudos medem dimensões diferentes das relações entre colegas?

A tabela resume os estudos citados e destaca o que cada um investigou. Os contextos apresentados são os informados nos resumos; eles ajudam a situar os resultados, mas não garantem que os instrumentos funcionem da mesma forma em escolas brasileiras.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Teleb, 2025Escala de vitimização por bullying escolar.Três fatores: vitimização física, verbal e social; validade e confiabilidade consideradas elevadas.Estudantes de 11 e 12 anos, região de Asir, Abha; ensino fundamental.
Ergin, 2023Desenvolvimento da Escala de Bullying entre Pares (PeBuS).Concluiu que a escala era válida, confiável e utilizável para detectar comportamentos de bullying.Professores de diferentes etapas escolares em Edirne, Turquia; ano letivo de 2021–2022.
Marini, 2025Adaptação da subescala de apego aos pares do IPPA.Manteve três fatores; 20 itens demonstraram validade e confiabilidade adequadas após análise.Estudantes do ensino secundário em Medan, Indonésia.
Kalavasonlu, 2024Escala de eficácia comunicativa das relações entre pares.Validou dez itens e apresentou dez dimensões; alfa de Cronbach de 0,835.Estudantes do ensino médio, escolas públicas e privadas do Norte de Chipre.
Carroll, 2023Medida de identidade social do adolescente.Subescalas confiáveis, válidas e invariantes entre idade e gênero; diferenças de gênero pequenas.Adolescentes em contextos de ensino secundário; país não indicado no resumo.
Du, 2026Instrumento de adaptação escolar para estudantes com NEE e relação com estilos docentes e desempenho.Modelo com quatro fatores; adaptação mediou parcialmente a relação entre estilos positivos e desempenho.Escolas inclusivas de ensino fundamental e médio na China; questionários de professores.
Bian, 2026Relações entre timidez autorrelatada e ajustamento social e escolar.Associações diferentes entre crianças e adolescentes, incluindo resultados distintos para vitimização por pares.Estudantes na China, inicialmente no quinto e no oitavo ano; estudo longitudinal de um ano.

O que os estudos têm em comum e onde eles divergem?

Os estudos concordam, em primeiro lugar, que relações entre colegas podem ser investigadas por meio de dimensões específicas. Bullying pode ser separado em formas física, verbal e social; apego pode ser organizado em confiança, comunicação e alienação; identidade social pode distinguir a percepção atual da imagem ideal. Em vez de tratar convivência como uma nota única, esses trabalhos descrevem instrumentos alinhados a perguntas delimitadas.

Também compartilham a preocupação com a qualidade da medida. Os estudos de construção e adaptação relatam análises de validade, confiabilidade ou estrutura fatorial. Isso importa porque uma ferramenta não se torna útil só por ter perguntas sobre um tema relevante: é necessário examinar se os itens e as dimensões se sustentam no grupo e no contexto em que foram estudados. Ainda assim, os procedimentos e os resultados não são idênticos entre os trabalhos.

As divergências mais importantes estão no construto, na fonte de informação, na faixa escolar e no contexto cultural. Há medidas respondidas por estudantes e uma escala de bullying desenvolvida com respostas de professores. Alguns estudos focalizam adolescentes; outros incluem crianças ou diferentes etapas. Alguns constroem instrumento do início, enquanto outros adaptam uma medida. Comparar seus resultados como se todos fossem avaliações equivalentes da mesma característica apagaria essas diferenças.

Há também perguntas que permanecem abertas. Os resumos não permitem concluir que uma escala validada em outro país esteja pronta para uso em português brasileiro, nem que uma medida funcione igualmente em todas as regiões, etapas e grupos de estudantes. Tampouco estabelecem que uma pontuação individual seja suficiente para explicar um conflito ou orientar uma decisão escolar. A relação entre uma característica, como timidez, e um indicador social pode ainda variar conforme a etapa do desenvolvimento, como sugere o estudo longitudinal de Bian.

Como o professor pode aplicar essas ideias na sala de aula?

As pesquisas não prescrevem um protocolo único para professores brasileiros. As ideias a seguir são sugestões de aplicação inspiradas nas distinções entre os instrumentos estudados, não resultados testados por essas pesquisas. Em qualquer atividade de escuta, vale preservar a privacidade dos estudantes, evitar exposição pública e seguir os procedimentos de proteção e encaminhamento da escola.

1. Comece pela pergunta, não pela escala

Uma forma de usar isso em sala é explicitar o que se quer compreender antes de preparar perguntas. Imagine uma turma de 7º ano em que há relatos de exclusão nos trabalhos em grupo. A questão pode ser se alguns estudantes se sentem deixados de fora, e não simplesmente se “a turma convive bem”. Definir o foco evita misturar vitimização, amizade e comunicação como se fossem o mesmo fenômeno. Se a pergunta envolve risco ou possível violência, a prioridade é acolher e acionar os procedimentos da escola, não improvisar um teste.

2. Separe as formas de bullying nas conversas de acompanhamento

Uma forma de aplicar a ideia é organizar a escuta em torno de situações físicas, verbais e sociais, distinção presente na escala estudada por Teleb e colegas. Imagine uma conversa reservada sobre apelidos, empurrões e exclusão de atividades: perguntar por cada tipo de experiência pode ajudar a não deixar a investigação restrita ao que é mais visível. Isso não equivale a aplicar ou reproduzir a escala validada, nem a usar uma lista informal para rotular estudantes. É uma sugestão para tornar a conversa mais específica e cuidadosa.

3. Considere quem está respondendo

Uma forma de usar essa distinção é combinar, quando apropriado, a observação docente com a escuta protegida dos estudantes, sem presumir que as fontes contarão a mesma história. Imagine que um professor percebe provocações recorrentes, enquanto alguns alunos dizem que são brincadeiras consentidas. A diferença pode pedir perguntas adicionais e acompanhamento, não uma conclusão automática. O estudo de Ergin trabalhou com respostas de professores; o de Teleb, com estudantes. Seus focos lembram que cada fonte revela uma perspectiva e tem limites próprios.

4. Investigue confiança e comunicação sem confundir isso com ausência de conflito

Uma forma de aplicar o estudo sobre apego é criar oportunidades de conversa sobre se os estudantes sentem que podem falar, pedir ajuda e confiar em colegas. Imagine uma atividade de reflexão individual e privada depois de um trabalho coletivo difícil. A intenção seria abrir espaço para perceber experiências, não medir oficialmente apego nem comparar estudantes. A escala adaptada na Indonésia considerou confiança, comunicação e alienação; uma conversa escolar pode se inspirar nesses temas, mas não herda automaticamente as propriedades de validade do instrumento publicado.

5. Observe como pertencimento e imagem social mudam entre situações

Uma forma de aplicação é perguntar, de maneira não identificável, se os estudantes sentem que podem agir com autenticidade em diferentes grupos e se imaginam que os colegas esperam algo deles. Imagine uma turma em que alguns participam de modo muito diferente durante o recreio e nas atividades em grupo. A reflexão pode ajudar o professor a perceber normas percebidas, mas não deve transformar respostas em rótulos de “conformista” ou “não conformista”. A medida estudada por Carroll foi desenhada para identidade social adolescente, com dimensões específicas de percepção e ideal.

6. Interprete o silêncio com curiosidade, não como diagnóstico

Uma forma de usar os achados sobre timidez é evitar conclusões imediatas quando um aluno participa pouco. Imagine uma estudante que prefere conversar com uma amiga e raramente fala em grupos grandes. Em vez de concluir que está isolada ou que não tem amigos, o professor pode oferecer formas variadas de participação e observar a situação ao longo do tempo. A pesquisa longitudinal encontrou associações diferentes entre crianças e adolescentes e entre indicadores, por isso seus resultados não justificam prever o percurso de uma pessoa com base em um único comportamento.

7. Acompanhe a convivência como parte do contexto escolar

Uma forma de aplicação é considerar como a organização da turma e as relações com os pares podem se relacionar à adaptação, especialmente ao acompanhar estudantes que precisam de apoio. Imagine que uma equipe docente conversa sobre a participação de um aluno em atividades coletivas e registra situações concretas, sem reduzir a análise a desempenho acadêmico. O estudo de Du incluiu a adaptação às relações com os pares entre quatro dimensões da adaptação escolar. Isso sugere uma possibilidade de olhar mais amplo, mas não prova que uma intervenção específica produzirá determinado resultado no Brasil.

O que muda ao interpretar esses testes no contexto brasileiro?

Os estudos foram conduzidos em contextos de outros países, incluindo China, Indonésia, Norte de Chipre, Turquia e a região de Asir, na Arábia Saudita. Isso muda o que podemos concluir: os resultados descrevem instrumentos examinados em grupos e sistemas educacionais específicos, não uma validação automática para estudantes brasileiros. Mesmo quando o tema parece familiar, como bullying ou amizade, as palavras, as situações reconhecidas e as formas de responder podem variar entre língua, cultura, idade e rotina escolar.

O estudo de Marini é especialmente útil para entender que adaptar uma escala exige mais do que traduzir frases. Os autores relatam etapas sistemáticas para buscar equivalência linguística e cultural ao adaptar o IPPA para o contexto indonésio. O exemplo não valida por si só uma tradução brasileira. Para usar um instrumento formalmente no Brasil, seria necessário verificar se há uma versão adequada ao público e à finalidade pretendida, em vez de presumir que a validação estrangeira basta.

Também é importante considerar diferenças de etapa e de respondente. Uma medida para adolescentes do ensino secundário não deve ser tratada como apropriada para crianças pequenas sem avaliação. Um instrumento respondido por professores não mede necessariamente a mesma experiência que um autorrelato estudantil. E um resultado de escolas inclusivas chinesas não determina como a adaptação escolar se organiza em uma escola brasileira. O contexto pode orientar novas perguntas, mas precisa ser analisado localmente.

Para uma utilização responsável, o professor pode tratar pesquisas estrangeiras como referência para pensar dimensões e formular questões, não como norma pronta para classificar turmas. Se houver intenção de aplicar uma escala validada como instrumento de avaliação ou pesquisa, faz sentido consultar a versão, a população estudada, as condições de aplicação e as evidências disponíveis para o contexto brasileiro. Também é prudente evitar divulgação de respostas identificáveis e interpretar resultados com apoio da equipe escolar pertinente.

Quais são os limites desta leitura?

Este texto se baseia nos resumos de estudos recentes, e não na leitura integral dos artigos. Por isso, é possível sintetizar os objetivos, os contextos e os resultados descritos nos resumos, mas não examinar em profundidade os itens de cada instrumento, as decisões analíticas, as condições de aplicação ou todas as ressalvas feitas pelos autores. Os números e conclusões mencionados são apenas os que aparecem nessas descrições.

Ficam em aberto perguntas importantes para quem deseja usar uma escala: como foram formulados os itens completos? Que instruções de aplicação foram usadas? Como os pesquisadores lidaram com respostas ausentes ou diferenças entre grupos? Há versões traduzidas e evidências de validade para estudantes brasileiros? O instrumento serve para acompanhamento pedagógico, pesquisa, triagem ou outro propósito? Os resumos não respondem a todas essas questões.

A leitura do estudo completo faz sentido quando a escola ou um pesquisador pretende escolher, adaptar ou aplicar formalmente um instrumento; quando precisa entender detalhes de amostragem e análise; ou quando quer avaliar se a medida é adequada a uma faixa etária específica. Se a intenção for apenas ampliar a reflexão pedagógica sobre convivência, os resumos ajudam a conhecer os focos possíveis, mas não substituem formação, escuta protegida e procedimentos institucionais de cuidado.

Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?

O GeraProva pode apoiar a criação de provas e atividades com inteligência artificial, por exemplo, preparando questões de reflexão sobre convivência, respeito e leitura de situações hipotéticas. Essas atividades não substituem escalas validadas, avaliação especializada nem procedimentos de proteção; podem apenas compor o trabalho pedagógico conforme o objetivo definido pelo professor. Conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre testes de relações entre colegas

Existe um teste único para medir todas as relações entre colegas?

Os estudos apresentados não indicam a existência de uma medida única capaz de abranger toda a convivência. Eles tratam de construtos diferentes: vitimização por bullying, apego aos pares, eficácia comunicativa, identidade social e adaptação escolar, entre outros. Cada instrumento foi construído ou adaptado para uma pergunta e um grupo específicos. Por isso, a escolha depende do que se quer compreender. Uma escala sobre vitimização não responde automaticamente como os estudantes percebem a confiança nas amizades, e uma medida de identidade social não substitui uma investigação de episódios de bullying.

Uma escala validada em outro país pode ser aplicada diretamente no Brasil?

Não se deve presumir isso. Os estudos analisaram instrumentos em contextos específicos, como escolas na China, na Indonésia, na Turquia e no Norte de Chipre. A adaptação do IPPA para estudantes indonésios, por exemplo, envolveu etapas voltadas à equivalência linguística e cultural; esse processo não valida uma versão brasileira. Antes de usar formalmente uma escala, é importante verificar se há versão adequada ao português brasileiro e evidências para a faixa etária e a finalidade pretendidas. Uma ferramenta estrangeira pode ajudar a pensar perguntas, mas não se transfere automaticamente.

Qual é a diferença entre medir bullying e medir apego aos pares?

Uma escala de vitimização por bullying procura avaliar experiências relacionadas a formas de bullying, como as dimensões física, verbal e social encontradas no estudo de Teleb. Uma medida de apego aos pares investiga aspectos da qualidade das relações, como confiança, comunicação e alienação, considerados na adaptação estudada por Marini. Os focos podem se relacionar na vida escolar, mas não são equivalentes. Um estudante pode ter vínculos de confiança com alguns colegas e enfrentar conflitos com outros; por isso, conhecer o objetivo de cada instrumento é essencial para interpretar respostas.

Os resultados de uma escala permitem identificar ou diagnosticar um estudante?

Os resumos citados não apresentam esses instrumentos como diagnósticos individuais para uso isolado por professores. Eles descrevem medidas construídas ou adaptadas para avaliar determinados fenômenos em grupos específicos. Uma pontuação não explica sozinha a situação de um estudante nem substitui a escuta, a observação e os procedimentos de cuidado da escola. Se houver relato de agressão, exclusão ou sofrimento, o foco deve ser acolher e seguir os encaminhamentos institucionais. Para fins de pesquisa ou avaliação formal, é necessário conhecer o instrumento completo, sua finalidade e as evidências pertinentes ao contexto.

Por que alguns estudos usam respostas de professores e outros de estudantes?

Porque a fonte de informação depende da pergunta e do desenho de cada pesquisa. A escala de bullying desenvolvida por Ergin foi estudada com respostas de professores, enquanto a escala de vitimização de Teleb foi aplicada a estudantes. Um professor pode relatar comportamentos que observa; um estudante pode informar experiências que não são visíveis para adultos. Essas perspectivas podem se complementar, mas não são idênticas. A escolha de quem responde deve estar ligada ao construto que se pretende medir, e divergências entre relatos precisam ser compreendidas com cuidado, não tratadas como prova automática de que alguém está errado.

Como posso usar essas pesquisas sem aplicar uma escala formal?

É possível usar os estudos para pensar com mais precisão nas perguntas feitas em conversas, atividades ou reuniões pedagógicas, sem reproduzir instrumentos protegidos ou apresentar uma atividade informal como teste validado. Por exemplo, o professor pode distinguir situações de agressão física, verbal e social, ou refletir sobre confiança e comunicação em um grupo. Essas são sugestões de aplicação, não resultados avaliados pelos estudos. Mantenha a privacidade dos estudantes, evite rótulos e siga os procedimentos da escola quando surgirem relatos de risco ou sofrimento.

Referências

  1. Teleb, Ahmed A.; Alshahrani, Abdullah M. (2025). Propriedades psicométricas da Escala de Vitimização por Bullying Escolar para estudantes do ensino fundamental (Psychometric Properties of the School Bullying Victimization Scale for Primary School Students). Educational Process: International Journal. link.
  2. Ergin, Demirali Yasar (2023). Desenvolvimento da Escala de Bullying entre Pares (PeBuS) (Development of Peer Bullying Scale (PeBuS)). Open Journal for Educational Research. link.
  3. Marini, Liza; Hendriani, Wiwin; Wulandari, Primatia Yogi (2025). Adaptação e validação da subescala de apego aos pares do IPPA entre adolescentes: um estudo com estudantes do ensino secundário na Indonésia (Adaptation and Validation of the IPPA Peer Attachment Subscale among Adolescents: A Study of Secondary School Students in Indonesia). Educational Process: International Journal. link.
  4. Kalavasonlu, Afet; Akcamete, Gonul (2024). Desenvolvimento de uma escala de eficácia comunicativa educacional das relações entre pares (Developing Educational Communicative Effectiveness of a Peer Relationship Scale). South African Journal of Education. link.
  5. Carroll, Annemaree; Bower, Julie M.; Povey, Jenny; Muspratt, Sandy; Chen, Holly (2023). Validação da Medida de Identidade Social do Adolescente: a percepção dos adolescentes sobre si mesmos em um contexto social (Validation of the Adolescent Social Identity Measure: Adolescents' Perception of Themselves in a Social Context). International Journal of Educational Methodology. link.
  6. Du, Lin; Deng, Meng; Xie, Zhengli (2026). Estilos interpessoais dos professores e desempenho acadêmico de estudantes com necessidades educacionais especiais em escolas inclusivas chinesas: o papel mediador da adaptação escolar (Teachers' Interpersonal Styles and Academic Performance of Students with Special Educational Needs in Chinese Inclusive Schools: The Mediating Role of School Adjustment). International Journal of Disability, Development and Education. link.
  7. Bian, Qinglin; Chen, Xinyin; Li, Dan; Liu, Junsheng; Fu, Rui; Cui, Liying; Liu, Shihong (2026). Timidez autorrelatada e ajustamento social e escolar em crianças e adolescentes (Self-Reported Shyness and Social and School Adjustment in Children and Adolescents). International Journal of Behavioral Development. link.

Se este tema conversa com algo que você observa na sua escola, escolha uma pergunta pequena para começar: entender melhor uma situação já pode abrir espaço para uma conversa mais cuidadosa com a turma.

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